segunda-feira, 30 de maio de 2016

Do livro As Seis Lições de Ludwig von Mises

tradução de Maria Luiza Borges – 7ª edição – São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2009.
P r e f á c i o
O presente livro reflete plenamente a posição fundamental
do autor, que lhe valeu – e ainda lhe vale – a admiração dos
discípulos e os insultos dos adversários. Ao mesmo tempo que
cada uma das seis lições pode figurar separadamente como
um ensaio independente, a harmonia da série proporciona um
prazer estético similar ao que se origina da contemplação da
arquitetura de um edifício bem concebido.
(Fritz Machlup, Princeton, 1979)
Em  fins  de  1958,  meu  marido  foi  convidado  pelo  Dr.  Alberto
Benegas Lynch para pronunciar uma série de conferências na Ar
gentina, e eu o acompanhei. Este livro contém a transcrição das pa
lavras dirigidas por ele nessas conferências a centenas de estudantes
argentinos.
Chegamos a Argentina alguns meses depois. Perón fora força
do a deixar o país. Ele governara desastrosamente e destruíra por
completo as bases econômicas da Argentina. Seu sucessor, Eduardo
Leonardi, não foi muito melhor. A nação estava pronta para no
vas ideias, e meu marido, igualmente, pronto a fornecê-las. Suas
conferências foram proferidas em inglês, no enorme auditório da
Universidade de Buenos Aires. Em duas salas contíguas, estudan
tes ouviam com fones de ouvido suas palavras que eram traduzidas
simultaneamente  para  o  espanhol.   Ludwig  von  Mises  falou  sem
nenhuma  restrição  sobre  capitalismo,  socialismo,  intervencionis
mo, comunismo, fascismo, política econômica e sobre os perigos da
ditadura. Aquela gente jovem que o ouvia não sabia muito acerca de
liberdade de mercado ou de liberdade individual.
Em meu livro My Years with Ludwig von Mises, escrevi, a propósito
dessa ocasião: “Se alguém naquela época tivesse ousado atacar o co
munismo e o fascismo como fez meu marido, a polícia teria interferi
do, prendendo-o imediatamente e a reunião teria sido suspensa.”
O auditório reagiu como se uma janela tivesse sido aberta e o ar
fresco tivesse podido circular pelas salas. Ele falou sem se valer de
quaisquer apontamentos. Como sempre, seus pensamentos foram
guiados  por  umas  poucas  palavras  escritas  num  pedaço  de  papel.
Sabia exatamente o que queria dizer e, empregando termos relati
vamente simples, conseguiu comunicar suas ideias a uma audiência
pouco familiarizada com sua obra de um modo tal que todos pudes
sem compreender precisamente o que estava dizendo.
As conferências haviam sido gravadas, as fitas, posteriormente,
foram  transcritas.   Encontrei  este  manuscrito  datilografado  entre
os escritos póstumos de meu marido. Ao ler a transcrição, recordei
vividamente o singular entusiasmo com que aqueles argentinos ti
nham reagido às palavras de meu marido. E, embora não seja econo
mista, achei que essas conferências, pronunciadas para um público
leigo na América do Sul, eram de muito mais fácil compreensão que
muitos dos escritos mais teóricos de Ludwig von Mises. Pareceu-me
que continham tanto material valioso, tantos pensamentos relevan
tes para a atualidade e para o futuro, que deviam ser publicados.
Meu marido não havia feito uma revisão destas transcrições no
intuito de publicá-las em livro. Coube a mim esta tarefa. Tive mui
to cuidado em manter intacto o significado de cada frase, em nada
alterar do conteúdo e em preservar todas as expressões que meu ma
rido  costumava  usar,  tão  familiares  a  seus  leitores.   Minha  única
contribuição foi reordenar as frases e retirar algumas das expressões
próprias da linguagem oral informal. Se minha tentativa de con
verter essas conferências num livro foi bem-sucedida, isto se deve
apenas ao fato de que, a cada frase, eu ouvia a voz de meu marido,
eu  o  ouvia  falar.   Ele  estava  vivo  para  mim,  vivo  na  clareza  com
que demonstrava o mal e o perigo do excesso de governo; no modo
compreensivo e lúcido como descrevia as diferenças entre ditadura
e intervencionismo; na extrema perspicácia com que falava sobre
personalidades  históricas;  na  capacidade  de  fazer  reviver  tempos
passados com umas poucas observações.
Quero aproveitar esta oportunidade para agradecer ao meu ami
go George Koether pelo auxílio que me prestou nesta tarefa. Sua ex-
periência editorial e compreensão das teorias de meu marido foram
de grande valia para este livro.
Espero que estas conferências sejam lidas não só por especialistas
na área, mas também pelos muitos admiradores de meu marido que
não são economistas. E espero sinceramente que este livro venha
a tornar-se acessível a um público mais jovem, especialmente aos
alunos dos cursos secundários e universitários de todo o mundo.
Margit von Mises  Nova Iorque

Junho, 1979

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