terça-feira, 10 de outubro de 2017

Teorias de Surgimento das Igrejas Batistas

A história academicamente aceita sobre a origem das Igrejas Batistas é o surgimento como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII. Essa igreja nasceu quando um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas.
Teoria Tradicional
A teoria mais comumente aceita para o surgimento das Igrejas Batistas é a de que estas surgiram na Europa através de vários grupos que pensavam da mesma forma. Não tem data oficial de criação, pois foi surgindo aos poucos em vários lugares diferentes da Europa. Nunca houve, oficialmente, uma igreja fundadora, nem um fundadoɾː a expressão apareceu em vários tempos e lugares diferentes. As Igrejas batistas interpretam o batismo (imergir em água) como uma exposição pública de sua fé. A denominação historicamente é ligada aos dissidentes ingleses ou movimentos de anticonformismo do século XVI. Um importante movimento batista surgiu em uma colônia inglesa na Holanda, num tempo de reforma religiosa intensa.
John Smyth discordava da política e de alguns pontos da doutrina da Igreja Anglicana da qual ele era pastor após uma aproximação com os menonitas e, examinando a Bíblia, creu na necessidade de batizar-se com consciência e em seguida batizou os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim uma igreja batista organizada. Até então, o batismo não era por imersão, só os batistas particulares, por volta de 1642, adotaram oficialmente essa prática tornando-se comum depois a todos os batistas. A primeira confissão dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo. Depois da morte de John Smyth e da decisão de Thomas Helwys e seus seguidores de regressarem para a Inglaterra, a igreja organizada na Holanda desfez-se e parte dos seus membros uniram-se aos menonitas. Thomas Helwys organizou a Igreja Batista em Spitalfields, nos arredores de Londres, em 1612.
A perseguição aos batistas e a outros dissidentes ingleses, fez com que muitos emigrassem. O mais famoso foi John Bunyan, que escreveu sua obra-prima O Peregrino enquanto estava preso. Nos Estados Unidos, a primeira igreja batista nasceu através de Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em 1639, na colônia que ele fundou com o nome de Rhode Island, e John Clark que organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rhode Island em 1648. Em terras americanas os batistas cresceram principalmente no sul, onde hoje sua principal denominação, a Convenção Batista do Sul, conta com quase 15 milhões de membros, sendo a maior igreja evangélica dos Estados Unidos.
Teoria da Sucessão Apostólica
Teoria de Sucessão Apostólica, ou JJJ (João - Jordão - Jerusalém) postula que os batistas atuais descendem de João Batista e que a igreja continuou através de uma sucessão de igrejas (ou grupos) que batizavam apenas adultos, como os montanistasnovacianosdonatistaspaulicianosbogomilosalbigenses e cátarosvaldenses e anabatistas. Os batistas landmarkistas utilizam este ponto de vista para se auto-proclamar única igreja verdadeira. Existem algumas associações batistas, dentre elas a Associação Batista Missionária da América - BMAA, a qual se ligam as Associação Batista Brasileira e a Associação Batista Missionária Boliviana, que defendem escritos do autor Carrol que sustenta a ideia de que os pontos doutrinários que os batistas sustentam são da igreja primitiva, transmitidos por várias igrejas dentre elas a Igreja Pauliciana, a Igreja Menonita, a Igreja Anabatista, e posteriormente a Igreja Batista Inglesa. Nessa perspectiva, os batistas não seriam protestantes. 
Essa teoria apresenta alguns problemas, como o fato que grupos como bogomilos e cátaros seguiam doutrinas gnósticas e o gnosticismo é contrário às doutrinas batistas de hoje. Também, alguns desses grupos que sobrevivem até o presente, igrejas como a dos valdenses (que desde a Reforma é uma denominação Calvinista) ou dos paulicianos, não se identificam com os batistas.
Esta teoria, assim como a Teoria Anabaptista é rejeitada por muitos historiadores Batistas como Henry C. Vedder e Robert G. Torbet, mas é sustentada teologicamente por alguns ramos batistas. Para eles, varias igrejas batistas fundadas em diversas épocas com fundadores diferentes.
Teoria Anabaptista
teoria anabatista afirma que os batistas descendem dos anabatistas, que pregaram sua mensagem no período anterior e durante a Reforma Protestante.
O evento mais citado para apoiar essa teoria foi o contato que John Smyth e Thomas Helwys com os menonitas na Holanda. Todavia, além de em 1624 as cinco igrejas batistas existentes em Londres terem publicado um anátema contra as doutrinas anabatistas, também os anabatistas modernos rejeitam ser denominados batistas e há pouca relação entre os dois grupos.
Entre os anabatistas e os batistas há algumas similaridades:
·         Crença no Batismo adulto e voluntário;
·         Visão do Batismo e da Ceia do Senhor como ordenanças;
·         Separação da Igreja e Estado.
Existem, contudo, algumas diferenças entre os batistas e os anabatistas modernos (por exemplo os menonitas):
·         Os anabatistas normalmente praticam o Batismo adulto por aspersão e não por imersão como os batistas;
·         Os anabatistas são pacifistas extremos e se recusam a jurar;
·         Os anabatistas creem em uma doutrina semi-nestoriana sobre a Natureza de Cristo, que não recebeu nenhuma parte humana de Maria;
·         Os anabatistas enfatizam a vida comunal enquanto os batistas a liberdade individual;
·         Os anabatistas recusam a participar do Estado, enquanto os batistas podem ser funcionários públicos, prestar serviço militar, possuir cargos políticos;
·         Os anabatistas creem em um estado de "sono da alma" entre a morte e a ressurreição.


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