sexta-feira, 15 de março de 2024

Anarco-conservadorismo?

 

O anarcocapitalismo, a cultura conservadora e os demais anarquismos





Muitas pessoas que são ou se consideram anarcocapitalistas afirmam que essa teoria de defesa da propriedade privada e do direito natural transcende o diagrama político de direita e esquerda. É evidente que é possível interpretar dessa maneira. No entanto, se analisarmos o anarcocapitalismo dentro de suas proposições morais, éticas, culturais e filosóficas, vamos ver que o mesmo se enquadra perfeitamente à direita do diagrama político, podendo inclusive ser considerado sua representação mais radical; acima de tudo, é interessante nos propormos a fazê-lo, pelo simples fato de que existem muitos outros anarquismos, e todos eles são, sem exceções, de esquerda. Portanto, é interessante inserirmos o anarcocapitalismo na direita do diagrama político, como uma disciplina complementar dentro da cultura anarquista.

Mas, então, que outros anarquismos existem? E por que o anarcocapitalismo é tão diferente dos demais?

O anarcocoletivismo, o anarcocomunismo, o anarcoindividualismo, o anarcoprimitivismo, o anarcossindicalismo e o anarquismo de mercado anticapitalista são algumas das principais vertentes anarquistas que são estudadas e difundidas atualmente. Todas elas são filosofias sócio-culturais que poderiam ser inequivocamente classificadas como anarquismos de esquerda.

Todos essas escolas anarquistas são derivadas ou foram diretamente influenciadas pelo anarquismo clássico, cujo expoente máximo foi o filósofo e pensador francês Pierre-Joseph Proudhon (1809 – 1865), fundador do mutualismo e, historicamente, o primeiro indivíduo a definir-se como um anarquista; embora naquela época a definição de direita e esquerda que usamos hoje ainda não existisse — ao menos, não da maneira como interpretamos atualmente —, o anarquismo clássico também poderia ser facilmente enquadrado na esquerda do diagrama político. Isso porque Proudhon defendia a democratização da propriedade. Uma de suas obras, inclusive, é intitulada “A Propriedade é um Roubo”. (Não obstante, é interessante ressaltar que o posicionamento de Proudhon, bem como as interpretações posteriores, tanto críticas quanto acadêmicas, de sua obra, além da distinção que ele fazia entre posse e propriedade, são bastante controversas, e dão margem para interpretações bem variadas).

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O anarcocapitalismo, no entanto, possui inúmeras distinções com relação a todas as demais escolas anarquistas. Para começar, sua origem está no liberalismo clássico. Por essa razão, tem uma base econômica muito mais coesa, sólida e racional. Essa é uma das razões que faz com que anarcocapitalistas sejam exímios defensores da propriedade privada, pois sabem que ela é indispensável para o cálculo econômico. Não obstante, sua defesa está igualmente alicerçada a um conjunto ético de valores e princípios, jamais se restringindo ao simples utilitarismo.

Aqui nesse artigo, portanto, vamos exaltar duas diferenças fundamentais do anarcocapitalismo com relação aos demais anarquismos. O fato de que anarcocapitalistas são defensores intransigentes da propriedade privada — o que possivelmente constitui a maior divergência entre o anarcocapitalismo e as demais filosofias anarquistas —, e o fato de que o anarcocapitalismo é a única vertente do anarquismo que é compatível com indivíduos de cultura e mentalidade conservadora antiesquerdista e antirrevolucionária.

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Continua...

Origem: https://rothbardbrasil.com/o-anarcocapitalismo-a-cultura-conservadora-e-os-demais-anarquismos/

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