O ponto de vista de Paulo Kogos, os pontos fracos e fortes no argumento e como acertá-las, baseando-se nos pontos de vista de Hans-Hermann Hoppe
Paulo Kogos é um dos maiores difusores do libertarianismo no ecossistema digital brasileiro e propõe uma síntese peculiar: o Anarcocapitalismo Ultracatólico. Para Kogos, a verdadeira liberdade não se confunde com a licenciosidade liberal secular. Ele a fundamenta no Magistério da Igreja Católica, utilizando encíclicas como a Libertas Praestantissimum de Leão XIII (frequentemente citada por ele como referencial moral) [1, 2]. O cerne da tese de Kogos é que o libertarianismo precisa de uma base moral teocêntrica para não colapsar no niilismo (e nisto tem razão), defendendo que a Lei Natural e a propriedade privada emanam da soberania divina (e é nesse ponto que muitos discordam).
Contudo, sua formulação apresenta sérias falhas metodológicas quando analisada sob o prisma da economia política rigorosa, especialmente à luz de Hans-Hermann Hoppe, o maior teórico vivo da praxeologia e da ética argumentativa [1, 2]. Vejamos a seguir se existem falhas cinetíficas no argumento de Kogos e, caso existam, como corrigi-las de forma cientificamente robusta.[ Modelo de Paulo Kogos ] [ Modelo de Hans-Hermann Hoppe ] Fundamento: Teologia e Dogma Fundamento: Praxeologia e Lógica Pura │ │ ▼ ▼ Fé e Lei Divina Ética Argumentativa (A Priori) │ │ Falha: Exclui não católicos Correção: Universalmente Autoevidente │ │ ▼ ▼ Ordem via "Instituições Medievais" Ordem via Propriedade e Descentralização
1. A Falha
do Fundamento Epistemológico Particularista (Dogma vs. Lógica)
Kogos
tenta derivar os direitos de propriedade e a ilegitimidade do Estado a partir
de dogmas católicos, da escolástica e do direito canônico. Ele argumenta que
sem Deus e sem o medo do inferno, as leis naturais perdem o poder vinculante [1, 2, 3, 4].
Mas a crítica, cientificamente falando, é que isso limita a universalidade do
libertarianismo. Faz parecer haver uma necessidade de adesão, ou pelo menos aceitação,
da moral católica romana. Se o libertarianismo depende da aceitação dogmática
da fé católica, ele deixa de ser uma ciência universal (válida para qualquer
indivíduo racional) e passa a ser uma ramificação da teologia moral. Se o
interlocutor for ateu, agnóstico ou de outra fé, o argumento perde a força de
convencimento imediato [1]. Mas o principal problema é que ele
deixa de universal por natureza e passa a depender de foro particular.
2. A Falha
Estratégica: Utilitarismo Político e Participação Estatal
Recentemente,
Kogos concorreu a cargos eletivos e assumiu posições assessorando o poder
público, justificando que "libertários podem ocupar o aparato estatal para
destruí-lo por dentro ou aprovar leis justas" [1, 2]. Essa postura flerta com o
utilitário maquiavélico. Alimentar a máquina estatal com participação política
legitima o processo democrático que o próprio anarcocapitalismo demonstra ser
inerentemente espoliador.
Como
Acertar os Argumentos Baseando-se em Hans-Hermann Hoppe (que parece ser a principal
referência para o próprio Paulo Kogos)
Para elevar a
tese ao nível científico e universal, a justificativa do libertarianismo deve
migrar da teologia normativa para a praxeologia empírico-dedutiva
e a filosofia do direito
puro, eixos centrais da obra de Hoppe.
1. Substituir
o Dogma pela Ética Argumentativa Hoppeana
Em
sua obra-prima The
EconomicsandEthicsof Private Property, Hoppe resolve o problema da
fundamentação dos direitos através da Ética da Argumentação. Ele demonstra que
a propriedade privada não depende de uma revelação divina prévia para ser
demonstrada racionalmente, mas é uma
verdade a priori da própria comunicação humana. O argumento científico é que quando qualquer indivíduo
(católico ou não) entra em um debate para contestar a propriedade privada, ele
precisa assumir o controle exclusivo sobre o seu próprio corpo
(autopropriedade) para formular seus argumentos. Tentar negar o direito de
propriedade gera uma contradição
performativa
instantânea. A justificação é lógica e universal, eliminando a dependência de
pressupostos confessionais
[1].
2.
Corrigir a Governança Social via Ordem Natural e Contratos de Seguro
Kogos
frequentemente idealiza soluções institucionais medievais (como ordens de
cavalaria e inquisições descentralizadas) para regular a sociedade. Hoppe
corrige esse anacronismo em Democracia,
o Deus que Falhou.
Hoppe demonstra que uma sociedade
sem Estado (Ordem Natural) se sustenta economicamente por meio de agências privadas de defesa e
companhias de seguro. O cumprimento das leis e a proteção de contratos não
necessitam de um tribunal eclesiástico, mas são gerados espontaneamente pelo
cálculo de lucros e prejuízos no mercado de segurança privada. O seguro
precifica o risco do crime, tornando a justiça eficiente sem apelar para a coerção ideológica [1]. O risco e o prejuízo “convencem”
muito mais contundentemente (sobre cumprir leis e contratos) do que doutrinas
que precisam ser entendidas ou aceitas.
3.
Secessão e Descentralização Radical como Única Estratégia Válida
Em
vez de disputar o poder dentro das regras do Estado democrático, a estratégia
hoppeana legítima para o colapso do Leviatã é a secessão total e a fragmentação
política.
O avanço em direção ao libertarianismo ocorre multiplicando jurisdições concorrentes e independentes (microestados,
cidades privadas, distritos autônomos). Isso aumenta a concorrência
institucional e sufoca o poder de tributação do Estado centralizado. O ativismo
político tradicional apenas oxigena a estrutura estatal.
Síntese
Comparativa da Defesa da Tese
|
Critério de Análise |
Abordagem de Paulo
Kogos |
Correção Científica
por H. H. Hoppe |
|
Validação
Jurídica |
Baseada
no Magistério da Igreja e nas Encíclicas Papais. |
Baseada
na Ética Argumentativa e na Não Contradição Prática. |
|
Público-Alvo |
Restrito
a fiéis católicos ou conservadores tradicionais. |
Universal;
aplicável a qualquer agente econômico racional. |
|
Mecanismo
de Ordem |
Apelo
à virtude cristã e arranjos neo-medievais. |
Contratos
de Seguro, Tribunais Privados e Direito
de Exclusão. |
|
Prática
Política |
Disputa
institucional dentro da democracia estatal. |
Secessão
radical e boicote às estruturas centrais do Estado. |
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