quarta-feira, 24 de setembro de 2025

O QUE É ROSACRUZ?

Rosacrucianismo ou Rosacruz é um movimento filosófico e esotérico que surgiu na Europa no início do século XVII, com a publicação de três manifestos anônimos: Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz (1617). Esses textos proclamavam a existência de uma fraternidade secreta dedicada à "reforma espiritual", "científica" e "cultural da humanidade". Os manifestos refletiam as aspirações renascentistas da época, propondo a integração entre ciência, misticismo e espiritualidade, ao mesmo tempo em que apresentavam críticas aos dogmas religiosos e intelectuais vigentes.[1]

O nome "Rosacruz" é derivado do nome de Christian Rosenkreutz, um personagem central nos Manifestos Rosacruzes. A misteriosa doutrina da fraternidade é supostamente "construída sobre verdades esotéricas do passado antigo", que "oculta ao homem comum, fornece uma visão da natureza, do universo físico e do domínio espiritual".[2] Seus manifestos não falavam extensivamente sobre o assunto, mas mencionavam o Hermetismo e o Cristianismo, entretanto a Kabbalah não é mencionada explicitamente O movimento era então tido em conta como um "Colégio de Invisíveis" nos mundos internos, formado por grandes adeptos, com o intuito de prestar auxílio à evolução espiritual da humanidade.

O rosacrucianismo pode ser compreendido, em um sentido mais amplo, como uma manifestação tardia do hermetismo cristão, integrando elementos de misticismoalquimia e esoterismo que se consolidaram no Ocidente durante o Renascimento. Embora influências herméticas já fossem perceptíveis nos primeiros séculos do cristianismo, o movimento rosacruciano representa uma síntese de ideias herméticas e cristãs que ganharam destaque especialmente nos tratados de alquimia e nos manifestos que influenciaram o pensamento esotérico europeu.

A fraternidade afirmava ser possuidora de uma ciência esotérica, supostamente preservada e transmitida secretamente por séculos, até que o conturbado período da Idade Média desse lugar a um clima intelectual mais propenso a acolhê-la. No entanto, surgiram controvérsias sobre a natureza real da fraternidade mencionada nos manifestos. Havia dúvidas sobre se a fraternidade existia fisicamente como descrito ou se os escritos não passavam de uma alegoria. Esse mistério, aliado à simbologia dos rosacruzes, alimentou especulações sobre o verdadeiro propósito do movimento e sua relação com os círculos esotéricos e filosóficos da época. Em 1616, Johann Valentin Andreae designou-o como um "ludibrium". Ao prometer uma transformação espiritual num momento de grande turbulência, levaram muitas pessoas a iniciar-se na busca do conhecimento esotérico e místico. Filósofos ocultistas do século XVII, como Michael MaierRobert Fludd, e Thomas Vaughan se interessaram pela visão do rosacruz do mundo.[3] De acordo com o historiador David Stevenson, influenciou a Maçonaria quando emergia na Escócia.[4] Em séculos posteriores, muitas sociedades esotéricas alegaram derivar movimento rosacruz primordial. O Rosacrucianismo é simbolizado pela chamada Rosa-Cruz.

Lenda e história

Johannes Valentinus Andreae, apontado como o principal autor dos manifestos rosacruzes; Fama Fraternitatis RC, Confessio Fraternitatis RC e Núpcias Químicas de Christian Rozenkreuz Ano 1459, e da expressão “Ordem Rosacruz”.

De acordo com a narrativa exposta no documento "Fama Fraternitatis" (1614), Christian Rosenkreuz (de início apenas designado por "Irmão C.R.C."), nasceu em 1378 na Alemanha, junto ao rio Reno. Os seus pais teriam sido pessoas ilustres, mas sem grandes posses materiais. Sua educação começou aos quatro anos numa abadia onde aprendeu gregolatimhebraico e magia. Em 1393, acompanhado de um monge, visitou Damasco, o Egito e o Marrocos, onde estudou com mestres do ocultismo, depois do falecimento de seu mestre, em Chipre. Após seu retorno à Alemanha, em 1407, teria fundado a Fraternidade Rosa-Cruz (constituída por um pequeno grupo de não mais que oito pessoas), de acordo com os ensinamentos obtidos com os mestres árabes, que o teriam curado de uma doença, iniciando-o também no conhecimento das práticas do ocultismo. Teria passado, ainda, cinco anos na Espanha, onde três discípulos redigiram os textos iniciadores da sociedade. Depois, teriam formado a "Casa Sancti Spiritus" ("Casa do Espírito Santo"), onde, através da cura de doenças e do amparo daqueles que necessitavam de ajuda, foram desenvolvendo a confraria, que pretendia, no futuro, orientar os monarcas na boa condução dos destinos da humanidade. Segundo o texto "Fama Fraternitatis", C.R.C. morreu em 1484. Após sua morte, a fraternidade se extinguiu. A localização da sua tumba permaneceu desconhecida durante 120 anos até 1604, quando foi redescoberta, e então a Fraternidade Renasceu. Observe-se que "Christian Rosenkreuz" seria apenas um nome simbólico: Christian, de Cristo ou Christos ou KhrestosRosen ou Rosa, e Kreuz ou Cruz.

Uma outra lenda menos conhecida, foi veiculada pelo historiador maçónico E. J. Marconis de Negre - que, juntamente com seu pai, Gabriel M. Marconis é considerado o fundador do Rito de Memphis-Misraim da maçonaria. Com base em conjecturas anteriores (1784) de um estudioso rosa-cruz, o Barão de Westerode, a Rosa-cruz teria como origem uma sociedade secreta e altamente hierarquizada (ao contrário dos ideais da Fraternidade, expostos nos manifestos) do século XVIII da Europa Central ou oriental, denominada "Gold und Rosenkreuzer" (Rosa Cruz de Ouro), que teria tentado, sem sucesso, submeter a maçonaria ao seu poder. A Fraternidade Rosa-cruz teria sido criada no ano 46, quando um sábio gnóstico de Alexandria, de nome Ormo, e seis discípulos seus foram convertidos por Marcos, o evangelista. Seu símbolo, dizia-se, era uma cruz vermelha encimada por uma rosa, daí a designação de Rosa Cruz. A Fraternidade teria nascido, portanto, da fusão do cristianismo primitivo com a mitologia egípcia. Rosenkreuz teria sido, segundo essa versão, apenas um iniciado e, depois, Grande Mestre - não o fundador.

De acordo com Maurice Magre (1877–1941), no seu livro Magicians, Seers, and Mystics, Rosenkreutz terá sido o último descendente da família Germelschausen, uma família alemã do século XIII. O seu castelo encontrava-se na Floresta da Turíngia, na fronteira de Hesse, e eles abraçavam as doutrinas Albigenses. Toda a família teria sido condenada à morte pelo Landgrave Conrad da Turíngia, excepto o filho mais novo, com cinco anos de idade. Ele teria sido levado secretamente por um monge, um adepto albigense do Languedoc, e colocado num mosteiro sob influência dos albigenses. Lá teria sido educado e viria a conhecer os quatro irmãos que mais tarde estariam a ele associados na fundação da Irmandade Rosacruz. A história de Magre deriva supostamente da tradição oral local. A existência real de Christian Rosenkreuz divide certos grupos de Rosacrucianos. Alguns o aceitam, outros consideram Christian Rosenkreuz como um pseudónimo usado por personagens realmente históricos (Francis Bacon, por exemplo).


A primeira informação conhecida publicamente, acerca desta irmandade, encontra-se nos três documentos denominados "Manifestos Rosacruz", o primeiro dos quais (Fama Fraternitatis R. C., ou "Chamado da Fraternidade da Rosacruz") foi publicado em Kassel (Alemanha) em 1614 - ainda que cópias manuscritas do mesmo já circulassem desde 1611. Os outros dois documentos foram: Confessio Fraternitatis ("Confissões da Fraternidade Rosacruz") (1615), publicado também em Kassel, e Chymische Hockeit Christiani Rosenkreuz ("Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz") (1616), publicado na então cidade independente de Estrasburgo (anexada à França, em 1681).

Deve-se notar que no segundo manifesto Confessio Fraternitatis, de 1615, é feita a defesa da irmandade, exposta no primeiro manifesto em 1614, contra vozes que se levantavam da sociedade, colocando em causa a autenticidade e os reais motivos da Fraternidade Rosacruz. Nesse manifesto, podem-se encontrar as seguintes passagens que demonstram a linha condutora do pensamento da irmandade: que o requisito fundamental para alcançar o conhecimento secreto, de que a Fraternidade se faz conhecer como possuidora, é que "sejamos honestos para obter a compreensão e conhecimento da filosofia"; descrevendo-se simultaneamente como cristãos, "Que pensam vocês, queridas pessoas, e como parecem afetados, vendo que agora compreendem e sabem, que nós nos reconhecemos como professando verdadeira e sinceramente Cristo", não de um modo exotérico, "condenamos o Papa", e sim no verdadeiro sentido esotérico do cristianismo: "viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã". O modo como são expostos os temas nos manifestos originais e a descrição dos mesmos aponta para grande similaridade com o que é conhecido atualmente acerca da filosofia Pitagórica, principalmente na transmissão de conhecimentos e ideias através de aspectos numéricos e concepções geométricas.

A publicação dos manifestos provocou imensa excitação por toda a Europa. Foram feitas inúmeras reedições e circularam diversos panfletos relacionados com os textos, embora os divulgadores de tais panfletos pouco ou nada soubessem sobre as reais intenções do(s) autor(es) original(ais) dos textos, cuja identidade permaneceu desconhecida por muito tempo.

Em sua autobiografia, o teólogo Johannes Valentinus Andreae ou Johann Valentin Andreae (1586-1654), declarou que o terceiro manifesto rosa-cruz, "Núpcias Químicas", publicado anonimamente, era de sua autoria e posteriormente descreveu o texto como um ludibrium. É convicção de alguns autores que Andreae o teria escrito como se fosse o contraponto da Companhia de Jesus.[carece de fontes] No entanto, esta teoria foi posteriormente contestada por historiadores, principalmente os católicos, que consideravam os documentos como simples propaganda ocultista, de inspiração protestante, contra a influência do bispo de Roma.

Os manifestos mostravam a necessidade de reforma da sociedade humana, do ponto de vista cultural e religioso, e a forma de atingir esse objetivo através de uma sociedade secreta que promoveria essa mudança no mundo. O texto "Núpcias Químicas de Christian Rosenkreutz", contudo, foi escrito em forma de um romance pleno de simbolismo e descreve um episódio iniciático na vida de Christian Rosenkreuz, quando já tinha 81 anos.

Em Paris, em 1622 ou 1623, foram colocados cartazes misteriosos nas paredes, mas não se sabe ao certo quem foram os responsáveis por esse feito. Estes cartazes incluíam o texto: "Nós, os Deputados do Alto Colégio da Rosa-Cruz, fazemos a nossa estada, visível e invisível, nesta cidade (…)" e "Os pensamentos ligados ao desejo real daquele que busca irá guiar-nos a ele e ele a nós". A sociedade europeia da época, dilacerada por guerras, tantas vezes originadas por causa da religião, favoreceu a propagação destas ideias que chegaram, em pouco tempo, até a Inglaterra e a Itália.

CONTINUA...

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosacrucianismo

Acompanhe minha própria séria sobre este assunto aqui:

https://etca89.blogspot.com/

ROSACRUZ: O QUE É ISTO?



https://etca89.blogspot.com/2025/09/nova-serie-rosacruz-o-que-e-isto.html




Os Mandamentos de Deus - segundo capítulo


As Circunstâncias da Origem dos Dez Mandamentos

O recebimento de Deus dos Dez Mandamentos é um dos mais significativos acontecimentos do Antigo Testamento. A formação da nação judia está conectada com os Dez Mandamentos. Realmente, antes do recebimento dos mandamentos, no Egito vivia uma tribo semítica de escravos humildes e embrutecidos; após a legislação do Sinai surgia o povo chamado para crer e servir a Deus. Deste povo surgiram os grandes profetas, apóstolos e santos dos primeiros tempos do cristianismo. Deste mesmo povo nasceu da carne o Próprio Salvador do mundo — o Senhor Jesus Cristo.

As circunstâncias do recebimento dos Dez Mandamentos são narradas no livro do Êxodo, capítulos 19, 20 e 24. Há aproximadamente 1500 anos antes do Nascimento de Cristo, após os grandes milagres realizados pelo profeta Moisés no Egito, o faraó foi forçado a soltar o povo hebreu, o qual tendo atravessado milagrosamente o Mar Vermelho, caminhou para o sul pelo deserto da península de Sinai, dirigindo-se à terra prometida. No qüinquagésimo dia após a saída do Egito, o povo hebreu chegou ao pé do monte Sinai e ali acampou. Moisés subiu ao alto do morro e o Senhor o chamou nestes termos: "Diga aos filhos de Israel: se obedecerdes à Minha voz e guardardes Minha aliança, sereis o Meu povo." Quando Moisés comunicou aos israelitas as palavras que Deus lhe ordenara repetir, eles responderam: "Faremos tudo o que o Senhor disse." Então o Senhor instruiu Moisés para preparar o povo a receber os mandamentos sob abstinência, jejum e orações. No terceiro dia uma nuvem espessa cobria a montanha. Relampeava, ouvia-se o estrondo de trovões e o som da trombeta soou com força. Todo o monte Sinai fumegava e tremia com violência. A multidão se encontrava à distância e observava tudo com tremor. Do cume do monte Sinai o Senhor proclamou Sua lei na forma de Dez Mandamentos, os quais depois foram expostos ao povo pelo profeta.

Tendo recebido os mandamentos, o povo israelita prometeu observa-los, e então ficou concluído o Testamento (aliança) entre Deus e os hebreus, que insistia na promessa que o Senhor fez ao povo de Sua misericórdia e proteção, e eles por sua vez prometeram viver honradamente. Depois disto Moisés subiu novamente à montanha e permaneceu ali jejuando e orando durante quarenta dias e quarenta noites. Ali o Senhor deu a Moisés outras leis eclesiásticas e civís; ordenou que fosse edificada uma tenda-templo transportável e ditou regras a respeito de serviços sacerdotais e realização de oferendas em sacrifício. Ao final de quarenta dias Deus escreveu Seus Dez Mandamentos, expostos antes por palavras, sobre duas tábuas de pedra (placas) e ordenou que essas placas fossem guardadas na "Arca da Aliança" (Arca dourada com querubins esculpidos sobre a tampa) para perpétua lembrança da Aliança entre Ele e o povo israelita. (O paradeiro das placas de pedra contendo os Dez Mandamentos é desconhecido. No 2o capítulo do segundo livro de Macabeus está escrito que durante a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor no 6o centenário antes do Nascimento de Jesus, o profeta Jeremias escondeu as placas e alguns outros pertences do templo em uma caverna do Monte Nebo. Esse monte situa-se a 20 km a este do lugar onde o rio Jordão desemboca no mar Morto. Pouco antes da entrada dos israelitas na terra Prometida (1.400 anos A . C). nesse mesmo monte foi enterrado o profeta Moisés. As repetidas tentativas para encontrar as placas de pedra com os Dez Mandamentos não foram coroadas de êxito).


Trazemos a seguir esses mandamentos.

  1. Eu sou o Senhor teu Deus, não terás outros deuses além de Mim.
  2. Não farás para ti esculturas, nem figura alguma do que está em cima nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra; não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto.
  3. Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus.
  4. Lembra-te de santificar o dia do descanso; trabalharás durante seis dias e farás toda tua obra. Mas no sétimo dia — que é um repouso em honra do Senhor teu Deus, não farás trabalho algum.
  5. Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra.
  6. Não matarás.
  7. Não cometerás adultério.
  8. Não furtarás.
  9. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
  10. Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçrás a casa do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem nada do que lhe pertence.

No decorrer dos quarenta anos da longa jornada percorrida pelo deserto, Moisés gradualmente anotou muitas outras coisas, as quais o Senhor havia lhe revelado no monte Sinai em Suas aparições. Destas anotações formaram-se os primeiros cinco livros bíblicos: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. (Entre os Dez Mandamentos citados em Êxodo 20:1-17 e em Deuteronômio 5:6-21 há uma insignificante diferença nas pequenas explicações acrescidas, as quais não citaremos aqui).

C.E.O. 

 C.E.O. - Confraria de Estudantes da Ortodoxia

 

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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

CONSCIENTE DA CONSCIÊNCIA - as categorias segundo Ouspensky

Ouspensky explica sete categorias ou níveis de desenvolvimento do ser humano, mas de se de forma menos literária ou alegórica que Gurdjieff. Ele elabora sutis, mas claras diferenças, mais focado numa descrição psicológica, ele tenta nos aproximar mais da compreensão científica ou filosófica comum e acessível ao não iniciado. Entretanto, essas diferenças são apenas conceituais. Vejamos.

Semelhanças e diferenças entre as categorias de homem segundo Ouspensky e os sete níveis do ser de Gurdijieff

As categorias de homens de P.D. Ouspensky e os sete níveis do ser de G.I. Gurdjieff não são conceitos distintos, mas sim partes interligadas do mesmo sistema filosófico conhecido como Quarto Caminho. Ouspensky foi um dos principais divulgadores dos ensinamentos de Gurdjieff, e sua exposição detalhada dessas categorias e níveis de ser é baseada nas idéias do mesmo. 
Semelhanças
  • Ponto de partida: O homem "adormecido": Ambos os conceitos partem da premissa central de que a maioria da humanidade vive em um estado de "sono acordado", agindo de forma mecânica e sem autoconsciência verdadeira. O desenvolvimento real só pode começar quando o indivíduo percebe essa realidade e deseja despertar.
  • Hierarquia de desenvolvimento: As categorias de homens e os níveis de ser descrevem uma hierarquia de desenvolvimento humano, indo do mais mecânico e inconsciente para o mais consciente e desenvolvido.
  • Consciência como objetivo: A meta final em ambos os sistemas é atingir um estado de consciência superior, caracterizado por uma vontade unificada, individualidade e controle sobre as ações e reações.
  • Ênfase na observação de si: A progressão de um nível para outro exige a autobservação rigorosa, para que o indivíduo se torne consciente de seus comportamentos mecânicos e dos diferentes "eus" que controlam sua personalidade.
  • Centros de funcionamento: O sistema de sete níveis de ser de Gurdjieff e as categorias de Ouspensky estão intimamente ligados à compreensão dos centros de funcionamento humano: intelectual, emocional, motor/instintivo e, nos níveis superiores, centros superiores.Diferenças (conceituais, não de conteúdo).

Diferenças

A principal diferença não está em contradições, mas na forma como Ouspensky estruturou e apresentou o material de Gurdjieff: 
  • Categorias de homem (Ouspensky): Ouspensky descreve uma progressão de sete categorias distintas de homem, focando no estado de ser e nos centros que predominam em cada uma.
  • Tipos 1, 2 e 3: Representam o homem comum, ainda "adormecido". O homem tipo 1 é dominado pelo centro motor/instintivo (físico), o tipo 2 pelo emocional e o tipo 3 pelo intelectual.
  • Tipos 4, 5, 6 e 7: Representam a possibilidade de evolução. O tipo 4 é o homem em transição, que equilibra os três centros inferiores e começa o "trabalho" para alcançar a unidade interna. Os tipos 5, 6 e 7 representam níveis cada vez mais avançados de desenvolvimento, com a aquisição de corpos superiores e a verdadeira imortalidade.
  • Níveis do ser (Gurdjieff): Gurdjieff, em seus ensinamentos, não se limitou a essa categorização rígida, mas explorou o conceito de diferentes "níveis de ser" de forma mais ampla, que podem ser vistos como a essência das categorias de Ouspensky. O ensinamento de Gurdjieff enfatiza a diferença entre a "Essência" (o que é natural no homem) e a "Personalidade" (o que é aprendido), e como o desenvolvimento do ser envolve o crescimento da essência. Os sete níveis de ser podem ser entendidos como os diferentes estados de consciência possíveis para o ser humano, do estado mecânico e fragmentado até o estado unificado e consciente. 
Tabela comparativa
CaracterísticaCategorias de homem (Ouspensky)Níveis de ser (Gurdjieff)
FocoClassificação hierárquica dos diferentes estados de evolução humana.Descrição mais ampla dos diferentes estados de consciência e ser do homem.
EstruturaSete tipos distintos (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7).Sete níveis que podem ser interpretados como estágios da evolução da consciência.
Homem ordinárioHomens dos tipos 1, 2 e 3, cada um dominado por um centro diferente (físico, emocional, intelectual).Estado de "sono acordado", no qual a personalidade é artificial e a essência está subdesenvolvida.
EvoluçãoPassagem dos tipos 1, 2 e 3 para o tipo 4, que inicia o trabalho para unificar os centros e buscar níveis superiores.Processo de "despertar" que leva à unificação dos centros e ao desenvolvimento de corpos superiores (astral, mental, etc.).
Homem realizadoHomem do tipo 7, que possui total individualidade, consciência unificada e imortalidade.Indivíduo com o "eu" real desenvolvido, que superou a multiplicidade de "eus" e atingiu um estado de consciência superior.


Em suma, Ouspensky sistematizou e detalhou os conceitos de Gurdjieff sobre a evolução humana, oferecendo uma categorização clara que serve como uma ferramenta de diagnóstico para os estudantes do Quarto Caminho. Os sete níveis de ser de Gurdjieff, portanto, fornecem a base teórica e existencial para a estrutura mais didática das categorias de homem de Ouspensky. 

Sete Categorias de "Homens"


De acordo com, P. D. Ouspensky o homem deve ser definido numa gradação de 7, do ponto de vista da evolução, classificada em 7 categorias - Homem n.* 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, sendo que as três primeiras categorias estão praticamente no mesmo nível [https://confrariateosofica.blogspot.com/2011/07/sete-categorias-de-homens.html]:

# Homem n.* 1 ou Homem Físico - É um homem no qual o centro instintivo ou o centro motor prevalece sobre os centros intelectual e emocional;

# Homem n.* 2 ou Homem Emocional - É um homem no qual o centro emocional prevalece sobre os centros intelectual, motor e instintivo;

# Homem n.* 3 ou Homem Intelectual - É um homem no qual o centro intelectual prevalece sobre os centros emocional, motor e instintivo.

Diante disso, Oupensky afirma que na vida comum, só encontramos essas três categorias de homens. Para tornar-se o Homem n.* 4 o mesmo deve passar por escolas, pois o Homem n.* 4 não nasceu como tal, mas é produto de uma cultura de escola. Conseqüentemente,

# Homem n.* 4 - É um homem no qual a idéia de seu desenvolvimento, tornou-se mais importante que todos os seus outros interesses. [Observe que essa categoria é, literalmente, crucial, para ser elevado às seguintes. O que marca esta fase é a criação em si de um "centro de gravidade permanente", ou seja, uma vontade constante e superior que determina a chamada "continuidade de propósito".]

Além dessas categorias, existem outras superiores, extremamente raras, tais como:

# Homem n.* 5 - É um homem que adquiriu a unidade e consciencia de si;

# Homem n.* 6 - É um homem que adquiriu a consciência objetiva;

# Homem n.* 7 - É um homem que alcançou tudo o que um homem pode alcaçar, tendo um eu permanente e uma vontade livre, ou seja, é imortal nos limites do sistema solar.


Resumido, é muito importante compreender essa divisão do homem em sete categorias, porque ela encontra aplicação em todas as formas possíveis de estudo da atividade humana, por exemplo: os conceitos gerais de religião, de arte, de ciência e de filosofia.

Do livro:

Psicologia da Evolução Possível ao Homem

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