segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O caráter religioso de Karl Marx

* David A. Conceicao -

Marx teve uma infância judaica; depois foi Luterano, e converteu a família inteira, inclusive - quando chegou a escrever poemas a Cristo, o Salvador. Na Universidade de Berlim, passou a ser *satanista confessional*, seja lá o que isso quer dizer. Aí os poemas passaram a ser dedicados a Oulanem, um nome ritualístico de Satanás. E, a partir de então, tornou-se um sujeito anti-Deus pelo resto da vida. Não exatamente *ateu*, mas um ferrenho anti-Deus, mesmo, o que é (pelo menos quantitativamente) diferente. 

Marx também era um pensador inconsistente, crédulo, fracote, um sujeito invejoso, ressentido e definitivamente um pseudo-intelectual. 

Não consigo entender como uma coisa baseada em teorias tão estúpidas, mal explicadas e anti-humanas conseguiu se espalhar tanto a ponto de acabar sendo a maior catástrofe ideológica da história da humanidade.

Pessoalmente acho que Marx, assim como Lenin, Stalin, Hitler, Mao, Pol Pot, era mentalmente insano. 

É, afinal, evidente(!): Se Marx, o louco, inventou uma ideologia louca - nada mais lógico que a divulgação e a aplicação dessa ideologia só pudessem ser feitas através de outros loucos do mesmo quilate. 

Marx escreveu isso:

Todavia, o gracioso Criador é incapaz de odiar a obra de suas mãos. Deseja erguê-la até onde Ele mesmo está, e, assim sendo, enviou o seu Filho, e agora nos chama através destas palavras: ‘Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós...(Jo 15.3,4)” 

Os nossos corações, a razão, a história, a Palavra de Deus, tudo nos faz apelos em altas vozes, convincentemente, dizendo-nos que a união com Ele [Cristo] é absolutamente necessária; que sem Ele seríamos rejeitados por Deus; que somente Ele é capaz de libertar-nos...

Depois isso...

O homem é que faz a religião; a religião não faz o homem... a religião é o ópio do povo... o povo não poderá sentir-se realmente feliz enquanto não for privado da felicidade ilusória mediante a superstição da religião!

Em um de seus poemas, Marx escreveu: “Desejo vingar-me daquele que governa lá em cima”.

E nunca mais mudou de idéia.

O problema do ateísmo é inerente ao ateísmo, é da natureza dele, mesmo - e é um problema que não existe para o religioso e nem para o agnóstico.

O religioso crê que existe Deus e assume sua fé. A fé é seu instrumento, e ele a considera um instrumento válido.

O agnóstico está fora, porque não acredita nem que existe e nem que não existe - não é uma questão que *se coloque* pra ele. Ele simplesmente não tem fé e não faz falta a ele ter, porque ele não precisa de instrumento nenhum, mesmo.


Já o ateu está encurralado para explicar o inexplicável: ele crê que não existe Deus, e rejeita o uso da fé para sustentar sua posição - já que ele renega a fé como instrumento legítimo - mas não tem nenhum outro pra botar no lugar.

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Há um ótimo livro sobre a questão para ser indicado: O Mercado Livre numa Sociedade Cristã de Adolpho Lindemberg. 

http://www.tradicaoemfococomroma.com/2016/11/o-carater-religioso-e-sociologico-de.html
.://www.tradicaoemfococomroma.com/2016/11/o-carater-religioso-e-sociologico-de.htmlBibliografia:
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FURET, François e CALVIÉ, Lucian. (1988) Marx and the French Revolution. University of Chicago Press, Chicago. 
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AVINERI, Shlomo. (1968). The Social and Political Thought of Karl Marx. Cambridge: Cambridge University Press.

Karl Marx, um vagabundo sustentado por um burguês

Marx era cientista onde? Era cátedra de que Universidade ou Instituto? Ficava horas lendo e inebriando em obras de pensadores que foram mais prolíficos que ele na publicação de obras, mas, ainda assim, trabalhavam e lecionavam.

É uma tragicomédia querer justificar a vagabundagem de alguém com delírios sem sentido.

Marx largava a família em casa, passando fome (claro, depois de detonar toda a herança do pai e da esposa) para ficar lendo livros, o que supostamente o credenciaria por “cientista”. Horas e mais horas lendo livros e não conseguiu produzir uma única patente, apenas plagiador de obras alheias, seus escritos são uma colcha de retalhos montadas às custas das deturpações de elucubrações alheias.

Segue para análise um texto de autoria anônima que correu pelos e-mails em 2008:

Karl Marx é considerado por alguns como um dos gênios da filosofia, vinha de uma família burguesa falida e foi sustentado, durante quase toda a vida, por um outro burguês: Friedrich Engels. 
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Judeu, odiava judeus, intelectuais e burgueses (exceto Engels, que lhe sustentava), chamava os russos de “lixo étnico”, celebrava como preço do socialismo a destruição de uns “povos inferiores”, tendo saudado o extermínio dos índios mexicanos na guerra pela possessão da Califórnia, e usava expressões como “negro pernóstico”. 
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Qualificado pelos próprios aliados como “difícil, violento e autoritário”, Marx não inspirava respeito nem em outros socialistas. Talvez por isso o russo Mikhail Bakunin o tenha classificado como “monte de esterco”, o francês Proudhon como “verme falsário” e o seu companheiro de redação da Gazeta Renana, Karl Heinzen, como “espírito perverso, que vivia sempre sujo, capaz de tudo, menos de um gesto nobre”. 
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Com efeito, Marx traiu a mulher - a aristocrata Jenny - com a própria empregada, Helene, com quem teve um filho, Freddy, que logo tratou de expulsar de casa; adulterou os números da mensagem orçamentária do primeiro-ministro inglês Gladstone (em discurso na Internacional dos Trabalhadores, em 1864); falsificou dados estatísticos de livros da Biblioteca do British Museum (fonte para a elaboração dos capítulos XIII e XV de “O Capital”); caluniou Mikhail Bakunin, acusando o anarquista, sem provas, de ser “agente secreto da polícia czarista” ; e para compor sua obra apocalíptica, plagiou o pensamento dos outros, sem citar autoria. 
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Sua família foi a grande vítima. Dos seis filhos que teve com a esposa, três morreram na primeira infância, em decorrência do estado de penúria a que foram submetidos, e três cometeram suicídio (as filhas Jenny, Laura e Leonor). O único sobrevivente, o filho bastardo do adultério com a empregada, nunca foi reconhecido pelo pai (como todo hipócrita, Marx nem deixava o menino sentar-se á mesa com os irmãos “legítimos”) e foi adotado por Engels para “salvar as aparências”. A esposa Jenny, prematuramente envelhecida pelo sofrimento, morreu sem perdoar o marido por ter engravidado a empregada. 
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Com os pais e parentes, Marx não foi menos egoísta. As heranças de parentes ricos foram avidamente devoradas e mal administradas por ele, que se dizia economista. Por ocasião da morte do pai, Heinrich, de câncer no fígado, não compareceu ao enterro porque “não tinha tempo a perder”. Por conta disso, a mãe, Henriette, cortou relações com ele e, saturada de pagar suas dívidas, advertiu, através de uma carta, o mimado filho parasita: “Você devia juntar algum capital em vez de só escrever sobre ele!” 
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Mas foi ao cometer grosseria com o amigo e provedor de todas as horas que Marx concedeu a chave para a explicação de sua imoralidade: Engels escreve ao amigo dizendo-se arrasado após a morte da companheira amada Mary Burns. Marx, por carta, responde que a notícia o surpreendeu, mas logo passa a tecer considerações sobre as próprias necessidades pessoais. Magoado com a frieza do outro, Engels suspende o dinheiro e a correspondência, o que leva Marx, apressado, não propriamente a pedir desculpas pela conduta mesquinha, mas a admitir, com franqueza brutal, que “em geral, nessas situações, meu único recurso é o cinismo”. 
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Entrou para a História como vigarista desde o início: para “provar” que a evolução do capitalismo só ia piorar a vida dos trabalhadores, ele se apoiou nos dados dos Blue Books, relatórios anuais do Parlamento da Inglaterra. Quando Marx foi ver os relatórios, descobriu que, ao contrário do que ele estava dizendo, a condição social da classe operária tinha melhorado. Como os registros não comprovavam o que ele queria, ele usou os registros de trinta anos antes. E assim usou essa falsificação histórica na sua grande fraude “O Capital”.” 
  
Engels era um típico “esquerdinha caviar” de sua época. Nasceu rico e herdeiro de uma fortuna do algodão e amava a vida boa. Ele era uma espécie de antecipação da geração “Ni Ni”. Quando ele abandonou a escola, seu pai o mandou trabalhar como funcionário na fábrica de costura em Bremen, pois queria que seu filho fosse seu sucessor nos negócios.
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Ter de trabalhar era o que faltava para que o revoltadinho começasse a se envolver em causas radicais. Foi quando ele acabou conhecendo o parasitão que iria sugá-lo até o fim.
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Mais tarde Engels tornou-se PATRÃO das fábricas de seu pai – segundo ele, para poder ajudar financeiramente o amigo - fracassado.
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Figuras como Engels são fundamentais para acabar com o mito de que ricos são necessariamente “capitalistas” e “de direita”, especialmente quando são herdeiros que não construíram o patrimônio da família. São os maiores financiadores da esquerda.
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De burro o Karl Marx não tinha nada, ele era um gênio para sua época capaz de levantar um exército de idiotas úteis que o seguiram até o fim de sua vida. Passou a vida inteira sendo sustentado por familiares e amigos. Um parasita na legítima definição do termo.
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Marx era também um hipócrita. Enquanto ele escrevia com tanta simpatia aos homens que trabalham nas fábricas, a quem qualificava como escravos, o dinheiro com o qual ele vivia, da caridade de seu amigo Friedrich Engels, provinha justamente dos negócios de Engels em uma fábrica.  Assim, os “escravos” sustentavam à família do vagabundo, enquanto ele coçava o saco.
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Engels recebia seu dinheiro de - fábricas de algodão! Sua família era dona de uma fábrica em Manchester, Inglaterra. O próprio Engels vivia do trabalho dos “escravos”, e o dinheiro que ele enviava ao seu amigo Karl Marx era a partir dos lucros da fábrica. Portanto, Karl Marx viveu da labuta dos trabalhadores das fábricas, enquanto lamentava seu destino e “pensava” em como ele deveria ser. A negligência para com sua esposa e filhos foi a pior doença que poderia ter se abatido sobre eles. Karl Marx era um parasita.

Obrigar os filhos a suportarem a pobreza, a viverem na negligência, até morrerem por inanição, é coisa de mostro. Tanto Marx quanto sua esposa vieram de lares confortáveis. O que ele fez com sua família foi um ABUSO. Marx teve uma educação, uma vida confortável, proporcionada por seus pais, portanto tinha obrigação de trabalhar e prover sua família. Fosse um Homem de verdade teria alimentado seus filhos, assim como seu pai o sustentou.
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Egoísta, preguiçoso, fracassado, vagabundo! LIXO!
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Fabricio http://www.tradicaoemfococomroma.com/2014/11/karl-marx-um-vagabundo-sustentado-por.html
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Confiram mais em:
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FURET, François e CALVIÉ, Lucian. (1988) Marx and the French Revolution. University of Chicago Press, Chicago. 
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AVINERI, Shlomo. (1968). The Social and Political Thought of Karl Marx.
Cambridge: Cambridge University Press.


A vida íntima de Karl Marx

http://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/a-vida-intima-de-karl-marx/
O pai do comunismo já foi tratado como santo, mas biografias recentes o mostram como um beberrão, parasita de amigos e adúltero
Por TEXTO Fernando Duarte
Reconhecidos pela Igreja Católica como uma das principais relíquias ligadas a Jesus Cristo, os fragmentos dos ossos de São Pedro estão guardados nos porões do Vaticano, com direito à vigilância severa da renomada Guarda Suíça. No entanto, os restos mortais do primeiro papa encontram-se quase desprotegidos se comparados ao tratamento dispensado aos documentos de Karl Marx no Arquivo Nacional da Rússia: uma câmara à prova de bombas protege suas cartas e manuscritos. Trata-se de um exemplo do desafio diante de qualquer tentativa de compreender um pouco mais sobre a vida do intelectual alemão. Embora não tenha fundado formalmente uma religião ou existam registros de milagres e afins, Marx foi catapultado ao posto de Messias em cujo nome se lutaram guerras e se construíram impérios num espaço de tempo bem menor que o usado pelo cristianismo – e os inevitáveis deslizes do pai do comunismo não estão disponíveis facilmente. Para os guardiões da antiga União Soviética, homem e regime se confundiam.
Figura mitológica
Passados 131 anos de sua morte, Marx permanece uma figura mitológica. Se o desmoronamento dos regimes socialistas da Europa Oriental causou abalos em sua reputação, o filósofo que misturava pensamento e ação e criou o conceito de ditadura do proletariado tampouco foi esquecido: em 2005, quase 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, foi ele quem venceu uma enquete da BBC para eleger o maior filósofo de todos os tempos. Isso mesmo, no Reino Unido, em que o Partido Trabalhista precisou varrer o viés socialista de seus estatutos e de suas políticas para retomar o poder com Tony Blair, em 1997, o criador do comunismo ainda conserva sua popularidade.
Na década passada, Marx já tinha levado safanões em sua auréola vermelha. Na primeira biografia de destaque publicada após o fim da Guerra Fria, o jornalista britânico Francis Wheen expôs um Karl Marx que estava bem longe da figura magnânima imortalizada em estátuas e estandartes em Moscou, Pequim ou Havana. Ele foi apresentado como bêbado, parasita e adúltero.
Wheen abriu as portas para um releitura de Marx que não se concentra apenas no debate ideológico. Sua missão era desvendar seu lado humano, ao contrário das milhares de leituras sobre dialética a respeito de sua produção filosófica. Em 2011, a jornalista norte-americana Mary Gabriel encontrou um ângulo ainda mais original: uma narrativa focada na vida familiar de Marx, sobretudo em seu turbulento relacionamento com a esposa, Jenny. Tanto Wheen quanto Gabriel tiveram acesso a documentos ligados ao filósofo, incluindo sua correspondência pessoal. Ambos revelam que Marx nunca foi santo – nem de longe. Mas também não pode ser demonizado. “Esse é o grande problema quando o assunto é Marx. Por causa de seu impacto histórico, a polarização é constante. No Ocidente ele volta é meia é ridicularizado, enquanto Rússia e China ainda o apresentam como uma figura religiosa. Os dois lados erram ao passar ao largo do aspecto humano”, afirma Mary Gabriel.
Na verdade, a idealização ou demonização de Marx não nasceram com a Guerra Fria ou após a derrocada do socialismo. Ela tem origem em 1883, ano em que Marx, aos 64 anos, não resistiu aos efeitos de uma infecção pulmonar e da tristeza pela morte da mulher, dois anos antes. Mal seu corpo baixou à sepultura no Cemitério de Highgate, no norte de Londres – o enterro, segundo relatos de amigos e parentes, foi acompanhado por menos de 15 pessoas – e uma operação de endeusamento começou. Como sugere a audiência do funeral, Marx estava longe, muito longe de ser uma celebridade quando deixou este mundo. Mas entre os presentes à cerimônia estava Wilhelm Liebknecht, um dos fundadores do Partido Social-Democrata alemão e um dos principais responsáveis pela divulgação de suas ideias – nas eleições parlamentares de 1890, por exemplo, a legenda, de inspiração marxista, obteve 20% dos votos na Alemanha.
Filho bastardo
Foi a partir de esforços de personagens como Liebknecht que a mitificação de Marx teve início, ainda que a explosão tenha vindo com a Revolução Russa de 1917, o primeiro experimento marxista em larga escala, com direito à aplicação de seus modelos de sociedade e a implementação da “ditadura do proletariado” pelos bolcheviques seguidores de Vladimir Lenin. A glorificação de Marx e a omissão de sua humanidade viraram regra, por mais que um estudo minucioso da correspondência particular da família do filósofo mostre uma oposição ferrenha a qualquer tipo de censura ou embelezamento. Mesmo depois de Eleanor, uma de suas filhas, descobrir em 1895 um terrível segredo do pai: Marx não apenas tivera um caso com Helene Demuth, a governanta da família, mas engravidou a serviçal durante uma viagem da mulher.
Frederick Demuth nasceu em 1851 e, graças à intervenção de Frederick Engels, o grande amigo e mecenas de Marx, foi posto para adoção. O menino cresceu e acabou ficando amigo de sua meia-irmã. Eleanor mais tarde saberia que, além de ter enganado a mãe, Marx não prestara ajuda ao menino e nem sequer tivera contato com ele. “Claro que Eleanor ficou chocada, mas em nenhum momento teve a intenção de censurar os fatos. Ao contrário, achou importante que o mundo conhecesse os dois lados da vida de seu pai. Até permitiu a publicação de correspondência pessoal de Marx. Mas tudo se perdeu quando ela se suicidou, em 1898”, afirma Mary Gabriel.
O filho bastardo foi o único da família que ainda estava vivo quando Lenin e seus amigos mandaram ondas de choque mundo afora com seu Outubro Vermelho. Em 1911, seis anos antes da Revolução Russa, a última descendente de Karl e Jenny, Laura, também pôs fim à própria vida. A trágica ironia: ela e o marido, o ativista francês Paul Lafargue, selaram um pacto suicida para protestar contra o que viam como diluição dos ideais de Marx. Lafargue liderou o movimento pela adoção de oito horas de trabalho, oito de sono e oito de lazer, algo que hoje é parte da vida profissional.
Mudança de nome
Em termos de tragédia, os Marx em nada devem aos Kennedy. Muito se sabe sobre as provações pelas quais o filósofo passou por força de suas convicções e subversões, mas o fato é que Marx era uma espécie de Lúcifer burguês – um anjo que desafiou o status quo celeste. Ele nasceu em 1818 na cidade de Trier, ainda nos tempos em que a região hoje conhecida como Alemanha era uma confederação de 39 estados ou reinos. Cresceu numa família de classe média alta, filho do advogado Heinrich Marx e de Henriette Pressburg, dona de casa holandesa pertencente à família Phillips – cujo sobrenome hoje é referência em aparelhos eletrônicos. Judeus, os pais de Marx se converteram ao cristianismo por causa da repressão religiosa que marcou a monarquia absolutista prussiana cuja legislação proibia não cristãos de ocupar cargos públicos. Os decretos foram ignorados nos tempos em que Trier foi anexada à França por Napoleão, mas voltaram a ser cumpridos depois da derrocada do imperador francês, em 1815.
Até de nome o pai do futuro filósofo mudou: Herschel Mordechai virou Heinrich Marx em 1818. A conversão foi fundamental no destino de Marx: de acordo com a tradição judaica, o primogênito da família assumia o cargo de rabino de Trier, tradição que acabou com o irmão mais velho de Heinrich. A ironia é que o jovem que poderia ter virado rabino ficaria famoso como o homem que definiu a religião como ópio do povo.
Um curioso voraz que se beneficiou de uma educação privilegiada com o dinheiro dos pais, Marx provocou desgostos e mais desgostos em Heinrich e Henriette ao ingressar no mundo acadêmico em 1835, aos 17 anos. O pai insistiu no estudo do direito, enquanto o filho se sentia atraído pela filosofia. Dispensado do serviço militar por problemas respiratórios, Marx aproveitou a distância de casa para se jogar numa rotina digna de filmes universitários americanos: fazia parte de uma fraternidade de beberrões, de um clube de poesia, e num dos seus estupores etílicos arrumou uma confusão com um oficial do exército prussiano – na época o equivalente às Forças Armadas dos EUA em termos de reputação – que resultou em duelo. Felizmente, o jovem Karl saiu apenas com arranhões do embate.
Nenhuma surpresa que o desempenho acadêmico do moço estivesse longe de ser brilhante. O pai interveio e transferiu o filho para a Universidade de Berlim. Um tiro no pé: a maior seriedade nos estudos empurrou Marx de vez para o lado da filosofia e ele logo estava circulando em grupos radicais, com uma postura que não poderia ser mais diferente do conformismo familiar em Trier. O fosso separando-o de Heinrich só aumentou: quando o pai morreu, em 1838, Marx nem foi ao enterro, alegando que a viagem de Berlim à cidade natal era muito longa.
A morte de Heinrich Marx também trouxe dificuldades financeiras para o filho. Os porres e arruaças aumentaram, bem como sua revolta contra o establishment prussiano, ainda mais depois de, já de posse de um doutorado em filosofia, obtido em 1841, ver a pretensão de uma carreira acadêmica derrubada por causa de suas posições liberais numa Prússia extremamente conservadora. A solução foi mudar-se para Colônia e enveredar pelo jornalismo radical. Escrevendo sobre socialismo para o Rheinische Zeitung, carregando nas críticas aos governos conservadores europeus, Marx logo atraiu a atenção dos censores a serviço do kaiser. E com apenas um ano de trabalho conseguiu que uma ordem fechasse o jornal – cortesia de um pedido pessoal do czar russo Nicolau I à coroa prussiana. “É impossível dissociar a produção intelectual de Marx de sua experiência de vida. Quando se analisam aspectos como sua origem numa família que sofreu opressão religiosa por um regime ditatorial você compreende por que Marx mais tarde mostraria tamanha animosidade em relação às classes dominantes”, afirma o acadêmico norte-americano Jonathan Sperber, também autor de uma biografia recente do filósofo.

Mau partido
Paradoxos também deram o tom no relacionamento de Marx com outra grande influência: o barão Ludwig von Westphalen, aristocrata e vizinho em Trier. Ele adotou Marx como discípulo, doutrinando o rapaz em filosofia e literatura. Foi das longas conversas sobre Shakespeare com o barão que Marx pegou emprestado um trecho de Hamlet para escrever uma carta de amor para Jenny – a filha de seu tutor. O barão não gostou de vê-la enamorada do discípulo. Não apenas porque era quatro anos mais velha e a sociedade prussiana não via com bons olhos o casamento com homens mais jovens. Mas porque para Von Westphalen Marx estava longe de ser um bom partido.
Contra a vontade do barão, Karl e Jenny se casaram em junho de 1843. Marx tinha 24 anos. Nenhum parente ou conhecido do noivo marcou presença. Apesar do boicote do barão, a mãe da Jenny presenteou o casal com joias, prataria e um baú com dinheiro. “Em uma semana de lua de mel, o dinheiro já tinha sumido, pois Karl e Jenny presentearam uma legião de amigos duros. Já a prataria e joias passaram mais tempo em casa de penhores que nos armários da família. Embora os Von Westphalen tenham convencido os noivos a assinar um acordo responsabilizando cada parte por suas dívidas, Jenny nunca cobrou nada de Marx”, diz Francis Wheen.
Em outubro, Karl e Jenny deram o pontapé inicial no que planejavam como uma vida de aventuras: mudaram-se para Paris, na época o centro da efervescência subversiva que em 1848 explodiria numa série de revoltas na Europa. Apesar do nascimento da filha Caroline, em 1844, Marx intensificou o ritmo de sua militância intelectual, e foi naquele ano que conheceu Engels no Café de La Régence, iniciando uma relação de amizade e dependência. As consequências do rompimento com as origens burguesas já doíam no bolso, e o futuro parceiro de conspirações virou fonte crucial de sustento – as “mesadas” de Engels muitas vezes usavam expedientes criativos para evitar roubos, com o envio de partes de cédulas em diferentes cartas.
O GRANDE PARCEIRO – Engels ajudou Marx até depois de morto
Quase tão espantosa quanto a jornada de Karl Marx é o fato de que seu principal parceiro vinha de um berço ainda mais prvilegiado. Friedrich Engels, o coautor do Manifesto Comunista e o homem que literalmente salvou Marx e sua família da inanição, é uma das figuras mais paradoxais do século 19. Nascido numa próspera família de comerciantes em Barmen, na Prússia, em 1820, ainda jovem começou a dar dor de cabeça aos pais ao assumir seu ateísmo.
Assim como Marx, Engels estudou na Universidade de Berlim e acabou ideologicamente cooptado pelas ideias do filósofo Friedrich Hegel. Também publicou artigos polêmicos no mesmo Rheinische Zeitung, que era editado por Marx. Os dois maiores subversivos de sua época, porém, só se conheceram em 1844, em Paris, e a amizade teve início – como não poderia deixar de ser – com um porre homérico e juras de amizade eterna. Engels levou a cabo sua parte do trato com afinco: além de bancar Marx, por vezes até desfalcando a empresa do pai, não mediu esforços para que a produção intelectual do companheiro não se perdesse.
“Engels sacrificou os melhores anos de sua vida em favor de Marx. Deixou de produzir seus tratados para que Marx pudesse lançar O Capital, por exemplo”, afirma o historiador britânico Tristram Hunt, autor de uma biografia de Engels intitulada O Comunista de Casaca – ele foi um capitalista, dono de uma fábrica.
Engels morreu em 1895, aos 74 anos, de câncer na garganta. E mesmo depois de morto continuou ajudando Marx: parte substancial de sua fortuna foi deixada para as filhas do velho camarada.
A aventura parisiense durou apenas até 1845, quando um pedido da coroa prussiana levou as autoridades francesas a expulsarem os Marx do país. Teve início, então, a rotina de fugas do filósofo e família. Passariam dois anos em Bruxelas, de onde saíram corridos em 1848, depois de Marx desafiar um termo crucial de seu asilo – não se meter em política. Em fevereiro ele lançou o Manifesto Comunista e foi acusado de usar o dinheiro que recebeu de herança pela morte da mãe para financiar uma revolta do proletariado em Bruxelas. Foi expulso e forçado a voltar para a França, não sem antes ver a mulher presa pela polícia. Os Marx só se fixaram num lugar em 1849, quando mudaram-se para Londres.
Já com quatro filhos, Marx e Jenny sentiam os efeitos colaterais da militância. Viviam de favores e sempre na linha da pobreza. E a destituição teve um preço trágico: quatro dos sete filhos do casal morreram ainda crianças, de doenças ligadas às condições precárias da família. As humilhações tornaram-se constantes: quando não eram despejados, os Marx precisavam de “jeitinhos” para evitar cobradores e senhorios. “Houve invernos em que até roupas foram penhoradas para poder arrumar trocados para comida”, diz Wheen.
Hiperatividade
Jenny esteve ao lado de Karl até o fim, tendo sido importante não somente como esposa, mas como “tradutora” – Marx tinha uma caligrafia pavorosa, que a mulher se encarregava de transcrever para possibilitar a publicação de seus textos. Ela foi uma companheira que aceitou o papel de coadjuvante numa vida que nada teria de ordinário, mas que seria quase inteiramente marcada por amarguras. Os Marx viveram num estado constante de pobreza agravado pelo fato de a produção intelectual de Marx causar problemas com as autoridades. Salvava-se com trabalhos eventuais, incluindo o jornalismo, mas a fonte crucial de renda eram os bolsos profundos de Engels. De saúde frágil, complicada por causa do tabagismo e do álcool e também pela indisciplina na carga de trabalho, muitas vezes varando noites, Marx era um primor de desorganização e hiperatividade: o primeiro volume de O Capital, o trabalho mais importante de Marx, foi entregue com 16 anos de atraso.
Quando os royalties de venda foram liberados, Marx já estava debaixo da terra em Highgate. Seu fantasma, porém, iria pairar sobre o século 20 – e além. O abalo global de 2008 de certa forma o ressuscitou. Na Europa, as vendas de O Capital aumentaram em até 300%. “Marx foi um homem do século 19 e é preciso lembrar que viveu uma era muito diferente da atual. Mas nos idos de 1860 já discutia conceitos como a alavancagem excessiva de bancos, que tanto contribuiu para a crise global. Como personagem, ele ainda será lembrado por muito tempo, mas é preciso enxergar o homem para entender o mito”, afirma Sperber.
Foi apenas no fim da vida que Marx tirou o pé do acelerador, por causa da saúde debilitada. A morte de Jenny, em 1881, teve efeito devastador e a família o proibiu de ir ao enterro. Em 14 de março, Engels, cumprindo sua eterna missão de zelar pelo amigo, visitou o filósofo. Encontrou-o morto, à beira da lareira. Marx tinha 64 anos.
SAIBA MAIS
Livro

Amor & Capital, Mary Gabriel, Zahar Editora, 2013

As Misérias de Marx

Biografia disseca a vida do pensador, que viu 4 de seus 7 filhos morrerem ainda bebês, duas filhas se suicidarem, e que dependeu financeiramente da mulher durante os 16 anos que se dedicou a escrever "O Capital" - ainda assim, ele a traiu sexualmente

Eliane Lobato

DESEMPREGADO
Marx teve apenas um trabalho fixo e, embora fosse em estudioso
de economia, era irresponsável com as finanças pessoais

O filósofo e biógrafo grego Plutarco (46-120) dizia que “a chave para entender um grande homem não está nas conquistas em campos de batalhas ou em triunfos públicos, mas em suas vidas pessoais.” Ao dissecar a vida ordinária de Karl Marx (1818-1883), o revolucionário que mudou a consciência do mundo, o livro “Amor & Capital” (Zahar), quase mil páginas escritas pela americana Mary Gabriel, humaniza o mito e tira da sombra a mulher dele, Jenny von Westphalen. Ela segurou as piores barras para que ele pudesse lutar pelo mundo ideal, sem divisão de classes e sem propriedades. Filha da aristocracia, quatro anos mais velha que o marido, Jenny é descrita como alta, bonita, distinta e inteligente. Marx não tinha atributos físicos memoráveis, mas era um brilhante intelectual. Por esse amor, ela aceitou a morte de quatro dos sete filhos devido à vida insalubre e miserável que levavam. Faleceu antes que duas das três sobreviventes cometessem o suicídio.
Detalhes dessa saga trágica foram encontrados em uma pesquisa milimétrica que inclui documentos e cartas inéditas. Uma das passagens mais tristes do livro conta a morte prematura de Franzisca, de bronquite, logo após o primeiro aniversário. Sem dinheiro nem para o caixão, Jenny “guardou” o corpinho gelado da menina no quarto dos fundos e juntou as camas do casal e das três outras filhas no outro quarto, para que chorassem juntos até que alguém pudesse emprestar a ninharia necessária para acabar com aquela situação.

PRIMEIRA EDIÇÃO
"Manifesto Comunista" foi ignorado no lançamento
Os trabalhos de Marx, que teve apenas um emprego fixo, como correspondente do jornal “New York Herald”, não resultavam em quantias suficientes para manter a família e ele, embora fosse um estudioso de economia, era cronicamente irresponsável nas finanças pessoais. Em 1852, quando moravam em Londres, sem ter mais para onde correr, Marx tentou penhorar alguns talheres de prata com o brasão da família de Jenny quando o dono da loja, desconfiado daquela criatura de cabelos desgrenhados e mal vestida, chamou a polícia. Em carta ao amigo Friederich Engels, ele desabafa: “A única luz no horizonte é a doença de um tio reacionário de Jenny. Se o patife morre, eu saio desse aperto.” O patife não morreu.
O que a família Marx tinha de maior valor eram suas ideias, que, entretanto, rendiam pouco dinheiro. Sempre despejado das casas que alugava, pagava um empréstimo com outro e passaria mais tempo ocupado em juntar migalhas do que em derrubar tronos, como sonhava. Jenny suportava tudo com inabalável admiração pelo marido e só pedia uma contrapartida: fidelidade. E Marx falhou. De um relacionamento sexual com a empregada – misto de babá, governanta e amiga íntima de Jenny – resultou um filho, Freddy. Desesperado, ele pediu a Engels, solteiro e rico, que assumisse a criança e pensou ter dado o assunto por encerrado. Manchou sua biografia e causou uma amargura que fez Jenny adoecer gravemente.

Mas a aliança entre eles se mostrou definitiva e sólida, mesmo após a traição. Uma certeza mantinha a família Marx firme: a de que o patriarca estava escrevendo o livro que abalaria o mundo, “O Capital”, e tudo seria melhor depois de seu lançamento. Em nome da obra na qual ele descreve a origem, o funcionamento e a derrubada definitiva do sistema capitalista, tudo era sacrificado de bom grado. Mas, ao ser lançado 16 anos depois de iniciado, o livro foi praticamente ignorado pela “imprensa burguesa”, como Marx a definia.
Foi considerado difícil de entender e não provocou nem marola.  
Aos 64 anos, Marx parecia um velho senil, segundo a autora. Morreu com essa idade, intelectualmente debilitado, com um abscesso no pulmão. Onze pessoas compareceram ao enterro no cemitério londrino Highgate, no dia 17 de março de 1883, ao lado de Jenny, que morrera alguns anos antes, de câncer. Coube a Engels fazer o elogio fúnebre. O amigo falou do seu lugar na história mundial e garantiu que, embora o homem tivesse morrido, as ideias não morreriam com ele.

http://istoe.com.br/286578_AS+MISERIAS+DE+MARX/



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

LIBERTARISMO, LIBERTARIANISMO E LIBERTÁRIOS

Rapidamente, no intento de apenas apresentar, poderíamos dar uma visão geral do que vem a ser libertário hoje. 

Além de alguns anarquistas (que foram os primeiros a se auto intitularem de libertários na história política, isto não se pode negar) temos exemplos de libertários entre algumas raras correntes liberais (ou mesmo libertárias) brasileiras. Temos também alguns maçons e rosacruzes, bem como os chamados thelemitas, estes quase nunca, ou nunca, sequer são citados. Todos estes de alguma forma concordam com as ideias centrais do pensamento libertário. Que em geral é a filosofia política que tem como fundamento a defesa da liberdade individual, da não agressão[], da propriedade privada[] e da supremacia do indivíduo (em oposição à ideia de que o individuo deve ser sacrificado pela maioria ou que ele é menos importante que o todo, bem como a todos os coletivismos e determinismos)[]; o libertarismo defende os direitos de liberdade de expressão, a liberdade mental (ou de pensamento), os direitos fundamentais e a igualdade perante a lei, a liberdade religiosa e qualquer outra liberdade individual; preconiza a liberdade em todos os aspectos. 

Quanto ao estado pretende o libertarismo a desburocratização estatal, a intervenção mínima do estado (ou mesmo a ausencia total deste no caso de alguns mais radicais), propõe o livre mercado e uma redução drástica de impostos, ou a inexistência de qualquer imposto, a inexistencia de qualquer intervenção estatal na economia e até mesmo no controle da moeda. Quando se fala em estado mínimo as bandeiras variam desde um estado que inclua apenas segurança e defesa nacional e algum poder legislativo até os modelos que incluem alguma forma de administração pública da saúde, estradas, florestas, saneamento básico, e até mesmo educação. 

As raízes remontam ao taoísmo, ao pensamento aristotélico grego, à escolástica espanhola e ao renascimento e iluminismo escocês, que moldaram o liberalismo clássico. São várias as correntes de pensamento e muitas as discordâncias como em qualquer outra ideologia política séria, porém, em seu mínimo denominador comum, apoiam a expansão das liberdades individuais tanto econômicas quanto sociais, alguns falam de uma justaposição entre liberalismo econômico e social.

Existem também divergências significativas entre os autores libertários, ou entre seus precursores, em termos de epistemologia, ontologia e metodologia na interpretação dos fenômenos sociais e econômicos. Mises e Rothbard se distinguem com particular relevância de seus predecessores. São estes tais como John Locke, Frédéric Bastiat, David Hume, Alexis de Tocqueville, Adam Smith, David Ricardo, Rose Wilder Lane, Lysander Spooner, Milton Friedman, David Friedman, Ayn Rand, Friedrich von Hayek. Em próximas publicações estaremos aprofundando também este assunto.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O FAÇA VOCÊ MESMO E A DIVERSIDADE DE IDEIAS

Quando eu era adolescente naturalmente adotei a disciplina do “faça você mesmo”, reaproveitar e transformar o quebrado e o usado, construir seus próprios utensílios, usar as roupas até acabarem e virar pano de chão, ouvir e fazer músicas bem elaboradas e com letras significativas. Metade dos meus amigos agia de forma parecida, outros exaltavam o poder de comprar, as marcas famosas, o orgulho de se “vestir bem” e saber as músicas da moda.
Evidentemente nós da outra metade achávamos tudo aquilo ridículo, riamos disso e isso, é claro, gerava muitas discussões, mas nada que separasse as amizades nem dividisse os amigos em dois grupos distintos e rivais. Eles também nos ridicularizavam e faziam pantomima nos escarnecendo. Mas naturalmente cada um considerava a liberdade do outro ser o que quer (e a liberdade de falar mal das escolhas do outro também) e pregava a obrigação de suportar a consequência dos seus atos.
Veja bem, tudo isso acontecia naturalmente, sem nenhuma doutrina social, política ou religiosa por trás, nem doutrinação por parte dos pais, mas simplesmente a liberdade de ser. Isso acontecia naturalmente. As turmas eram divididas por localidade. Tinha a turma de cima e a de baixo. Para mim ainda a turma de cima era a do meio porque também me relacionava com a turma mais de cima da ladeira. Todas as turmas se inter-relacionavam principalmente através dos jogos e brincadeiras. Futebol, vôlei, bola de gude, pipa, pinhão (eu não sabia rodar pinhão), figurinha, gibi, se esconder, cola-ajuda, cross, skate, etc.
Isso me levou depois a gostar do anarquismo. Anarquismo não é bagunça, é liberdade de ser e fazer o quiser, é autogestão, ausência do estado controlador, cooperação entre as pessoas de acordo com os interesses e necessidades, é o “faça você mesmo”, enfim, eu já vivia quase tudo isso naturalmente então foi fácil apoiar as ideologias anarquistas e acreditar que elas não são apenas o ideal, mas também possíveis.
E a anarquia tinha como bandeira e sinônimo principal a liberdade. Nós anarquistas, fosse de que tipo fosse, intelectuais, politizados, punks, anarcopunks, surfistas-de-cristo, rastafáris, ou o que fosse que pensasse parecido (sim, porque pouco se sabia sobre as ideias e origens delas, então se chamavam uns aos outros mais ou menos assim não de acordo com a linha de pensamento) éramos todos libertários.
Ainda hoje, acredito que se os seres humanos fossem deixados livres, de ideias coletivistas e sociais, as chamadas ideias políticas (que na verdade são ideologias e não “políticas”, pois animais sociais e portanto políticos todos já nascemos), não seríamos corrompidos pelas ideologias e naturalmente chegaríamos a algum tipo de organização social anárquica ou pelo menos muito liberal. Mas admito que talvez não. E mais, tendo passado ao longo da vida por algumas ideologias diferentes, estudando teóricos diferentes e vivenciando, trocando ideias a respeito do meio que vivemos, admito e sei que diante do mundo como vivemos hoje o anarquismo não é possível.
Isso, se você é um anarquista convicto pode parecer uma leitura decepcionante agora. Se você, por outro lado, defende alguma ideologia ou sistema diferente, parecerá um alívio agora, não? Espero que todos continuem lendo para saber por que eu digo isso.
Penso que a melhor maneira para as sociedades humanas conviverem harmoniosamente é a plena liberdade de cada um respeitando inteiramente a plena liberdade de cada um, a plena liberdade de um respeitando a plena liberdade do outro, a minha e a sua plena liberdade possível. Ressalto ser isto de acordo com o que penso, não por uma arrogância de acreditar que meu pensamento seja mais inteligente ou mais correto ou superior, mas para alertar o leitor que por mais parecidas ou mesmo iguais em alguns aspectos a outras ideias (as ideias libertárias ou liberais, por exemplo), não estou defendendo necessariamente nenhum conjunto de ideias estabelecidas nem alguma corrente de pensamento ou ideologia. Não, pelo contrário, acredito que aceitar ou ter uma ideologia inflexível é um grande aprisionamento. Claramente falando não acredito, ou talvez mesmo abomine a uniformidade de ideias; aborreço o coletivismo em tudo, principalmente o ideológico. Acredito na pluralidade de ideias e na necessidade da contradição, da divergência, da oposição. Isso me parece lógico e sensatamente a melhor opção. Mas isto não é tão óbvio para alguns.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

OBJETIVO

O objetivo de nossa ordem é a libertação, o despertar absoluto. Isso é raro e difícil. Mas temos também um objetivo imediato, para agora. Que é despertar para o presente momento. E assim vencemos o esquecimento da morte e o da vida cotidiana. E até mesmo podermos permanecer depois da morte despertos assim. Para isso o método fundamental é estar presente, consciente, recordado dessa consciência momento a momento.
Contatos: frateriliv@gmail.com

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

The Buddha from Dolpo

Do livro: The Buddha from Dolpo
A Study of the Life and 1hought of the Tibetan Master
'Do.lpopa Sherab Gyaltsen
REVISED AND ENLARGED EDITION
Cyrus Stearns

Introduction

0NE OF THE major sources of tension in .the interpretation of late
Indian Buddhism as received in Tibet was the appar_ently contra
dictory descriptions of emptiness (sunyatd, stong pa nyid) found in scrip
tures and commentaries identified with different phases of the tradition.'
The notion of an enlightened eternal essence, or buddha nature, present in
every living being was in marked contrast to the earlier traditional Buddhist
emphasis on the lack of any enduring essence.
For followers of Mahayana
and Vajrayana Buddhism in Tibet, the reconciliation of these two themes
in the doctrinal materials they had inherited from India and elsewhere was
of crucial importance.
In fourteenth-century Tibet the concern with these issues seems to have
finally reached a critical point. There was a burst of scholarly works deal
ing in particular with the question of the buddha nature and the attendant
implications for Buddhist traditions of practice and explication. The forces
primarily responsible for the intense interest surrounding these issues at this
specific point in Tibetan history are not yet clearly understood. But it is
clear that many of the prominent masters of this period who produced the
most influential works on these topics were dedicated practitioners of the
teachings of the Kalacakra Tantra, and either personally knew each other or
had many of the same teachers and disciples. Some of the most important
masters were Karmapa Rangjung Dorje (12.84-1339 ), Buton Rinchen Dr_li,p
(1290-1364), Dolpopa Sherab Gyaltsen (1292-1361), Longchen
(1308-64), Lama Dampa Sonam Gyaltsen (1312-75), and Barawa Gyaltsen
Palsang (1310-91).
Without question, the writings ofDolpopa, who was also known as "The
Buddha from Dolpo" (Dol po Sangs rgyas) and "The Omniscient One from
Dolpo Who Embodies the Buddhas of the Three Times" (Dus gsum sangs
rgyas Kun mkhyen Dol po pa), contain the most controversial and stunning
ideas ever presented by a great Tibetan Buddhist master. The controversies
that stemmed from his teachings are still very much alive today, 6so years
after Dolpopa's death.
When attempting to grasp the nature and significance ofDolpopa's ideas
and their impact on Tibetan religious history, it is important to recognize
that he was a towering figure. He was not a minor teacher whose strange
notions influenced only his own Jonang tradition, and whose maverick line
of hermeneutic thought died out when that tradition was suppressed by
the central Tibetan government in the middle of the seventeenth century.
This is perhaps the orthodox version of events, but there is abundant evidence that Dolpopa's legacy spread widely and had a profound impact on
the development ofTibetan Buddhism from the fourteenth century to the
present day.
Whenever Dolpopa's name comes up, whether in ancient polemic tracts
or in· conversation with modern Tibetan teachers, it is obvious that he is
remembered first and foremost for the development of what is known as
the shentong (gzhan stong) view. Until quite recently, this view was familiar
to modern scholars largely via the intensely critical writings oflater doctrinal opponents ofDolpopa and the Jonang tradition.
In the absence of the original voice for this view, that is, Dolpopa's extensive writings that have
only been widely available since 1992, even Dolpopa's name and the words
"Jonang" and "shentong" often evoked merely the image of an aberrant and
·heretical doctrine that thankfully was purged from the Tibetan Buddhist
scene centuries ago.5 In this way a very significant segment of Tibetan religious history has been swept under the rug. One of the main aims of the
present work is to allow Dolpopa's life and ideas to speak for themselves.
Dolpopa uses the Tibetan term shentong (gzhan stong), "empty of other;
to describe absolute reality as empty only of other relative phenomena.
This view is his primary legacy and usually elicits a strong reaction, whether
positive or negative. Others before Dolpopa held much the same opinions,
in both India and Tibet, but he was the first to come out and directly say
what he thought in writing, using terminology that was new and shocking
for many of his contemporaries. His ne'Y "Dharma language" (chos skad),
which included the use of previously unknown terms such as shentong, will
be discussed in chapter 2.
According to Dolpopa, the absolute and the relative are both empty, as
Buddhism has always taught, but they must be empty in different ways. Phenomena at the relative level'are empty of self-nature (rang stong) and are no
more real than the fictitious horn of a rabbit or the child of a barren woman.
In contrast, the reality of absolute truth is empty only of other (gzhan stong)
relative phenomena. With the recent availability of a large number of writings by Dolpopa, it is now clear that he was not 'simply setting up the viewpoints of an emptiness of self-nature and an emptiness of other as opposed
theories located on the same level.
6 He obviously viewed the pair as complementary, while making the careful distinction that the view of an "emptiness
of other" applied only to the absolute and an "emptiness of self-nature" only
to the relative. Both approaches were essential for a correct understanding
of the nature of sa.q1sara and nirvar:ta. Dolpopa disagreed with people who
viewed both the absolute and the relative as empty of self-nature, and who
refused to recognize the existence of anything that was not empty of selfnature. From their point of view, the notion of an emptiness of other relative phenomena did not fit the definition of emptiness.
Dolpopa further identified the absolute with the buddha nature, or sugata essence, which was thus seen to be eternal and not empty of self-nature,
but only empty of other. The buddha nature is perfect and complete from
the beginning, with all the characteristics of a buddha eternally present in
every living being. It is only the impermanent and temporary afflictions veiling the buddha nature that are empty of self-nature and must be removed
through the practice of the path to allow the ever-present buddha nature to
manifest in its full splendor.
This view agreed with many Mahayana and Vajrayana scriptures, but
most of the scholars· in Tibet during Dolpopa's life disagreed with him.
They viewed such scriptural statements to be provisional in meaning and
in need of interpretation for the true intent to be correctly comprehended.
This was the opinion of the mainstream Sakya tradition to which Dolpopa
belonged before he moved to Jonang. Fot some time Dolpopa tried to
keep his teachings secret, realizing they would be iTiisunderstood and cause
great turmoil and uncertainty for people who had closed minds and were
accustomed to styles of interpretation that differed greatly from his own.
He often remarked that the majority ofbuddhas and bodhisattvas agreed
with him on these issues, but the majority of scholars in Tibet opposed him.
For example, the general position ofthe Sakya tradition is that the buddha
nature, or sugata essence, is present in living beings as a potential or seed.
This seed can be caused to ripen through the various practices of the path
and come to final fruition as perfect buddhahood. If a seed is left in a box
without any water, light, warmth, soil, and so forth, it will never bear fruit.
But if it is planted in the proper soil, receives the right amount of sunlight,
water, and so on, it will grow into a healthy plant and finally bear its fruit.
From this viewpoint, the buddha nature in every living being is a fertile seed
that has the potential to expand and manifest as a result of practice, but is
not complete and perfect already as Dolpopa accepted?
In regard to the two truths, the absolute and the relative, Dolpopa saw
no difference bei:ween speaking of the absolute as totally unestablished and
saying that an absolute does not exist. He asked whether a relative is possible
without an absolute, the incidental possible without the primordial, and
phenomena possible without a true nature. If, he asked, their existence is
possibl"e without an absolute, then would these relative, incidental phenomena themselves not constitute an omnipresent·reality or true nature? There
would be, in such a situation, nothing else. This is an unacceptable conclusion. Dolpopa's doctrinal opponents might respond by saying that everything is not the relative, for there is, of course, an absolute truth. Dolpopa might then reply that if it is impossible for there to be no absolute, does
that not contradict the notion of an absolute that is totally unestablished?8
Everything cannot be simply empty of self-nature, for then there would be
no difference between the absolute and the relative .. As Dolpopa says in his
Autocommentary to the "Fourth Council":
Why is understanding all
as empty of self-nature
not equal to not understanding?
Why is explaining all
as empty of self-nature
not equal to not explaining?
Why is writing that all
is empty of self-nature
not equal to not writing?
Dolpopa saw the only solution to these sorts of problems to be the acceptance of the absolute as a true, eternal, and veridically established reality,
empty merely of other relative phenomena.
Such descriptions of reality or the buddha nature are common in anumber of scriptures that the Tibetan tradition places in the third turning of the
Dharma wheel and in the Buddhist tantras. Nevertheless, no one in Tibet
before Dolpopa had simply said that absolute reality was not empty of self-
nature. This was what caused all the trouble. In answer co the objections of
his opponents, Dolpopa noted chat his teachings and the Dharma language
he was using were indeed new, but only in the sense chat they were not wellknown in Tibet. This was because they had come from the realm ofShambhala co the north, where they had been widespread from an early dace.
He explicicly linked his ideas co the Kalacakra Tantra and its great commentary, the Stainless Light, which was composed by the Shambhala emperor
Kalki Plll).<;l.arika. These works were not translated into Tibetan until the
early eleventh century. Dolpopa clearly felt chat previous interpreters of the
Kalacakra literature had not fully comprehended its profound meaning. As
will be discussed in chapter I, he even ordered a new revised translation of
the Kalacakra Tantra and the Stainless Light to make the definitive meaning
more accessible to Tibetan scholars and  In chis respect he was
attempting to remove the results of accumulated mistaken presuppositions
chat had informed the earlier translations in Tibet and provided the baSis
for many erroneous opinions concerning che true meaning of che Kalacakra
Tantra.
This book is divided into two pares. Part I  deals with Dolpopa's life and
teachings. In chapter I  Dolpopa's life is  in some detail. This has
been made possible by che publication of one full-length Tibetan biography
of Dolpopa and the recovery of another unpublished manuscript biography, both by direct disciples who wimessed much of what chey describe.
Many ocher Tibetan sources have also been used for chis discussion. The
story ofDolpopa's life provides essential background for an appreciation of
his character, spiritual and intellectual development, and tremendous influence in fourteenth-century Tibet.  ·
Chapter 2 summarizes the historical development of che shentong trildition in Tibet. Some of che earlier Tibetan precedents for che view of ultimate reality as an emptiness only ofocher relative phenomena are briefly
discussed. Dolpopa's unique use oflanguage and che major influences on his
development of the shentong cheory are presented in some detail. The fate of
the Jonang tradition after Dolpopa is described, as well as the significance
of several of the most important adherents to the shentong view from che
fourteench through the twentieth centuries.
Chapter 3 is a discussion of Dolpopa's view of the nature of absolute
reality as empty only of phenomena ocher chan itself, and of che relative as
empty of self-nature. In connection wich these ideas, Dolpopa's attempt to
redefine the views of Cittamatra and Madhyamaka in Tibet is described, and
his own definition of what constitutes che tradition of Great Madhyamaka
(dbu ma chen po) is summarized .. Finally, there is a brief presentation of two
opposing views of what actually brings about enlightenment. Dolpopa felt
that enlightenment occurs only when the vital winds {vayu, rlung) normally
circulating through many subtle channels in the body are drawn into the
central channel {avadhuti) through the practice of tantric yoga. He strongly
objected to the view that enlightenment could be achieved merely by recognizing the  of mind, without any need for the accumulation of the
assemblies of merit and primordial awareness through the practice of the
path. These topics are discussed to provide basic information for understanding the following translations.
Part 2. contains translations of major works by Dolpopa, two of which
were coin posed in verse. The first is the General Commenary on the Doctrine
(Bstan pa spyi 'grel), one of the earliest texts Dolpopa composed to present
his view of the entire structure of the Buddhist tradition.
The introduc_;-tion to the translation describes the circumstances of its composition and
the significance of the work. The translation of the General Commentary on
the Doctrine is annotated from the detailed commentary by Nya On Kunga I
Pal, who was one of Dolpopa's most important disciples.
This first short work is followed by translations of the Fourth Council (Bka' bsdu bzhi pa)
and the Autocommentary to the "Fourth Council" (Bka' bsdu bzhi pa'i rang
'grel}. 1he circumstances surrounding the composition of these texts at the
request of the Sakya hierarch Lama Damp a Sonam Gyaltsen are discussed in
the introduction to the translations. The Fourth Council and the Autocom-. mentary were written in the last yeaJ;s ofDolpopa's life and serve as a final
summation of the ideas that he considered most important. Virtually the
entire text of his own summarizing commentary (bsdus don 'grel pa) to the
works is also included in the translation of the Fourth Council.