O anarco-cooperativismo (ou cooperativismo anarquista) é uma vertente do anarquismo social que propõe a organização da sociedade e da economia por meio de cooperativas autogeridas e associações voluntárias, eliminando a necessidade do Estado e de hierarquias capitalistas tradicionais.Essa visão defende que a produção e o consumo devem ser geridos diretamente pelos trabalhadores e membros da comunidade de forma democrática e horizontal.
Pilares e Princípios
A base dessa ideologia une os ideais anarquistas de liberdade e ausência de governo com os princípios do cooperativismo:
Autogestão: Os próprios trabalhadores e membros da cooperativa tomam todas as decisões, sem patrões ou gestores impostos.
Apoio Mútuo: Prioriza a cooperação em vez da competição, buscando o bem-estar coletivo e a solidariedade entre os membros.
- Adesão Voluntária: A participação é livre e baseada no interesse comum, permitindo que indivíduos entrem ou saiam conforme sua vontade.
- Gestão Democrática: Cada membro possui um voto ("uma pessoa, um voto"), garantindo que o poder não esteja concentrado no capital acumulado.
- Propriedade Coletiva: Os meios de produção pertencem à comunidade ou aos trabalhadores daquela unidade, e não a indivíduos privados ou ao Estado.
Diferenças de Outras Vertentes
- Anarco-capitalismo: Enquanto o anarco-capitalismo foca na propriedade privada e no livre mercado radical, o anarco-cooperativismo foca na propriedade social e no trabalho cooperativo.
- Anarco-sindicalismo: O anarco-sindicalismo utiliza os sindicatos como principal ferramenta de luta e organização, enquanto o anarco-cooperativismo foca na criação de cooperativas como células de uma nova sociedade já no presente.
Os principais propositores do anarco-cooperativismo e de ideias que fundamentam essa visão incluem pensadores clássicos do anarquismo e teóricos do cooperativismo inicial. Suas ideias focam na substituição da autoridade central por associações voluntárias e na substituição do lucro pela necessidade social.
Principais Propositores e Ideias
- Pierre-Joseph Proudhon (Mutualismo): propositor do Mutualismo, que serviu de base teórica para o cooperativismo anarquista. Defendia que os trabalhadores deveriam possuir e controlar os meios de produção, seja individualmente ou em coletivos. Ele propôs a criação de um Banco do Povo que ofereceria crédito sem juros para que trabalhadores iniciassem suas próprias cooperativas, eliminando a dependência de bancos capitalistas.
- Peter Kropotkin (Apoio Mútuo): o conceito de Apoio Mútuo como fator de evolução.
- Kropotkin argumentou que a cooperação, e não a competição, é a característica biológica e social que permite a sobrevivência e o progresso das espécies e sociedades. Para ele, as cooperativas seriam a expressão prática dessa tendência natural humana de ajudar o próximo sem a necessidade de coerção estatal.
- Robert Owen (Pai do Cooperativismo): embora não se declarasse anarquista, suas experiências práticas em New Lanark influenciaram profundamente a vertente. Owen defendia comunidades baseadas na cooperação integral, onde a educação, o bem-estar e o trabalho eram geridos de forma comunitária, visando transformar o caráter humano através de um ambiente social favorável.
- Gustav Landauer (Anarquismo Comunitário): defendia que o Estado não pode ser destruído por uma revolução violenta, mas sim por novas relações sociais. Propôs que as pessoas abandonassem as estruturas estatais e capitalistas para construir cooperativas e comunidades rurais autossuficientes, tornando o Estado irrelevante ao deixar de participar de suas estruturas.
- Colin Ward (Pragmatismo Anarquista): anarquismo como uma organização social latente. Autor contemporâneo que analisou como as pessoas já utilizam o cooperativismo no dia a dia (em clubes, associações de moradores e cooperativas de habitação) para resolver problemas sem o Estado. Ele defendia a expansão dessas práticas como forma de desestatizar a sociedade.
Síntese das Ideias
- Federação de Cooperativas: A sociedade seria organizada como uma rede de cooperativas locais federadas, de baixo para cima, para coordenar a produção em larga escala sem um governo central.
- Economia de Necessidades: A produção é orientada pelo que a comunidade precisa, decidida em assembleias democráticas, em vez de ser guiada pela acumulação de capital.
- Educação e Formação: Um princípio vital é a educação técnica e política constante dos membros para garantir que a autogestão seja eficaz e que ninguém se torne um "novo mestre" por deter mais conhecimento.
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