sábado, 24 de outubro de 2020

Três tipos de liberdade - a liberdade inata

 Liberdade, para quem já sabe os significados dessa palavra, pode ser descrita em aspectos, em níveis, em graus de entendimento, em condições e limites, enfim, de muitas formas, pois podemos categorizar o conceito de diversas maneiras. Posso usar três níveis para descrever o que pretendo. 

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O primeiro, o mais básico, mais fácil, mais plano, mais mundano, posso dizer, é aquele que é negado por todos os coletivistas, que dizem defender a liberdade e para isso têm várias intervenções geniais a fazer, pelo bem de todos, é claro, nas liberdades individuais. Trata-se do direito. E para não ser filosófico demais nem extrapaolar para o metafísico vamos ficar por aqui, apenas no direito, e mais restrito ainda, no direito natural.

Direito a existir. Esse direito não é dado a todos os inexistentes, é claro, já começa aqui a desigualdade natural que os coletivistas querem tanto combater. Mas se você já existe, nada mais óbvio do que dizer que você tem o direito a existência (ou não? Talvez não seja tão óbvio...). Mas em que implica o direito a existir? É claro que não vou falar sobre isso, pois muitos livros teriam que serem escritos só sobre. Fica a ser refletido pelo leitor. No direito, única zona onde podemos como seres humanos podemos fazer uma interferência na natureza no sentido de tender muito a uma igualdade já não podemos encontrar muito apoio natural como gostaríamos para garantir uma vera igualdade. Mas podemos tentar. 

Se eu disser que o mínimo que posso fazer nessa tentativa é novamente frustrar os defensores da igualdade, não estarei errado, pois o que eles menos querem é que tenhamos sucesso na tentativa de uma igualdade aqui, a igualdade plena de direitos, direitos iguais, não direitos especiais, mas exatamente o que pregam sobre o resto, direitos iguais para todos. Humanamente falando (ou mundanamente como gosto de dizer) podemos chegar a isso. Então a liberdade, que não pode ser forçada já que assim não seria liberdade, de ser, pensar, agir, se expressar, viver, etc., que os coletivistas dizem defender, mas não defendem, estaria contemplada nesse direito. Que todos tenham direitos iguais legalmente falando. Mas tudo começa a ficar mais desafiador quando falamos de direitos naturais ou direitos inalienáveis.

Agora, pior ainda, se formos discutir como efetivar esse direito, tudo já seria bem diferente e poderiamos caminhar em várias direções, principalmente se eu usar a palavra "garantir" em vez de "efetivar" ou, como gostam no jurídico, "regulamentar" ou "regularizar". Depois quem teria a obrigação de "garantir" esse direito? Veja que a questão vaificando mais e mais complexa. Uma liberdade implica em uma obrigação antes que em um direito? Parece que sim! Vejamos. Para que cada pessoa (e estou restringindo aqui a pessoas a propósito do questionamento, pois poderia ir bem mais longe abrangendo bem mais seres) tenha os direitos acima, podemos dizer que isso implica em obrigações? Por exemplo vamos tomar o direito de agir. E se eu agir num sentido que retire a liberdade de ação de outro? E mais ainda, quem pode determinar (quem tem o direito ou poder natural de decidir) até onde pode ir minha ação no que se refere a interferência na liberdade de ação de outro (veja que nem sequer estou julgamdo se a interferência poderia ser chamada de boa ou ruim)? Se eu decidir interferir para ajudar alguém que precise, mas queira ser ajudado? Se eu atravessar a rua apressada e descuidadamente tendo que correr dos carros e tocar sem querer em alguém que além de apressado tentava lembrar algo e terminou esquecendo disso por causa de minha interferência proposital (já decidi atravessar quando teria que correr sem me importar com o direito daquela pessoa de não ser interpela  de continuar em seu pensamentos), que grau de interferência na liberdade alheia pode ser considerado importante? Quem vai decidir isso? 

Veja que nós libertários e conservadores, já temos questões bem mais difíceis e sérias para resolver do que as que propõem aos gritos os coletivistas e intervencionistas em suas idéias de direito, igualdade e liberdade (quem está se importando com quantos ou com que gênero se casam e em que gênero ou subgênero alguém se considera no momento alguém? Só para citar uma das questões infantis que eles vêem como de crucial importância!). Para eles é tudo muito fácil, duas pessoas valem mais que uma, muitas vidas valem mais que uma, a maioria tem direito de decidir pela minoria e por aí vai (como assim, o valor humano pode ser quantificado em números de indivíduos? Que tese interessante da qual eles partem!), logo, é preciso um poder coercitivo para garantir o direito escolhido pela maioria (mesmo que seja 50% mais 1, que mudem de idéia depois!). E está tudo resolvido, eis a "democracia"! Espero que se algum deles ler esse texto tenha pelo menos a capacidade de perceber quando estou ironizando. 

Mas veja ainda que os alegados direitos terminam quase sempre sendo obrigações, posso citar um que mais exprime esse meu raciocínio e é um dos que me oponho ferrenhamente, o tal "direito à educação", o qual eu nunca fui consultado se queria receber, nem qual tipo de educação eu queria ou poderia ter, nem muito menos se o conteúdo daquele pacote oferecido se parecia educação para mim, ou ao menos se me agradava! (E a escolar nunca pareceu para mim nem um milímetro com educação). Em suma, quando falamos em liberdade, para um libertário se trata de um dos mais caros temas, mais profundos e mais difíceis, mas para um coletivista tudo parece muito "obviamente" se resumir a um conjunto de intervenções estatais ou de algum gênio que escreveu algum livro ou que está ou deveria estar no comando segundo ele. 

Não quero me estender sobre esse assunto visto que não é o objetivo aqui dar respostas a esses questionamentos, senão demonstrar que quando começamos a tratar do assunto liberdade, mesmo num nível mais básico e grosseiro de discussão, já é suficientemente complexo e complicado. Mas o que mais me interessa como alguém que pensa a liberdade vai bem mais além do básico! Na questão básica eu questiono até os libertários, e mesmo o mais lógico jusnaturalista, como eu também me considero. Por exemplo, onde está a liberdade (ou direito à propriedade privada) se eu nascer numa família sem propriedade? E se essa familia não possuir nem comida quando eu precisar, onde está a minha liberdade de possuir, de ser, de existir? Ou ao recém nascido não se pode confiar essas liberdades? Ou ela só me será dada se eu sobreviver e conquistar por mérito próprio? Então a liberdade precisa ser conquistada (ou vamos ser logo claros, comprada)? (E nisso vou até parecer um coletivista, mas observe que estou sendo bem individualista, aliás ao máximo). 

Portanto humildemente eu percebo que não tenho solução (nem outro ser humano até agora foi capaz de solucionar), não existe uma solução mágica (como propõem os coletivistas) nem jamais vi em nenhuma das idéias salvadoras da humanidade nenhuma lógica e bom senso suficiente que possa, se posto em prática, solucionar esse primeiro problema básico. Eu sei que muitos libertários podem até dizer que esse problema não existe ou que só existe numa sociedade dominada por algum poder bastante intervencionista. Eu não sei, para mim é um problema e nunca li uma teoria ou alguma proposta inteligente sobre ele, nem entre autores esquerdistas, que foram vários mesmo, nem em autores libertários, que apesar de eu ter lido enormemente em menor quantidade creio que já tenho uma substancial amostra. Então ou não existe liberdade ou direito natural já que ela não é inata ou nós estamos partindo de um ponto errado (embora não tenha sido colocado dessa forma que questiono) ou se quisermos falar de liberdade teremos que admitir um conceito universal e um direito natural, ou seja (e uso o termo para incomodar mesmo) uma liberdade inata visto que o ser humano humano é dependente até pelo menos certa idade. E quem ou o que nos asseguraria essa liberdade? Ou somos como os abortistas (e até pior que eles que estendemos o direiro ao aborto até mais alguns anos depois do nascimento)? Nasci, não sei plantar e colher, nem tenho terra, nem tenho vaca, minha mãe em sua liberdade me deixou no mesmo lugar, e agora? É esse tipo de questões que quero propor a nós libertários, pois gostamos muito de aplicar princípios, mas observe que existem alguns princípios da liberdade que precisamos ainda descobrir (e isto é assunto fas proximas partes), mesmo quando se trata dos pontos de vista mais básicos. 

O caso é que há muitos problemas sobre a liberdade, e sobre como podemos "garantir" tal para, pelo menos, o máximo de pessoas que a queira, problemas que nem sequer foram tratados! Eu sei como estas e outras questões diversas são tratadas por autores libertários. Acontece que eu sou libertário, não sou ideólogo, tenho que ser cético (e se não fosse não estaria cumprindo minha obrigação de libertário, se é que me entende) se vejo que novas idéias são cridas e se deposita demasiada esperança nelas, se elas não foram ainda, pelo menos de todo, aplicadas, e há aquelas que nunca o foram em todos os tais princípios propostos... Por isso me enquadro muito mais como um conservador do que como um libertário ultra minarquista ou anti-estadista, vamos devagar! Sumarizando novamente (e fazendo nossa própria autocrítica), nenhum de nós pode se dizer capaz ou possuidor de um plano que vai sair exatamente como imaginamos quando colocado em prática, nem libertários, nem muito menos os coletivistas em sua estreiteza e superficialidade, assim temos que ser mais humildes e lembrar da imperfeição humana, e assim pararmos de sonhar com a sociedade perfeita, isso é coisa de esquerdista...

Louis Claude de Saint-Martin - Ecce Homo - Capítulo I

 

Quando no campo das ciências exatas e naturais, nos defrontamos com os axiomas, não nos perguntamos porque estes são verdadeiros; estamos convencidos que encontram a sua resposta em si mesmos.

Tal sensação encontra a sua razão de ser na relação que existe entre a exatidão daqueles axiomas e a centelha de verdade que brilha em nossa mente. É como se nos encontrássemos de fronte a dois raios de uma mesma fonte de luz que mesmo parecendo distantes um do outro, unem-se pela sua analogia e penetrando-se transmitem o calor e a luz reciprocamente.

Servir-nos pelo menos da verdade que os axiomas nos ensinam mesmo parcialmente, pode ser importante para nós, mas a existência desses dois elementos essenciais que acabamos de conhecer não pode determinar nem a exatidão do axioma nem a intensidade da centelha de verdade em nossa mente. Ambos apresentam-se dotados de uma vida natural própria sem perigos de impedimento e os dois raios poderiam separar-se sem produzir nenhum efeito e não perderiam a sua essência e o seu caráter constitutivo. Um matemático poderia encontrar-se imerso no sono; isto certamente não impediria a verdade geométrica de existir e nem o engenheiro de possui-la ou servir-se dela no momento oportuno.

Existe porem, uma filosofia que nega tudo isto, porque não distingue nos seres a essência como algo distinto das suas várias propriedades, porque detém-se nas simples modificações das coisas e nega, ou antes, condena abertamente a existência autônoma dos seres alem das impressões. Queremos simplesmente advertir sobre isto, sem deter-nos em uma discussão, a todos aqueles que não conhecem esta filosofia e asseguramos, que encontrarão em si mesmos a defesa de tais dúvidas. Passemos adiante.

A alma humana, seja por um impulso próprio, seja por uma dádiva, eleva-se ao sentimento íntimo do ser universal que abraça tudo e produz cada coisa, ao sentimento daquele ser desconhecido que chamamos Deus. A alma não mais procura na descoberta de axiomas particulares como dar-se conta da verdade total da qual se sente conquistada, nem da viva alegria que a verdade lhe dirige; esta sente que este grande ser ou este grande axioma existe por si e que é impossível que não exista. Sente igualmente em si, através do contato divino, a realidade da própria vida pensante e imortal. Não tem mais necessidade de indagar sobre Deus nem sobre si mesma; e no afeto santo e profundo que experimenta e diz para si em um verdadeiro e particular êxtase de segurança:
- Deus e o homem são seres verdadeiros que podem conhecer-se na mesma luz e amar-se no mesmo amor.

Como pode a alma ter a sensação exata de tais verdades imutáveis? Em virtude da mesma lei que manifestou à sua mente a certeza dos axiomas parciais; esta sente a existência inatacável do princípio superior de seu ser e dela própria através da relação e das ligações que existem entre estes. Pois sem isto, a convicção da existência destes dois seres não poderia atingir-nos nem fixar-se em nós, e se este fogo divino não encontrasse em nós uma analogia poderosa, nos atravessaria sem deixar nenhum vestígio e nenhum sentimento de si.

Baseado na mesma lei - que aproveitamos ou não os tesouros de verdade revelados do contato divino - o fato possui indiscutivelmente uma grande influência sobre as nossas verdadeiras satisfações, mas não há nenhuma influência sobre a existência em si dos tesouros, nem sobre a existência da parte do nosso ser que constitui o seu receptáculo. Assim, a privação deste sublime sentimento nas almas alteradas, e todos os pensamentos ilógicos que dai derivam, não podem aniquilar nem o principio necessário e eterno dos seres nem a analogia divina que todos nós temos com este. Aquilo que é pode ser confirmado e valorizado pêlos sinais ou testemunhos exteriores, mas não pode derivar destes a própria realidade, enquanto esta é anterior, independente e o existir de fato a traz em si.

Este aspecto de lógica natural, classificando os testemunhos, não exclui os seus privilégios. Aquilo que é, não pode derivar a própria realidade dos sinais e dos testemunhos exteriores, pois tal realidade é anterior a estes. Não é portanto verdade, que na esfera temporal na qual nós estamos, sem eles e sem a sua ação, a realidade do fato não poderia manifestar-se fora de si própria; e nem aqueles sinais e testemunhos exteriores podem considerar-se como indicadores seguros da fiel expressão do tipo de realidade ou do tipo de idéia que se delineia nestes, para fazer-se conhecer. Esta lei, mal aprofundada, deu lugar ao erro dos filósofos induzindo-os a confundir o meio com o principio, o órgão da manifestação com a fonte desta manifestação.

Ora, visto que percebemos que não existe uma realidade que procura preencher a própria medida, devemos presumir que a imensa quantidade de objetos que nos rodeiam tenham um amplo e importante objetivo, isto é: promover as realidades, cada uma segundo o próprio gênero e a própria classe, ou se quiser, testemunhar em favor daquilo que é e de qualquer sua manifestação. De fato, é útil para o nosso pensamento conhecer os fatos e as realidades, e para a nossa alma assenhorar-se onde cresce o patrimônio da existência.

Mesmo havendo pouca familiaridade coma as obras já publicadas sobre temas do gênero, é necessário reconhecer que o nosso ser espiritual e o nosso ser físico, possuem algumas faculdades relativas ao importante escopo do conhecimento. Com efeito, os nossos órgãos materiais transmitem à nossa animação sensível, a impressão das formas e das imagens de todos os objetos que a eles se apresentam, assim como transmitem o sentido das diversas propriedades das quais tais objetos estão revestidos.

A nossa alma pensante em seguida, tem a tarefa e o poder de analisar todas aquelas propriedades, de considerar qual seja o escopo da existência de todos aqueles diversos objetos, quando o fim lhe é desconhecido. A alma pensante tem o direito de procurar nos objetos, a idéia da qual estes são a expressão, quais fatos estes atestam, ou quais realidades manifestam; e todos nós devemos admitir que não estamos real e completamente satisfeitos, se não quando, o nosso pensamento alegra-se no conhecer o fim ultimo dos objetos; assim como o nosso ser sensível alegra-se com as impressões que recebe das diversas propriedades dos próprios objetos: novo motivo para convencer-nos que todos os objetos são a expressão de uma idéia. De fato, como poderiam estes, conduzir nossa inteligência à este escopo luminoso e de satisfação, se não fossem eles próprios por assim dizer, descidos do mundo da luz ou do mundo das idéias?

Por outro lado, os hábitos mais comuns entre os homens não nos iluminam sobre a grande verdade, que todos os objetos que nos circundam são a expressão de uma idéia? Todas as invenções das quais se servem os homens hoje em dia para as próprias necessidades, para os próprios prazeres, para a própria comodidade, não portam em si o caráter da idéia a qual devem a própria origem? Um livro não é talvez o sinal do projeto de um homem que decidiu representar os próprios pensamentos em um único órgão? Uma carruagem não é o sinal da intenção de um homem fazer-se transportar rapidamente e sem fadiga? E também a casa não representa a exigência de obter uma vida cômoda protegidos das intempéries?

Acreditamos portanto, que a Sabedoria suprema tenha também idéias e planos nas suas obras, como nós temos nas nossas. Esta, alem disso é com certeza mais fecunda e mais inteligente do que nós. Portanto as suas obras, se conhecêssemos o espírito, teriam a sublime vantagem de dirigir ao nosso pensamento e a nossa alma satisfações mais vivas do que aquelas que dirigem à nossa vista ostentando-nos a pompa de sua magnificência exterior e da rica mas regular variedade de suas formas. Acreditamos ao mesmo tempo, que o objetivo da Sabedoria suprema seja aquele de aplicar o nosso ser na busca dos próprios planos, multiplicando sob os nossos olhos, a imensidade de objetos diversos. De fato, se é verdade que cada realidade procura fazer-se compreender e manifestar-se e que não pode faze-lo se não com os seus sinais e com o seus testemunhos, nós facilitaremos e ajudaremos esta manifestação interrogando cuidadosamente os testemunhos e os sinais, recolhendo com cuidado ainda maior as suas indicações.

Mas entre todos estes sinais e estes testemunhos, quem mais se não o homem poderia ser mais digno da nossa atenção, e revelar-nos as maiores verdades? Quem mais nos ofereceria indícios mais significativos? Quem mais deixaria correr perante nós os numerosos rios de fogo que parecem brotar vivamente de seu pensamento e de seu coração e que nos mostram, por assim dizer, como sentado sobre o trono de todos os mundos para julgá-los e governá-los sob os olhos do Soberano invisível, o único ser que o homem encontra acima de si?

Todos os outros sinais que compõem o universo não nos são oferecidos, dada a fragilidade que os caracteriza e a suas surpreendentes disparidades, se não como tantos outros reflexos passivos e parciais de potências espirituais e secundárias da divindade.

O homem, pelo contrário, aparecendo colocado sob o aspecto da própria divindade, apresenta-se destinado a refleti-la diretamente e de conseqüência fazê-la conhecer completamente. Portanto devemos procurar mais extensamente de qual fato, de qual realidade ele é chamado a ser o depositário e o testemunho perante todos os seres, pois reconhecemos nele a expressão falante do princípio eterno, e a irrecusável analogia que liga os seres uns aos outros. De fato, entre todas as criaturas ele representa o sinal ativo do axioma total, ou a mais ampla manifestação que o pensamento interior divino tenha emanado.

Se o homem é o único ser enviado como testemunha universal da universal verdade, recolhamos portanto os seus testemunhos, não o abandonemos se não depois de havê-lo cuidadosamente interrogado, e confrontado com si mesmo, com o objetivo de estabelecer os diversos esclarecimentos que podemos receber de seus diversos testemunhos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Samaelismo é gnosticismo?

A questão das características do movimento samaélico tem sido abordadas aqui, em outras publicações. Entre as várias alegadas autenticidades pelos samaelianos e muitas vezes pelo próprio Samael está a questão da sucessão apostólica da Igreja Gnóstica que, segundo Samael, foi passada a ele pelo próprio Krumm Heller, então bispo da referida. Voltaremos a essa questão algumas vezes, mas vejamos aqui nesse artgo o que diz o pesquisador Peter Koenig, especializado na história do que ele chama O.T.O. Phenomenon, as ordens que se formaram a partir desta, que inclui a F.R.A. de Heller e em sucessão desta a Igreja Gnóstica de Samael, segundo ele mesmo alega...

Victor Manuel Gomez Rodriguez 

Gomez Rodriguez (nascido em 17.2.17) também conhecido por 'Samael Aun Weor' também conhecido por 'Buddha Maitreya Kalki' já foi membro do grupo de Rojas [loja da F.R.A. coordenada por Israel Rojas Romero]; em 1952 ele fundou seu 'Movimento Gnóstico', que foi firmemente baseado no material F.R.A.- e Gurdjieff. Sua afirmação de que Krumm-Heller o consagrou como bispo é veementemente rejeitada por todos os F.R.A. grupo. [74] Gabriel Sanchez Gaviria acreditava que 'Weor' era muito jovem para ter conhecido Krumm, ou então estava morando em outra parte da América do Sul durante as visitas ocasionais de Krumm. [75] 'Weor' deveria ter mantido ligações com Ana Delia Gonzales, representante de Metzger na Venezuela. [76] 

(...) 'Weor' morreu em 1977, e seu movimento se dividiu em vários ramos: o ramo mexicano liderado por sua viúva Arnolda Garro de Gomez "Maestra Litelantes"; e a sucursal colombiana de Joaquim Amortegui Balvuena "Maestro Rabolu" - a tendência Rabolu também fundou uma sucursal em Baden-Rütihof na Suíça. De conversas com o representante suíço de Rabolu, Thomas Pellicioli, parece que a maior concentração de seus membros - cerca de dez mil - se encontrava no Canadá em 27 de outubro de 1986. 

(...) Em outro lugar, o partido de Litelantes tem uma ramificação na Inglaterra, onde recebe o título de 'Instituto Gnóstico de Antropologia'; eles até afirmaram em uma carta datada de 5 de maio de 1992 "que Samael era o Patriarca da Igreja Gnóstica e A [rnoldo] K [rumm] H [eller] era o Arcebispo". Na Espanha, o órgão correspondente se autodenomina "Movimento Gnóstico Cristão Universal". [79] 

M.R. Motta pensava que Oskar Schlag era o poder secreto por trás de 'Weor', [80] enquanto F.W. Haack demoliu a ideologia de Weor em seu livro "Europas neue Religion" (Zurique 1991, p. 42); no entanto, a 'Christliche Universelle Gnostische Bewegung' é legalmente constituída como uma associação na Alemanha. [81]


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

A SUPER ILUMINAÇÃO NA QUAL OS OCIDENTAIS ACREDITAM

 Um dia fui ao retiro, três dias apenas. Meu professor máximo, o principal, assim o considerava, veio ao Brasil especialmente só para ensinar nosso grupo e outro do mesmo em outro estado. Ele tinha me dado ensinamentos maravilhorosos em suas aulas, aberto portas da prática que eu precisava, tanto nas aulas como nas entrevistas particulares. Ele é monge budista desde criança, sua experiência e sabedoria são enormes. 

Tinha uma pessoa no grupo ainda nessa ideologia ocidental sobre a onisciência dos mestres, dos despertos, e acreditava que ele era um iluminado, um buda, portanto onisciente (no budismo a onisciência se refere ao que já aconteceu e está acontecendo, não ao futuro, mas desde que a pessoa queira buscar, não entra automaticamente toda informação na consciência). Era minha oportunidade. Eu tinha que testar. 

Tentava conversas em particular com ele como outras vezes. Meu inglês era péssimo e eu era bem atrapalhado com as palavras, ele também tinha um inglês muito dificil (e com seu forte sotaque asiático), mas já morava na Europa a muitos anos. Já tinhamos conversado assim nos anos ateriores. Dessa vez ele fuigia, escorregava como um quiabo, minhas perguntas e afirmações mechiam muito com suas emoções, ninguém viu a cara do monge em tantas expressões de tensão, medo, aversão, raiva, como eu vi, mas continuei. Até que ele praticamente correu e se trancou no quarto.

Meu iluminado de quase 70 anos de idade e 65 anos de monge e de experiência de meditação não tinha a mesma paz e sorriso de sempre, e nem tinha consciência do que se passava no meu interior (como muitos acreditavam que ele tinha). Não dava pra sustentar mais as expressões, além das micro expressões que, dizem, nunca mentem. 

Anos mais tarde esse amigo que acreditava na onisciência do mestre também pegou um monge em um ato inesperado, ele e mais alguém que estava no grupo a quase tantos anos quanto eu. O que eles viram os deixou escandalizados, mas combinaram de não contar o que viram, nunca. 

E assim ele descobriu que não existe a tal iluminação que os ocidentais acreditam, mas preferiu mentir para si mesmo e pensar apenas que aquele monge, praticante desde criancinha, não era iluminado. Me parece que ele esteja num delírio de que ele mesmo é alguém muito especial, mais que o monge pelo jeito, pois acredita que meditando meia ou uma hora por dia ele vai alcaçar a iluminação, mesmo sem deixar a vida mundana, como fez o monge e mesmo assim não alcançou. 

Essa história pessoal exponho aqui só para mostrar que nós vemos aquilo que queremos ver, porque a verdade, a realidade, é muito mais assombrosamente terrível, diante de nossas projeções e expectativas, do que esperamos encontrar. 

Por isso as pessoas não querem saber a história daquilo em que acreditam. E por isso preferem autoridades que deem respostas baseadas em suposta iluminação, experiência, nível de consciência que suposta a pessoa alcançou, etc., do que admitir que muitas das respostas que procura não existem, que vai morrer sem tê-las, ou admitir a humanidade insuperável do ser humano, seus limites, erros, paixões, enganos... Então procura um paliativo, como a uma droga entorpecente, para suportar viver diante da realidade da dúvida humana ou mesmo do não poder saber nunca...

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Do Homem e Sua Verdadeira Natureza - A Natureza Humana


Do Livro  Homem: Sua Verdadeira Natureza e Ministerio

Por

Louis Claude de Saint-Martin


O Homem se agarra no mundo exterior

No estado de apatia em que o homem se encontra mergulhado, através de suas ilusões diárias, e estudando somente a ordem externa da natureza, ele não vê nem a fonte de sua ordem aparente e nem aquela de sua desordem; o homem se identifica com este Universo externo; ele não pode deixar de considerar tal universo como um mundo exclusivo e de existência própria. E neste estado de coisas, a idéia que tem maior dificuldade de acesso ao homem, é aquela da degeneração de nossa espécie e a de queda da própria natureza; O homem, perdeu os direitos que deveria ter sobre a natureza ao deixar de usá-los e acabou confundindo esta natureza obscura e cega com ele mesmo e com a sua própria essência. 

Se o homem pudesse, por um momento, ter uma visão mais correta e mais benéfica da ordem externa, uma simples observação seria o suficiente para mostrar-lhe, de uma vez, a real degradação de sua espécie, a dignidade de seu ser e sua superioridade sobre esta ordem externa.

Como pode o homem negar a degeneração de sua espécie, enquanto vê que não pode viver, pensar, agir, existir senão combatendo uma resistência? Nosso sangue tem que se defender da resistência dos elementos; nossa mente, das dúvidas e da obscuridade da ignorância; nosso coração, das falsas inclinações; o nosso corpo como um todo, da inércia; nosso estado social, da desordem, etc.

Uma resistência é um obstáculo; um obstáculo, na ordem do espírito, é uma antipatia e uma inimizade; uma inimizade em ação é um hostil poder combatente; este poder, estendendo suas forças continuamente à nossa volta, nos coloca numa situação violenta e dolorosa, na qual não devemos estar e sem a qual tal poder nos seria desconhecido, como se não existisse, uma vez que interiormente sentiríamos que fomos feitos para a paz e tranqüilidade.

Não! O Homem não está em sua harmonia adequada; ele, evidentemente, sofreu uma mudança para pior, não digo isto por encontrar nos livros, e nem por ser uma idéia geralmente admitida pelas pessoas.

Falo porque durante sua passageira existência na terra, parece estar no meio de seus semelhantes, assim como um leão voraz entre as ovelhas, ou como uma ovelha entre vorazes leões; isto porque entre este vasto número de homens, há dificilmente um que desperte para alguma coisa que não seja vítima ou executor de seu irmão.

O Homem tem posição mais elevada que a Natureza 

Apesar de tudo, o Homem é um grande ser; se não o fosse, como poderia ter sido degenerado? Mas, independentemente desta prova da anterior dignidade de nosso ser, a reflexão seguinte, deve nos convencer de nossa superioridade em relação a Natureza, até mesmo agora.

A Natureza Astral terrestre executa as leis da criação e só chegou a existir pela virtude destas leis.

O reino mineral e vegetal tem em si o efeito destas leis, pois contêm todas as propriedades elementares, astrais e outras propriedades essenciais; e isto acontece com mais eficácia e num maior desenvolvimento do que nas próprias estrelas, que contêm apenas a metade destas propriedades, ou do que na terra que contém a outra metade.

O reino animal tem o uso destas leis da criação, uma vez que os animais tem que alimentar, manter e reproduzir a si mesmos; eles contém todos os princípios necessários para isto. Mas o Homem Espírito tem, de uma só vez, o efeito, o uso, e a livre direção ou manipulação destas leis. Irei fornecer apenas um exemplo bastante familiar sobre isto, mas através de seu significado, a mente pode elevar-se.

O exemplo é: Primeiro; um campo de milho, que contém em si o efeito destas leis da Natureza; Segundo, um animal carnívoro, fazendo uso deste milho, podendo comê-lo; Terceiro um padeiro que tem o controle e a manipulação do milho, podendo fazer pão com ele; isto mostra, ainda que de uma forma bastante material, que os poderes da Natureza são possuídos de forma partilhada pelas criaturas que a constituem; mas, que somente o Homem Espírito, em si mesmo, pode abarcar todas elas. 

Quanto aqueles direitos materiais que o homem possui, que mencionamos acima, nas manipulações do padeiro, se elevarmos nosso pensamento a verdadeira região do Homem, encontraremos, sem dúvida alguma, estes direitos provados de forma mais virtual e em grande escala, através da investigação das maravilhosas propriedades que constituem o Homem Espírito, e explorando a alta ordem de manipulações a que levam estas propriedades. 

Se o Homem tem o poder de ser o artífice e o artesão das produções terrestres, por que não poderia ser o mesmo em uma ordem superior? Ele deve ser capaz de comparar todas as produções divinas com suas Fontes, já que tem o poder de comparar os efeitos da natureza com as causas que a forma e guia, só o homem tem este privilégio.

Somente a experiência pode dar uma idéia deste sublime direito ou privilégio; mesmo assim, esta idéia sempre parecerá nova, mesmo para aquele acostumado a ela.

Meu Deus! O Homem conhece seus direitos espirituais, mas não desfruta deles! Que necessidade há de alguma outra prova de sua privação, além de sua degeneração?

O Homem pode recuperar suas posições

OH! Homem! Abra, então, seus olhos por um instante; pois com seu julgamento apressado, não só, nunca recuperará seus direitos, como também corre o risco de aniquilá-los. É preciso aprender uma lição de ordem física: os animais tem alma coletiva; e fica claro que, embora não sejam máquinas, eles não possuem espírito. Por esta razão, os animais não tem nenhuma aliança a ser estabelecida entre eles e seu princípio, como nós temos; mas, observando a regularidade de seu ritmo, não se pode negar, para a vergonha do homem, que de uma forma geral; devemos reconhecer, de que estas criaturas não dotadas de liberdade, manifestam uma aliança mais completa e constante com o seu princípio, do que podemos formar em nós mesmos. Podemos até mesmo ir mais longe, dizendo que todas as criaturas, exceto o homem, se manifestam como almas coletivas, das quais Deus é a mente ou o espírito.

De fato, o mundo, ou o homem perdido, poderia ser só espírito, mas ele pensa que pode agir sem a sua verdadeira alma, sua sagrada e divina alma, na verdade, não pode mais do que ressaltar sua alma animal e sua vaidade. Em Deus, há também uma alma e um espírito sagrado, já que somos sua imagem; contudo eles são um, assim como todos os poderes e faculdades do ser supremo.

Por um lado, temos o privilégio de formar, tal qual aquele que é o Todo-Sábio, uma indissolúvel e eterna aliança entre nossas espíritos e nossas almas sagradas, unindo-as no princípio que as formam; somente a partir desta condição indispensável, é que podemos ter esperança de sermos novamente a imagem de Deus; ao nos empenharmos nisso, temos a confirmação do doloroso fato de nossa degeneração e, ao mesmo tempo, de nossa superioridade em relação à ordem externa.


Continua...


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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

É possível ser um libertário liberal?

Lendo hoje uma série de artigos sobre libertarianismo e libertarianismo no Brasil pude constatar a razão da confusão existente neste país em relação ao uso do termo. A razão é a apropriação do termo libertarianismo por cada vertente sem avisar que ela é UMA vertente e não O libertarianismo. Nos EUA é bem mais simples saber o que são os libertários do que no Brasil, onde muitos que até se dizem libertários não entendem porque estes estão lá majoritariamente ligados ao partido republicano, pois lá o termo surgiu justamente para diferenciar os libertários dos liberais. No Brasil não é assim. Aqui os liberais gritam aos quatro ventos que são libertários. E há mesmo na área econômica pessoas que deixaram as idéias da scola austríaca pelas idéias keynesianas e continuam de auto-proclamando libertário. 


Tudo isso é muito aceito e a mídia esquerdista que finge desconhecer a idéia, o movimento e até o sentido da palavra libertário, é claro, quando a utiliza, é sempre no sentido mais errado, que convenha a sua narrativa do momento. O fato (digo fato por as idéias estão escritas e comparar as diferenças e constatar que elas existem é um fato) é que existem muitas vertentes do pensamento libertário, mas não pode haver uma que coincida exatamente com o pensamento liberal (política-econômico-ideológico) porque se houvesse tal obviamente não seria pensamento libertário, mas pensamento liberal! Entenda que o termo liberal não é usado por nenhuma vertente do libertarianismo justamente para não ser confundido com estes. As ideologias e políticas do pensamento liberal são uma coisa e as do pensamento libertário são outras. Chega de infiltração liberal em todos os setores. Por mais que muitos pontos possam coincidir no plano econômico das idéias, a maioria das idéias no conjunto todo é praticamete a oposta. É possível ser um liberal conservador, um libertário conservador, mas ser um libertário liberal é impossível.


Outra coisa que pode acontecer é a indefinição dos sites, blogs, plataformas e demais fontes de publicação das idéias libertárias que são referência para quem busca sobre o tema. Cada um tem direito de se dizer o que quiser, os socialistas também se auto-proclamam libertário, mas qualquer pessoa bem informada ou com um razoável bom sendo vai rir e saber que isso é uma mentira, porque não tem nenhuma lógica. Isso é um pouco mais difícil em relação à diferença e impossibilidade de haver um liberal libertário, por isso é preciso que haja clareza, que os expositores dessas idéias dediquem uma parte de seu tempo a mostrar as semelhanças e diferenças, as diferentes mesclas e os diferentes desenvolvimentos das idéias libertárias. Aqui, embora eu tenha começando com uma visão geral, mais ampla e aberta, logo me desvencilhei das idéias dos chamados libertários radicais, pois eles são liberais, anarcocapitalistas, sócio-liberais, etc., e isso não encaixa com os pontos fundamentais do libertarianismo, seja jusnaturalista ou utilitarista (ou até mesmo as invencionices pós-modernas que estão em voga como sendo pensamento libertário). Por isso deixo claro aqui minha posição de libertário conservador tradicionalista, libertário na economia conservador na politica e tradicionalista nos costumes se preferem definir assim. Por isso exponho aqui conteúdos que se encaixam nesses três pontos de vista. O libertário igual ao consevador e diferente do liberal não tem ideologia sobre cultura, costumes, tradições, pelo contrário é averso a elas, pois isso é de forum particular e individual, só pertence à consciência de cada um, de cada grupo, família, religião, e enfim, de cada pessoa, decidir sobre isso. O libertário como o liberal tem claro e diferenciado um conjunto de ideias econômicas que deram certo e que podem ser melhoradas, mas esse conjunto pode possuir também algumas diferenças peculiares. Já o liberal tem metas de sociedade ideologicas, culturais, educacionais, ideais, que ele acredita religiosamente serem mais nobres e mais benéficas a sociedade e à liberdade, por isso ele não está tão preocupado com as liberdades individuais como ele discursa, pois ele precisa estabelecer alguma forma de controle social para que seus ideais sejam alcançados. Um liberal é fatalmente um esquerdista, por ser coletivista, intervencionista e por ter aderido contemporaneamente ao politicamente correto e direitos específicos, pois ele abdicou da liberdade individual de destoar dos ideais que amarrou contraditoriamente ao termo liberdade; ele precisa de uma poderosa intervenção estatal de modo coletivo em muitos setores para implantar seu ideal do que chamou liberdade, justamente o que o libertário combate, qualquer intervenção nessas áreas, exigindo do estado outro papel, a defesa do seu direito individual de liberdade de ser e de pensar.

sábado, 10 de outubro de 2020

Espiritismo, vampirismo, satanismo? - O que as ciências metafísicas, alquímicas e tradicionais dizem - parte 2


Do livro Filosofia elementar da Robacruz modema de J. van 

Rijckenborgh.

EsPIRITISMO (II) 

O que é um médium? Respostas têm sido dadas a esta 

pergunta em todas as épocas. Todas as grandes filosofias 

religiosas reprovam a mediunidade e advertem enfatica-

mente contra ela: sempre foi proibido invocar os espíritos. 

Seja como for, todos os movimentos religiosos degene-

rados originaram-se na mecliunidade e por ela são manti-

dos. (...) A mediunidade é baseada na sensitividade. 

E, do mesmo modo 

que existem diferentes espécies de sensitividade, também 

existem diferentes espécies de mediunidade. 

Como essa sensitividade é provocada' Examinemos a 

esfera aura!, também chamada corpo de desejo ou 

campo de respiração. Essa esfera aura! está em perfeita 

concordância com o nosso estado ele ser: ela é um campo 

de vibração inteiramente harmonioso com a pessoa a 

quem pertence. Essa esfera só está aberta para o que é de 

natureza semelhante, uma vez que tudo o que difere dela 

permanece como que diante de intransponível muralha.

Esse campo vibratório está em concordância com o 

nosso ser sangüíneo que recebemos de nossos pais e 

ancestrab e no qual também nosso próprio passado 

microcósmico desempenha seu papel. Esse campo é 

mantido em equihbrio com o estado de nosso sangue, 

de nossos sentidos e de ;1ossa consciência, por meio 

da respiração. 

Esse equilíbrio é mantido da seguinte maneira: pen-

sar, querer e sentir formam uma triunidade de atividade 

da consciência. como vimos em um dos capítulos ini-

ciais. Conduzido por essa triunidade, o ser emocional 

irradia sete raios através do esterno. Essa radiação tanto 

repele quanto atrai e o que não está em concordância 

com nosso ser é afastado de nossa esfera aura! enquan-

to que a porta é amplamente aberta para tudo o que 

está em harmonia com ele. 

Quando o campo de respiração foi preparado, a res-

piração o liga ao sangue através do qual as for~·as e ati-

vidades do campo de respiração são transmitidas a 

todos os órgãos vitais. Além disw. os centros cerebrais, 

como focos do pensamento e da vontade, são também 

diretamente preparados, via osso etmóide, sem interfe-

rência do sangue. 

Então. em certo sentido, todo ser humano é um 

médium de acordo com seu estado de ser, pois a cons-

ciência está aberta a influências. Assim, podemos dizer 

que. em grande parte, os homens não são eles mesmos. 

mas são vividos por forças exteriores. Isso é válido para 

todos os homens em geral, mas muito particularmente 

para aqueles que alcançaram certa cultura, portanto, 

para os servidores da ciência. da arte e da religião. 

Podemos chamar as forças obumbrantes e as forças 

invocadas com nomes agradavelmente sonoros, tais 

como: Cristo, Espírito Santo, Luz ou Rosacruz, mas, nem

por isso deixamos de demonstrar perfeito estado de 

mediunidade e, sobre essa base, jamais poderemos al-

cançar a libertação concreta e verdadeira da humanida-

de. São incalculáveis as influências exercidas por uma 

multidão de entidades tenebrosas, tanto sobre a religião 

como sobre o ocultismo. 

Os líderes da Rosacruz estão sempre conscientes da 

necessidade de serem vigilantes e de estarem prontos 

para lutar, não contra seus amigos, mas contra as forças 

satânicas que os atacam por intermédio deles. É um fato 

irrefutável que quando entidades ligadas à terra não 

podem tirar o melhor de alguém do modo habitual, elas 

tentarão atacá-lo através de seus amigos. 

Devemos afirmar enfaticamente que as forças de 

Cristo que emanam do Espírito Santo c outras influências 

genuinamente sublimes jamais penetrarão o sistema de 

vida do homem desse modo. Elas jamais nos controlam 

e nem se apresentam a nós sob esta ou aquela forma. 

Existem diferentes espécies de mediunidade que 

podem ser explicadas pelo passado do individuo: 

1. a mediunidade na qual os processos do pensar, 

querer e sentir são afetados e controlados; 

2. aquela na qual os sentidos são afetados; 

3. aquela na qual as glândulas endócrinas são 

controladas; 

4. aquela que leva à possessão; 

5. a que leva à loucura. 

Esses aspectos principais são suficientes. O resto 

pode ser deduzido a partir daí. 

A primeira forma de mediunidade é a mais comum e 

afeta toda a humanidade. Ela é praticada de modo orga-

nizado, para alimentar e manter o satanismo.

A segunda forma de mediunidade refere-se à super-

sensitividade de um ou de vários sentidos. Ela é indevi-

damente denominada clarividência (sendo a visão etérica 

uma de suas formas). Em seguida, vêm a clauriaudiência, 

a psicometria. etc. 

A terceira forma de mediunidade incita o homem a 

excessos orgânicos e funcionais e a toda espécie de 

anomalias. 

A quarta forma de mediunidade é aquela na qual se 

força alguém a abrigar em seu corpo ou em sua esfera 

aura! entidades parasitas que já não podem ser expulsas 

do sistema. 

A quinta forma de mediunidade é aquela na qual a 

própria consciência do indivíduo é totalmente suplanta-

da. Todas as cinco formas de mediunidade com seus 

vários sub-aspectos reduzem a vida humana a uma exis-

tência sub-humana, mesmo do ponto de vista deste 

nível terreno e dialético. Dessa forma são desenvolvidas 

as mais espantosas atividades, aparecem doenças de 

toda espécie e o homem degenera e vive num mundo 

abominável de sofrimento e miséria incompreensíveis. 

Aqueles que se vangloriam de sua mediunidade são 

pobres e infelizes iludidos: sào doentes que merecem 

uma atenção toda especial. A mediunidade acentuada é 

sinal de uma condição extremamente crítica - é prova 

de um estado de especial receptividade aos espíritos 

ligados à terra. Porém, essa abertura não significa que o 

indivíduo é particularmente mau, mas que ele demons-

tra uma predisposição sangüínea. 

(...)

As entidades que. por qualquer razão, procuram 

agarrar-se à esfera intermediária e, conseqüentemente, 

à esfera terrestre. tencionam pilhar éteres e provêm de 

todas as classes sociais: da massa popular. das classes

dirigentes, artísticas. científicas e religiosas. Da mesma 

forma que deste lado do véu grande número de grupos 

parasitam o trabalho e o potencial de outros. de onde 

se originam os abusos sociais. políticos e econômicos, 

também existem, do outro lado do véu, inúmeras opor-

tunidades de continuar o trabalho de parasitismo. 

Como lá não existem dinheiro. bens e gozos materiais. 

resta um único interesse: conseguir prolongar a vida na 

esfera intermediária. 

Deste lado do véu um parasita não pode comprar 

um prolongamento de sua vida. (...) Ele 

também não pode receber este prolongamento de vida 

de seus colegas do além. Então, ele só pode obter o 

objeto de seu intenso desejo vampirizando o sangue 

vital dos homens deste lado do véu, subtraindo suas for-

ças vitais, crime que ele executa por meio do obumbra-

mento. Para esse fim, ele se vale de inúmeros métodos. 

Já falamos a respeito deles: na maioria das vezes, são 

baseados em impostura, em encenação. 

Cada grupo de controladores sintoniza-se com a 

natureza do grupo que dirige. Se este for religioso. ocul-

tista, humanitarista, o gmpo controlador também estará 

de acordo. Cada grupo de controladores procura desen-

volver, ao máximo, práticas que estejam em concordân-

cia com a natureza do seu grupo. Assim, aparecem gru- 

pos com aspirações e tendências médicas, proféticas, 

humanísticas, religiosas ou ocultistas. 

Tomemos como exemplo um grupo de aspirações 

médicas. O controlador será. na maioria dos casos. pos-

suidor de conhecimentos médicos. Como ele pode estu-

dar o doente a partir de um campo mais sutil, este con-

trolador tem maiores recursos à sua disposição para 

fazer seu diagnóstico. Sem dificuldades. ele pode acom-

panhar as atividadcs de certas forças e venenos no 

corpo e, assim. tem muito mais possibilidades de encon-

trar os remédios apropriados. (...) 

Enganar? Explorar?" exclamarão os participantes de 

tais grupos. "O que dizer, então, do meu braço torto, 

que foi endireitado? E do nó de meus intestinos, que foi 

curado? E do desvio de coluna, que foi corrigido? E da 

minha dor de cabeça, que desapareceu?" etc ... 

Será que compreendeis a fraude em tudo isso? Os 

efeitos foram suprimidos. mas as causas profundas, 

estas permanecem inalteradas. 

(...)

 Antes que alguém possa falar 

em cura, uma arte de curar deverá ser desenvolvida 

para combater as causas e, principalmente, as causas 

espirituais; uma terapêutica que combata as causas espi-

rituais com o supremo remédio divino. 

A naturopatia é um pálido prenúncio dessa terapêu-

tica que sempre foi empregada pelas genuínas Escolas 

Espirituais. Atualmente, a medicina natural ainda é 

muito materialista e dialética. Um verdadeiro curador 

deve ser, ao mesmo tempo. um verdadeiro sacerdote. 

Aquele que cura de modo espiritual pode simplesmen-

te recusar auxiliar uma pessoa se sua cura causar uma 

maior ligação a uma vida má. 

O aluno sério deveria compreender que a "cura 

segundo a natureza" pode ser um meio poderoso de ilu-

dir o homem da massa. Por mais sensacional que seja, a 

cura não revela nada do estado espiritual do enfermo. E 

também não revela nada do que se refere à sua verda-

deim cura. nem a respeito do direito espiritual que o 

doente e o médico têm, tanto de receber como de pro-

ceder à cura. A massa pode ser iludida pela aparência 

exterior ela cura. mas o aluno que está na senda perce-

berá tudo com clareza.

Homem, não a sua natureza exterior, e sim o verdadeiro testemunho da Divindade.

Do livro Homem, Sua Verdadeira Natureza de Louis Cloude de Saint Martin

A compreensão humana, por se aplicar tão exclusivamente as coisas exteriores, do que mesmo assim não da conta de forma satisfatória, conhece menos ainda sobre a natureza do próprio Homem; além disso, o homem atual parou de buscar o verdadeiro caráter de sua íntima essência, se tornou completamente cego para a Fonte Divina da qual descende; pois se o homem, se lembrar de seus elementos primitivos, verá que é a única verdadeira testemunha e sinal positivo pelo qual esta Fonte Universal pode ser conhecida; tal fonte deve, necessariamente, ser ocultada, quando o único espelho capaz de representá-la à nossas mentes, desaparece.

Então, quando louváveis escritores e bem intencionados defensores da verdade tentam provar que há um Deus, e derivam de Sua existência todas suas conseqüências necessárias, uma vez que facilmente consideram esta alma humana em suficiente harmonia para servir de testemunha, voltam-se para a Natureza e para a especulação tirada da ordem externa.

Assim, muitos excelentes espíritos tem feito uso dos recursos da lógica, na modernidade, colocando toda ciência externa a serviço do firme propósito de provar a existência da Divindade; ainda assim, apesar de todas estas testemunhas, o ateísmo nunca esteve tão em moda.

Deve ser com certeza, pela glória de nossa espécie, e para demonstrar a grande sabedoria da Providência que todas as evidências tiradas deste mundo sejam tão imperfeitas. Pois, se este mundo pudesse, verdadeiramente, demonstrar a Divindade, Deus estaria satisfeito com este testemunho e não teria tido nenhuma necessidade de criar o Homem. De fato, o Homem foi criado apenas porque o universo como um todo, apesar de toda a grandiosidade que se apresenta aos nossos olhos, nunca pode manifestar as riquezas da Divindade.

Um resultado bem diferente é alcançado por aqueles grandes escritores que sustentando a existência de Deus, tomam o próprio Homem como prova e base de suas demonstrações: O Homem, se não como ele é, como deveria ser. Suas evidências adquirem força, plenitude e satisfazem todas as nossas faculdades de uma só vez. A evidência extraída do Homem tem um efeito suave e parece falar a linguagem de nossa própria natureza.

As evidências extraídas do mundo exterior são frias, áridas e como uma linguagem aparte, que requer um minucioso estudo: além disso, quanto mais decisivo e resoluto este tipo de evidência for, mais humilha nossos adversários, fazendo com que nos odeie.

As evidências extraídas da natureza do Homem, ao contrário, mesmo quando obtém uma completa vitória sobre o descrente, não lhe causa humilhação, pois o faz sentir e participar de toda a dignidade que pertence à sua qualidade como Homem. 

E aquele que não é convencido por esta sublime evidência poderá, no máximo, zombar dela algumas vezes; mas, em outros tempos, ele muito provavelmente, lamentaria não ser capaz de alcançar tão elevada região e certamente nunca ofenderia o que lhe estivesse sendo ofertado; isto é suficiente para demonstrar o quão uidadosos devemos ser ao sondar as profundezas da existência do Homem, e para confirmar a sublimidade de sua essência, por meio da qual devemos demonstrar a Essência Divina, pois não há mais nada no mundo que possa fazê-lo, precisamente.

Eu repito que, para alcançar este fim, todo argumento extraído deste mundo e desta natureza é insatisfatório e instável. Consideramos coisas do mundo para chegar a um Ser fixo, em quem tudo é verdade; emprestamos ao mundo verdades abstratas e figurativas para provar um Ser que é totalmente real e positivo; extraímos algo da inteligência para provar um Ser que é a própria Inteligência; extraímos coisas do amor para demonstrar Aquele que é somente Amor; coisas circunscritas em limites para tornar conhecido Aquele que é Livre; e coisas que morrem para explicar Aquele que é Vida.

Não é para se temer que ao nos submetermos a um empreendimento como este, possamos absorver as mesmas deficiências inerentes dos meios que nos utilizamos, ao invés de demonstrar a nossos oponentes os tesouros Daquele que desejamos reverenciar?

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Espiritismo, vampirismo, satanismo? - O que as ciências metafísicas, alquímicas e tradicionais dizem - parte 1

 ESPIRITISMO (I) 

Do livro Filosofia elementar da Robacruz modema de J. van 

Rijckenborgh. -· 5. Ed. - Jarinu, SP.


Conforme já vos expusemos no capítulo VII, o corpo 

material e a maior parte de seu duplo etérico permane-

cem, após a morte, deste lado do véu, onde são subme-

tidos ao processo de decomposição. A consciênda, com 

o restante da forma corpórea, passa para o além, a esfe-

ra retletora. Queremos agora nos aprofundar no assun-

to, tratando de um dos tlagelos mais terríveis que opri-

mem a humanidade: o espiritismo. 

O corpo etérico compôe-sc de quatro tipos diferen-

tes de éteres: o éter químico, o éter vital. o éter lumino-

so e o éter retletor. O corpo material é mantido por 

esses quatro éteres. Todas as funções orgânicas e senso-

riais, todas as atividades do cérebro e do sentimento são 

realizadas por meio desses éteres. 

Devemos, no entanto, fazer distinção entre os dois 

éteres superiores e os dois inferiores, visto que eles 

diferem em vibração: os dois éteres inferiores são de 

vibração mais grosseira; os outros dois, de vibração 

mais sutil. A substância etérica com cujo auxílio nós 

pensamos é de vibração muito rápida, ao passo que, 

comparativamente, os éteres utilizados na construção

das células do nosso corpo possuem vibração mais 

lenta. 

Muitos dos pesqubadores que estudaram a questão 

chegaram à errônea conclusão de que a presew,;a dos 

dois éteres chamados superiores·em grande quantidade 

seria indicação de espiritualidade do homem, enquanto 

que a presença dos éteres inferiores em grande quanti-

dade seria atributo dos homens mais grosseiros. Entre-

tanto, isso é evidentemente falso. 

Do ponto de vista espiritual, os étcres luminoso e 

retletor podem ser infinitamente mais grosseiros. bem 

mais funestos e bestiais, e pelo menos mais perigosos 

que os éteres inferiores, do mesmo modo que o ser 

superior, o homem, é mil vezes mais perigoso que o ser 

inferior, o animal. 

Fala-se freqüentemcntt> dt" paixões animais. Ora, as 

paixões do animal são puramente funcionais; elas se 

manifestam dentro das normas do instinto e do espírito 

de grupo. 

As paixões humanas, sim, são claramente más. 

Muitas pessoas dotadas de visão etérica se sentem toma-

das de admiração quando descobrem numa pessoa 

determinada atividade dos éteres superiores ou vêem 

uma entidade operando com auxílio de grande quanti-

dade de éter luminoso e éter refletor. Ora, não nos 

esqueçamos de que o demónio pode também nos apa-

recer como um anjo de luz. 

O éter refletor é mais especialmente um éter de pen-

samento. Geralmente, os homens mais malvados dis-

põem de formidável capacidade mental e de grande 

quantidade de éter-pensamento. 

O éter luminoso é principalmente um éter-sentimen-

to. Todas as atividades emocionais, desde as mais baixas 

às mais elevadas, necessitam de éter luminoso.

De modo geral, pode-se dizer que os dois éteres 

inferiores são necessários às funções corporais básicas e 

que sempre que o homem se manifesta ou desempenha 

um papel Óa vida como ser pensante e emocional, são 

necessários os dois éteres superiores. 

Portanto, a posse de éteres superiores não revela, de 

modo algum, a espiritualidade de um homem. Esta 

posse demonstra simplesmente que o homem cm ques-

tão leva uma vida muito ativa, seja no bem, seja no mal. 

Os éteres não servem como indicação das qualidades 

espirituais ou adiantamento espiritual do homem. Aliás. 

os métodos para comprovar se os espíritos são ou não 

de Deus nada têm a ver com a ação dos éteres. Sua çor 

também não nos serve de base, visto que é possível, 

pela vontade. colori-los de forma diferente. 

São tantas as mistificações possíveis nesse terreno 

que se recomenda com insistência que se desconfie de 

todas as sugestões e se rejeite inexoravelmente todos os 

tipos de aparições. Ao aluno verdadeiro são dados 

outros métodos para alcançar o discernimento. 

Assim que o ser humano morre. uma separação tem-

porária acontece no corpo etérico. Normalmente os dois 

éteres inferiores ficam para traz com o corpo material, 

enquanto que os dois éteres superiores acompanham 

temporariamente o falecido, embora um pouco dos dois 

éteres inferiores seja levado junto. Quanto maior for o 

apego do falecido à terra durante sua vida material e 

quanto mais estiver voltado para as coisas deste mundo 

(o que não significa de natureza má, mas apenas biolo-

gicamente normal), tanto maior será a concentração de 

éteres inferiores ao seu redor. 

Nesse estado, ele se dirige ao domínio de transição, 

que é a esfera intermediária também denominada esfe-

ra de purificação ou purgatório. Esse domínio com- 

preende as três esferas inferiores do mundo do desejo, 

que é o Kamaloka da filosofia oriental. Deveis notar que 

o remanescente da veste etérica que o falecido ainda 

possui liga-o à esfera terrestre, já que o corpo etérico 

também é construído e mantido pelas substâncias e for-

ças desta esfera material. 

Deve ficar claro que, após o falecido ter deixado o 

domínio etérico, os restos da roupagem etérica não 

podem ser mantidos: eles se decompõem, volatilizam-se 

e depois o falecido não pode conservá-los. Isso é da 

máxima importância pois assim que os remanescentes 

da veste etérica desaparecem. chega o momento em 

que o homem deve assimilar o conhecimento do seu 

verdadeiro estado de ser. Somente então ele adquire a 

verdadeira noção do que ele é, para depois partir para 

a esfera celeste ou a infernal, em concordância com o 

seu estado de ser. Portanto, compreende-se facilmente 

que a posse de éteres após a morte determina forte liga-

ção à terra. 

Quando o homem acha que sua ligação com a terra é 

indesejável, quando nào sente nenhum interesse nela 

mas, ao contrário, deseja se livrar dela o mais depressa 

possível, ele nada fará para se opor ao processo de vola-

tilização dos éteres. Quando, porém, o caso é o oposto, 

ou seja, o seu interesse está precisamente voltado para a 

terra e com ela quer manter sua ligação a qualquer 

preço, ele tudo fará para retardar esse processo de vola-

tilização. Ele tentará repor cada perda de éter e até 

mesmo aumentar seu suprimento de éteres e, desse 

modo, prolongar artificialmente sua permanência na 

esfera de transição. 

Aí está a causa do espiritismo e dos fenômenos a ele 

relacionados, tais como o satanismo, os espíritos ligados 

à terra e assim por diante. Ela deriva das milhares de

entidades na esfera de transição que se dedicam à pilha-

gem de éteres, parasitando e explorando a esfera terres-

tre. Os tenômenos espiritistas configuram roubo de éte-

res. Não só de éteres inferiores, mas, principalmente, 

dos dois éteres superiores. 

Este assunto exige um estudo minucioso c aprofun-

dado. bem como explicação séria, pois se trata de um 

verdadeiro horror, de um perigo real, ao qual quase nin-

guém escapa. Todos nós somos vitimados em maior ou 

menor grau por essas hordas de parasitas de éteres. 

Muitas qualidades pouco agradáveis ou pouco vir-

tuosas do nosso ser se desenvolvem em proporções que 

ultrapassam bastante o nosso verdadeiro estado de ser 

porque são consciente e propositadamente estimuladas 

por tais entidades. Um sentimento baixo como, por 

exemplo, o ciúme, custa éter luminoso a quem o desen-

volve. O mesmo ocorre, também, na atividade de opo-

sição, oposição intencional, consciente, seja qual for a 

razão. Essa atividade custa não só éter luminoso. mas 

principalmente éter refletor, pois neste caso predomina 

a função cerebral. 

Essas baixas atividades podem ser ativadas muito acima 

do nom1al pelas forças do além, a ponto de tornar impos-

sível qualquer autocontrole. Esta sangria de éteres constitui 

o alimento das lúgubres entidades já mencionadas. 

O mesmo acontece quando há cólera, perversidade. 

melancolia - e não o esqueçamos - também os exces-

sos intelectuais. Esses estados provocam intensas explo-

sôes nas quais são despendidas grandes quantidades de 

éteres. Todas as formas de anomalias psíquicas decor-

rem da alividade dos parasitas de éter. 

Poderíamos nos perguntar se essas entidades tão 

empenhadas em se manter ligadas à terra não poderiam 

gerados. O que parece um profundo exagero e uma fan-

tasia audaciosa é nada mais que uma simples expressão 

da pavorosa realidade. 

Como age o satanismo? Para compreendermos isso. 

devemos partir do t'<tto de que o corpo vital de cada 

ser humano tem uma natureza e uma vibração diferen-

tes. Portanto, uma entidade da esfera intermediária 

não pode simplesmente usurpar éteres estranhos. Sem 

dúvida da tenta fazer isto, mas nào pode conservar 

estes éteres por muito tempo, porque eles se volatili-

zam rapidamente devido à sua fórmula pessoal de 

vibração. Entào, para alcançar seus fins. ela recorre a 

um método de possessão bem mais refinado: tenta 

apoderar-se de um ser humano que vive na terra e 

com o qual possui certa polaridade para fazer nascer, 

após meses ou anos, o desejado equilíbrio vibratório. 

Então. poderá comodamente vampirizar os éteres que 

ambiciona. ou literalmente sugá-los. vivendo desse 

modo, às custas de sua vítima que, por sua vez, leva 

uma existência miserável. 

Associando-se a diversos cúmplices, essas entidades 

controlam grupos inteiros, subtraindo determinadas for-

ças etéricas e fosfóricas que assimilam através dos 

médiuns. Dessa forma, possuem e mantêm seus círculos 

espiritistas, assim como um fazendeiro mantém porcos, 

galinhas e vacas, para viver de seus produtos. 

Às vezes, acontecem acidentes. Quando os controla-

dores penetram muito profundamente no ser de suas 

vítimas, a ponto de desalojá-las, o resultado é a loucura. 

Diante dessa situação muitos deles recuam, já que não 

podem utilizar convenientemente esse corpo estranho 

do qual se apossaram, pois também eles levariam uma 

144 existência miserável.

Sem dúvida existem certos casos em que essas enti-

dades se vêem forçadas a realizar possessôes como 

estas, por temor de serem expulsas da esfera de transi-

ção, por temor dos cúmplices ou ainda por causa da 

luta entre os vários controladores de um mesmo 

médium. Tudo é possível a esse respeito. 

Muitos problemas e questões ainda existem para 

serem discutidos tais como a natureza das mistificaçôes, 

a organização do satanismo, as causas do suicídio, a 

essência do homicídio em geral, a causa dos atos bes-

tiais e a influência disso na religião e no ocultismo. 

Acima de tudo, o caminho da cura e do combate a esse 

flagelo que é o satanismo precisa ser discutido.


O Novo Testamento é uma Construção Romana?

Você é dos que ainda acredita nas lendas que falam que o Novo Testamento foi uma construção da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR)? Ou que os livros foram escolhidos pelo analfabeto Constantino segundo conveniência poli6tica? Ou pior ainda, que foi escrito por ele ou outros católicos?

Se sim esta série é para você. Mas se não, e eu espero sinceramente que não, pois em tempo de internet é meio absurdo ainda cair nesse mito acadêmico, essa série é um resumo e com biografia rica daquilo que você deve responder àquele professor doutor de universidade que monta no cavalo da autoridade de seus títulos para expor sua ignorância bíblica e histórica (além da falta de raciocínio lógico, pois comete sempre o bárbaro anacronismo).

Aqui uma sequência datada das listas de livros que já haviam a partir do ano 150. Embora o texto atribua o título de católico à igreja primitiva (o que é verdade apenas em parte com relação à herança histórica, canônica e tradicional, pois já existiam divisões e posições diferentes de grupos, embora os livros sejam praticamente os mesmos sempre) é importante perceber que não se trata da ICAR. Constantino só instituiu tal grupo em 313 d.C., é muito importante lembrar. Aqui começará fas listas iniciais até as canônicas oficiais. 

Mas eles ainda poderão argumentar que os textos foram adulterados. Então é bom ler também artigos anteriores sobre a história da Bíblia, da igreja e do cristianismo já postadas aqui. No entanto pode ser que esta série também se estenda a esse assunto. E se o preconceito de alguns for ainda extremado com relação a essa instituição, que simplesmente criou a cultura ocidental quase toda e resgatou da barbárie moral e religiosa a nossa civilização, só posso dizer, como não católico também, que pesquise realmente a fundo a história e se não forem as fontes viciadas e resumidas de sempre você vai mudar de idéia completamente (a bibliografia no final tem algumas poucas sugestões). Obrigado a todos por ler e compartilhar tais assuntos que implicam diretamente na sua liberdade, especialmente de consciência.


Os primeiros Catálogos do Novo Testamento

Do ano 200 ao ano 400 d.C., graças aos católicos, publicaram-se aproximadamente quinze ou dezesseis catálogos de livros do Novo Testamento, vejamos alguns:

a) Fragmento Muratoriano ou Cânon de Muratori (150) – É o mais antigo documento sobre o Cânon do Novo Testamento, escrito por volta do ano 150 d.C. Uma cópia do original, datada do século VIII, foi descoberta pelo padre italiano Ludovico Antônio Muratori em 1740 na Livraria Ambrosiana, em Milão. Menciona o Papa Pio I (bispo de Roma de 143 a 155 d.C.), irmão de Hermas, como se fosse contemporâneo. O fragmento traduzido do grego principia por Lucas como “terceiro Evangelho”, subentendendo os outros dois e cita todos os livros do Novo Testamento, com exceção das seguintes cartas: Hebreus, Tiago, 1 e 2Pedro, e 2 e 3João. Pelo manuscrito pode-se distinguir os livros que eram lidos publicamente na Igreja, os que algumas pessoas queriam que fossem lidos, os desprezados e os que eram lidos em ambiente privado.

b) Clemente de Alexandria (†215) – Segundo Eusébio de Cesareia, no princípio do século III, fez a distinção entre “o Evangelho” e “o Apóstolo”. Reconhece 14 cartas de São Paulo, inclusive Hebreus, e omite as Cartas de Tiago, 2Pedro e 3João.

c) Orígenes (†254) – Segundo Eusébio de Cesareia, listou todos os livros do Novo Testamento, exceto as Cartas de Tiago e Judas, às quais se refere em outra parte.

d) Eusébio Panfílio (†315) – Lista todos os livros do Novo Testamento, relata porém que há contestação da parte de alguns a respeito das Cartas de Tiago, Judas, 2Pedro, 2 e 3João.

e) Santo Atanásio (†337) – Lista todos os livros do Novo Testamento. Fala da obra “O Pastor”, de Hermas, como útil, mas não-canônica.

f) São Cirilo de Jerusalém (†386) – Lista todos os livros do Novo Testamento, exceto o Apocalipse de São João. Os livros contestados, de que fala Eusébio, neste tempo já são geralmente aceitos.

g) Concílio de Laodicéia (364) – Lista todos os livros do Novo Testamento, com exceção do Apocalipse.

h) Epifânio de Salamina (370) – Lista todos os livros do Novo Testamento.

i) Anfilóquio de Icônio (380) – Lista todos os livros do Novo Testamento, mas diz que a maioria exclui o Apocalipse.

j) Filástrio de Bréscia (380) – Lista todos os livros do Novo Testamento, menciona 13 Cartas de São Paulo e a Carta aos Hebreus, dizendo que acerca desta alguns duvidam que seja de autoria de São Paulo; diz também que outros negam que sejam de São João o Evangelho e o Apocalipse.

k) Gregório Nazianzeno (†389) – Lista todos os livros do Novo Testamento, menos o Apocalipse.

l) Rufino de Aquiléia (390) – Lista todos os livros do Novo Testamento.

m) Concílio de Cartago II (397) – Foi um Concílio regional da Igreja, ao qual Santo Agostinho assistiu. cCita todos os livros do Novo Testamento, sendo as atas deste Concílio muito importantes pelo seu testemunho histórico.

n) São João Crisóstomo (†407) – Numa sinopse que lhe é atribuída, enumera quatorze Cartas de São Paulo, os quatro Evangelhos, os Atos dos Apóstolos e três Epístolas Católicas, omitindo o restante dos livros.

o) São Jerônimo (†420) – Lista todos os livros do Novo Testamento; diz que a Carta aos Hebreus é colocada por muitos fora dos escritos de São Paulo.

p) Santo Agostinho de Hipona (†430) – Lista todos os livros do Novo Testamento; refere-se à Carta aos Hebreus como sendo de São Paulo.

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BIBLIOGRAFIA

– Parte integrante do opúsculo “A Formação da Bíblia ao longo dos Séculos e a importante participação da Igreja Católica neste processo”, de autoria de Leandro Martins de Jesus, 2005.
– ANGUS, Joseph; GREEN Samuel G. “História, Doutrina e Interpretação da Bíblia”. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1951.
– AQUINO, Felipe. “Escola da Fé I – A Sagrada Tradição”. Lorena: Cléofas, 2000.
– AQUINO, Felipe. “Escola da Fé II – A Sagrada Escritura”. Lorena: Cléofas, 2000.
– AQUINO, Felipe. “Escola da Fé III – O Sagrado Magistério”. Lorena: Cléofas, 2001.
– BATTISTINI, Francisco. “A Igreja do Deus Vivo: Curso Popular sobre a Verdadeira Igreja”. 29ª ed., Petrópolis: Vozes, 1998.
– Bíblia Sagrada. 47ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1985.
– Bíblia Sagrada. 38ª ed. São Paulo: Edições Paulinas, 1982 .
– SARMENTO, Francisco de Jesus Maria. “Minidicionário Compacto Bíblico”. 3ª ed., São Paulo: Rideel, 2001.
– SILVA, Rogério Amaral. “A Fundação da Igreja Católica por Nosso Senhor Jesus Cristo”. ACI Digital. Disponível em: www.acidigital.com.br. Acesso em 16/06/2004.
– SILVA, Severino Celestino. “Pequena História das Traduções Bíblicas”. Disponível em: www.nossosaopaulo.com.br. Acesso em 01/07/2004.
– (Autor Desconhecido). “Como a Bíblia foi escrita”. ACI Digital. Disponível em: www.acidigital.com.br. Acesso em 16/06/2004.

https://www.veritatis.com.br/os-primeiros-catalogos-do-novo-testamento/amp/

sábado, 3 de outubro de 2020

O Imbecil Juvenil

O imbecil juvenil

Jornal da Tarde, São Paulo, 3 de abril de 1998

Já acreditei em muitas mentiras, mas há uma à qual sempre fui imune: aquela que celebra a juventude como uma época de rebeldia, de independência, de amor à liberdade. Não dei crédito a essa patacoada nem mesmo quando, jovem eu próprio, ela me lisonjeava. Bem ao contrário, desde cedo me impressionaram muito fundo, na conduta de meus companheiros de geração, o espírito de rebanho, o temor do isolamento, a subserviência à voz corrente, a ânsia de sentir-se iguais e aceitos pela maioria cínica e autoritária, a disposição de tudo ceder, de tudo prostituir em troca de uma vaguinha de neófito no grupo dos sujeitos bacanas.

O jovem, é verdade, rebela-se muitas vezes contra pais e professores, mas é porque sabe que no fundo estão do seu lado e jamais revidarão suas agressões com força total. A luta contra os pais é um teatrinho, um jogo de cartas marcadas no qual um dos contendores luta para vencer e o outro para ajudá-lo a vencer.

Muito diferente é a situação do jovem ante os da sua geração, que não têm para com ele as complacências do paternalismo. Longe de protegê-lo, essa massa barulhenta e cínica recebe o novato com desprezo e hostilidade que lhe mostram, desde logo, a necessidade de obedecer para não sucumbir. É dos companheiros de geração que ele obtém a primeira experiência de um confronto com o poder, sem a mediação daquela diferença de idade que dá direito a descontos e atenuações. É o reino dos mais fortes, dos mais descarados, que se afirma com toda a sua crueza sobre a fragilidade do recém-chegado, impondo-lhe provações e exigências antes de aceitá-lo como membro da horda. A quantos ritos, a quantos protocolos, a quantas humilhações não se submete o postulante, para escapar à perspectiva aterrorizante da rejeição, do isolamento. Para não ser devolvido, impotente e humilhado, aos braços da mãe, ele tem de ser aprovado  num exame que lhe exige menos coragem do que flexibilidade, capacidade de amoldar-se aos caprichos da maioria — a supressão, em suma, da personalidade.

É verdade que ele se submete a isso com prazer, com ânsia de apaixonado que tudo fará em troca de um sorriso condescendente. A massa de companheiros de geração representa, afinal, o mundo, o mundo grande no qual o adolescente, emergindo do pequeno mundo doméstico, pede ingresso. E o ingresso custa caro.

O candidato deve, desde logo, aprender todo um vocabulário de palavras, degestos, de olhares, todo um código de senhas e símbolos: a mínima falha expõe ao ridículo, e a regra do jogo é em geral implícita, devendo ser adivinhada antes de conhecida, macaqueada antes de adivinhada. O modo de aprendizado é sempre a imitação — literal, servil e sem questionamentos. O ingresso no mundo juvenil dispara a toda velocidade o motor de todos os desvarios humanos: o desejo mimético de que fala René Girard, onde o objeto não atrai por suas qualidades intrínsecas, mas por ser simultaneamente desejado por um outro, que Girard denomina o mediador.

Não é de espantar que o rito de ingresso no grupo, custando tão alto investimento psicológico, termine por levar o jovem à completa exasperação, impedindo-o, simultaneamente, de despejar seu ressentimento de volta sobre o grupo mesmo, objeto de amor que se sonega e por isto tem o dom de transfigurar cada impulso de rancor em novo investimento amoroso. Para onde, então, se voltará o rancor, senão para a direção menos perigosa? A família surge como o bode expiatório providencial de todos os fracassos do jovem no seu rito de passagem. Se ele não logra ser aceito no grupo, a última coisa que lhe há de ocorrer será atribuir a culpa de sua situação à fatuidade e ao cinismo dos que o rejeitam. Numa cruel inversão, a culpa de suas humilhações não será atribuída àqueles que se recusam a aceitá-lo como homem, mas àqueles que o aceitam como criança. A família, que tudo lhe deu, pagará pelas maldades da horda que tudo lhe exige.

Eis a que se resume a famosa rebeldia do adolescente: amor ao mais forte que o despreza, desprezo pelo mais fraco que o ama. Todas as mutações se dão na penumbra, na zona indistinta entre o ser e o não- ser: o jovem, em trânsito entre o que já não é e o que não é ainda, é, por fatalidade, inconsciente de si, de sua situação, das autorias e das culpas de quanto se passa dentro e em torno dele. Seus julgamentos são quase sempre a inversão completa da realidade. Eis o motivo pelo qual a juventude, desde que a covardia dos adultos lhe deu autoridade para mandar e desmandar, esteve sempre na vanguarda de todos os erros e perversidades do século: nazismo, fascismo, comunismo, seitas pseudorreligiosas, consumo de drogas. São sempre os jovens que estão um passo à frente na direção do pior.

Um mundo que confia seu futuro ao discernimento dos jovens é um mundo velho e cansado, que já não tem futuro algum.

Olavo de Carvalho em O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota.