domingo, 13 de fevereiro de 2022

O legado de Olavo de Carvalho para a liberdade

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Afinal, qual é o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota?

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This article was  Sugerido por Minutemen, Escrito por Marty, Revisado por JJ Liber e Narrado e produzido por KoreacomK

No dia 24 de janeiro de 2022, morreu o filósofo, escritor e professor Olavo de Carvalho.

Sempre criticado pela imprensa, Olavo permaneceu firme como uma rocha e não tinha nem um pouco de medo de expor suas ideias. O filósofo era conhecido por expor as contradições da mídia e dos ditos intelectuais brasileiros do nosso tempo.

A mídia nunca perdeu uma oportunidade de destacar que o filósofo não tinha o diploma de Bacharel em Filosofia. No entanto, Olavo cursou 3 anos no curso de Filosofia da PUC-Rio. O diretor do curso, na época, era o Padre Stanislavs Ladusans. Olavo revelou em uma entrevista que o padre morreu no meio do curso e logo em seguida foi substituído por um padre com forte raiz na Teologia da Libertação. Tal fato o desmotivou e o fez abandonar o curso. Para quem conhece o que é a Teologia da Libertação, dá para entender bem o motivo.

Olavo trabalhou desde jovem como freelancer em diversos jornais e assinou colunas na Folha de São Paulo e no Jornal O Globo na década de 90. Tal fato o fez adquirir um profundo conhecimento sobre o funcionamento da mídia tradicional.

Hoje, a internet proporciona um cenário de informação descentralizada e de fácil acesso para a maioria das pessoas. No entanto, a realidade era muito diferente há pouco mais de duas décadas. Naquela época, não havia qualquer possibilidade de encontrar uma análise minimamente diferente dos acontecimentos diários ou das obras culturais que eram lançadas. Só havia a uníssona voz dos canais de mídia.

Em seu livro “O Imbecil Coletivo”, lançado em 1996, o escritor já alertava para os problemas gerados por esse cenário:

“Concentrar obsessivamente a discussão em certas correntes de ideias, para bloquear ao público o acesso às outras, tem sido a norma dominante nos debates culturais e filosóficos neste país há pelo menos uma década. É um método elegante de censura prévia, que dá ao mais tirânico dirigismo mental as aparências de uma discussão democrática.”

Em entrevista realizada em 2018 ao canal da jornalista Leda Nagle, Olavo reafirmava essa ideia ao dizer que Aristóteles já afirmava que o conhecimento humano só avança por confrontação de hipóteses opostas.[1]

Em vídeo de 2015 sobre a Nova Ordem Mundial, disponível em seu canal, Olavo alertava que a mídia passou a se encarregar do papel de educar a população. [2] O que aparece na mídia passou a ser visto como uma verdade revelada. Tal fato já tinha sido alertado também no mesmo livro.

“Afirmar é fácil, provar é difícil. O enunciado de um teorema espreme-se em uma linha; a demonstração pode requerer várias páginas. A norma jornalística vigente implica nada menos que uma proibição de provar, uma obrigação estrita de ater-se à afirmação peremptória, se possível proferida naquele tom de autoridade que, dissuadindo os possíveis objetores, abrevia razoavelmente a conversa. A preguiça de ler vem em auxílio da norma, condenando como “prolixo” tudo o que vá além da asserção pura e simples. Isto acaba por fazer do jornalismo aquilo que dizia Conrad: uma coisa escrita por idiotas para ser lida por imbecis.”

Hmmm, isso te lembra algum cenário recente de histeria e ciência? Pois é. Grandes catástrofes políticas e sociais ocorridas em 2020 e 2021 talvez pudessem ter sido evitadas ou combatidas de forma mais forte caso mais pessoas tivessem lido suas obras. Ainda em tal livro, Olavo critica o trabalho do filósofo Charles Sanders Peirce, conhecido popularmente na filosofia como o “pai do pragmatismo”.[3] Olavo alertava que tais ideias, que eram defendidas com unhas e dentes nas universidades, poderiam desencadear um abandono do senso crítico individual e uma fé cega na comunidade acadêmica. Veja:

“Ainda desse ponto de vista, se o único significado de uma ideia reside em suas consequências práticas, que consequências práticas se inferem da negação da intuição individual? Infere-se que cada indivíduo humano, não podendo confiar na sua própria autoconsciência, negará todas as evidências intuitivas que lhe cheguem e, não podendo apoiar-se jamais em si mesmo, terá de render-se à autoridade da onipotente comunidade acadêmica. O resultado prático disto é a redução da humanidade a um rebanho de animais dóceis, incapazes de entendimento pessoal e necessitados sempre do aval da autoridade “científica”.”

É incrível como Olavo previa acertadamente o que aconteceria décadas depois. Infelizmente, não é possível aprofundar mais aqui sobre as consequências disso, pois o YouTube nos impede de falar sobre certos assuntos.

Por fazer críticas muito embasadas à comunidade acadêmica, aos supostos intelectuais, ao Deep State e à mídia tradicional, Olavo sempre foi alvo de campanhas difamatórias. Em uma delas, começaram a propagar a falsa informação de que o filósofo seria terraplanista ao distorcer alguns vídeos que ele fez sobre o assunto. Em tais vídeos, que estão disponíveis no YouTube para qualquer um assistir, o filósofo claramente defende apenas o exercício investigativo e a importância de questionar absolutamente qualquer ideia, por mais absurdo que seja questionar algo que parece óbvio. O filósofo ainda afirmava que os argumentos dados por pessoas que queriam refutar os terraplanistas eram fracos. Isso obviamente não significa que os terraplanistas estejam certos. Apenas demonstra que há um pobre embasamento daqueles que acreditam ter certeza daquilo que estão afirmando. Olavo dizia também que a ideia de uma enorme conspiração esconder por séculos que a Terra seria plana é uma ideia absurda, pois nenhuma conspiração duraria tantos séculos. O fato de o filósofo se referir aos terraplanistas em terceira pessoa deixa ainda mais claro que ele não se incluía nesse grupo.

Mas para a narrativa midiática essa informação não importa, o que importa é destruir seu opositor a todo custo. E, para isso, sempre utilizaram bem dos sentimentos para cativar a manipular a opinião pública. Isso me lembra um excelente artigo do Olavo que foi publicado em 20 de outubro de 2001 no jornal o Globo e está disponível em seu livro "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". O título do artigo é "Jesus e a pomba de Stalin" no qual Olavo trata dos perigos de subordinar as atitudes humanas ao sentimentos. Segundo Olavo, o homem imaturo ama e odeia as coisas guiando-se por inclinações arbitrárias moldadas pelo meio social, enquanto que o homem maduro ama o que deve amar e odeia o que deve odiar, pois consegue fazer uma boa distinção do que é certo e do que é errado sem ser guiado pelo que é imposto coletivamente.

Sobre isso, ele aproveita para citar quem são os líderes revolucionários e os ditos intelectuais:

"Líderes revolucionários e intelectuais ativistas são apenas homens imaturos que projetam sobre a comunidade seus desejos subjetivos, seus temores e suas ilusões pueris, produzindo o mal com o nome de bem."

Vemos isso todos os dias nas mais diversas situações. Pode notar, a maioria dos argumentos dos líderes políticos que defendem mais controle do governo sobre as pessoas utilizam sempre do sentimento para tentar manipular. "Façam isso para salvar vidas", "paguem isso para alimentar os pobres", "abdiquem disso para o bem comum"... Esse tipo de discurso vazio e manipulador funciona muito bem com homens imaturos. Afinal, como são imaturos, não conseguem discernir sozinhos o que é correto e o que não é, ficam sempre a espera de um "pai" que os diga o que fazer. Assim, o controle torna-se extremamente fácil. Estamos vendo isso todos os dias. O culto ao sentimentos só tende a crescer porque faz bem para o ego dos homens imaturos, eles se sentem bem com isso, dá uma falsa sensação de alívio sobre o peso que eles mesmos colocam em seus ombros por saberem que não possuem um caminho. Eles entregam sua liberdade e viram escravo dos discursos vazios.

Eis aqui uma boa citação desse artigo sobre isso:

"O culto idolátrico dos sentimentos é um egocentrismo cognitivo, um complexo de Peter Pan que recusa a maturidade. Quando mais o homem busca afirmar a sua liberdade por meio da adesão cega a seus sentimentos e desejos, mais se torna escravo da tagarelice ambiente. O caminho da liberdade é para cima, não para baixo. Libertar-se não é afirmar-se: é transcender-se."

O que mais me chama a atenção nesse artigo é quando ele trata sobre a "escravidão das palavras". Olavo ilustra um ponto sempre alertado pelos libertários: o governo manipula as massas prometendo alcançar a paz, que é algo inalcançável. Prometendo a paz, entram em guerras e só o que se consegue com isso é provocar mais mortes e destruição. Ele cita em seu artigo, por exemplo, que somente no século XX, 180 milhões de pessoas foram mortas por seus próprios governos em tempos de paz e em nome da paz. Sim, isso mesmo: no século XX, morreram menos pessoas nas guerras do que por perseguição dos governos. Mas, então, como as pessoas não notam isso? Bom, o discurso é moldado o tempo todo e as pessoas se deixam ser manipuladas porque gostam disso; são imaturas e não querem largar sua imaturidade. Você certamente deve conhecer e talvez até simpatizar com os famosos desenhos da "pomba da paz", não é mesmo? Parece um símbolo bonitinho para simbolizar a paz que era esperada nos tempos de guerra. Mas o que talvez você não saiba é que ela foi encomendada por Stalin a Pablo Picasso para que esse símbolo soviético tomasse o lugar do símbolo cristão do Espírito Santo na mente das pessoas. Mesmo que você não seja adepto a nenhuma religião, consegue perceber que este tipo de coisa é uma forma de controle bem eficaz. Narrativas e símbolos se bem construídos e propagados, com base nos sentimentos mais fervorosos, são armas mais poderosas que qualquer arma física para controle.

Por fim, deixo a seguinte citação com a qual Olavo encerrou seu artigo:

"Igualdade, liberdade, direito, ordem, segurança e milhares de outras palavras foram incutidas na mente das massas como programas de computador para acionar nelas automaticamente as emoções desejadas pelo programador, fazendo com que amem o que deveriam odiar e odeiem o que deveriam amar. Até a esperança, chave da fé e da caridade, se torna aí uma arma contra o espírito, quando se coisifica na expectativa de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa ou, no fim das contas, de ganhar mais dinheiro. Jesus deixou claro que não era nenhuma dessas esperanças que trazia. Era a esperança de fazer de cada um de nós um novo Cristo, encarnação e testemunha do espírito. Quem aceita menos que isso ganhará, em vez de paz de Cristo, uma bandeirinha da ONU com a pomba de Stalin."

É muito interessante como 20 anos atrás Olavo já escrevia um artigo que seria tão certeiro ao que estamos vendo acontecer desde 2020. A escravidão das palavras está a todo vapor ultimamente. E, claro, Olavo criticou esse acontecimento desde o começo e foi massacrado pela mídia por isso. Mas, como ele mesmo disse: "Ser odiado por multidões de ignorantes é o preço de não ser um deles".

Apesar de ser conservador, Olavo deixou um legado para todos os grupos que não se identificam com a esquerda ao abrir caminho para a discussão de visões divergentes do mainstream socialista. Em 2002, Olavo fundou o site Mídia Sem Máscara, que existe até hoje e tem a proposta de ser um canal de mídia alternativo disposto a abordar tudo que a mídia tradicional não pode e não quer colocar ao ar devido a interesses obscuros. [4] Tivemos o prazer de ver que ele acompanhava os canais ancapsu e visão libertária e compartilhava nossos vídeos em suas redes sociais. Mesmo não se considerando libertário, Olavo ajudou e muito na propagação das ideias de liberdade no Brasil e esse legado certamente impactará a vida de muitas pessoas ainda.

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[1] https://www.youtube.com/watch?v=fdb-UB1gJZk

[2] https://www.youtube.com/watch?v=dlQG02mwTD0

[3]https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Sanders_Peirce

[4]https://midiasemmascara.net/

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Sugerido por Minutemen em 25/01/2022 (1914 palavras)
Criado por Marty em 28/01/2022 (940 palavras)
Revisada por JJ Liber em 29/01/2022 (976 palavras)
Revisada por JJ Liber em 29/01/2022 (1906 palavras)
Revisada por JJ Liber em 29/01/2022 (1914 palavras)
Revisada por JJ Liber em 29/01/2022 (1914 palavras)
Narrado por KoreacomK em 29/01/2022 (1914 palavras)
Produzido por KoreacomK em 29/01/2022 (1914 palavras)
Publicado por Peter Turguniev em 31/01/2022 (1914 palavras)

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