quinta-feira, 28 de abril de 2016

A Crítica de Leslie Page


O historiador britânico Leslie Page publicou em 1987 o livro "Karl Marx e o exame crítico de suas obras".¹[] A obra cobre um período de quarenta anos, de 1844-1894, e é baseada nas edições inglesas das "Marx/Engels Collected Works" (Obras Reunidas de Marx/Engels) e "Marx/Engels Selected Works" (Obras Selecionadas de Marx/Engels). Um segundo volume com o mesmo título foi publicado no ano 2000[]
Page pretendeu destacar as opiniões geralmente desconhecidas ou omitidas de Marx e Engels sobre diversos assuntos como: a revolução, o terror revolucionário, o uso da força e o terrorismo. As obras de Page contribuíram para o debate que se desenvolveu sobre até que ponto Marx poderia ser responsabilizado pelas experiências do socialismo real.
Inicialmente Page destaca o Manifesto Comunista, a Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas (1850), e as publicações do Die Neue Rheinische Zeitung (Nova Gazeta Renana), publicado em Colônia a partir de 1 de junho de 1848 a 19 de maio de 1849. Marx e Engels dirigiram o jornal, Marx sendo o seu redator-chefe. No artigo "Marx e a Nova Gazeta Renana" publicado em 1884 Engels declara "A composição editorial era simplesmente a ditadura de Marx".³[] Lênin descreveu o jornal como "o mais belo e insuperável órgão do proletariado revolucionário".
Revolução
Engels declarou que 1873 que "Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que existe; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade sobre a outra parte por meio de fuzis, baionetas e canhões [...]; e se o partido vitorioso não deseja ter lutado em vão, deve manter esta prática por meio do terror que suas armas exercem nos reacionários."[4]
Terrorismo
Engels publicou na Nova Gazeta Renana dois artigos intitulados "The Magyar Struggle" (A luta Húngara) e "Democratic Pan-Slavism" (Pan-eslavismo Democrático).
Engels prescreveu em "Democratic Pan-Slavism" que: "Somente pelo mais determinado terrorismo contra os povos Eslavos nós poderemos, juntamente com os poloneses e húngaros, assegurar a Revolução". E na mesma página escreve ele: Então haverá uma luta, uma luta de vida-e-morte inexorável com o Eslavismo que trai a revolução; uma batalha de aniquilação e terrorismo cruel - não nos interesses da Alemanha, mas nos interesses da Revolução!"
Em "The Magyar Struggle" Engels afirma: "... Entre todas as grandes e pequenas nações da Áustria, somente três lideranças do progresso tiveram uma parte ativa na história e retêm ainda sua vitalidade – Alemães, Poloneses e Húngaros. Por isso eles são revolucionários.
Todas as outras grandes e pequenas nacionalidades e povos estão destinados a perecer num futuro próximo na tempestade revolucionária mundial. Por esta razão eles são contra-revolucionários.
[...] A próxima guerra mundial resultará no desaparecimento da face da terra não somente das classes e das dinastias reacionárias, mas também de todos os povos reacionários. E isso, também, é um passo adiante."
Terror revolucionário e uso da Força
No Manifesto Comunista Marx e Engels afirmam que "Os Comunistas" proclamam "abertamente que os seus objetivos só podem ser alcançados derrubando pela violência toda a ordem social existente".
Segundo Marx, (Nova Gazeta Renana, 11 de julho de 1848), "só existe um modo pelo qual as agonias assassinas de morte da velha sociedade e o nascimento sangrento da nova sociedade pode ser encurtado, simplificado e concentrado, e esse modo é o terror revolucionário."[]5
"A força", diz Marx em O Capital, "é a parteira de toda velha sociedade em trabalho de parto de uma nova".[]6
O "Plano de guerra contra a democracia"
Na página 50 de "Karl Marx and Critical Examination of his Works" (1987) Leslie Page refere-se a obra "The Red Prussian: The Life and Legend of Karl Marx" do autor Leopold Schwarzschild publicado em 1947 nos Estados unidos e em 1948 na Grã-bretanha. Schwarzschild faz uma citação da Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas – 1850 ("Mensagem"). Este documento, escrito por Marx e Engels, era, como Marx disse numa carta para Engels (13 de Julho, 1851), "no fundo nada mais do que um plano de guerra contra a democracia".[]7
Uma nota na página 674 do Volume 10 (1978) das "Marx/Engels Collected Works" (Obras Reunidas de Marx/Engels) diz que a "Mensagem" "continha as proposições fundamentais do programa e das táticas marxistas".
Segundo Robert Payne , (Marx, p. 239), "Embora pouco conhecido e raramente estudado", a "Mensagem" é "um dos mais importantes e seminais do século XIX", ela "agiu como uma bomba que possuía um fusível atrasado, explodindo somente no século XX".[]8
O programa e das táticas recomendas por Marx e Engels incluíam: "a organização secreta e pública do partido dos trabalhadores" – com o "armamento de todo o proletariado, com fuzis, carabinas, canhões e munições" – assumindo a direção "aos chamados excessos, aos atos de vingança popular contra indivíduos odiados ou contra edifícios públicos que o povo só relembre com ódio" - montando - "conselhos municipais revolucionários" - estabelecendo "governos dos trabalhadores revolucionários… ao lado dos novos governos oficiais".
"Durante o conflito e imediatamente após o combate, os operários, antes de tudo e tanto quanto possível, têm de agir contra a pacificação burguesa e obrigar os democratas a executar as suas atuais frases terroristas."
Os trabalhadores deveriam: "Obrigar os democratas a intervir em tantos lados quanto possível da organização social até hoje existente, a perturbar o curso regular desta, a comprometerem-se a concentrar nas mãos do Estado o mais possível de forças produtivas, de meios de transporte, de fábricas, de caminhos-de-ferro, etc." – se esforçar para garantir "a mais decidida centralização do poder nas mãos do Estado" – "levar ao extremo as propostas dos democratas" e "ditar-lhes condições tais que a dominação dos democratas burgueses contenha em si desde o início o germe da queda".
  1. PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works. Londres: Freedom Association, 1987.
  2. PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works – Part 2. Londres: Sentinel Publishing, 2000.
  3. Marx-Engels, Selected Works, (Moscou, 1958), Vol. 2, p. 300.
  4. Marx-Engels, Selected Works, (Moscou, 1977), Vol. 2, p. 379
  5. Marx-Engels, Collected Works, Vol. 7, (Londres, 1975), p.506
  6. K. Marx, Capital, Vol. 1, Part VIII, Chap. XXXI (1983) p.703
  7. Selected Correspondence (1941), p. 39; Marx-Engels, Werke, Vol. 27 (1963), p.278. Apud PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works. Londres: Freedom Association, 1987. p. 50
  8. PAYNE, Robert; Marx. Londres: W. H. ALLEN & COMPANY, 1968.

N.D.E.: Esse texto também pode ser encontrado em conjunto com outras críticas no site wikipedia.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

NEOLIBERALISMO OU NEOCOMUNISMO?


Por Tony Gonzaga
Existem duas interpretações verdadeiras possíveis para a palavra “neoliberalismo”. Neoliberalismo não é um sistema econômico como dizem, nem sistema político ou social, ele simplesmente não existe. Não existe teoria neoliberal, teórico do neoliberalismo ou estudioso do fenômeno neoliberal na realidade. No máximo existem atores que interpretam um papel de analistas econômicos, mas que são na verdade adeptos de uma ou outra ideologia coletivista. Este é o primeiro significado da palavra “neoliberal”, um termo pejorativo criado pelos coletivistas para denegrir a imagem dos seus adversários e acusá-los de serem neoliberais, contra os interesses do estado e do povo, gananciosos por dinheiro, em conchavo com empresários, e coisas do tipo. A principal acusação como já é sabido é a dos adversários fazerem ou pretenderem fazer privatizações, às quais já cuidaram previamente de demonizar durante anos de doutrinação. Mas eles fazem isso não por serem contra a privatização mas por serem contra seus adversários e querem poupar as privatizações para quando eles chegarem ao poder fazerem eles mesmos, pois além disso o termo neoliberalismo se refere mais precisamente a uma estratégia de poder. Este segundo é significado mais importante do termo que consiste basicamente na estratégia a seguir.
Para que a social democracia tenha efeito rápido e os socialistas colham os frutos do sistema sem haver necessidade do golpe é preciso que se instale o caos econômico. O partidão vende tudo aos estrangeiros por isso; o dinheiro some e o partidão enriquece, para fazer todo tipo de campanha de convencimento e outros investimentos. Depois, com o país em crise, consequentemente quebrado, eles culpam as “multinacionais exploradoras” pelo caos econômico. Então eles acionam o que chamam “reapropriação” e “apropriação” das empresas (o estado se torna o dono e controlador de tudo) jogando o povo contra os mesmos empresários que antes favoreceram e apoiaram sua subida ao poder recebendo em troca licitações forjadas e direito de monopólio, dizendo que estes são os culpados e traidores. Sendo sempre eleitos (com compra de votos, favorecimentos e bolsas, distribuição de cargos ou fraude eleitoral) revezam as pessoas ou mesmo os partidos no poder, mas sempre mantendo o sistema.
Tudo isso é planejado bem, é na verdade o neocomunismo, do qual o chavismo é apenas um modelito desajeitado e escandaloso. Eles não se acham corruptos, eles acreditam que isso é o melhor, que é necessário. É em tudo uma religião, um fanatismo que parte do princípio da coletividade acima do indivíduo, um capitalismo de grupos (a ditadura da maioria fanática convertida, chamada ditadura do proletariado no comunismo antigo) ou também como se dizem acusando seus antecessores históricos mais perversos de capitalismo de estado. Mas o objetivo é se espalhar para o mundo... muito cuidado, todos os partidos no momento estão cheios de socialistas românticos ou... desse tipo.

DO TAO TE KING POEMA 57


"AGIR NÃO AGINDO Pela retidão se governa um país. Pela prudência se conduz um exército. Mas é pelo não-agir Que é regido o Universo. Donde sei que assim é? É evidente por si mesmo. Quanto mais proibições existem, Tanto mais o povo empobrece. Destrói-se toda a ordem Quanto mais os homens procuram Os seus interesses pessoais. Prepara-se a revolução, Quando os homens só pensam em si mesmos. Abundam ladrões e salteadores, Quando o governo só confia Em leis e decretos, Para manter a ordem. Pelo que diz o sábio: Não intervenho! E eis que por si mesma Prospera a vida Na sociedade.
Mantenho-me imparcial! E por si mesmo o povo se endireita. Não me meto em conchavos! E por si mesma floresce a ordem. Não nutro desejos pessoais! E eis que por si mesmo tudo vai bem.
POEMA 58
"PARADOXOS CRIADORES Um governo que não aparece Faz o povo feliz. Um governo que tudo quer determinar Faz o povo infeliz. Felicidade repousa em renúncia. Renúncia é a base da felicidade. Quem prevê o que vai acontecer? Desordem reveza com ordem, Erros sucedem a verdades. Em sua cegueira, o homem ignora As vicissitudes das coisas. O sábio: É retilíneo por índole, Mas não fere ninguém. E intangível, Mas não inatingível. É intransigente, Mas não intolerante. É brilhante, Mas não ofuscante." - LAO TSE

sábado, 2 de abril de 2016

Cakkavatti-Sihanada Sutta - O Rugido do Leão ao Girar a Roda

Digha Nikaya 26

 Somente para distribuição gratuita

1. Em certa ocasião o Abençoado estava entre os Magadhas em Matula. Lá ele se dirigiu aos monges desta forma: “Bhikkhus”. – “Venerável Senhor”, eles responderam. O Abençoado disse o seguinte:

“Bhikkhus, sejam ilhas para vocês mesmos, refúgios para vocês mesmos, buscando nenhum refúgio externo; com o Dhamma como a sua ilha, o Dhamma como o seu refúgio, buscando nenhum outro refúgio.[1] E como, um bhikkhu é uma ilha para ele mesmo, um refúgio para ele mesmo, buscando nenhum refúgio externo; com o Dhamma como a sua ilha, o Dhamma como o seu refúgio, buscando nenhum outro refúgio? Quando ele permanece contemplando o corpo como um corpo, [2] ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo; quando ele permanece contemplando as sensações como sensações, a mente como mente, os objetos mentais como objetos mentais, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo, então, verdadeiramente, ele é uma ilha para ele mesmo, um refúgio para ele mesmo, buscando nenhum refúgio externo; tendo o Dhamma como a sua ilha, o Dhamma como o seu refúgio, buscando nenhum outro refúgio.

“Mantenham-se no seu próprio domínio bhikkhus [3], no seu território ancestral. [4] Se vocês assim fizerem, então Mara não terá sua oportunidade, Mara não se estabelecerá. É acumulando estados benéficos que o mérito se incrementa.

2. “Certa vez, bhikkhus, houve um monarca chamado Dalhanemi que girou a roda, um monarca justo que governou de acordo com o Dhamma; conquistador dos quatro pontos cardeais, que estabeleceu a segurança no seu reino e que possuía os sete tesouros. Que são: a Roda Preciosa, o Elefante Precioso, o Cavalo Precioso, a Jóia Preciosa, a Mulher Preciosa, o Tesoureiro Precioso e como sétimo o Conselheiro Precioso. Ele tinha mais de mil filhos que eram corajosos e heróicos e que aniquilavam os exércitos inimigos. Ele governava tendo conquistado esta terra circundada pelo mar, sem bastão ou espada, através do Dhamma. Mas se ele deixasse a vida em família e seguisse a vida santa, então ele se tornaria um arahant, um Buda perfeitamente iluminado, aquele que remove o véu do mundo.

3. “Depois de muitas centenas e milhares de anos o Rei Dalhanemi disse para um certo homem: ‘Meu homem, no momento em que você vir que a Roda Preciosa tenha deslizado da sua posição, relate isso para mim.’ ‘Sim, senhor,’ o homem respondeu. E depois de muitas centenas e milhares de anos o homem viu que a Roda Preciosa havia deslizado da sua posição. Vendo isso, ele relatou esse fato ao Rei. Então o Rei Dalhanemi mandou buscar o seu primogênito, o príncipe herdeiro, e disse: ‘Meu filho, a Roda Preciosa deslizou da sua posição. E eu ouvi dizer que quando isso acontecesse para um monarca que gira a roda, ele não teria mais muito tempo de vida. Eu estou saciado dos prazeres humanos, agora é o momento de buscar os prazeres divinos. Você, meu filho, assuma o controle desta terra circundada pelo oceano. Eu irei raspar o meu cabelo e barba, vestirei os mantos de cor ocre e deixarei a vida em família pela vida santa.’ E tendo instalado, da forma requerida, o seu filho mais velho como rei, o Rei Dalhanemi raspou o seu cabelo e barba, vestiu os mantos de cor ocre e deixou a vida em família pela vida santa. E sete dias depois que o sábio real havia seguido a vida santa, a Roda Preciosa desapareceu.

4. “Então um certo homem veio até o Rei  Khattiya ungido e disse: ‘Senhor, você deve ser informado que a Roda Preciosa desapareceu.’ Em vista disso o Rei sentiu pesar e tristeza. Ele foi até o sábio real e relatou-lhe o que havia acontecido. E o sábio real disse: ‘Meu filho, você não deve sentir pesar ou tristeza pelo desaparecimento da Roda Preciosa. A Roda Preciosa não é uma herança de família. Mas agora, meu filho, você precisa se tornar um Monarca que gira a roda. [5] E então poderá ocorrer que, se você realizar os deveres de um Monarca que gira a roda, no Uposatha do décimo quinto dia, tendo lavado a sua cabeça e ido para o terraço no topo do palácio para o dia de Uposatha, a Roda Preciosa surgirá para você, com mil raios, com a roda, o cubo, completa em todos os aspectos.’

5. “Mas qual, senhor, é o dever de um Monarca que gira a roda?” “É o seguinte, meu filho: Você, na dependência do Dhamma, honrando-o, reverenciando-o, amando-o, homenageando-o e venerando-o, tendo o Dhamma como sua insígnia e bandeira, reconhecendo no Dhamma o seu mestre, você deve estabelecer guarda, defesa e proteção de acordo com o Dhamma para a sua própria família, suas tropas, seus nobres e vassalos, para Brâmanes e chefes de família, pessoas que vivam nas cidades e no campo, contemplativos e Brâmanes, para animais e pássaros. [6] Não permita que o crime [7] prevaleça no seu reino e para os necessitados, lhes dê o que necessitem. E quaisquer contemplativos e Brâmanes que no seu reino tiverem renunciado à vida dos prazeres sensuais e estiverem dedicados à renúncia e à nobreza, cada um se domesticando, cada um se acalmando, cada um se esforçando para dar um fim ao desejo, se de tempos em tempos eles vierem consultá-lo quanto a o que é benéfico e o que é prejudicial, o que é criticável e o que é isento de crítica, o que deve ser seguido e o que não deve ser seguido e qual ação irá no longo prazo conduzir ao dano e sofrimento e qual irá conduzir ao bem-estar e felicidade, você deveria ouví-los e dizer-lhes que evitem o mal e façam o bem. [8] Esses, meu filho, são os deveres de um Monarca que gira a roda.”

“Sim, senhor,” respondeu o Rei, e ele realizou os deveres de um Monarca que gira a roda. E ao fazer isso, no Uposatha do décimo quinto dia, tendo lavado a cabeça e ascendido até o terraço no topo do seu palácio para o dia de Uposatha, a Roda Preciosa surgiu para ele, com mil raios, com a roda, o cubo, completa em todos os aspectos. Então o Rei pensou: “Eu ouvi que quando um Rei Khattiya ungido vê essa roda no último dia da quinzena, ele se tornará um Monarca que gira a roda. Que eu possa me tornar um monarca assim!”

6. “Então, levantando-se do seu assento e arrumando o manto externo sobre o ombro, o Rei tomou um vaso com água com a mão esquerda, borrifou a Roda com a mão direita e disse: ‘Gire para adiante, boa roda preciosa; triunfe, boa roda preciosa!’ Então a roda preciosa girou para adiante na direção leste e o Rei a seguiu com o seu exército. E em qualquer região na qual a Roda parasse, o Rei estabelecia residência com o seu exército. E aqueles que antes a ele se opunham na região leste vinham e diziam: ‘Venha, grande Rei; bem vindo, grande Rei; comande, grande Rei; aconselhe, grande Rei.’ E o Rei dizia: ‘Vocês não devem matar seres vivos; vocês não devem tomar aquilo que não for dado; vocês não devem agir de forma imprópria em relação aos prazeres sensuais; vocês não devem dizer mentiras; vocês não devem beber bebidas embriagantes; sejam moderados na alimentação.’[9] E aqueles que antes a ele se opunham na região leste se tornavam seus súditos.

7. “Então, a roda preciosa mergulhou no oceano do leste e emergiu outra vez. E nisso, ela girou para adiante, na direção sul ... E aqueles que se opunham na região sul se submeteram ao Rei. Então, a roda preciosa mergulhou no oceano do sul e emergiu outra vez. E nisso, ela girou para adiante, na direção oeste  ... E aqueles que se opunham na região oeste se submeteram ao Rei. Então, a roda preciosa mergulhou no oceano do oeste e emergiu outra vez. E nisso, ela girou para adiante na direção norte ... E aqueles que se opunham na região norte se submeteram ao Rei.

“Agora, quando a roda preciosa triunfou sobre a terra de oceano a oceano, ela retornou para a capital real e permaneceu como que presa pelo eixo ao portão do principal palácio do Rei, como um adorno no portão do palácio principal.

8. “E um segundo Monarca que gira a roda fez o mesmo e um terceiro, um quarto, um quinto, um sexto e um sétimo monarca também …. disse para um certo homem vigiar se a Roda Preciosa deslizasse da sua posição (igual ao verso 3).  E sete dias depois do sábio real ter seguido a vida santa, a Roda Preciosa desapareceu.

9. “Então um certo homem veio até o Rei e disse: ‘Senhor, você deve ser informado que a Roda Preciosa desapareceu.’ Em vista disso o Rei sentiu pesar e tristeza. Mas ele não foi até o sábio real para lhe perguntar sobre os deveres de um Monarca que gira a roda. Ao invés disso, ele governou o povo de acordo com as suas próprias idéias, e sendo assim governado, o povo não prosperou tão bem quanto havia prosperado sob os reis anteriores, que haviam realizado os deveres de um Monarca que gira a roda. Então os ministros, conselheiros, funcionários do tesouro, guardas e porteiros e os recitadores de mantras vieram até o Rei e disseram: ‘Senhor, enquanto você governar o povo de acordo com as suas próprias idéias, diferente da forma que ele foi governado sob os monarcas anteriores, o povo não irá prosperar bem. Senhor, há ministros … no seu reino, nós mesmos inclusive, que preservaram o conhecimento sobre como um Monarca que gira a roda deveria governar. Pergunte-nos, Majestade e nós lhe diremos!’

10. “Então o Rei ordenou que os ministros e todos os demais se reunissem e ele os consultou. E eles explicaram os deveres de um Monarca que gira a roda. E tendo ouvido o que eles disseram, o Rei estabeleceu guarda , defesa e proteção, mas ele não atendeu as necessidades dos necessitados e como resultado a pobreza se espalhou. Com a disseminação da pobreza, um homem tomou algo que não lhe havia sido dado, dessa forma cometendo o que passou a ser chamado de roubo. Eles o prenderam e o trouxeram perante o Rei dizendo: ‘Majestade, este homem tomou algo que não lhe foi dado, que chamamos de roubo.’ O Rei disse: ‘É verdade que você tomou algo que não lhe havia sido dado – que é chamado de roubo?’ ‘Sim é, Majestade.’ ‘Porque?’ ‘Majestade, eu não tenho nada para o meu sustento.’ Então o Rei lhe deu alguns bens dizendo: ‘Com isto, meu bom homem, você poderá se manter, sustentar sua mãe e pai, manter uma esposa e filhos, levar adiante um negócio e presentear os contemplativos e Brâmanes, o que irá promover o seu bem-estar espiritual e conduzir a um feliz renascimento com um resultado prazeroso no plano celestial.’ ‘Muito bem, Majestade,’ o homem respondeu.

11. “E exatamente a mesma coisa aconteceu com um outro homem.

12. “Então, as pessoas ouviram que o Rei estava distribuindo bens para aqueles que tomassem algo que não lhes houvesse sido dado e assim elas pensaram: ‘E se nós fizéssemos o mesmo!’ E então um outro homem tomou algo que não lhe havia sido dado e eles o trouxeram perante o Rei. O Rei perguntou porque ele havia feito aquilo e ele respondeu: ‘Majestade, eu não tenho nada para o meu sustento.’ Então o Rei pensou: ‘Se eu der bens para todos aqueles que tomarem algo que não lhes foi dado, os roubos irão crescer cada vez mais. Melhor eu dar um fim nisso, dar um fim de uma vez por todas, cortar a cabeça dele.’ Assim ele ordenou aos soldados: ‘Prendam os braços deste homem para trás com uma corda forte, raspem a cabeça dele e conduzam-no ao rufar dos tambores pelas ruas e praças e para fora da cidade pela porta do sul, lá dêem um fim nele aplicando a pena capital, decepando a sua cabeça!’ E assim eles fizeram.

13. “Ouvindo sobre o ocorrido, as pessoas pensaram: ‘Vamos obter espadas afiadas e depois poderemos tomar de qualquer um aquilo que não nos for dado, daremos um fim em todos, daremos um fim em todos de uma vez por todas, cortaremos as suas cabeças.’ Assim, tendo obtido algumas espadas afiadas, elas se lançaram em assaltos homicidas sobre vilarejos, vilas e cidades e também se dedicaram ao roubo nas estradas, matando as suas vítimas cortando-lhes a cabeça.

14. “Assim, por não haver generosidade para com os necessitados, a pobreza se disseminou, do incremento da pobreza, o tomar o que não é dado se disseminou, do incremento do roubo, o uso de armas se disseminou, do incremento do uso de armas, o ato de tirar a vida se disseminou e do incremento do ato de tirar a vida, o tempo de vida das pessoas diminuiu, a sua beleza diminuiu e como resultado da diminuição do tempo de vida e da beleza, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido oitenta mil anos passaram a viver apenas quarenta mil. E um homem da geração que viveu por quarenta mil anos tomou algo que não lhe foi dado. Ele foi trazido perante o Rei que lhe perguntou: ‘É verdade que você tomou algo que não lhe foi dado – que é chamado de roubo?’ ‘Não, Majestade,’ ele respondeu, dizendo assim uma mentira deliberada.

15. “Assim, por não haver generosidade para com os necessitados … o tirar a vida se disseminou e do incremento do tirar a vida, a mentira se disseminou e do incremento da mentira, o tempo de vida das pessoas diminuiu, a sua beleza diminuiu e como resultado da diminuição do tempo de vida e da beleza, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido quarenta mil anos passaram a viver apenas vinte mil. E um homem da geração que viveu por vinte mil anos tomou algo que não lhe foi dado. Um outro homem o denunciou para o Rei, dizendo: ‘Senhor, o fulano tomou algo que não lhe foi dado,’ falando assim mal de outrem. [10]

16. “Assim, por não haver generosidade para com os necessitados … o falar com malícia se disseminou e como conseqüência, o tempo de vida das pessoas diminuiu, a sua beleza diminuiu e como resultado da diminuição do tempo de vida e da beleza, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido vinte mil anos passaram a viver apenas dez mil. E na geração que viveu por dez mil anos, alguns eram belos e outros eram feios. E aqueles que eram feios, sentindo inveja daqueles que eram belos, cometiam adultério com as esposas deles.

17. “Assim, por não haver generosidade para com os necessitados … a conduta sexual imprópria se disseminou e como conseqüência, o tempo de vida das pessoas diminuiu, a sua beleza diminuiu e como resultado da diminuição do tempo de vida e da beleza, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido dez mil anos passaram a viver apenas cinco mil. E na geração que viveu por cinco mil anos, duas coisas se disseminaram: a linguagem grosseira e a linguagem frívola, e como conseqüência, o tempo de vida das pessoas diminuiu, a sua beleza diminuiu, e como resultado da diminuição do tempo de vida e da beleza, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido cinco mil anos passaram a viver, alguns, apenas dois mil e quinhentos e outros, dois mil. E na geração que viveu por dois mil e quinhentos anos, a cobiça e a raiva se disseminaram, e como conseqüência, o tempo de vida das pessoas diminuiu, a sua beleza diminuiu, e como resultado da diminuição do tempo de vida e da beleza, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido dois mil e quinhentos anos passaram a viver apenas mil. E na geração que viveu por mil anos, o entendimento incorreto [11] se disseminou …  e como conseqüência, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido mil anos passaram a viver apenas quinhentos. E na geração que viveu por quinhentos anos, três coisas se disseminaram: o incesto, o desejo excessivo e as práticas depravadas [12] … e como conseqüência, os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido quinhentos anos passaram a viver, alguns, apenas duzentos e cinqüenta e outros, apenas duzentos. E na geração que viveu por duzentos e cinqüenta anos, três coisas se disseminaram: falta de respeito pela mãe e pelo pai, por contemplativos e Brâmanes, e pelo cabeça do clã.

18. “Assim, por não haver generosidade para com os necessitados … a falta de respeito pela mãe e pelo pai, por contemplativos e Brâmanes, e pelo cabeça do clã se disseminou, e como conseqüência, o tempo de vida das pessoas diminuiu, a sua beleza diminuiu, e os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido duzentos e cinqüenta anos passaram a viver apenas cem.

19. “Bhikkhus, virá um tempo em que os filhos dessas pessoas terão um tempo de vida de dez anos. E com isso, as meninas estarão prontas para casar com cinco anos de idade. E assim, estes sabores desaparecerão: manteiga líquida, manteiga, óleo de sésamo, melaço e sal. Para essas pessoas o grão de kudriisa [13] será o alimento principal, da mesma forma como o arroz e o caril (curry) são hoje. E com elas, os dez tipos de conduta virtuosa irão desaparecer por completo e os dez tipos de conduta não virtuosa irão prevalecer: para aqueles que possuírem um tempo de vida de dez anos não haverá uma palavra para “virtude” [14] então, como poderá haver alguém que pratique ações virtuosas? Aquelas pessoas que não tenham respeito pela mãe e pelo pai, por contemplativos e Brâmanes, e pelo cabeça do clã, serão aquelas que desfrutarão de honra e prestígio. Tal como é agora com as pessoas que demonstram respeito pela mãe e pelo pai, por contemplativos e Brâmanes, e pelo cabeça do clã, que são elogiadas e honradas, assim será com aqueles que fizerem o oposto.

20. “Entre aqueles com um tempo de vida de dez anos ninguém irá se dar conta de mãe ou tia, da cunhada da mãe, ou da esposa do mestre, ou da esposa do pai de alguém, e assim por diante – haverá completa promiscuidade no mundo igual a bodes e cabras, porcos e porcas, cães e chacais. Entre eles, haverá forte inimizade, ódio violento, raiva violenta e pensamentos de matar, mãe contra filho e filho contra mãe, pai contra filho e filho contra pai, irmão contra irmão, irmão contra irmã, da mesma forma como o caçador sente ódio pelo animal que ele está caçando.

21. “E para aqueles com um tempo de vida de dez anos, haverá um tempo de ‘intervalo das espadas’ de sete dias, durante o qual eles verão um ao outro como animais selvagens. Espadas afiadas irão surgir nas mãos deles e o  pensamento: ‘Ali está um animal selvagem!’ eles irão matar uns aos outros com aquelas espadas. Mas haverá alguns que irão pensar: ‘Não matemos mais ou que não haja mais mortes! Vamos para florestas remotas, rios difíceis de atravessar, ou montanhas inacessíveis, e vivamos das raízes e frutas da floresta.’ E isso eles fazem por sete dias. Então, ao final dos sete dias, eles emergem dos seus esconderijos e se regozijam em comunhão dizendo: ‘Seres bons, vejo que vocês estão vivos!’ E então o seguinte pensamento irá ocorrer nesses seres: ‘Foi só por termos nos habituado aos modos ruins e prejudiciais que sofremos a perda dos nossos semelhantes, façamos o bem! Que coisas boas poderemos fazer? Vamos abster-nos de tirar a vida – essa será uma boa prática.’ E assim eles se abstêm de tirar a vida e, tendo adotado essa ação benéfica, eles a praticarão. E por ter realizado essas coisas benéficas, o seu tempo de vida se incrementa e a beleza se incrementa. E os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido dez anos passaram a viver vinte anos.

22. “Então irá ocorrer a esses seres: ‘É pela adoção de práticas benéficas que incrementamos nosso tempo de vida e a beleza, portanto, dediquemo-nos ainda mais a práticas benéficas. Vamos nos abster de tomar aquilo que não nos for dado, da conduta sexual imprópria, da linguagem mentirosa, da linguagem maliciosa, da linguagem grosseira, da linguagem frívola, da cobiça, da má vontade, do entendimento incorreto; vamos nos abster de três coisas: incesto, desejo excessivo e práticas depravadas; vamos ter respeito pela mãe e pelo pai, por contemplativos e Brâmanes e pelo cabeça do clã e vamos perseverar nessas ações benéficas.’
“E assim eles farão essas coisas e como conseqüência disso o seu tempo de vida e a beleza se incrementarão. Os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido vinte anos passaram a viver até quarenta, os filhos deles passaram a viver até oitenta, os filhos deles passaram a viver até cento e sessenta, os filhos deles passaram a viver até trezentos e vinte, os filhos deles passaram a viver até seiscentos e quarenta; os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido de seiscentos e quarenta anos passaram a viver até dois mil anos, os seus filhos passaram a viver até quatro mil anos, os filhos deles passaram a viver até oito mil anos e os seus filhos passaram a viver até vinte mil anos. Os filhos daqueles cujo tempo de vida havia sido de vinte mil anos passaram a viver até quarenta mil anos e os filhos deles passaram a viver até oitenta mil anos.

23. “Entre aquelas pessoas com um tempo de vida de oitenta mil anos, as meninas estarão prontas para casar com quinhentos anos de idade. E essas pessoas conhecerão apenas três tipos de enfermidades: desejo, jejum e envelhecimento.[15] E na época dessas pessoas, este continente de Jambudipa será poderoso e próspero; vilarejos, vilas e cidades estarão muito próximas uma das outras. Jambudipa, tal como Avici [16] estará tão cheio de gente quanto uma mata está cheia de capim e arbustos. Nessa época, a Benares de hoje será uma cidade real denominada Ketumati, rica, próspera e populosa, repleta de gente e bem suprida. Em Jambudipa haverá oitenta e quatro mil cidades lideradas por Ketumati como a capital real.

24. “E na época das pessoas com um tempo de vida de oitenta mil anos, irá surgir na capital Ketumati um rei chamado Sankha, um monarca que irá girar a roda, um monarca justo de acordo com o Dhamma, conquistador dos quatro pontos cardeais… (igual ao verso 2).

25. “E na época das pessoas com um tempo de vida de oitenta mil anos, irá surgir no mundo um Abençoado chamado Metteyya [17], sublime, digno, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, iluminado, sublime. Ele irá declarar - tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta geração com seus contemplativos e sacerdotes, seus príncipes e povo. Ele irá ensinar o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele irá revelar uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada. Ele será acompanhado por milhares de bhikkhus tal como eu sou acompanhado por centenas.

26. “Então o Rei Sankha irá reconstruir o palácio que uma vez foi construído para o Rei Maha-Panada e tendo ali vivido, ele irá renunciá-lo e presenteá-lo para os contemplativos e Brâmanes, os mendigos, os transeuntes, os destituídos. Então, raspando o cabelo e a barba, ele irá vestir os mantos de cor ocre e deixar a vida em família pela vida santa sob a orientação do supremo Metteyya. Permanecendo só, isolado, diligente, ardente e decidido, em pouco tempo, ele alcançará e permanecerá no objetivo supremo da vida santa pelo qual membros de um clã deixam a vida em família pela vida santa, tendo conhecido e realizado por si mesmo no aqui e agora.

27. “Bhikkhus, sejam ilhas para vocês mesmos, refúgios para vocês mesmos, buscando nenhum refúgio externo; com o Dhamma como a sua ilha, o Dhamma como o seu refúgio, buscando nenhum outro refúgio. E como, um bhikkhu é uma ilha para ele mesmo ... ? Quando ele permanece contemplando o corpo como um corpo, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo; quando ele permanece contemplando as sensações como sensações, a mente como mente, os objetos mentais como objetos mentais, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.

28. “Mantenham-se no seu próprio domínio bhikkhus, no seu território ancestral. Se vocês assim o fizerem, o seu tempo de vida irá se incrementar, a sua beleza irá se incrementar, a sua felicidade irá se incrementar, a sua riqueza irá se incrementar, seu poder irá se incrementar.

“E qual é o tempo de vida para um bhikkhu? Neste caso, um bhikkhu desenvolve a base do poder espiritual [18] que possui concentração devido ao desejo e às formações volitivas do esforço. Ele desenvolve a base do poder espiritual que possui concentração devido à energia e às formações volitivas do esforço. Ele desenvolve a base do poder espiritual que possui concentração devido à mente e às formações volitivas do esforço. Ele desenvolve a base do poder espiritual que possui  concentração devido à investigação e às formações volitivas do esforço. Ao praticar com freqüência essas quatro bases do poder espiritual, ele poderá se quiser, viver por todo um século, ou a parte que faltar para um século. Isso é o que chamo de tempo de vida para um bhikkhu.

“E o que é a beleza para um bhikkhu? Neste caso, um bhikkhu pratica a conduta correta, ele vive contido pelas regras do Patimokkha, perfeito na conduta e na sua esfera de atividades, temendo a menor falha ele treina adotando os preceitos de virtude. Essa é a beleza para um bhikkhu.

“E o que é a felicidade para um bhikkhu? Neste caso um bhikkhu, isolado dos prazeres sensuais entra no primeiro jhana, segundo, terceiro, quarto jhana. Essa é a felicidade para um bhikkhu.

“E o que é riqueza para um bhikkhu? Neste caso um bhikkhu, permanece permeando o primeiro quadrante com a mente imbuída de amor bondade, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim, acima, abaixo, em volta e em todos os lugares, para todos bem como para si mesmo, ele permanece permeando o mundo todo com a mente imbuída de amor bondade, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade. Depois, com a mente imbuída de compaixão, … com a mente imbuída de alegria altruísta, … com a mente imbuída de equanimidade, … ele permanece permeando o mundo todo com a mente imbuída de equanimidade, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade. Essa é a riqueza de um bhikkhu.

“E o que é o poder para um bhikkhu? Neste caso, um bhikkhu, com a eliminação das impurezas, permanece num estado livre de impurezas com a libertação da mente e a libertação pela sabedoria, tendo conhecido e manifestado isso para si mesmo no aqui e agora. Esse é o poder para um bhikkhu.

“Bhikkhus, eu não considero que exista um outro poder tão difícil de ser conquistado quanto o poder de Mara. É apenas acumulando estados benéficos que o mérito se incrementa.”

Isso foi o que disse o Abençoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abençoado.


Abreviações:

DA      Digha Nikaya Atthakatha


Notas:
[1] Veja também o DN 16.2.26 e SN XLVII.13. [Retorna]

[2] Veja o MN 10. [Retorna]

[3] Gocare: com o sentido literal de ‘pastagens.’Veja também o SN XLVII.6. [Retorna]

[4] Pettike visaye: 'o âmbito dos seus antepassados'.[Retorna]

[5] Cakkavatti-vatte vattahivatta significa tanto ‘girar’ como ‘dever’. [Retorna]

[6] Asoka, que se esforçou em viver de acordo com o ideal do monarca que gira a roda estabeleceu hospitais para animais. [Retorna]

[7] Adhamma-karo: ‘não agir de acordo com o Dhamma.’ [Retorna]

[8] A palavra interpretada como ‘bem’ é a mesma mencionada antes como ‘benéfico’, isto é kusala. Também pode ser interpretado como hábil. [Retorna]

[9] O sentido literal é ‘coma de acordo com o comer’. O significado não é muito claro e pode também ser interpretado como ‘governe (colete impostos) com moderação.’ [Retorna]

[10] Muito embora a acusação seja justificada! Mas a denúncia foi feita com malícia [Retorna]

[11] Miccha-ditthi [Retorna].

[12] Miccha-dhamma [Retorna].

[13] Um tipo de centeio. [Retorna]

[14] Kusala O verdadeiro significado é a habilidade em reconhecer as conseqüências cármicas das ações praticadas – em outras palavras não ter miccha-ditthi [Retorna].

[15] Parece não haver enfermidades em si: a morte resulta apenas da alimentação excessiva ou inadequada ou o processo inevitável de envelhecimento. Os acidentes também parecem estar excluídos. [Retorna]

[16] Nos comentários Avici é o inferno mais inferior. [Retorna]

[17] O próximo Buda, talvez melhor conhecido pelo nome Maitreya em Sânscrito.[Retorna

[18] Iddhi-pada: caminhos para o poder ou sucesso. Concentração fundamentada na aspiração (chanda-samadhi), na energia (viriya-samadhi), na consciência (citta-samadhi), na investigação (vimamsa-samadhi). [Retorna]

Socialismo, Marxismo e Nazismo - Veja as Semelhanças

Nazismo é uma ideologia marxista. As alianças e conflitos de Hitler foram conveniências estratégicas e não ideológicas. Para que um regime de esquerda seja bem sucedido é indispensável que haja ditadura e perda de liberdades e direitos. Não acredite nas distorções históricas e discursos, chamados enganadoramente de libertários, dos socialistas. Eles não são libertários, em todos os lugares onde o socialismo ou comunismo foram implantados há perda de direitos, há cesura, há ditadura, há tortura, há presos políticos... Eles dizem que nazismo é um regime de direita, ou ultra-direita, mas isso é mentira, o nazismo é esquerda, o partido de Hitler se chamava social democracia, que é uma ideologia de esquerda: implantar o socialismo por via democrática, populista, uma estratégia tipicamente esquerdista. Veja algumas semelhanças entre falas e escritos de Marx e Hitler:

Marx:
Expropriação da propriedade latifundiária e emprego da renda da terra em proveito do estado.

Hitler:
Exigimos terras e colônias para nutrir o nosso povo e reabsorver a nossa população.
Exigimos uma reforma agraria adaptada às nossas necessidades nacionais, a promulgação de uma lei que permite a expropriação, sem indenização, de terrenos para fins de utilidades pública -  a supressão de impostos sobre os terrenos e a extinção da especulação fundiária.

Marx:
Imposto fortemente progressivo [entende as altas de impostos petistas agora?]
Abolição do direito de herança.
Confiscação da propriedade de todos os emigrantes sediciosos.
Centralização do credito nas mãos do estado por meio de um banco nacional com capital do estado com monopólio exclusivo.

Observe que Hitler tem algumas discordâncias fundamentais de Marx. E para nossa surpresa: Hitler é geralmente mais brando. Se pode argumentar que Hitler é uma coisa no discurso e outra na prática? Não. Desse poder a Marx, quem sabe se não seria pior? Mas esse será um outro tópico futuro: quais as ideias de Marx que chegavam a ser piores do que as de Hitler. Por enquanto estarei colocando aqui alguma comparações.

Hitler:
A supressão do rendimento dos ociosos e dos que levam vida fácil, a supressão da escravidão do juro. [enquanto Marx, F.H.C. e Dilma propõe justamente o contrário: escravidão dos juros como solução para salvar o país, leia-se, os banqueiros, entre eles o estado que é o maior banqueiro de todos.]
Exigimos a nacionalização de todas as empresas que atualmente pertencem a trusts.
Exigimos uma participação nos lucros das grandes empresas.
Exigimos um aumento substancial das pensões de reforma
[Lembra hoje no Brasil as aposentadorias e pensões dos políticos?]
Considerando o enorme sacrifício de vidas e de dinheiro que qualquer guerra exige do povo o enriquecimento pessoal com guerra deve ser estigmatizado como um crime contra o povo. Pedimos por isso o confisco de todos os lucros de guerra sem exceção.
Exigimos a criação e manutenção de uma classe media sadia, a imediata socialização de grandes depósitos que serão vendidos a baixo custo para pequenos varejistas, e a consideração mais forte deve ser dada para assegurar que pequenos vendedores entreguem os suprimentos necessários ao estado, às províncias e municipalidades.
De onde vêm os planos de fortalecer uma classe média e a crença de que isso dá um resultado bom para as classes mais baixas? Qual a lógica disso? É bom se perguntar antes de acreditar nas lições baratas de economia que se vê na televisão, nem um pouco tendenciosas (mas para que lado? A troco de que? Alguém está ganhando para isso...). Por que F.H.C. e o Lula bateram tanto nessa tecla?...

“Entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista, há um período de transformação revolucionaria da primeira para a segunda. A esse período corresponde um outro, de transição política, em que o Estado não pode ser outra coisas senão a ditadura revolucionaria do proletariado.” – Karl Marx


“A fim de executar este programa, nós exigimos: a criação de uma autoridade central forte no Estado, a autoridade incondicional pelo parlamento político central de todo Estado e todas as suas organizações.” – Adolf Hitler
Comparar Hitler e Marx é absurdo? Sigamos:
“Entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista, há um período de transformação revolucionaria da primeira para a segunda. A esse período corresponde um outro, de transição política, em que o Estado não pode ser outra coisas senão a ditadura revolucionaria do proletariado.” – 
Karl Marx
“A fim de executar este programa, nós exigimos: a criação de uma autoridade central forte no Estado, a autoridade incondicional pelo parlamento político central de todo Estado e todas as suas organizações.” – Adolf
Os dois pensaram igual ou Hitler tentou “melhorar” o marxismo?

Marx:
"Expropriação da propriedade latifundiária e emprego da renda da terra em proveito do estado."

Hitler:
"Exigimos terras e colônias para nutrir o nosso povo e reabsorver a nossa população.
Exigimos uma reforma agraria adaptada às nossas necessidades nacionais, a promulgação de uma lei que permite a expropriação, sem indenização, de terrenos para fins de utilidades pública -  a supressão de impostos sobre os terrenos e a extinção da especulação fundiária."

Marx:
"Imposto fortemente progressivo [entende as altas de impostos petistas agora?]
Abolição do direito de herança.
Confiscação da propriedade de todos os emigrantes sediciosos.
Centralização do credito nas mãos do estado por meio de um banco nacional com capital do estado com monopólio exclusivo."

Hitler:
"A supressão do rendimento dos ociosos e dos que levam vida fácil, a supressão da escravidão do juro
Exigimos a nacionalização de todas as empresas que atualmente pertencem a trusts.
Exigimos uma participação nos lucros das grandes empresas.
Exigimos um aumento substancial das pensões de reforma
[lembra hoje no Brasil as aposentadorias e pensões dos políticos?].
Considerando o enorme sacrifício de vidas e de dinheiro que qualquer guerra exige do povo o enriquecimento pessoal com guerra deve ser estigmatizado como um crime contra o povo. Pedimos por isso o confisco de todos os lucros de guerra sem exceção.
Exigimos a criação e manutenção de uma classe media sadia, a imediata socialização de grandes depósitos que serão vendidos a baixo custo para pequenos varejistas, e a consideração mais forte deve ser dada para assegurar que pequenos vendedores entreguem os suprimentos necessários ao estado, às províncias e municipalidades."
 
Essas ideologias são igualmente perigosas, supressoras da liberdade e nunca darão certo, por várias razões. Existem muitas razões econômicas, por exemplo, as contas socialistas nunca fecham e sempre para alcançarem a sustentação do estado haverá o aumente progressivo de impostos. Mas até quando? Existem razões sociais inúmeras, por exemplo, não há nunca o fim das classes, pois não há nunca igualdade de poder econômico, político, de produção ou de propriedade. O estado e quem se vestir de estadista estará sempre no controle disso e é o verdadeiro proprietário, que usufrui sem produzir nunca, uma classe de parasitas que detém também o monopólio da lei e da força coercitiva. Existem razões óbvias e previsíveis, por exemplo, para que um sistema socialista ou comunista dê certo, deveremos ter a tola esperança que todos que compõem o estado sejam honestos e que os estado saiba tudo que é justo e todas as necessidades e escolhas individuais de cada pessoa. Mas ao assumir o poder o ser humano não deixará de ser o velho "humano demasiado humano" com sua vontade de poder e mais poder, que se traduzirá em ditadura e estado autoritário, superpoderoso e proprietário, sempre, como sempre foi em todo lugar onde se tentou essas ideologias na prática. É difícil entender isso ou ver isso na história? Penso que não ver isso é não querer ver.

FILOSOFIA ORIENTAL?


NESSE pequeno artigo eu vou provar que a maioria das pessoas que dizem que não existe filosofia oriental é analfabeta (e não é metáfora). O argumento mais usado para defender a ideia de que não existe filosofia oriental é dizer que filosofia é uma palavra grega e se refere à uma maneira peculiar de pensar ou uma construção do pensamento inventada Grécia (principalmente referindo-se a criação de sistemas), e que não se pode simplesmente usar o significado ao pé da letra como amizade ou amor à sabedoria.
Usando esse mesmo critério vamos dissecar um pouco esse argumento. Vamos primeiro testa-lo se é um critério válido usando em outras palavras. Por exemplo, fala-se em sabedoria dos filósofos, ou que há uma sabedoria oriental ou que se pode no máximo falar em sabedoria oriental, mas não em filosofia. Ora, sábio e sabedoria não são termos quaisquer que se referem a qualquer espécie de pensamento ou filosofia. Todo estudioso da filosofia sabe (ou pelo menos deveria saber) que sabedoria não se refere a qualquer saber ou quantidade ou qualidade de saber, mas foi um termo criado pelos estoicos, para se referir à sabedoria estoica e que sábio, nesse contexto, seria um adjetivo cabível apenas a um mestre estoico, não a qualquer filósofo. Então não podemos a rigor usar esse termo para outras formas de pensamento seja oriental ou ocidental da mesma forma que não se poderia usar “filosofia” para quaisquer outras formas de pensamento que não os da tradição filosófica ocidental. Portanto não se pode, por exemplo, dizer que há filósofos sábios, a não ser que ele seja um mestre estoico. Esse teste é apenas um exemplo. Sigamos.
Vamos agora, ao contrário, usar outra palavra, não a palavra mesma, mas um termo oriental em seus equivalentes ocidentais. “Escrita”, por exemplo. Esse termo na china antiga para se referir à linguagem escrita chinesa. Todos sabem que os chineses não utilizam “caracteres alfabéticos”, eles se utilizavam então apenas de ideogramas. Nós não usamos ideogramas, mas um alfabeto, portanto a palavra “escrita”, que se refere a ideogramas não pode ser usada para a linguagem simbólica alfabética que usamos. Melhor inventar outra palavra, pois, NA ORIGEM (e esse é o critério dos que afirmam que não existe filosofia oriental aplicam, só enfatizando) a palavra “escrita” se refere à outra coisa que é feito na china e em outros países do oriente. Este teste é outro exemplo.
Mas vamos também questionar, usando o mesmo critério, o uso das palavras alfabeto, alfabetizado e analfabeto. A palavra alfabeto se refere claramente ao alfabeto grego que inicia com as letras chamadas alfa e beta. Nós usamos o famoso, A-B-C, romano. NÃO, desse modo, o alfabeto, caracteres gregos. A palavra alfabeto se refere em sua origem a outra coisa, o realmente alfabeto, criado na Grécia. Temos que usar outra palavra então, chamemos de A-B-C, por exemplo, e àqueles que leem, poderiam ser chamados de algo como “abeceados”, não de alfabetizados.
Portanto essas pessoas que falam que não existe filosofia oriental, com exceção daquelas que leem grego (e compreendem o que estão lendo é claro) não podem ser chamados de alfabetizados. Eles são, portanto, analfabetos.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Tathagata-garbha Sutra

Neste sutra Buda explica o conceito de Tathagatagarbha, o buda interior em cada ser, através de vários símiles.Este é um conceito pouco falado na tradição theravada (na qual onde aparece leva outro nome e um significado sutilmente diferente), mas fundamental para a maioria, senão todas, das tradições incluídas no mahayana. É um termo que pode ser equiparado também muitas vezes a depender do caso com outras tradições, como por exemplo, o Cristo interior do gnosticismo, o "eu sou" rosacruz, o Ain Sof Aur dos kabalistas, ou até mesmo por vezes comparado ao Eu (com letra maiúscula) de alguma tradições hindus, entre outras. Guardadas as devidas proporções e diferenças Buda decanta e dissipa com esse sutra as apreciações e conceitualizações errôneas que ocorrem na visão do discípulo budista (por analogia também em outras tradições) com este discurso. Imperdível para quem lê em inglês, pois não podem ser encontradas ainda na internet traduções para nossa língua, o que é projeto ainda para ser lançado aqui quem sabe em primeira mão.
(Tripitaka No. 0666)
Translated during the East-JIN Dynasty by Tripitaka Master Buddhabhadra from India
Thus I heard one time: The Bhagavan was staying on Grdhra-kuta near Raja-grha in the
lecture hall of a many-tiered pavilion built of fragrant sandalwood. He had attained
buddhahood ten years previously and was accompanied by an assembly of hundred
thousands of great bhikshus and a throng of bodhisattvas and great beings sixty times the
number of sands in the Ganga. All had perfected their zeal and had formerly made offerings
to hundred thousands of myriad legions of Buddhas. All could turn the Irreversible Dharma
Wheel. If a being were to hear their names, he would become irreversible in the unsurpassed
path. Their names were Bodhisattva Dharma-mati, Bodhisattva Simha-mati, Bodhisattva
Vajra-mati, Bodhisattva Harmoniously Minded, bodhisattva Shri-mati, Bodhisattva Candraprabha,
Bodhisattva Ratna-prabha, Bodhisattva Purna-candra, Bodhisattva Vikrama,
Bodhisattva Ananta-vikramin, Bodhisattva Trailokya-vikramin, Bodhisattva
Avalokiteshvara, Bodhisattva Maha-sthama-prapta, Bodhisattva Gandha-hastin, Bodhisattva
Sugandha, Bodhisattva Surpassing Sublime Fragrance, Bodhisattva Supreme matrix,
Bodhisattva Surya-garbha, Bodhisattva Ensign Adornment, Bodhisattva Great Arrayed
Banner, Bodhisattva Vimala-ketu, Bodhisattva Boundless Light, Bodhisattva Light Giver,
Bodhisattva Vimala-prabha, Bodhisattva Pramudita-raja, Bodhisattva Sada-pramudita,
Bodhisattva Ratna-pani, Bodhisattva Akasha-garbha, Bodhisattva King of the Light of
Virtue, Bodhisattva Independent Dharani King, Bodhisattva Dharani, Bodhisattva Sarvashoka-
pramardin, Bodhisattva Liberating All Beings from Sorrow, Bodhisattva Joyful Mind,
Bodhisattva Purna-manoratha, Bodhisattva Eternal Satisfaction, Bodhisattva All-Splendour,
Bodhisattva Candra-prabha, Bodhisattva Ratna-mati, Bodhisattva Body of a Transformation
Woman, Bodhisattva Great Thunderclap, Bodhisattva Kalyana-mitra, Bodhisattva Notirrelevant
Views, Bodhisattva Sarva-dharma-svatantra, Bodhisattva Maitreya and
Bodhisattva Manjushri. There were also present bodhisattvas and mahasattvas just like them
from incalculable Buddha kshetras whose number equalled sixty times the number of sands
in the Ganga. Together with incalculable Devas, Nagas, Yaksas, Gandharvas, Asuras,
Garudas, Kimnaras and Mahoraga, they all gathered to pay their respects and make offerings.
Now the Buddha sat up straight in meditation in the sandalwood pavilion and, with his rddhi
(miraculous power) put on a miraculous display. There appeared in the sky a countless
number of thousand-petaled lotus flowers as large as chariot wheels, filled with colors and
fragrances that one could not begin to enumerate. In the center of each flower was a conjured
image of a Buddha. The flowers rose and covered the heavens like a ratna banner, each
flower giving forth countless rays. The petals all simultaneously unfolded their splendor and
then, through the Buddha rddhi, all withered in an instant. Within the flowers all the Buddha
images sat cross-legged in the lotus position, and each issued forth countless hundred
thousands of rays. The adornment of the spot at the time was so miraculous (adbhuta) that the
whole assembly rejoiced and danced ecstatically. In fact, it was so very strange and adbhuta
that all began to wonder why all the countless wonderful flowers should suddenly be
destroyed. As they withered and darkened, the smell they gave off was foul and loathsome.
But at that point the Bhagavan realized why the bodhisattvas were perplexed, so he addressed
Vajramati saying, "kulaputra. If there is anything in the Buddha's teaching that perplexes
you, feel free to ask about it." Bodhisattva Vajramati knew that everyone in the whole
assembly was perplexed, and so addressed the Buddha, saying, "bhagavan. why are there
conjured Buddha images in all of the innumerable flowers? And for what reason did they
ascend into the heavens and cover the world? And why did the Buddha images each issue
forth countless hundreds of thousands of rays?" Everyone in the assembly looked on and then
joined his hands together in respect. At that point, Bodhisattva Vajramati spoke in gatha,
saying:
"Never ever have I witnessed
A miraculous display like today's.
To see hundreds of thousands and millions of buddhas
Seated in the padmagarbha (lotus-calyx),
Each emitting countless rays,
Filling all the kshetras,
Scattering the dirt of false teachers,
Adorning all the worlds!
The lotuses suddenly wilted;
There was not one which was not disgusting.
Now tell us,
Why did you display this conjured vision?
We see buddhas more numerous than
The sands of the Ganga,
And incalculable transfigured forms.
Never before have I seen
The like of what I am witnessing now.
I wish you would give us a clear explanation."
At that time the bhagavan spoke to Vajramati and the other bodhisttvas, saying, "kulaputras.
there is a Vaipulya Sutra named 'Tathagata-garbha'. It was because I wanted to expound it to
you that I showed you these signs. You should all listen attentively and ponder it well." All
said, "Excellent. We very much wish to hear it."
The Buddha said, "kulaputras, there is a comparison that can be drawn between the countless
flowers conjured up by the Buddha that suddenly withered and the innumerable conjured
buddha images with their many adornments, seated in the lotus position within the flowers,
who cast forth light so exceedingly rare that there was no one in the assembly who did not
show reverence. In a similar fashion, kulaputras, when I regard all beings with my buddha
cakshur (eye), I see that hidden within the kleshas (barbs) of raga (greed), lobha (confusion),
dvesha (hatred) and moha (obscuration) there is seated augustly and unmovingly the
Tathagata jnana , the Tathagata-vision and the Tathagata kaya. kulaputras, all beings, though
they find themselves with all sorts of kleshas, have a tathagata-garbha that is eternally
unsullied, and that is replete with virtues no different from my own. Moreover, kulaputras, it
is just like a person with supernatural vision who can see the bodies of tathagatas seated in
the lotus position inside the flowers, even though the petals are not yet unfurled; whereas
after the wilted petals have been removed, those tathagatas are manifested for all to see. In
similar fashion, the Buddha can really see the beings (sattva) tathagata-garbha. And because
he wants to disclose the tathagata-garbha to them, he expounds the sutras and the Dharma, in
order to destroy kleshas and reveal the buddha-dhatu (buddha-element, buddha-nature).
kulaputras, such is the dharma of all Buddhas. Whether or not buddhas appear in the world,
the tathagata-garbha of all beings are eternal and unchanging. It is just that they are covered
by kleshas of sentient beings. When the Tathagata appears in the world, he expounds the
Dharma far and wide to remove their ignorance and tribulation and to purify their universal
wisdom. kulaputras, if there is a bodhisattva who has faith in this teaching and who practices
it with ekagra-citta (single-pointed citta), he will attain vimukti and correct universal
enlightenment and for the sake of the world he will perform Buddha deeds far and wide."
At that point, the Bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"It is like the wilted flowers;
Before their petals have opened,
One with supernatural vision can see
The unstained Tathagata-kaya.
After the wilted flowers are removed,
One sees, without obstacle, the Teacher,
Who, in order to sever kleshas,
Triumphantly appears in the world.
The Buddha sees that all kinds of beings
Universally possess the tathagata-garbha.
It is covered by countless kleshas,
Just like a tangle of smelly, wilted petals.
So I, on behalf of all beings,
Everywhere expound the Saddharma,
In order to help them remove their kleshas
And quickly reach the Buddha way.
I see with my Buddha cakshur
That in the bodies of all beings
There lies concealed the buddha-garbha,
So I expound the Dharma in order to reveal it.
"Or kulaputras, it is like pure honey in a cave or a tree, surrounded and protected by a
countless swarm of bees. It may happen that a person comes along who knows some clever
techniques. He first gets rid of the bees and takes the honey, and then does as he will with it,
eating it or giving it away far and wide. Similarly, kulaputras, all beings have the Tathagatagarbha.
It is like pure honey in a cave or tree, but it is covered by kleshas, which, like a
swarm of bees, keep one from getting to it. With my Buddha eye I see it clearly, and with
appropriate virtuous expedients I expound the Dharma, in order to destroy kleshas and reveal
the Buddha vision. And everywhere I perform Buddha deeds for the benefit of the world."
Thereupon the bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"It is just like what happens when the honey in a cave or tree,
Though surrounded by countless bees,
Is taken by someone who knows an upaya
To first get rid of the swarm.
The tathagatagarbha of sentient beings
Is like the honey in a cave or tree.
The entanglement of ignorance and tribulation
Is like the swarm of bees
That keep one from getting to it.
For the sake of all beings,
I expound the saddharma with virtuous expedients
Removing the klesha bees,
Revealing the tathagatagarbha.
Endowed with eloquence that knows no obstacle,
I preach the Dharmamrta,
Compassionately relieving beings,
Everywhere helping them to correct perfect enlightenment .
"Or, kulaputras, it is like a kernel of wheat that has not yet had its husk removed. Someone
who is impoverished might foolishly disdain it, and consider it to be something that should
be discarded. But when it is cleaned, the kernel can always be used. In like fashion, good
sons, when I observe beings with my Buddha cakshur, I see that the husk of kleshas covers
their limitless Tathagata vision. So with appropriate upayas I expound the Dharma, to enable
them to remove those kleshas, purify their jnana paramita (tenth bodhisattva stage) and to
attain in all worlds the anuttara-samyak-sambodhi." Thereupon, the bhagavan expressed this
in gatha, saying:
"It is just like what happens when all the kernels,
The husks of which have not yet been washed away,
Are disdained by someone who is impoverished,
And said to be something to be discarded.
But although the outside seems like something useless,
The inside is genuine and not to be destroyed.
After the husks are removed,
It becomes food fit for a king.
I see that all kinds of beings
Have a buddhagarbha hidden by kleshas.
I preach the removal of those things
To enable them to attain universal wisdom.
Just as I have a Tathagata dhatu,
So do all beings.
When they develop it and purify it,
They quickly attain the unexcelled path.
"Or, kulaputras, it is like the genuine gold that has fallen into a pit of waste and been
submerged and not seen for years. The pure gold does not decay, yet no one knows that it is
there. But suppose there came along someone with supernatural vision, who told people,
'Within the impure waste there is a genuine gold trinket. You should get it out and do with it
as you please.' Similarly, kulaputras, the impure waste is your innumerable klesha. The
genuine gold trinket is your tathagatagarbha. For this reason, the Tathagata widely expounds
the Dharma to enable all beings to destroy their kleshas, attain correct perfect enlightment
and perform Buddha deeds."
At that time bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"It is just like what happens when gold is submerged
In impure waste, where no one can see it.
But someone with supernatural vision sees it
And tells people about it, saying
'If you get it out and wash it clean,
You may do with it as you will,'
Which causes their relatives and family all to rejoice.
The sugata-vision is like this.
He sees that for all kinds of beings,
The Tathagata dhatu is not destroyed,
Though it is submerged in the muddy silt of kleshas.
So he appropriately expounds the Dharma
And enables them to manage all things,
So that the kleshas covering the Buddha dhatu
Are quickly removed and beings are purified."
"Or, kulaputras, it is like a store of treasure hidden beneath an impoverished household. The
treasure cannot speak and say that it is there, since it isn't conscious of itself and doesn't have
a voice. So no one can discover this treasure store. It is just the same with beings. But there is
nothing that the power of the Tathagata's vision is afraid of. The treasure store of the great
dharma is within beings' bodies. It does not hear and it is not aware of the addictions and
delusions of the five desires. The samsara cakra turns and beings are subjected to countless
duhkhas. Therefore Buddhas appear in the world and reveal to them the Tathagata-dharmagarbha
in their bodies. And they believe in it and accept it and purify their universal wisdom.
Everywhere on behalf of beings he reveals the Tathagatagarbha. He employs an eloquence
which knows no obstacle on behalf of the Buddha's faithful. In this way, kulaputras, with my
Buddha eye I see that all beings possess the Tathagatagarbha. And so on behalf of
bodhisattvas I expound this Dharma." At that point, the Tathagata expressed himself in gatha,
saying:
"It is like a store of treasure
Inside the house of an impoverished man.
The owner is not aware of it,
Nor can the treasure speak.
For a very long time it is buried in darkness,
As there is no one who can tell of its presence.
When you have treasure but do not know of it,
This causes poverty and suffering.
When the buddha eye observes beings,
It sees that, although they transmigrate
Through the five gati
There is a great treasure in their bodies
That is eternal and unchanging.
When he sees this, the Buddha
Teaches on behalf of all beings,
Enabling them to attain the Jnanagarba (knowledge matrix)
And the great wealth of widely caring for one another.
If you believe what I have taught you
About all having a treasure store,
And practice it faithfully and ardently,
Employing virtuous expedients,
You will quickly attain the unexcelled marga (marga-satya).
"Or, kulaputras, it is like the pit inside amra fruit which does not decay. When you plant it in
the ground, it grows into the largest and most regal of trees. In the same manner, kulaputras,
when I look at beings with my Buddha vision, I see that the tathagatagarbha is surrounded by
a husk of ignorance, just as the seeds of a fruit are only found at its core. kulaputra, that
tathagatagarbha is cold and unripe. It is the profound nirvananirvrta that is brought about by
Maha jnana (great wisdom). It is called the Samyak sambuddha (perfect Buddha), the
Tathagata, the Arhat and so on. kulaputras, after the Tathagata has observed beings, he
reveals this message in order to purify the bodhisattva mahasattva jnana."
At that point, the bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"It is just like the pit of an amra fruit
Which does not decay.
Plant it in the earth
And inevitably a great tree grows.
The Tathagata's faultless vision
Sees that the tathagata garbha
Within the body of beings
Is just like the seed within a flower or fruit.
Though ignorance covers the Buddhagarbha,
You ought to have faith and realize
That you are possessed of samadhi wisdom,
None of which can be destroyed.
For this reason I expound the Dharma
And reveal the tathagatagarbha,
That you may quickly attain the unexcelled (anuttara) path,
Just as a fruit grows into the most regal of trees.
"Or, kulaputras, it is like a man with a statue of pure gold, who was to travel through the
narrow roads of another country and feared that he might be victimized and robbed. So he
wrapped the statue in worn-out rags so that no one would know that he had it. On the way the
man suddenly died, and the golden statue was discarded in an open field. Travelers trampled
it and it became totally filthy. But a person with supernatural vision saw that within the
worn-out rags there was a pure gold statue, so he unwrapped it and all paid homage to it.
Similarly, kulaputras, I see the different beings with their many kleshad, transmigrating
through the long night of endless samsara and I perceive that within their bodies is the
wondrous Tathagatagarbha. They are august and pure and no different from myself. For this
reason the Buddha expounds the Dharma for beings, that they might sever those kleshad and
purify their Tathagata jnana. I turn the Dharmacakra again and again in order to convert all
worlds."
At that point, the bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"It is like a traveller to another country
Carrying a golden statue,
Who wraps it in dirty, worn-out rags
And discards it in an unused field.
One with supernatural vision sees it
And tells other people about it.
They remove the dirty rags and reveal the statue
And all rejoice greatly.
My supernatural vision is like this.
I see that beings of all sorts
Are entangled in kleshad and evil actions
And are plagued with all the sufferings of samsara.
Yet I also see that within
The dust of ignorance of all beings,
The Tathagatagarbha sits motionless,
Great and indestructible.
After I have seen this,
I explain to bodhisattvas that
Kleshad and evil actions
Cover the most victorious body.
You should endeavor to sever them,
And manifest the Tathagata jnana.
It is the refuge of all --
deva, manushya (human being), naga and bhuta.
"Or, kulaputras, it is like a woman who is impoverished, vile, ugly and hated by others, who
bears an Arya son in her womb. He will become a Cakra-vartin King, a ruler of all the four
directions. But she does not know his future history and constantly thinks of him as a baseborn,
impoverished child. In like fashion, kulaputras, the Tathagata sees that all beings are
carried around by the samsara cakra, receiving suffering and poison, but their bodies possess
the Tathagatagarbha. Just like that woman, they do not realize this. This is why the Tathagata
everywhere expounds the Dharma, saying, 'kulaputras, do not consider yourselves inferior or
base. You all personally possess the Buddhadhatu.' If you exert yourselves and destroy your
past evils, then you will receive the title of bodhisattva or Bhagavan and convert and save
countless beings.
At that point, the Bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"It is like an impoverished woman
Whose appearance is common and vile,
But who bears an Arya son
Who will become a Cakravartin king.
Replete with Seven Jewels and all virtues,
He will possess as king the four quarters of the earth.
But she is incapable of knowing this
And conceives only thoughts of inferiority.
I see that all beings
Are like infants in distress.
Within their bodies is the Tathagatagarbha,
But they do not realize it.
So I tell bodhisattvas,
'Be careful not to consider yourselves inferior.
Your bodies are Tathagatagarbhas;
They always contain
The world's light of saving grace.'
If you exert yourselves
And do not spend a lot of time
Sitting in the meditation hall,
You will attain the path of very highest siddhi
And save limitless beings."
"Or, kulaputras, it is like a master foundryman casting a statue of pure gold. After casting is
complete, it is inverted and placed on the ground. Although the outside is scorched and
blackened, the inside is unchanged. When it is opened and the statue taken out, the golden
color is radiant and dazzling. Similarly, kulaputras, when the Tathagata observes all beings,
he sees that the Buddhagarbha is inside their bodies replete with all its many virtues. After
seeing this, he reveals far and wide that all beings will obtain relief. He removes kleshas with
his Vajra jnana and reveals the Buddha-kaya like a person uncovering a golden statue."
At that point, the Bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"It is like a great foundry
With countless golden statues.
Foolish people look at the outside
And see only the darkened earthen molds.
The master foundryman estimates that they have cooled,
And opens them to extract their contents.
All impurity is removed
And the features clearly revealed.
With my Buddha vision
I see that all beings are like this.
Within the mud shell of passions,
All have the Tathagata-nature.
By means of vajra jnana,
We break the mold of the kleshas
And reveal the Tathagatagarbha,
Like pure, shining gold.
Just as I have seen this
And so instructed all the bodhisattvas,
So should you accept it,
And convert in turn all other beings."
At that point, the Bhagavan spoke to Vajramati and the other bodhisattva mahasattvas,
saying, "Whether you are bhikshu or upasaka, kula putra and duhita, you should accept,
recite, copy, revere and widely expound this "Tathagatagarbha Sutra" for the benefit of
others. The virtues that you will derive from it are inestimable. Vajramati, if there were a
bodhisattva who, for the sake of the Buddha path, worked diligently and assiduously, or who
cultivated abhijna, or who entered all of the samadhis, or who desired to plant the kushala
mulas (roots of virtue), or who worshiped the present-day Buddhas, more numerous than the
sands of the Ganga, or who erected more Seven-jeweled stupas than there are sands in the
Ganga, of a height of ten yojana and a depth and breadth of one yojana, or who set up in
those stupas sseven-jeweled couches covered with divine paintings, or who daily erected for
each Buddha more seven-jewelled stupas than there are sands in the Ganga and who
presented them to each Tathagata and bodhisattva and shravaka in the assembly, or who did
this sort of thing everywhere for all the present day Buddhas, whose number is greater than
the sands of the Ganga, or who erected fifty times more jewelled stupas than there are sands
in the Ganga and who presented them to each Tathagata and bodhisattva and shravaka in the
assembly, or who did this sort of thing everywhere for all the present day Buddhas, whose
number is greater than the sands of the Ganga, or who erected fifty times more jewelled
stupas than there are sands in the Ganga and who presented them as an offering to fifty times
more Buddhas and bodhisattvas and sravakas in the assembly than there are sands in the
Ganga and who did this for countless hundreds and thousands and tens of thousands of kalpa,
Vajramati, that bodhisattva would still not be the equal of the person who finds deep joy
(pramudita, first bodhisattva stage) and perfect enlightenment in the 'Tathagatagarbha Sutra',
who accepts it, recites it, copies it, or even reveres but a single one of its metaphors.
Vajramati, even though the number of kushala mulas and virtues planted by those kulaputras
on behalf of the Buddhas is incalculable, it does not come to a hundredth or a thousandth or
any possible calculable fraction of the number of virtues attained by the kula putra and duhita
who revere the 'Tathagatagarbha Sutra'."
At that point, the Bhagavan expressed himself in gatha, saying:
"If there is a person seeking perfect Bodhi
Who listens to and accepts this sutra,
And who copies and reveres
Even a single gatha,
The subtle, profound Tathagatagarbha
Will instantly come forth, accompanied with elation.
If you give yourself to this true teaching
Your virtues will be incalculable.
If there is a person seeking Sambodhi
Who has attained great spiritual powers,
And who desires to make an offering
To the Buddhas of the ten directions
And to the bodhisattvas and shravakas of the assembly,
The number of which is greater
Than the sands of the Ganga,
A hundred million times incalculable;
If for each of the Buddhas
He constructed a marvellous jewelled stupa
Ten yojanas in height
And a breadth of forty li,
Within which he would bestow a seven-jeweled seat,
With all the marvels
Appropriate for the august Teacher,
Covered with divine pictures and cushions,
Each one with its own unique designs;
If he offered to the Buddhas and the Sangha
An incalculable number of these,
More than the sands of the Ganga,
And if he offered them
Without ceasing day or night
For hundreds and thousands
And tens of thousands of kalpa,
The virtues he would obtain in this manner
Could not be compared with
The far greater virtues of
The wise person who listens to this sutra,
Who accepts even a single metaphor from it
And who explains it for the benefit of others.
Beings who take refuge in it
Will quickly attain the unexcelled path.
Bodhisattvas who devote their thought
To the deep Tathagatagarbha,
Know that all beings possess it
And quickly attain the unexcelled."
At that time the Bhagavan again addressed Bodhisattva Vajramati, saying, "An incalculable
time far back in the distant past, longer ago than many inconceivable asamkhyeykalpa there
was a buddha who was called the King of Bestowing Eternal Light, Tathagata, Arhat,
Samyaksambuddha Vidya-carana-sampanna Sugata Lokavit Anuttara-purusha-damya-sarathi
Shasta-deva-manushyanam Buddha Bhagavan. Vajramati, why was he called the King of
Bestowing Eternal Light? When that Buddha was originally practicing the bodhisattva path
and descended as a spirit into the womb he always gave off light which penetrated and
illuminated in an instant even the tiniest atoms of all the thousands of Buddha worlds in the
ten directions. Any being who saw this light was filled with joy. His kleshas were destroyed;
he became endowed with the power of form; his wisdom was perfected; and he attained an
eloquence which knew no obstacle. If a hell-being, preta-bhuta (hungry ghost), tiryagyoni
(animal), Yama King, Lord of the Dead, or an asura saw this light, all of his rebirths in evil
realms were cut off and he was born as a deva. If any deva saw this light, he attained
irreversibility in the highest path and was endowed with the five abhijna. If anyone who had
attained irreversibility saw this light, he attained Anutpattika-dharma-kshanti (endurance of
the nonproduction-dharma) and the fifty virtues dharani. Vajramati, all the lands illuminated
by that light became stately and pure, like translucent porcelain, with golden cords marking
out the paths, luxuriant with the fragrance of various kinds of jewelled trees, flowers, and
fruits. Light breezes blew gently through them, producing soft, subtle sounds that expounded
freely and unrestrainedly the Triple Jewel, the bodhisattva virtues, the power of kushala
mulas, the study of the path, samadhi and vimukti (liberation). Beings who heard it all
attained joy in the Dharma. Their faith was made firm and they were forever freed from the
realms of evil rebirth. Vajramati, because all the beings of the ten directions were instantly
enveloped in light, at six o'clock every morning and evening they joined their palms together
and offered worship. Vajramati, until the time he attained Buddhahood and Parinirvana, the
place where that bodhisattva issued forth from the womb always shone with light. And after
his parinirvana the stupa in which his ashes were kept also gleamed with light. Consequently,
the inhabitants of the heavenly realms called him the Eternally Light-bestowing King.
Vajramati, when Eternally Light-bestowing King Tathagata Arhat Samyaksambuddha first
attained Buddhahood, among his Dharma shravakas there was a bodhisattva named
Unending Light, as well as a group of two billion other bodhisattvas. The mahasattva
Bodhisattva Unending Light turned toward the spot where the Buddha was and asked about
the 'Tathagatagarbha Sutra', and the Buddha expounded it. He was in his seat for fifty long
kalpas. And because he protected the thoughts of all the bodhisattvas, his voice reached
everywhere in the ten Buddha worlds, even down to the smallest atoms, and it spread to
hundreds of thousands of Buddha kshetras. Because of the numberless different backgrounds
of the bodhisattvas, he presented hundreds of thousands of metaphors. He called it the
'Mahayana Tathagatagarbha Sutra'. All the bodhisattvas who heard him preach this Sutra
accepted it, recited it and practiced it just as it had been explained. All but four of the
bodhisattvas attained buddhahood. Vajramati, you must not regard them as exceptional. How
could Bodhisattva Unending Light be different from you? You are identical with him. The
four bodhisattvas who had not yet attained buddhahood were Manjushri, Avalokiteshvara,
Maha-sthama-prapta and you, Vajramati. Vajramati, the 'Tathagatagarbha Sutra' has an
abundant capacity. Anyone who hears it can attain the Path of the Buddha."
Then the Buddha again expressed himself in gatha, saying:
"Countless kalpas ago
A Buddha named King of Light
Always shone forth great light
And illumined innumerable kshetras everywhere.
Bodhisattva Unending Light
First attained the way under that Buddha,
And requested this sutra.
The Buddha accordingly preached it.
All those who encountered it were Jinas,
And all those who heard it
Attained buddhahood,
Except for four bodhisattvas.
Manjushri, Avalokiteshvara,
Maha-sthama-prapta and Vajramati --
These four bodhisattvas
All formerly heard this Dharma.
Of them, Vajramati
Was the most gifted disciple.
At the time he was called Unending Light
And had already heard this sutra.
When I originally sought the way
At the Lion Throne marking Bodhi-manda,
I too once received this sutra
And practiced it as I had heard it.
Because of these kushala mulas (virtue-roots),
I quickly attained the Buddha path.
Therefore all bodhisattvas
Ought to uphold and preach this sutra.
After you have heard it
And practiced just as it has been explained,
You will become Buddhas just like I am now.
If a person upholds this sutra,
He will comport himself like the Bhagavan.
If a person obtains this sutra,
He will be called 'Protector of the Buddhadharma',
And then, on behalf of the world, he will protect
What all the Buddhas proclaim.
If anyone upholds this sutra,
He will be called 'The Dharma King',
And in the eyes of the world
He will deserve to be praised
Like the Bhagavan."
Then, when the Bhagavan had finished expounding this sutra, Vajramati, together with the
four groups of bodhisattvas, the Devas, the Gandharvas, the Asuras and the rest, rejoiced at
what they had heard the Buddha explain and they practiced it as they had been told.
(End of the Sutra)
(Translated by William H. Grosnick, published in "Buddhism In Practice" (Donald S. Lopez
[ed.], Princeton University Press, 1995)