segunda-feira, 23 de outubro de 2023

A Ordem dos Terapeutas


Se você fizer uma pesquisa agora na internet sobre esta ordem e sua história, vai encontrar um tão grande número de mentiras, desinformação e distorções que provavelmente vão levá-lo a crer em todas as ligações absurdas que os ocultistas, neo-gnósticos, nova-eras, falsos teósofos, pseudo-rosacruzes, etc., fazem normalmente. A mais comum dessas contém dois absurdos estonteantes (para os estudiosos, é claro): primeiro diz que os terapeutas eram os essênios e logo em seguida contam outra mentira, que Jesus também teria sido um essênio. 

Vejamos apenas alguns pontos. Jesus andava em meio a multidões e pecadores da pior estirpe, os essênios, por seus próprios regulamentos teriam que manter distância disso tudo, não tocavam nem se deixavam tocar, Jesus tocava até em leprosos (algo expressamente proibido tanto pela simples judaica quanto pelo acréscimo essênio); os essênios usavam branco sempre, algo muito difícil naquela época, Jesus aceitou muitos presentes, roupas coloridas, inclusive vestes púrpura, considerado o máximo da luxúria romana; os essênios não aceitavam mulheres em sua comunidade (e provavelmente as considerava inferiores, claro, ao contrário do que dizem), Jesus tem discípulas, entre as quais três muito importantes (as três Marias) e logo após o evento mais importante do cristianismo, a ressurreição, ele aparece primeiro para estas mulheres, das quais nenhum tipo de judeu aceitava o testemunho (especialmente os essênios já que não aceitavam mulheres); os essênios se retiravam ao deserto o tempo todo e tinham o acetismo extremo como ideal de vida, não tomavam nenhuma bebida alcoólica, e faziam jejuns lingos o tempo todo, Jesus é levado ao deserto para ser tentando pelo diabo e sai dele após seu triunfo sobre satanás, não se submeteu a acetismo extremo senão por estes 40 dias e tomava vinho...

Só essas diferenças já mostram que as informações falsas "não batem" nem com os essênios nem com o Jesus verdadeiro. Mas poderíamos enumerar dezenas de diferenças. 

Outra confusão que gostam de fazer com a ordem dos terapeutas é que ela vem de antes do cristianismo e que era independente deste. No entanto, na ortodoxia não existem diversidades de ordens como no romanismo posterior. Apenar de algumas características próprias, todas as ordens primitivas eram simplesmente ordens cristãs, com um modo de vida ascética retirada comum, a diferença era entre as ordens cenobiticas (vida em comunidade como no ideal demonstrado em Atos) e vida solitária como monge heremita ou completamente recluso. 

A seguir vejamos uma introdução mais geral sobre a ordem dos terapeutas, para depois nos aprofundarmos em alguns detalhes.


 Terapeutas


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Os Terapeutas (em latimTherapeutae; palavra que significa, segundo Filão, "curandeiros" e, para o Pseudo-Dionísio, "servidores") e as Terapeutridas (em latimTherapeutridae; as seguidoras da Ordem) constituíam uma Ordem cenobítica do Cristianismo primitivo, que se conhece actualmente através dos escritos do escritor judeu helenizado Filão de Alexandria[1] que dela teve conhecimento pessoal no Lago Mareotis, perto de Alexandria, e que a caracteriza como vocacionada para a vida contemplativa, em contraste com a vida activa dos Essénios. Dedicavam-se a práticas ascéticas, à oraçãomeditação e leitura das escrituras, em regime de clausura, vivendo em celas individuais, onde passavam seis dias da semana, saindo apenas para as reuniões culturais de sábado. Comiam somente ao cair da noite e alguns ficavam de três a seis dias sem ingerir qualquer alimento.

Ao contrário dos Essênios, admitiam mulheres como membros regulares, que, como os homens, levavam uma vida de total castidade. O centro da liturgia era celebrado aos sábados, descrito por Filão de Alexandria da seguinte forma: depois da oração inicial, vestidos de túnicas brancas, instalavam-se à mesa, homens à direita, mulheres à esquerda, deitados sobre grosseiros leitos recobertos de simples esteiras. O chefe da comunidade, em meio a um silêncio total, fazia então o comentário de uma passagem das Escrituras, segundo o método alegórico. O presidente levantava-se e entoava um hino, sendo o refrão repetido em coro pelo resto do grupo. Servida por noviços, seguia-se a refeição, que constava de pão, 'alimento puríssimo', água e sal. Terminada a refeição, iniciava-se a 'vigília santa'. Homens e mulheres dividiam-se em dois grupos das mesas e punham-se a cantar, ora em uníssono, ora alternadamente, acompanhando os hinos com palmas e batidas de pés, recordando a passagens pelo Mar Morto. Passavam assim toda noite, até a oração da alvorada, que recitavam de mãos voltadas para o sol nascente. Em seguida, cada um se recolhia à sua cela.



Referências Toy, Crawford Howell; Siegfried, Carl; Lauterbach, Jacob Zallel. «PHILO JUDÆUS»Wikipedia

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