domingo, 17 de junho de 2018

Crentes de Boatos e Vídeos na Internet

Existem agora boatos de "novas bíblias" encontradas, na verdade bíblias montadas a partir de apócrifos e até livros atribuídos a extraterrestres, que "coincidentemente" também combinam com com relatos babilônicos, incluindo livros destes, egípcios, sumérios, e até maias. Tais livros anunciam cataclismos, naves e por fim um novo dilúvio.
"E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra."
- Apocalipse 17.5 O que pode vir de bom dá Babilônia, mãe de todas as abominações? Ainda mais, é promessa de Deus que a Terra não sofreria novo dilúvio.
Tudo isso é uma grande bobagem montada pela ignorância histórica, inclusive de pesquisadores, muitos que gostam de se dizer cristãos, mas acreditam que os evangelhos são uma montagem da igreja católica (como se fossem os católicos que tivessem escrito ou escolhido os evangelhos). Mas também muito do que se fala nesses boatos, isto sim, são montagem de pessoas mal intencionadas que querem desviar os cristãos do verdadeiro evangelho.
E essa história de que os católicos excluíram livros já é mais que comprovadamente furada. Todos os apócrifos foram escritos até centenas de anos depois, rompendo o critério de canonicidade que só aceitou escritos dos apóstolos e de quem conviveu diária e diretamente como eles.
Infelizmente isso atrai muitos que caíram nos boatos das "autoridades" acadêmicas sobre a bíblia e pessoas empolgadas com um apocalipse extraterrestre. É incrível como estão dispostos a aceitar qualquer suposta descoberta de algum viajante sem qualquer comprovação histórica, arqueológica ou qualquer prova científica, e não aceitam os evangelhos originais comprovadamente antigos e escritos por pessoas que conviveram com Jesus ou com os seus apóstolos.
Estas são atormentadas pelo próprio sistema de crenças que decidiram adotar, pois lá, nos apócrifos verdadeiros pelo menos, e isso não dizem, também há até infanticídio "santo", e outras coisas como proibição do casamento e de comer carne, impossibilidade de salvação para as mulheres, Jesus fazendo animais de barro e dando vida a eles, etc.
"Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofreríeis." - 2 Coríntios 11:4
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema." - Gálatas 1:8

sábado, 9 de junho de 2018

NEO-GNOSTICISMO SOB ANÁLISE - Parte 9 - A Fraude Luciferiana de Samael Aun Weor

A ordem neo-gnóstica de Samael Aun Weor é um exemplo típico do que é  o neo-gnosticismo e como este não tem a ver com o verdadeiro gnosticismo que existiu no sec. II. A ordem gnóstica falsa de Samael Aun Weor é uma ordem luciférica. Samael é um serviçal de Satã, tanto que utiliza o nome próprio de Satã segundo a tradição judaica e mesmo a cristã. E o mesmo nome do demiurgo criador do mal segundo o gnosticismo original. 

"O demônio é deus inverso" diz ele citando outra luciferiana, Blavatzky (famosa no mundo ocultista pela prolixidade de seus escritos sobre quase tudo em matéria de religião e ocultismo, mas famosa na história por seus truques, plágios e golpes que iludiram a muitos). O que imagina ele estar transmitindo com isso? Ele está falando de Lúcifer. Então sem querer está assumindo que Lúcifer é um demônio. 

"É o guardião dos sete portais" que só deixa passar os iluminados, "aos iniciados, aos que possuem a lâmpada de Hermes, aos que foram ungidos com o azeite da sabedoria", são também palavras dele. O guardião de que portais? Portais que seus discípulos terão que atravessar quando forem supostamente inciados. Um demônio é posto como guardião de um portal onde só poderão entrar iniciados? E o demônio vai julgar com toda sua "honestidade", não é mesmo? São os típicos enunciados do inteligente Samael Aun Weor, mestre iluminado, kalki avatar da era de aquário, e cristo da mesma era, o prometido e esperado Buda Maitreya, só na mente de seus seguidores e em seus delírios, é claro:

"Sou o Avatara, ainda que não o creiam os humanoides deste mundo e creiam ou não, aqui estamos entregando a Mensagem. Que se prepare nosso Exército de Salvação Mundial para afrontar os terríveis acontecimentos que se avizinham! Então saberemos quem é quem! Isso é tudo!
"Sabei que eu, Samael Aun Weor, sou vosso Avatara, sou vosso Buda Maitreia. Desci dos Mundos Superiores para ensiná-los, para ajudá-los e estou convosco. Invocai-me quando necessitardes de mim.

"Nenhum trabalho vos custa, concentrai-vos intensamente em mim, invocai-me mentalmente e concorrerei ao vosso chamado para ajudá-los intensamente. Estou disposto a ajudá-los… quero despertá-los… quero iluminá-los. Entenderam?"
http://www.gnosisonline.org/quem-e-samael/quem-e-o-avatar-de-aquarius/

Você não acredita? Quem é você? Apenas um humanoide perdido, desse mundo perdido, segundo ele. Homem, ser humano, é ele, nós somos apenas humanoides, animais intelectuais como ele diz, homem de verdade é ele, além disso tudo mais já descrito. Concentre-se nele, invoque-o, "entendeu"? Ele se acha o cristo, e é de certa forma, um falso cristo, bem descrito e previsto nos textos do Novo Testamento como vimos no artigo anterior. Mas quem concentra-se nele,invoca-o, cultua-o, o que acontece? A quem se une? Para junto de quem vai após essa vida ou mesmo durante? Ele incita seus discípulos a ter fé nele, desvia a boa fé das pessoas, desvia a fé do Cristo Jesus, para o falso cristo Samael.

"Sabei que não tenho descido dos Mundos Superiores para perder tempo, eu desci para ajudá-los, desci dos Mundos Superiores para trabalhar convosco, para servir-lhes. Sou vosso amigo, vosso verdadeiro irmão que vos aprecia com todo o coração, é necessário que tenhais fé em mim."
http://www.gnosisonline.org/quem-e-samael/quem-e-o-avatar-de-aquarius/

O desvio luciférico de Samael para o rumo oposto

Em seus cursos é desaconselhado ler a bíblia que é difamada como um livro totalmente adulterado e cheio de teorias, claro, se você lê a bíblia perceberá inclusive as mentiras que Samael já tinha escrito sobre elas, além da suas características de falso profeta e falso cristo que "apresenta um outro evangelho além desse". Apesar de enaltecer Jesus umas poucas vezes (mas um Jesus bem diferente tanto dos evanvelhos canônicos quanto dos evangelhos gnósticos) e alguns trechos do evangelho, seus cursos enfatizam bem não o ler a bíblia, não o ter fé na bíblia, não o ter fé no Cristo Jesus, mas o ter fé no "Cristo Samael"; a Sophia dos gnósticos é equiparada à terrível serpente kundali, que é chamada por ele "Divina Mãe Kundalini". Esta serpente deve ser despertada, segundo ele, em nós através da magia sexual, ensinada por ele como o segundo mais importante e indispensável entre os três fatores da iluminação, ou como também costuma chamar, da "revolução da consciência". 

"Não estais sós… Não estais sós, repito: estou convosco em Espírito e em Verdade. Que o ouçam os séculos, que o escutem as idades, estou convosco em Espírito e em Verdade, estou muito próximo de vós e estarei convosco, irmãos meus, até a consumação dos séculos!!!
"Adiante, meus caros irmãos, adiante! Que vosso Pai que está em segredo e que vossa Bendita e Adorável Mãe Kundalini vos abençoem."
http://www.gnosisonline.org/quem-e-samael/quem-e-o-avatar-de-aquarius/

Veja como insiste em imitar Jesus repetindo "estou convosco em Espírito e em Verdade" e enautece a que chama "Bendita e Adorável Mãe Kundalini". 

Lúcifer é descrito às vezes por Samael como o treinador que nos levaria a iluminação, é uma divindade. É a sombra do Cristo e está a serviço deste, numa versão de suas explicações. Em outra é o terceiro logos. Logos significa "palavra", é "verbo", é a inteligência de Deus, é a palavra usada por João no início de seu evangelhos: "No princípio era o VERBO", a palavra usada aí para verbo é logos. Se refere ao Cristo que estava no princípio com Deus. Mas na doutrina estranha de Samael há um segundo e um terceiro logos, ou seja, uma primeira, uma segunda, e uma terceira palavra de Deus, que seria Lúcifer, um desdobramento do próprio Deus, assim como seria também Cristo. 

Então veja que mais estranho ainda se o entendimento for gnóstico, pois este, que concorda também com certas linhas interpretativas cristãs, diz que esse "logos" a que João se refere é a inteligência de Deus, ou a Razão de Deus. Como separar a "Razão de Deus" de Deus? Por isso mesmo essa vertente que é a mais predominante em todo o gnosticismo considera que Jesus é Deus. Mas segundo a linha de interpretação de Samael? Ou logos é somente "palavra" (mas ele mesmo nega essa interpretação) ou logos é "razão". Então Deus tem três razões? Deus tem três palavras? Deus tem três logos? Segundo a teoria de Samael, que tanto critica as teorias, Deus tem pelo menos três logos, dos quais o próprio Lúcifer é o terceiro.

Esse Lúcifer, que é o zeloso guardião dos mistérios segundo ele, tem dois aspectos, um terrível e outro de anjo de luz e todos dois sendo simbólicos, o terrível seria a personificação de nossos erros e o de luz o seu verdadeiro aspecto, um anjo de Deus. Veja o vídeo inteiro no link e verifique algumas afirmações em sua própria voz (que também soa como uma criatura infernal):

https://www.youtube.com/watch?v=cmxJE84hQBg&t=22s

Ele também descreve outras figuras de Lúcifer, pinturas, com balança e espada de fogo na mão, esse Lúcifer está representado dentro do fogo, mas não se queima, porque também é fogo, segundo ele. Ou seja, para ele a balança da justiça de Deus está nas mãos do próprio acusador como o chama a bíblia. Para Samael não significa nada o que está escrito sobre ele ser o acusador, ele prefere dar crédito a um figura que o mostra como juiz. Mas Paulo diz que nós vamos julgar os anjos, não que o diabo vai nos julgar, como se esse fosse justo. É totalmente descabida e pouco inteligente essa doutrina samaélica, incrível que muitos não percebem, ou mais provavelmente já foram enredados por várias outras de suas mentiras.

Imagine um julgamento, onde o advogado de acusação também será o juiz. Só na imaginação insana de Samael.

Ainda no final do vídeo ele nos dá uma pista de quem é esse Lúcifer ao qual ele quer realmente se referir, "mundo, você percebe quem é seu criador?" Insinuando ser Lúcifer? Claro que sim. Entendamos porque.

Samael se diz gnóstico, mas como temos mostrado ele não é gnóstico, é justamente o contrário do que um gnóstico original dos primeiros séculos deveria ser, por que? Porque exalta a figura do demiurgo, que na visão do gnosticismo é o deus falso e cego que criou esse mundo e nos aprisionou nele. Qualquer um que conheça as doutrinas gnósticas sabe que Samael é justamente o nome desse deus falso, cujos outros dois nomes são Yaldabaoth e Saclas. Segundo os evangelhos gnósticos Samael criou esse mundo e nos aprisionou numa trama de ilusões, numa matéria maléfica e mortal e vive a nos enganar de todas as maneiras (não é o que ele está fazendo com muitos?). Samael Yaldabaoth Saclas queria ser adorado e ele, Samael Aun Weor quer ser adorado como a encarnação desse demiurgo Samael, que ele mesmo diz ter sido, e se diz um anjo caído. Veja o outro vídeo e ouça novamente sua voz cavernosa pedindo que tenham fé nele:

https://www.youtube.com/watch?v=opwC7yVh5LE

Na doutrina de Samael Lúcifer é o primogênito da criação. Se isso fosse verdade, e ele fosse realmente tal criatura, ele está exatamente fazendo o papel do adversário de Deus e nosso (por definição a palavra hebraica satã significa adversário, e adversário de quem? De Deus e nosso, tanto segundo os evangelhos canônicos quanto segundo os outros onde é nomeado Samael), pois está desviando a fé em Cristo para a fé nele, ouça  no video.

Samael é luciférico por se procalamar um cristo, sendo um falso cristo; é luciférico porque promove o elogio e o culto a um demônio que chama Lúcifer; e é luciférico porque desvia a fé do verdadeiro Cristo, descrevendo  um Jesus Cristo que ele inventou em sua imaginação e através dos livros que leu, e finalmente para o falso cristo que ele mesmo é (o mais curioso é que ele pouco utiliza evangelhos gnósticos, pois se os usasse suas idéias seriam outras ou, se insistisse nessas mesmas, seria desmascarado por sua própria fundamentação; assim ele utiliza várias fontes, muitas orientais, mas principalmente pagãs e luciferianas, pois ele pensava que tais permaneceriam desconhecidas para a maioria como sempre foram).

Infelizmente para a uma maioria, a dos "esotéricos", dizer isso pode não ser nada ou ser motivo de riso, pois já estão com o intelecto amaciado por uma série de teorias, conceitos e idéiais que até mesmo sem tocar na palavra Lúcifer já amaciou e preparou seu entendimento para receber com normalidade essas idéias absurdas do luciferianismo "bonzinho" da nova era e do luciferianismo disfarsado de Samael Aun Weor. Existe por exemplo uma doutrina luciférica baseada em erros de tradução da bíblia que insiste em que Lúcifer e Jesus são a mesma pessoa, isso chega a ser o segredo do grau mais elevado de certa ordem muito famosa e outras que vão na sua trilha. Normalmente qualquer pessoa inteirada sobre esses assuntos deveria saber que samaeliano, samaélico, luciferiano, luciférico, são sinônimos, são a mesma coisa; e são opostos a Deus e aos planos de Deus para a humanidade; que Samael é simplesmente o adversário de Deus e adversário e enganador da humanidade. Isto é mais que óbvio.

As provas da farsa luciférica samaeliana


Samael sorveu um pouco de cada uma dessas visões que encontrou em seu tempo, para construir uma outra visão em que o herói esperado e proclamado por tantas ordens e religiões é ele mesmo. Ele é desde um tal anjo caído que se levanta, com a missão de salvar a humanidade no último momento, de eminente cataclismo (momento esse que profetizou para algumas datas, mas errou todas, como bom falso profeta que também foi), até muitas outras personagens. Por exemplo esse anjo seria um tal quinto anjo apocalíptico, que ele diz ter sido profetizado por João em seu apocalipse. 

Ele também se diz ser uma encarnação de Vishnu, esperado por algumas seitas Hinduistas; ele também é avatar da era de aquário (que astronomicamente falando só chegará por volta do ano 2150, mas na sua visão já começou no dia seu nasciemento). Ele é o "Cristo que há de vir" profetizado nas escrituras segundo ele mesmo e ninguém deve esperar outro cristo além dele, como afirma, porque ele é o cristo dessa era. Ele é o logos regente do planeta Marte que reencarnou na Terra, aliás, são muitas reencarnações interessantes, por exemplo, ele é mais um dos que diz ter sido Julho Cesar, que ja teria vindo à esse mundo também em missão já, só que dessa vez política. Tudo isso se pode encontrar em livros de Samael. 

E como não bastasse ele se achar ser o tal cristo da nova era, ele também se diz ser o Buda Maitreya esperado do budismo (o detalhe é que esse buda só apareceria, segundo a profecia do Buda, quando o seu ensinamento estivesse completamente esquecido, e que as pessoas nem lembrassem mais que existiu um buda ou budismo). Isso é bom para nós porque assim a fraude se revela tanto para os ocidentais quanto para os orientais. Porque o mal se revela por suas obras, boa parte das obras de Samael são seus livros, e ele não consegue esconder-se, pois Deus mesmo o força a cometer e registrar tais garfes, eu acredito. Ele não desconhece a existência de cânones budistas, tanto que comenta em alguns livros sobre o cânone pali do theravada e sobre o cânone do mahayana, que abrange todo o cânone budista, mas também para o bem de seus discípulos ele mostra que não leu, ou leu bem pouco (é um cânone extenso que chega mais ou menos ao volume de vinte bíblia), entrando em contradição com algo que está disperso no cânone, mas é assunto bem conhecido para a grande maioria dos budistas.

Portanto, qualquer pessoa que esteja um pouco inteirada sobre as religiões que ele fala e sobre os livros sagrados que considera, começa logo a perceber as contradições. Ele se diz cristão, mas entra em contradição com a bíblia sendo exatamente como um falso profeta e falso cristo descrito nela; ele se diz gnóstico, mas entra em contradição com os escritos gnósticos aparecendo justamente como o principal adversário no gnosticismo e até usando o mesmo nome, Samael; ele contraditoriamente se diz ser o Buda Maytreya... 

Ele não consegue evitar se entregar como uma grande fraude, uma enorme farsa, para quem tem conhecimento ou busca as fontes originais dos assuntos sobre os quais está falando, por isso ele desestimula a leitura e fala tão mal do intelecto, ele quer evitar ser descoberto. Mas Deus é tão bom que faz com que ele mesmo se mostre como um falso cristo e falso profeta: ele leu os evangelhos, ele sabe quais os sinais que não poderia mostrar, mas mesmo assim ele os mostra. O mesmo com os evangelhos gnósticos, ele leu alguns, fez uma edição comentada da Pistis Sophia, mas não consegue disfarçar suas características samaélicas, usa até o nome Samael (que na Pistis Sophia aparece como Yaldabaoth, mas como pode um gnóstico não saber disso? Algum gnóstico de verdade ignoraria que Samael e Yaldabaoth são dois nomes da mesma personagem?).

Samael diz ser o avatar e "abridor" de uma era com seu nascimento, a era de aquário, era esta que na verdade está longe de começar (mas infelizmente a maioria das pessoas acredita que já começou por causa dos "nova era" e da "geração hippie" que propagou tanto essa mentira de que a nova era de aquário chegou, que se torna difícil alguém saber que na verdade está longe, tão disseminada está a mentira). 

Diz Samael ser um hermetista, mas não sabe os significados mais óbvios e espirituais das alegorias e mitos herméticos recorrendo a interpretação dada por hindus a seus próprios mitos para explicar os que aparecem nas obras herméticas. O texto mais conhecido de Hermes, A Tábua Esmeraldina, fala de um subir, de separar o sutil do espesso, com grande habilidade, subir da terra ao céu e de novo descer à terra, e deste modo recolher a força das coisas superiores e inferiores. Samael interpreta isso como ascender o fogo da kundalini e subir pela coluna espinhal através da magia sexual, mas não descer, o que faz questão de ignorar, só subir, o fogo do sexo até o cérebro. 

O que fala claramente de algo espiritual, de separar-se das coisas terrenas para dedicar-se às celestiais e então conhecendo-as poder falar sobre elas voltando ao mundo. Para alguns é a saída do corpo ou a visita a lugares espirituais em visões e sonhos, mas para Samael e outros luciféricos é despertar o poder da serpente kundalini das tradições tântricas do hinduísmo e ter poder sobre os dois mundos (e olhe que nem todas, mesmo algumas tradições tântricas falam de descida do fogo da cabeça, matando a serpente kundalini, ou então nem descida, nem subida de fogo, mas simplesmente em esmagar ou matar a serpente; outras tradições da yoga colocam tal prática como maligna ou maléfica e outras pelo menos como perigosa).

Samael mente e desfigura a kabalah contradizendo mesmo questões mais elementares desta, por exemplo, ele diz que a "Mãe divina" é uma emanação do Espírito Santo representando-os na árvore da vida (em algumas representações que ele mesmo expõe); ela aparece como uma 11° sefirah, quando o Sefer Yetzirah enfatiza claramente que "são dez as emanações (sefiroth), dez e não nove, dez e não onze"), portanto quem põe 11 emanações na árvore da vida é um falsário (compare com a obsessão dos illuminati,que saõ luciferianos, pelo número 11 também). 

Veja você mesmo no site samaeliano, no link abaixo, onde aparece a árvore da vida com 11 emanações, além da linha de descida e subida se ligar no sentido contrário em cada emanação (representadas por círculos), observe também o título da figura é "Os 10 Sephiroth da Kabala Hebraica", mas se você contá-los verá 11 e que a "Deus-Mãe" aparece ao lado do Espírito Santo, e que novamente ele descreve a divina mãe como "Devi Kundalini" (ou seja, a serpente), Deus-Mãe Shakti, aspecto feminino de Shiva, acima disse está escrito "Poder, Magia, Transformação, Potência Sexual Criadora, Shiva" (o que isso tem a ver com o Espírito Santo ou com o Binah da Kabalah que ainda aparece em posição trocada?). Toda essa falsificação tem um propósito, obeserve o que está escrito em verde dentro do círculo, 3° Logos, e quem nós vimos que Samael chama de terceiro logos? Lúcifer, está nessa figura a blasfêmia contra o Espirito santo, chamado na figura apresentada pelos samelianos de Shiva, deus hindu da destruição, e de Lúcifer:

http://gnosesamaelgnosisgnosticos.blogspot.com/2010/03/na-kabalah-samael-e-o-anjo-regente-de.html 

Compare essas idéias com o que diz no Sefer Yetzirah, livro atribuído pelos kabalistas ao próprio Abrãao, que é a obra fonte mais antiga da kabalah.
Mas além disso existem outras visões luciferianas em que Samael também se baseia, inclusive para ser cultuado até com rituais onde se prostra diante dele como mostrei no artigo 7. Essas vertentes luciferianas, Samael também utiliza para encobrir a verdadeira concepção dos gnósticos, de que Samael é o grande adversário da humanidade e de Deus. Mostrarei algumas dessas vertentes gerais em outros artigos sobre o luciferianismo e sobre a naturalização dessa doutrina por parte da nossa cultura.

A dependência, idolatria e ignorância dos samaelianos


Samael constantemente incita à pratica seus discípulos como se pode ouvir no vídeo. Interessante é que ele tem muitos livros e em cada livro muitas práticas. Se a pessoa fosse de fato se dedicar a isso da forma como ele recomenda não teria tempo para mais nada, porque são muitas práticas, muitos rituais, ele recomenda muitas práticas inclusive de uma hora de duração até três horas e fazê-las duas ou três vezes por dia. Essas práticas mais longas são tais como vocalizar mantras, ou letras ou sílabas, ou imaginando cenas, em uma das posições que ele diz ser "exercícios de lamaseria tibetanos", mas que na realidade não são, pois estes são bem diferentes dos que descreve em seu livro com exceção de apenas um que é parecido (os outros se vê claramente que ele pegou em um livro que nem leu, pois ele imita as posições parado em suas instruções, acontece que os exercícios originais a que se refere são em movimento rápido). 

É muita perda de tempo inútil acreditando nas suas promessas de que a pessoa falará com deuses, que viajará para outros planos fora do corpo, conhecerá muitos mestres em outros planos e anjos e que ele mesmo aparecerá para ajudar quando invocado. A maioria sente-se inferiorizada por não conseguir e acreditando que outras conseguem (porque é proibido contar a experiência pessoal a outros, muito esperto esse Samael). Muitas pessoas também terminam dormindo desejosas e sonhando com esssas coisas, e acreditam que isso realmente aconteceu nos "planos superiores". 

E ainda existem os rituais, obrigatórios para membros em suas ordens, as práticas em grupo, as aulas, os livros dele para ler, apostilhas, cartas, mensagens. Deve ser por isso que as pessoas ficam algum tempo enganadas ali, mergulhadas, imersas nesse mundo samaélico, dedicando seu tempo e sua vida àquilo tudo.

"Para que enormes bibliotecas, milhões de volumes?" Para ver o quanto Samael mente e ignora, para ver como enrola seus discípulos, e da onde tira suas próprias teorias malucas (e até experiências que diz ser suas , pessoais, nos livros). Mesmo sempre ridicularizando a teorização, o intelecto e a leitura (de outros autores, é claro, as teorias dele devem ser provas que saltam aos olhos então, quando lemos seus livros, infelizmente eu li boa parte e isso não me aconteceu, eu só vi hipóteses, fantasias, plágios, mentiras mesmo), fica claro que ele leu muitos livros ocultistas e não as obras das quais esses livros costumam falar.

Um exemplo de onde essa ignorância pode levar é que uma boa parte, se não a maioria, dos samaelianos se crê ser cristão. Mesmo aqueles que sabem que Samael disse que tudo que fez, que falou e que escreveu são o quinto evangelho; mesmo existindo o livro publicado de 2302 para tomar-lhes mais seu tempo chamado El Quinto Evangelio (O Quinto Evangelho) de Samael Aun Weor. Que tipo de cristão é esse? Que acredita no "cristo Samael", óbvio, não no Cristo Jesus, embora a maioria teime em enganar até a si mesma. Ainda mais, no verdadeiro evangelho está escrito: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho" - Gálatas 1:6; "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." - Gálatas 1:8,9

Não é isso mesmo que Samael faz? Ele se apresenta como um anjo vindo do céu, das regiões superiores, como vimos, e trazendo um novo evangelho. Então não se pode ser samaeliano e ser cristão, Samael é justamente esse tipo de impostor, que seja anátema, maldito.

De onde vem o sucesso de algumas práticas dadas por Samael

Eu confesso que tive algumas experiências e uma uma foi bem marcante, lúcido, fora do corpo, fui em certo lugar e me encontrei com certas pessoas. Houveram outras desse tipo e de outros tipos, mas não tão marcantes como essa, no sentido que não com quem e o que encontrei lá, e como me falou através de sua aparência sem dizer uma palavra. 

Mas isso se deve ao fato de Samael copiar práticas realmente boas e eficazes de várias ordens e religiões. No caso dessa minha experiência que estou usando como exemplo, ela não pode ser fruto de exercícios como ele explica. Ela foi fruto da graça de Deus, da fé e da oração não dos exercícios, como existem muitas outras práticas que podem dar resultado por causa disso, pelo que estamos buscando, pela nossa sinceridade, pela fé que nos é dada por Deus. Eu estava buscando a verdade, buscando Deus, buscando  Jesus. Está escrito que quem o busca não fica sem resposta. "Bata e se abrirá, busque e achará" disse Jesus. Mas seus discípulos geralmente estão buscando seu "venerável mestre Samael" ou algum desse tipo, estão buscando poderes psíquicos, viagens astrais...

Samael passou por algumas ordens e leu livros de várias, ele mal tem paciência de copiar ou até mesmo de ler, como no caso dos exercícios tibetanos, o que vai copiar e apresentar como de sua autoria ou de algum anjo ou outra fonte. São inúmeras práticas das quais com certeza ele não praticou nem um décimo. Práticas boas, práticas atraentes, práticas ruins e prejudiciais, práticas de magia negra, não importa, ele bombardeia seus discípulos nos cursos com práticas, alguma pode dar algum resultado que já vai ajudar a convencer de que ele fala a verdade. O que ele faz é coletar, não só práticas, sistemas, teorias, doutrinas, vários elementos, no sentido de atrair qualquer que seja o tipo de pessoa, que facilmente cairá em suas garras se não pesquisar a fundo ou cair fora logo.

No livro A Pistis Sophia Desvelada por Samael Aun Weor, onde tenta destruir um dos livros mais falados e considerados pelos neo-gnósticos, A Pistis Sophia, um evangelho gnóstico antigo, Samael faz algumas estranhas afirmações, vejamos:

"Do Caos sexual surge sempre a luz de Sophia e esta luz resplandece nas trevas.
"Sophia, como Verbo, é Yaldabaoth em plena ação."
[Novamente a teoria de que Sophia, a sabedoria divina dos gnósticos, é verbo, portanto logos, e que também é o demônio demiurgo Yaldabaoth]
(...)
"Os Cinco Auxiliares são os Cinco Gênios: Gabriel, Rafael, Uriel,
Michael e Samael."
[Este Samael que ele diz ser ele mesmo]
(...)
"Os Sete Gênios são: Gabriel, Rafael, Uriel, Michael, Samael,
Zachariel e Orifiel."
(...)
A esposa do Espírito Santo é a Divina Mãe Kundalini, Marah, o
Grande Mar, nossa Mãe Cósmica Particular, pois cada um de
nós tem sua Mãe.
A Divina Mãe Isis é um desdobramento do Espírito Santo em
nós, uma variante de nosso próprio Ser.
O Mistério do Revelador está incluído no Primeiro Mandamento
da Lei de Deus.
O Divino Esposo e sua Esposa inefável constituem o Casal
Original.
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti
mesmo.
O Casal Original serve de fundamento do Primeiro
Mandamento.
O Mistério do Revelador fundamenta-se no Casal Original.
O Arcano A.Z.F. é o Mistério Revelador.
[Se refere à magia sexual, então o primeiro mandamento trata de amor sexual?]
Conexão do Lingam-Yoni [(pênis-vagina)] sem ejaculação do Ens-Seminis [(esperma)], está ali a chave do Grande Mistério.
(...)
A Real Sabedoria, Sophia, é substituída pelas sabichonices dos velhacos do intelecto.
Porém, o antí-cristo, o Obstinado, acredita que possui Sophia.
[Curiosamente aqui ele parece se referir a Yaldabaoth, o Obstinado, velhaco do intelecto, como ele mesmo, Samael Aun Weor.]
A verdadeira substância de Sophia, temos de procurá-la no Caos.
É no Caos que se encontra a glória de Sophia.
[A ideia tão defendida pelos luciferianos que é preciso descer primeiro para depois subir, ir aos infernos, descer a árvore qliphótica, cruzar o abismo, etc. e todas as maneiras diferentes pelas quais é apresentada a ideia de um culto das trevas não só tolerável e aconselhável, mas obrigatório.]
Lux In Tenebris Lucet
A Luz brilha nas Trevas.
Sophia brilha nas Trevas.
A Água estrelada, o Mercúrio preparado, substância obtida em forma de água metálica
branca e brilhante, é o resultado da Arte Hermética.
O que se encontrava difuso na massa tenebrosa, grosseira e vil do esperma animal, reluz agora mediante a Transmutação Sexual.
Do Caos sexual surge sempre a Luz de Sophia e esta Luz resplandece nas Trevas.
Sophia, como Verbo, é «Yaldabaoth» em plena acção.

Ele mistura tudo tudo, como um hébrio (e ele era alcoolátra) que fala para uma platéria de ignorantes, usando palavras de textos de alquimia, afinal ninguém sabe o significado mesmo, misturando informações verdadeiras e falsas e dando novos significados para o mesmo desastroso processo do mergulho nas trevas, da danosa magia sexual que leva muitos à loucura e outros danos à saúde física e mental, do culto a deuses pagãos inexistentes, da veneração a demônios, de Lúcifer, de Isis, de Shiva, da adoração ao adversário de Deus e da humanidade, Samael, como foi mostrado em todos os artigos até aqui. E seus discípulos procuram significados sábios e profundos em suas palavras quando elas estão assim parecendo escritas por um bêbado que repete frases de efeito que leu em vários livros. Talvez devessem reconhecer que provavelmente muitas dessas foram escritas exatamente assim, bêbado, como muitas vezes dava entrevistas e palestras.

Samael nos textos gnósticos


Vejamos algumas afirmações sobre Samael nos livros gnósticos, nos apócrifos e outros achados:

Samael, o grande enganador, num gesto de desespero, empregará todos os recursos possíveis para impedir a realização de Yahwéh através de Seu povo. - O Livro De Melquisedeque

Agora o arconte que é penumbra tem três nomes. O primeiro é Yaldabaoth, o segundo é Saclas, e o terceiro é Samael. E ele é ímpio em sua arrogância. Porque ele disse 'Eu sou Deus, e não há outro Deus além de mim,' pois ele é ignorante da força dele, e do lugar de onde ele veio. - Evangelho Apócrifo Longo de João

[Note aqui a clara identificação de Yaldabaoth Saclas Samael e sua personalidade ímpia, arrogante e ignorante. Mais abaixo o significado da palavra samael, deus cego.]

Seu coração exultou, e ele vangloriou-se continuamente, dizendo-lhes: "Não preciso de nada, sou Deus e nenhum outro existe além de mim". Mas, ao proferir estas coisas, pecou contra todos os imortais, os que não perecem, e estes o protegeram. Além do mais, ao constatar a impiedade do Governante principal, Pistis encolerizou-se. Sem ser vista, disse ela: "Enganas-te, Samael", isto é, "o deus cego". "Um homem iluminado e imortal existe diante de ti. Ele aparecerá revestido de vossos corpos moldados. Ele esmagar-vos-á da mesma forma que o barro do oleiro é esmagado. E vós vos precipitareis com os que vos seguem no abismo, vossa mãe. Porque, na consumação de vossas obras, qualquer deficiência surgida com relação a verdade se irá dissolver. E se extinguirá, e será como se não tivesse sido". - Sobre a Origem do Mundo (Evangelho gnóstico)

[Pistis aqui se refere a Sophia e está falando com Samael sobre Jesus que apareceu num corpo como o nosso e esmagou a cabeça da serpente, Samael, serpente com cabeça de leão.]

E aconteceu que, após isto Ezequias morreu, e Manassés tornou-se rei, e logo esqueceu os conselhos e as recomendações de seu pai. E Samael ficou ao lado de Manassés e aderiu a todas as suas vontades.
E Manassés não serviu ao Deus de seu pai e dedicou-se ao culto de Satanás, de seus anjos e de seus poderes.
E perverteu a corte de seu pai e todos aqueles que, na presença de seu pai Ezequias, praticavam as palavras da sabedoria e rendiam homenagem ao verdadeiro Deus.
(...) houve uma grande apostasia e as iniqüidades aumentavam na cidade.
E cresciam as artes mágicas e os encantamentos, os agouros, as adivinhações, as fornicações, os adultérios, a perseguição dos justos por Manassés, Belakira, Tobia o cananeu, por João de Anatot e Zadok o chefe destas obras.
Quanto aos demais atos, ei-los escritos no livro dos reis de Judá e Israel. - Livro da Ascensão de Isaías

[Outra referência negativa a Samael, só por exemplo, porque são muitas nesse livro e no de Melquisedeque.]

E a arrojaram ao caos, que é metade chamas e metade trevas. E havia um arconte com cabeça de leão, e era Ialdabaort, de quem vos tenho falado muitas vezes. - Evangelho Apócrifo de Valentino

[A depender do tradutor Yaldabaoth pode aparecer escrito de outras formas, mas note se não o mesmo que Samael Aun Weor recomenda acima, caos, chamas e trevas, pois como vai brilhar o discípulo? Para ele só nas trevas, lançando-se ao caos, ascendendo o fogo sexual da kundalini, etc..]

E depois o levarão para o caos, com Ialdabaoth e seus quarenta e nove demônios, para que cada um destes passes ali onze meses e vinte e um dias, fazendo-o sofrer o castigo da fumaça. - Evangelho Apócrifo de Valentino

[Curiosamente Samael fala dos quarenta e dois juízes do karma, chacais, 42 juízes, mais sete que ele chama de gênios, igual a 49, serão os 49 demônios? Ele também fala que a iniciação se processa nos 49 níveis mentais e que em cada nível o neófito vai ter que enfrentar um guardião (com todas as características de demônios).]

Jesus continuou no Seu discurso e disse aos Seus discípulos:
“Quando Eu tenha regressado à Luz, proclamai então ao Mundo, dizendo:
Não cesseis, dia e noite, na vossa busca e não desfaleçais até que tenhais encontrado os Mistérios do Reino da Luz, os quais vos purificarão e vos converterão em Luz Purificada e vos conduzirão ao Reino da Luz.”
“Dizei-lhes:
Renunciai ao mundo e à matéria que nele há, a todos os interesses e a todos os seus pecados, numa palavra a todas as associações que há nele, para que sejais dignos dos Mistérios da Luz e salvos de todos os castigos que há nos juízos.”
(...) 
“Dizei-lhes:
Renunciai ao roubo, para que sejais dignos dos Mistérios da Luz e sejais salvos de Yaldabaoth.”
“Dizei-lhes:
Renunciai à calúnia, para que sejais dignos dos Mistérios da Luz e sejais salvos dos rios de fogo do rosto de leão.”
“Dizei-lhes:
Renunciai à luta e à rivalidade, para que sejais dignos dos Mistérios da Luz e sejais salvos dos ferventes rios de Yaldabaoth.”
“Dizei-lhes:
Renunciai à ignorância, para que sejais dignos dos Mistérios da Luz e sejais salvos dos servos de Yaldabaoth e dos seus mares de fogo.”
“Dizei-lhes:
Renunciai ao mal, para que sejais dignos dos Mistérios da Luz e sejais salvos dos demônios de Yaldabaoth e de todos os seus juízos.”
“Dizei-lhes:
Renunciai à negligência, para que sejais dignos dos Mistérios da Luz e sejais salvos dos ferventes mares de breu de Yaldabaoth.”
“Dizei-lhes:
Renunciai ao adultério, para que sejais dignos dos Mistérios do Reino da Luz e sejais salvos dos mares sulfurosos e de breu do rosto de leão.” - A Pistis Sophia

[Só uma pequena amostra de algumas referências a Samael (Yaldabaoth) no evangelho gnóstico A Pistis Sophia o qual estava sendo comentado e explicado por Samael Weor quando a morte o levou, antes completasse a obra que tinha prometido e até profetizado que a iria entregar completamente explicada à humanidade. Em alguns trechos de seus comentários vemos algumas referências a Yaldabaoth como sendo um aspecto da própria Sophia. Provavelmente o falso profeta não tinha nem chegado a ler essa parte onde Jesus aconselha sobre como se livrar de cair nas garras, nos males e nos juízos de Yaldabaoth, de seus servos e de seus demônios. Algo a que estão se submetendo hoje os discípulos, pois servos são, de Samael Weor. Ou na concepção gnóstica de Samael que tem A Pistis Sophia como livro da lei, o mais sagrado de todos (e usei aqui a edição própria dos samaelianos), Jesus teria se enganado, ou negligenciado que o "anjo caído" Samael se ergueria e seria o salvador da humanidade, o cristo da era de aquário?]

domingo, 3 de junho de 2018

O GOVERNO SATÂNICO DO BRASIL


Quantos canais saíram do ar na sua TV hoje? Quantos dos que desapareceram eram cristãos?

Na minha quase todos, com exceção da Record News todos os que desapareceram da minha TV eram canais cristãos (ou que se dizem cristãos, que seja). Desde que começou esse movimento da TV digital no Brasil que eu venho dizendo isso e ninguém suspeita de um governo que só suga fazendo uma interversão desse porte. Para nosso bem e conforto? Pela qualidade da imagem? Você realmente acreditou nisso? Que o governo bonzinho investiu milhões para você ter uma melhor imagem na sua TV de graça?

Tudo que tenho comentado sobre interversões governamentais como essa tem sido ridicularizado por alguns marionetes esquerdistas nas redes sociais. Como paranoia, teoria da conspiração, "manipulado pelazeilti" que não quer o bem do povo pobre. 

Veja a lâmpada econômica que ia durar mais e gastar menos energia. Quantas vezes mais ela ia durar mesmo? Você lembra?... Está durando na sua casa? As pesquisas mostram que esse tipo de lâmpada é mais prejudicial à visão, que emite luz azul forte, que pode levar à depressão, ansiedade, distúrbios do sono e até apressar manifestações de câncer, entre outros danos à saúde. Ela é mais cara, a economia na conta é duvidosa, e se há é ridícula em termo de custo benefício, ainda mais pensando nos danos à saúde; e a lâmpada não dura como prometido, dura menos até que algumas das antigas. Mas quantos amiguinhos do governo se beneficiaram com isso, quantos bilhões a mais lucraram? 

E as tomadas? Só faltou baixar decreto proibindo as tomadas antigas. Tudo mais caro, e você é obrigado a gastar de qualquer maneira, ou muda a instalação e as tomadas ou se não tem dinheiro para isso gasta com adaptadores bem mais caros que os tês antigos; dois reais, seis reais, dez reais a mais. Imagine nas tomadas de cada casa pelo Brasil inteiro quantos reais os amiguinhos do governo petistas faturaram. 

Que direito tem o governo de intervir nesses assuntos?

"Ah, mas o álcool gel foi necessário, muita gente morria em acidentes por incêndio e queimaduras". Já se perguntou sobre as pessoas que usavam o álcool para desinfetar? Já percebeu como é difícil de encontrar álcool numa concentração que desinfete (de 70% acima)? Quantas pessoas que usavam o álcool para desinfetar foram atingidas por alguma infecção que deu fim a suas vidas? Ninguém levou em consideração, do mesmo jeito que não leva em consideração os carros de lixo que derramam xurume e são a maior causa de epidemias em crianças. Nem pensou em extinguir os mosquitos que são os animais que mais transmitem a morte no planeta, até deixou de pulverizar muitas cidades. 

Já percebeu que o álcool líquido 56° também pega fogo? Já percebeu que o álcool gel também pega fogo? Já percebeu o quanto ficou mais caro o álcool quanto mais concentrado, e o álcool diluído que não desinfeta está mais ou menos no preço do álcool que tinha o dobro de concentração? Você está pagando o mesmo valor pela metade do álcool porque a outra metade é água. Sem falar na mentira do álcool misturado à gasolina que diminui a vida útil dos motores. O governo quer que você morra, se convença da verdade.

O governo está sempre contra nós, se há alguma concessão é para manter o poder porque nem a obrigação o estado cumpre. Imagine em todas essas manobras comerciais estratégicas o quanto ele arrecadou de impostos. E sua segurança melhorou? Os hospitais melhoraram? Não pelo contrário o governo Dilma fechou 23 mil leitos de UTI. Sabe quantas pessoas morreram por causa disso? O número de armas de fogo na mão de marginais cresceu fora de toda proporção possível e imaginável até então.

E agora os canais, a televisão. Eu não vou nem falar dos tipos de tela e de luz emitida pelos novos aparelhos porque eu sei que a maioria não vai nem acreditar e nem se dar ao trabalho de pesquisar as últimas pesquisas no meio de milhares de artigos científicos em inglês. Estou focado na questão dos canais, na batalha do governo contra o cristianismo e ainda apoiado por uma grande parte de cristãos que dizem que esses canais são mercenários, que só exploram as pessoas, que só querem dinheiro. Digamos que seja, mas quantas pessoas se aproximaram do evangelho por estar passando por um desses canais? Cristãos! Já se perguntaram quantos chegaram à verdadeira conversão começando simplesmente por estar passando começar a assistir esses canais?

Eu mesmo tive muita influência pelo programa de debates teológicos da Rit, o  Vejam Só, apresentado pelo pastor Eber Cocareli. Alguém com um mínimo de bom senso e decência ousa dizer que  Eber é um desses mercenários na sua concepção? E mesmo os outros, as pregações que tocam o problema específico que a pessoa está passando, tudo isso não tem levado as pessoas à Cristo? Não tem tirado pessoas  das drogas, do tráfico, do crime, dos vícios, da imoralidade, de ações más contras outras pessoas?

"Ah, mas três ou quatro desses canais eram da Universal e um era da Mundial de Valdomiro". A Universal é o bode expiatório, o Judas, o referencial quando se fala em igreja que visa dinheiro e isto é praticamente uma moda, ou fala isso ou está fora da moda. Você já viu que pelo menos dois canais da universal continuam noar? Aqui sobrou só o canal da igreja católica (Rede Vida) e os da Universal, pois tê sinal digital, justamente os que têm pacto com os governos Lula e Dilma respectivamente, e consequentemente com sua continuação, Temer que é a mesma coisa.

Essas pessoas são contra o cristianismo verdadeiro, a conversão verdadeira, muitos dos políticos são de ordens luciferianas como Lula e Temer; muitos políticos oferecem extensos sacrifícios em suas campanhas a supostas divindades; muitos políticos defendem um Jesus diferente, só de fachada, um cristo nova era, neo-gnóstico, que não existe. Eles querem apenas desviar as pessoas do Cristo verdadeiro para uma imagem falsa, justamente como algumas igrejas que eles mesmos criticam e por debaixo do pano recebem dinheiro para suas campanhas e depois nos roubam para devolver dobrado ou triplicado... Eles fazem o serviço de Satanás, desviar as pessoas do verdadeiro Cristo, que leva a pessoa à salvação e à transformação de suas vidas. Eles não querem conversão porque esse governo é uma instituição satânica, comandada por luciferianos... 

Mas é claro que na concepção de muitos que não viveram a realidade interna das ordens (como eu por muito tempo) e nem se deram ao trabalho de pesquisar, quando tudo hoje está na mão, na internet, isso é mais uma teoria da conspiração e uma paranoia... 

quinta-feira, 31 de maio de 2018

NEO-GNOSTICISMO SOB ANÁLISE - parte 8 - Perguntas sobre Samael

Antes de começarmos uma demonstração de alguns problemas na obra de Samael temos que sinceramente refletir sobre algumas questões. Farei uma lista de que questões (aqui e em outras partes) de acordo com o que vou lembrando sobre tudo que li e os anos que dediquei a ouvir palestras, fazer parte de ordens e testar práticas, etc. Mas principalmente sobre o que Samael diz de si mesmo em seus livros e outras publicações. 
Primeiro de tudo vamos ao senso comum, ele se diz gnóstico, então vamos examinar isso.
Como alguém que se diz gnóstico desconhece os princípios mais básicos e gerais de todas as escolas gnósticas da antiguidade, o conceito dos termos utilizados, os significados de algumas informações que estão simbólicas em um livro mas que estão explicadas em outros e além disso usa o nome do maior "vilão" do gnosticismo Samael? 
Samael é o nome do demiurgo, Samael Yaldabaoth e Saclas são nomes do demiurgo, o deus falso que colocou os humanos na prisão desse mundo e ele diz que Samael era um anjo caído e que se ergueu e que esse é ele. Mas não existe esse tal anjo nem no gnosticismo nem no cristianismo (ele diz ser cristão também) a não ser em lendas medievais. Na tradição cristã e judaica Samael é o nome próprio do anjo que se tornou Satanás, o adversário. Então quer dizer que Satanás se converteu, que não existe mais Satanás porque ele "se levantou"?
Como pode recorrer a lendas espúrias de místicos, muitos deles satanistas assumidos ou não, para explicar sua origem e seu nome em vez de explicar como esse nome é usado nos escritos gnósticos? Ele desconhece os livros mais básicos do gnosticismo. E ele usa o nome Samael não como os gnósticos usavam. Samael, segundo as profecias permanece "caído" até o fim dos tempos, e será então condenado, então os profetas, João e até o próprio Deus errou nas previsões?
Na bíblia a questão do nome é muito importante e os que entendem de kabalah confirmam a importância de falar o nome correto em relação a culto. A bíblia fala que a salvação vem pelo nome de Jesus (Yeshua ou Yehoshwah em hebraico e aramaico). O samaelismo evoca um culto ao nome de um demônio ou do prórpio Satã já que Samael é este nome. Que intenção há por trás disso? Alguns rituais ditos gnósticos de Samael evocam o nome repetindo três vezes ou ainda repetindo chamando três vezes "Mestre Samael".
Como sendo um um dito mestre, que domina um tal estado de jinas (que lava o corpo à "quarta dimensão" e atravessa paredes e entra em qualquer lugar e aparece em qualquer lugar num piscar de olhos, segundo ele) e entra em contato com os ditos mestres antigos e as tais hierarquias divinas e não sabia onde estavam escondidos os manuscritos preservados? Será que tais mestres gnósticos não sabiam onde estavam as provas dos escritos gnósticos? Ou será que por algum poder ele sabia e não queria encontrar porque desmoronaria suas teorias e conceitos fajutos? 
Por que tendo tanto poder e dizendo também que o vaticano escondia os documentos originais ele não foi lá em estado de jinas e trouxe esses documentos e provou a verdade que salvaria tantas pessoas segundo ele? Ele é tão mal informado que nem sabia dos livros que o vaticano já tinha assumido que ainda possuia. Ele não adivinhou onde estavam os manuscritos escondidos em cavernas Nag Hammadi nem que iriam ser achados e ainda desconhecia os achados disponíveis de sua época. Ele contradiz quase tudo que foi escrito pelos verdadeiros gnósticos antigos e não sabia sequer o conteúdo de tais escritos, além de distorcer completamente o significado dos que conhecia segundo suas próprias teorias sobre kundalini e tantra provindas do hinduísmo. Que tipo de gnóstico é esse?
Como faz uma edição comentada da Pistis Sofia dando significados absurdos em certas partes e ainda cometer erros em relação a nomes de pessoas no livro, confundir personagens? No meio do trabalho profetiza que terminará e morre antes. Como pode ser creditado tal "mestre", falso cristo (se dizia um cristo), falso profeta, pois várias de suas profecias, não só essa falharam? Inclusive profecias do fim dos tempos como todo fanático de si mesmo que se acha o iluminad; as falsas profecias são um claro sinal de um enganador ou enganado, um falso profeta.
Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos. - Marcos 13:22
E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. - 2 Pedro 2:1
Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. - Mateus 7:15
E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. - Apocalipse 20:10
Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência, A qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém. - 1 Timóteo 6:20,21

quarta-feira, 16 de maio de 2018

HISTÓRIA DAS IGREJAS CRISTÃS DESDE A ORIGEM 4 - CAPÍTULO VII


OS ANABATISTAS DO SÉCULO XVI 

Tenho visto muitos historiadores da Igreja tentando responder erroneamente a questão de onde vieram os anabatistas do século XVI. A resposta correta é simples: Não vieram, já estavam. O movimento anabatista do século XVI é uma continuação dos movimentos anabatistas que atravessaram toda a Idade Média. Os costumes são iguais; a doutrina é a mesma; os membros tinham a mesma característica diante da sociedade. O fato de sabermos mais sobre os anabatistas do século XVI do que os anabatistas da Idade Média, não se deve ao fato de estarmos incertos sobre a existência dos últimos. Deve-se ao fato de que agora já tinham inventado a imprensa. E também, com a divisão do catolicismo no advento da Reforma, teríamos informações oficiais de dois lados, o catolicismo e o protestantismo. Além do que o século XVI está bem mais próximo de nossa época que o século IV. Pense bem: O que você sabe sobre o papa Silvestre do século IV? Quase nada. Que tal verificar na sua memória o que você sabe sobre Lutero, Cabral, e outros que viveram no século XVI? Tenho certeza que as informações sobre os últimos são bem mais amplas. Porque seria diferentes com os anabatistas? 

A ORIGEM DOS ANABATISTAS DO SÉCULO XVI 

Admitir que os anabatistas atravessaram toda a idade média, mesmo que levando outros nomes, não é uma tarefa fácil. Para a igreja católica admitir isso ela estará afirmando sua exclusão em 225, além do que, que não é a igreja mais antiga. Para os protestantes - principalmente luteranos e presbiterianos - é dizer que não foram seus patronos Lutero e Calvino os resgatadores da verdade. 

Os anabatistas tem sua origem nas igrejas anabatistas que conseguiram escapar da perseguição católica durante o período das Trevas, que vai desde século IV até o século XVI. Apesar de terem outros apelidos além de anabatistas, estas igrejas eram o verdadeiro cristianismo, e todas, sem exceção, eram chamadas de "anabatistas". 

SUAS CARACTERISTICAS ORGANIZACIONAL E DOUTRINÁRIA

O historiador A.G. Dickens, no seu livro A Reforma, pg 131- 140-141, faz um relato muito significativo sobre a origem, organização e doutrina dos anabatistas do século XVI. Ele não defende os anabatistas, mas também não pode negar o fato de serem eles um grupo de cristãos totalmente diferente do catolicismo e protestantismo. Eis o relato de Dickens: 

"Em que sentido pode o anabatismo ser chamado de um movimento? Não podemos certamente falar de uma reforma anabatista como falamos de uma reforma luterana, zuingliana ou calvinista. Os anabatistas não tinham nenhum chefe espiritual, nenhum código de doutrina largamente aceito, nenhum órgão central dirigente (eram independentes). Não influenciaram os governos, não modelaram as sociedades nacionais, não conservaram uma administração política. Nessa comunidade marginal (ao lado) de crentes, a disciplina não limitava apenas ao batismo. A confissão de Schleitheim, um de seus documentos mais largamente divulgados, redigida em 1527, talvez pelo mártir Miguel Satler, reduz-se a sete artigos: O batismo, diz-se, só será concedido aos que conheceram o arrependimento e mudaram de vida, e que entrem na ressurreição de Jesus Cristo. Os que estão no erro não podem ser excomungados antes de advertidos por três vezes, e isto deve-se fazer antes do partir o pão, de maneira que uma igreja pura e unida se reuna. A ceia do Senhor é só para os batizados, e é um serviço comemorativo. Os membros devem deixar o culto papista (católico) e antipapista (protestante), não tomarem parte dos negócios públicos (que eram na sua maioria imoral), renunciam a guerra e as diabólicas e anticristãs armas de fogo. Os pastores devem ser sustentados pelas congregações, afim de poderem ler as escrituras, assegurar a disciplina da igreja e dirigir a oração. Se um pastor é expulso ou martirizado, deve imediatamente ser substituído, e ordenado outro, para que o rebanho de Deus não seja destruído. A espada destina-se aos magistrados temporais, a fim de poderem castigar os maus, mas os cristãos não devem usá-la, mesmo em legítima defesa, como também não devem recorrer à lei ou tomar o lugar dos magistrados. São proibidos os juramentos." 

O estudante deste tratado pode comparar o elo que liga os anabatistas do século XVI aos dos séculos anteriores e aos batistas. São o mesmo povo. Olhe bem para os artigos de fé acima mencionados. Compare com as doutrinas dos batistas. Existe alguma coisa que não está de acordo? São todos o mesmo povo. Todos eram e devem ser verdadeiros seguidores das Escrituras Sagradas.

AS DIVISÕES ENTRE OS ANABATISTAS DO SÉCULO XVI

Muitos há que condenam o movimento anabatista do século XVI dizendo que eles por algum tempo apelavam para a violência. Os que assim pensam se esquecem que toda igreja tem seu lado ruim. Veja a Igreja de Jesus. Não havia lá o Judas? Era Judas o verdadeiro representante da igreja ou um membro errado? Sim, os anabatistas tiveram membros e pastores que não honravam suas doutrinas. E eram justamente aqueles que estavam misturados com as revoluções luteranas, calvinistas e zuinglianas. Foi o caso de Melchior. Dickens afirma no seu livro A Reforma, pg 142 sobre ele: 

"Pode-se dizer que a Confissão de Schleitheim, no seu conjunto, contém muitas posições características e que era aceite pela maior parte dos anabatistas. Fora dela havia muitos preceitos religiosos ou sociais não aceites por todos eles e sujeitos a controvérsias. Doutrinas não incluídas na confissão eram rigorosamente sustentadas por certas comunidades, como a cristologia Melchiorita." 

Para quem não sabe Melchior Hoffiman é acusado de ser anabatista e de fazer um levante contra o Estado de Lutero na Alemanha. Dickens considera-o "sectários e extremistas à margem do anabatismo" (A Reforma pg 143). O historiador Christian diz que ele nunca foi um anabatista. 

Hoje estamos vivendo uma situação parecida. São batistas aqueles que se dizem batistas e não honram os artigos de fé bíblicos? São batistas os batistas que acreditam na salvação pelas obras? São batistas os que acreditam na salvação pela guarda do sábado? Porém na parede da frente de suas igrejas está escrito: Igreja Batista. É batista quem realmente vive como um batista deve viver. Foi o caso dos anabatistas do século XVI. Uma maçã podre não invalida as maçãs boas. 

OS ANABATISTAS E LUTERO 

Os anabatistas do século XVI e o reformador católico Martinho Lutero escreveram uma página especial do cristianismo neste período. Quando Lutero iniciou o seu movimento encontrou nos anabatistas um apoio antipapista. Tinham de comum o fato de saberem que o papa era um servo de Satanás. Muitos anabatistas migraram-se para a Alemanha animados com o discurso antipapista de Lutero. A decepção não demorou a chegar. Quando Lutero conseguiu o poder temporal ele passou a perseguir os anabatistas. Primeiro usando discursos inflamados. Depois usou a intimidação. E por fim, usou a força. Para decepção de muitos de seus admiradores, Lutero não ficou devendo nada a nenhum papa em questão de crueldade contra os anabatistas. Veja alguns relatos sobre a perseguição de Lutero aos camponeses anabatistas feitas pelo escritor Stefan Zweig em seu livro Os caminhos da Verdade, páginas 184 e 198: 

"Lutero abraçava, sem restrições e definitivamente, a causa da autoridade contra o povo. O asno, dizia ele, precisa de pauladas; a plebe deve ser governada com a força... Iniciava-se já a perseguição aos livres pensadores e aos dissidentes, instaurava-se a ditadura do partidarismo... Arrancava-se a língua aos anabatistas, atenazavam-se com ferros candentes e condenavam-se a fogueira como hereges os pregadores, profanavam-se os templos, queimavam-se os livros e incendiavam-se as cidades." 

Lutero não pode ser visto como um defensor da causa de Deus. Tampouco alguém que resgatou o direito de ler a Bíblia. Não, de forma alguma. Ditadores não são homens de Deus. Homens que matam por causa de doutrina não são homens de Deus. Não vemos Jesus arrancar a língua de ninguém para pregar o evangelho. Porque então seus pregadores agiriam dessa forma? Lutero perseguiu os anabatistas porque estes não se sujeitaram a seus caprichos de ditador. 

Em Abril de 1525, por ordem de Lutero, o qual chegou a redigir um panfleto, numa linguagem violenta contra os anabatistas, pediu que seus súditos colocassem fim na desordem anabatista que atormentava o seu país. Naquele mês mais de cem mil anabatistas morreram assassinados pelos soldados luteranos. Essa é a verdadeira história sobre os anabatistas e Lutero. 

OS ANABATISTAS E CALVINO 

A relação entre Calvino e os anabatistas do século XVI não foram diferentes da que houve com Lutero. Todo revolucionário tem a tendência de se tornar um ditador. Aconteceu primeiro com Lutero na Alemanha. Pouco depois aconteceu com Calvino na cidade de Genebra. Nos livros que temos sobre a reforma não se pode esconder os atos de atrocidades que Calvino cometeu contra feiticeiros, humanistas e aos anabatistas residentes em sua cidade. No livro O Cristianismo Através dos Séculos, pg 254, diz que: 

"Para garantir a eficácia de seu sistema (o sistema de uma cidade santa), Calvino estabeleceu penalidades severas. Vinte oito pessoas foram executadas e setenta e seis exiladas em 1546." 
Temos o relato de uma testemunha ocular dos fatos, chamado Sebastião Castellio, que fora um pastor Calvinista e tornou-se depois um humanista, abandonando seu ministério devido a evidências tais quais temos a seguir: 

"Revolta-me o exemplo de como se procede nesta cidade o emprego da violência contra os anabatistas. Eu mesmo vi arrastarem para o cadafalso uma mulher de oitenta anos com sua filha, esta mãe de seis filhos, que não cometeu outro crime senão o de negar o batismo das crianças." (Extraído do livro Uma Consciência Contra a Violência, página 115). 

Se Calvino fosse um homem de Deus certamente agiria como a Bíblia ensina. Saberia que somente teremos uma cidade perfeita quando estivermos no céu. Saberia conceder a liberdade religiosa a seus concidadãos. Saberia que lugar de pastor não é no comando de cidades e sim conduzindo o seu rebanho. Quem manda matar a mãe de seis crianças por não aceitarem o erro do batismo infantil não pode ser um homem da dispensação da graça. Os verdadeiros batistas não tem nada a ver com o calvinismo. 

OS ANABATISTAS E ZUINGLIO 

Zwinglio foi um grande reformador e da mesma época que Lutero. Zurique foi a cidade que ele escolheu para fazer notório o seu movimento reformador. Muitos anabatistas foram para lá pensando justamente na liberdade religiosa que os reformadores pregavam antes de se tornarem cruéis ditadores. No começo houve uma grande amizade entre os anabatistas (principalmente os valdenses) e os simpatizantes de Zwinglio. Muitos anabatistas inclinaram-se para o zwinglianismo, principalmente em setembro de 1532. Parece que a maioria dos valdenses seguiram Zwinglio por este tempo. Mas foram decepcionados. Zwinglio aceitou a adesão dos que queriam, mas condenou aqueles que não quiseram se juntar a ele.

Assim que Zurique ficou em suas mãos, Zwinglio iniciou uma perseguição contra os indomáveis anabatistas. Por sua ordem o senado promulgou uma lei, segundo a qual, aquele que se atrevesse a batizar alguém que tivesse sido batizado antes, na infância, fosse afogado. Suas idéias se espalharam por todas as cidades suíças de ascendência alemã, e consequentemente, nestes lugares, os anabatistas eram afogados por batizarem seus membros. 

PORQUE OS ANABATISTAS NÃO SE UNIRAM COM OS REFORMADORES?

Uma igreja que representa a pura doutrina deixada pelo Senhor Jesus não poderia se unir com nenhum movimento reformador do século XVI. Primeiro porque como o próprio nome diz, era uma reforma da igreja Católica. Se queriam reformá-la é porque admitiam que ela era uma igreja de Jesus, quando na verdade tinha deixado de ser desde 225. Segundo porque quando os reformadores vieram da igreja Católica não houve entre seus pastores iniciantes uma conversão de seus pecados. O que houve foi uma convicção da parte deles de que a igreja católica estava errada. Até os católicos tinham essa convicção. Terceiro que, não se convertendo, também não foram e nem podiam ser batizados, ordenança pela qual um crente professa publicamente que está aceitando Jesus e sua Igreja. Se não foram batizados com que autoridade podiam ministrar o batismo ou passar esta autoridade a outros? 

As igrejas que saíram da reforma cometiam erros que jamais podiam ser aceitos como sendo realizados pela igreja de Jesus. O primeiro é o batismo infantil. Todas as igrejas da Reforma batizavam crianças recém-nascidas. A Igreja de Jesus nunca realizou e nem permitiu o batismo infantil. O segundo erro é a formação de uma igreja oficial. Por exemplo: Luterana na Alemanha; Anglicana na Inglaterra; Presbiteriana na Escócia; Jesus nunca quis casar sua igreja com o Estado. Antes ensinou: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Terceiro é a formação de uma hierarquia dentro da igreja, colocando uma igreja acima da outra e pastores comandando outros pastores. O quarto erro é o uso de armas para impedir a liberdade religiosa e se meter em guerras contra católicos. O quinto erro é o de praticarem o batismo por aspersão e não por imersão. Por estes e outros motivos os anabatistas jamais poderiam ter se aliado com as igrejas da reforma. 

A OPNIÃO DE HISTORIADORES DA IGREJA SOBRE OS ANABATISTAS 

Apesar de não concordar com os historiadores convencionais a respeito da história dos anabatistas (pois eles tratam os tais como dissidentes e hereges), penso ser importante a opinião destes homens sobre os anabatistas. 

A opinião de A.G. Dickens, no livro a Reforma: 
"Durante os últimos anos fizeram-se estudos que nos levam a ver com novo respeito o sopro do idealismo cristão que alimentava os anabatistas. As horríveis crueldades de que foram alvo por parte dos católicos e dos protestantes chocam mesmo aqueles que os estudos dos costumes do século XVI endureceu... a maioria destes sectários era constituída por homens sinceros e pacíficos, que teriam podido ser dirigidos sem recorrer ao fogo e ao afogamento... Haveria muito a dizer, se nos quiséssemos referir aos seus descendentes espirituais, as seitas do século XVII, da Inglaterra e da Nova Inglaterra (os batistas e menonitas), e para podermos afirmar que os anabatistas deram grande contribuição a liberdade religiosa e cívica." (página 143). 

"Uma revisão realista obriga-nos a acrescentar que nenhuma outra seita religiosa mostrou maior heroísmo passivo, face à perseguição." (página 141). 

Quando afirmamos que os anabatistas são os sucessores autênticos dos apóstolos não estamos idealizando uma fantasia. Estamos relatando uma verdade que jamais será publicada nos livros de história eclesiástica.

Autor: Pastor Gilberto Stefano 
Igreja Batista da Fé, 
Rua Jamil Dib Lufti, nr. 165 
Jardim Santa Clara 
17500-000 Marília, São Paulo 
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br
http://www.palavraprudente.com.br/estudos/gilberto_s/historiaigreja/cap07.html

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Os Waldenses e a Bíblia - parte 2

Verdadeira Bíblia e Verdadeira Igreja Inseparáveis

Por Élder Robert L. Webb

Um estudo cuidadoso da história dos antigos waldenses, e dos textos e traduções da Bíblia, revela claramente quão inseparável é a verdadeira Bíblia da verdadeira Igreja. Talvez isso pareça óbvio, mas achamos que deveria encorajar a Igreja em sua lealdade ao Texto Recebido, e sua melhor tradução para o inglês, a Versão do Rei Jaime [King James]. Nós também soamos uma advertência solene aos desinformados: "Não considerem as quase 100 traduções modernas e paráfrases feitas de textos corruptos como a palavra inspirada de Deus!"

Recentemente adicionamos várias das mais antigas traduções inglesas das escrituras do Novo Testamento à nossa coleção, incluindo reimpressões da versão original do King James de 1611, uma edição de 1607 do Novo Testamento de "Genebra", o Novo Testamento de 1526 Tindale e um manuscrito de 1388 do Novo Testamento de Wickliffe. Nós também adicionamos livros de Jean Leger (1669), George S. Faber (1838) e William S. Gilly (1824) à nossa coleção de livros sobre os antigos Waldenses e Albigenses. Veja o Apêndice neste panfleto para uma lista completa de acervos da Biblioteca Batista Primitiva sobre o assunto da história dos Valdenses. [Ou busque através do site de onde esse texto foi traduzido.]

Desejamos citar um livro intitulado Our Authorized Version Vindicated, copyright 1930, de Benjamin G. Wilkinson, que (sendo adventista do sétimo dia) não pode ser acusado de ser parcial para nós. O Sr. Wilkinson escreveu:

. . . ao longo dos séculos, havia apenas dois fluxos de manuscritos. A primeira corrente que levou o Texto Recebido em hebraico e grego, começou com as igrejas apostólicas, e reaparecendo em intervalos da Era Cristã entre os crentes iluminados, foi protegida pela sabedoria e erudição da igreja pura em suas diferentes fases; por tais como a igreja em Pella na Palestina, onde os cristãos fugiram, quando em 70 d.C. os romanos destruíram Jerusalém; pela Igreja síria de Antioquia, que produziu bolsa de estudos eminente; pela Igreja Itálica no norte da Itália; e também ao mesmo tempo pela Igreja Gálica no sul da França e pela Igreja Celta na Grã-Bretanha; pelo pré-waldense, o waldense e as igrejas da Reforma. Este primeiro fluxo aparece, com muito pouca mudança, nas Bíblias Protestantes de muitas línguas, e em inglês, naquela Bíblia conhecida como a Versão King James, a que tem sido usada por trezentos anos no mundo de fala inglesa.
O segundo fluxo é pequeno de muito poucos MSS [(manuscritos)]. Estes últimos manuscritos estão representados: (a) Em grego: - O Vaticano MS, ou Codex B, na biblioteca de Roma; e o Sinaítico, ou Códice Aleph, seu irmão (no Museu Russo em Moscou). (b) Em latim: - A Vulgata ou a Bíblia latina de Jerônimo. (c) Em inglês: - A Bíblia jesuíta de 1582, que depois com grandes mudanças é vista no Douay, ou Bíblia Católica. (d) Em inglês novamente: - Em muitas Bíblias modernas que introduzem praticamente todas as leituras católicas da Vulgata latina que foram rejeitadas pelos Protestantes da Reforma; Entre esses, destacam-se as Versões Revisadas .-- pp. 12, 13.

Mas vejamos o que os waldenses acreditavam, de acordo com seu próprio historiador Jean Leger. Wilkinson, página 32, diz:
Este nobre estudioso de sangue waldense foi o apóstolo de seu povo nos terríveis massacres de 1655, e trabalhou inteligentemente para preservar seus antigos registros. Seu livro, a História Geral das Igrejas Evangélicas dos Vales do Piemonte, publicado em francês em 1669, e chamado de "escasso" em 1825, é o objeto precioso dos pesquisadores acadêmicos. É a minha sorte ter esse mesmo livro diante de mim. Leger, quando ele chama (Robert) a Bíblia francesa de Olivetan de 1535 "inteira e pura", diz: "Eu digo 'puro' porque todos os antigos exemplares, que antes eram encontrados entre os papistas, estavam cheios de falsificações, o que fez Beza Em seu livro sobre Homens Ilustres, no capítulo sobre os waldenses, deve-se confessar que foi por meio dos waldenses dos Vales que a França hoje tem a Bíblia em sua própria língua. Esse homem piedoso, Olivetan, no prefácio de sua Bíblia, reconhece com gratidão a Deus, que desde o tempo dos apóstolos, ou seus sucessores imediatos, a tocha do evangelho foi acesa entre os waldenses (ou os habitantes dos Vales dos Alpes, dois termos que significam o mesmo ), e desde então nunca foi extinto ". --Leger, História Geral das Igrejas Waldenses, p. 165.
Wilkinson também mostra (pp. 42-43) que Erasmo reconheceu duas correntes paralelas de Bíblias:

OS DOIS FLUXOS PARALELOS DAS BÍBLIAS


Apóstolos (Original) / Apóstatas (Originais Corrompidos)

Texto recebido (grego) / Sinaiticus and Vaticanus Bible (Greek)

Bíblia Waldense (Itálico) / Vulgata (latim). Igreja da Bíblia de Roma.

Erasmus (Texto Recebido Restaurado) / Vaticanus (grego).

Bíblia de Lutero, holandês, francês, italiano, etc., (do texto recebido). / Francês, espanhol e italiano (da Vulgata).

Tyndale (Inglês) 1535 (do texto recebido). / Reims (em Inglês) da Vulgata (Bíblia Jesuíta de 1582).

Rei James, 1611 (do Texto Recebido) Movimento de Oxford. / Westcott & Hort (B e Aleph). Revisto em 1901.

Isto deve ser suficiente para persuadir o leitor a não considerar estas duas correntes de Bíblias igualmente puras ou boas. Acreditamos que as traduções que surgem dos textos corrompidos têm sido amplamente responsáveis ​​por desvios de muitas das doutrinas mais essenciais da fé cristã, isto é, a criação, inspiração plenária e preservação das escrituras, a divindade e nascimento virginal de Jesus Cristo, e a ressurreição dos mortos. Os batistas ingleses e galeses, tendo surgido dos anabatistas, que eram descendentes dos waldenses, foram apoiantes de traduções feitas a partir do textus receptus. O mesmo pode ser dito dos primeiros batistas na América. Não encontramos evidências de que a tradução de Wickliffe tenha ganho muito favor ou apoio deles. A tradução inglesa de Wickliffe foi feita a partir da Vulgata latina, ele ignorando grego e hebraico. A "Grande Reforma" que se seguiu mais de um século após a morte de Wickliffe não transformou a Bíblia Católica na "verdadeira Bíblia"; [nem a] Igreja [(saida da católica)] na "igreja verdadeira". Como mostrado acima, os reformadores protestantes e os waldenses se recusaram a usar os manuscritos católicos (Vulgata ou Vaticano). Não afirmamos que a versão King James é a única tradução que pode ser chamada de palavra inspirada de Deus, mas sim que o Texto Recebido é a única base subjacente para qualquer tradução do Novo Testamento passada, presente ou futura que deve ser assim considerada pelos cristãos. Traduções do Texto Recebido foram feitas na maioria das principais línguas do mundo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

A impossibilidade do cálculo econômico na comunidade socialista


O cálculo econômico na comunidade socialista
Por Ludwig von Mises

Mas será que estamos realmente abordando as inevitáveis consequências
da propriedade comunal dos meios de produção? Não há
um meio através do qual algum tipo de cálculo econômico possa ser
associado a um sistema socialista?

Em todas as grandes empresas, cada seção possui, de certa forma,
uma independência em sua contabilidade. Cada seção é capaz de calcular
e comparar os custos da mão-de-obra com os custos dos materiais,
o que torna possível que cada grupo individual atinja um determinado
equilíbrio e classifique, por meio de uma abordagem contá-
bil, os resultados econômicos de sua atividade. Pode-se assim apurar
qual foi o sucesso que cada seção em particular obteve, bem como
tirar conclusões quanto à necessidade de haver reorganizações, cortes
de despesas, abolição ou expansão de grupos existentes, ou até mesmo
a criação de novos. Reconhecidamente, alguns erros são inevitáveis
em tais cálculos. Eles surgem parcialmente em decorrência das dificuldades
de se alocar as despesas gerais. Já outros erros surgem da
necessidade de se calcular aquilo que, sob vários pontos de vista, não
constitui dados rigorosamente determináveis — por exemplo, quando,
ao se avaliar a lucratividade de um dado método de produção,
calcula-se a depreciação das máquinas baseando-se na hipótese de
elas terem uma durabilidade já pré-determinada. Ainda assim, todos
esses erros podem ser considerados ínfimos, de modo que eles não
atrapalham o resultado líquido do cálculo. O que restar de incerto vai
entrar no cálculo da incerteza das condições futuras, que afinal é uma
característica inevitável da natureza dinâmica da vida econômica.

Seguindo-se essa lógica, pode ser tentador querer fazer — por meio
de analogias — estimativas e valorações individuais para determinados
grupos de produção no estado socialista. Mas isso seria totalmente
impossível, pois cada cálculo econômico para cada seção individual da
mesma empresa só pode ser feito se houver um livre mercado de forma-
ção de preços. É exatamente nas transações de mercado que os preços
de mercado — a serem tomados como base para todos os cálculos —
são formados para todos os tipos de bens e mão-de-obra empregados.
Onde não há um livre mercado, não há mecanismo de preços; e sem um
mecanismo de preços, é impossível haver cálculo econômico.

Alguns podem imaginar que é possível uma situação na qual a troca
entre determinados ramos de negócios seja permitida a fim de se
obter o mecanismo que determina as relações de troca (preços) e, com
isso, criar uma base para o cálculo econômico, mesmo na comunidade
socialista. Dentro da estrutura de uma economia uniforme, na
qual não há propriedade privada dos meios de produção, cada grupo
trabalhista é constituído de maneira independente, porém todos
continuam subjugados e tendo de se comportar de acordo com as diretivas
expedidas pelo supremo conselho econômico. Não obstante,
cada grupo trabalhista iria ofertar serviços e bens materiais ao outro
grupo somente em troca de algum pagamento, que teria de ser feito
utilizando-se o meio geral de troca. Grosso modo, quando se fala
da completa socialização da economia, é dessa maneira que algumas
pessoas imaginam como seria a organização da gerência socialista
dos negócios. Mas ainda não chegamos ao ponto crucial. Relações
de troca entre bens de produção somente podem ser estabelecidas se
estiverem baseadas na propriedade privada dos meios de produção.
Quando o “sindicato dos carvoeiros” fornece carvão ao “sindicato dos
metalúrgicos”, nenhum preço pode ser formado, exceto se ambos os
sindicatos forem os donos dos meios de produção empregados em
seus respectivos negócios. Isso não seria um socialismo, mas, sim,
um sindicalismo ou um capitalismo trabalhista.

Para aqueles teóricos socialistas que se fundamentam na teoria do
valor trabalho, o problema, obviamente, é realmente muito simples.
Segundo Engels,

Tão logo a sociedade se aposse dos meios de produção e
ponha-os a produzir em sua forma diretamente socializada,
o trabalho de cada indivíduo, por mais diferente que
sua utilidade específica possa ser, se transforma a priori e
diretamente em trabalho social. A quantidade de trabalho
social investida em um produto não precisará, a partir
de então, ser estabelecida indiretamente; a experiência
diária imediatamente nos dirá quanto será necessário, na
média. A sociedade poderá simplesmente calcular quantas
horas de trabalho são empregadas em uma máquina a
vapor, na colheita de um determinado volume de cereais
e em 100 jardas de linho de uma dada qualidade... Certamente
a sociedade também terá de saber quanto trabalho
será necessário para produzir qualquer bem de consumo.
Ela terá de arranjar seu plano de produção de acordo com
a disponibilidade de seus meios de produção — e, é claro,
a força de trabalho cai nessa categoria. As utilidades dos
vários bens de consumo, ponderadas entre si e em rela-
ção à quantidade de trabalho requerida para produzi-las,
irão em última instância determinar o plano. O povo irá
simplificar tudo, sem a mediação do famigerado “valor”(1).

Não é nossa tarefa aqui reafirmar as objeções críticas à teoria do
valor-trabalho. Neste ponto, elas podem nos interessar apenas na medida
em que nos permitem julgar a possibilidade de fazer do trabalho
a base dos cálculos econômicos em uma comunidade socialista.
À primeira vista, o cálculo em termos do trabalho também leva
em consideração as condições naturais — isto é, não humanas — da
produção. A lei dos retornos decrescentes já está incluída no conceito
marxista do tempo de trabalho socialmente necessário, uma vez
que a variação das condições naturais de produção altera o cálculo do
trabalho. Por exemplo, se a demanda por uma mercadoria aumentar,
e isso consequentemente fizer com que recursos naturais piores tenham
de ser explorados, então o tempo médio do trabalho socialmente
necessário para a produção de uma unidade irá aumentar também.
Se recursos naturais mais favoráveis forem descobertos, a quantidade
de trabalho socialmente necessário irá diminuir.(2)

 Essa consideração acerca das condições naturais de produção somente será válida se puder
ser refletida na quantidade de trabalho socialmente necessário.
Mas é nesse aspecto que a valoração em termos do trabalho se
mostra inadequada. Ela não leva em conta o emprego dos fatores
materiais de produção. Suponhamos que a quantidade de tempo de
trabalho socialmente necessário requerido para a produção de duas
mercadorias, P e Q, seja de 10 horas cada. Além disso, além do trabalho
requerido, a produção tanto de P quanto de Q exige o uso da
matéria-prima A, sendo que uma unidade desta é produzida em uma
hora de trabalho socialmente necessário; 2 unidades de A e 8 horas
de trabalho são utilizadas na produção da P, e uma unidade de A e 9
horas de trabalho são utilizadas na produção de Q. Em termos de
trabalho, P e Q parecem ser equivalentes, mas não são. Em termos de
valor, P vale mais do que Q. Somente essa última desigualdade corresponde
à essência e ao propósito do cálculo econômico. É verdade
que este excedente — o fato de P valer mais do que Q, de acordo com
o cálculo de valor — é um substrato material “fornecido pela natureza
sem qualquer adição humana”.(3)
 Ainda assim, o fato de tal bem existir
apenas em quantidades não-abundantes, o que necessariamente obriga
um uso mais frugal, tem de ser levado em conta, de uma forma ou
de outra, no cálculo do valor.
O segundo defeito do cálculo em termos de trabalho é que tal mé-
todo ignora as diferentes qualidades do trabalho. Para Marx, todo trabalho
humano é economicamente do mesmo tipo, pois ele é sempre
“o dispêndio produtivo do cérebro, dos músculos, dos nervos e das
mãos humanas.” (4)

O trabalho qualificado nada mais é do que um trabalho
simples que foi intensificado ou mesmo multiplicado.
Destarte, uma quantidade pequena de trabalho qualificado
é igual a uma quantidade grande de trabalho simples.
A experiência mostra que o trabalho qualificado sempre
poderá ser traduzido em termos de trabalho simples.
Não importa que uma dada mercadoria seja o produto do
trabalho mais altamente capacitado — seu valor sempre
poderá ser equiparado ao valor daquela que é produto de
um trabalho simples, de modo que ela representa meramente
uma quantia definida de trabalho simples.
Böhm-Bawerk não está muito errado quando diz que esse argumento
é “um truque teórico espantosamente ingênuo”. (5)

 Para julgarmos a visão de Marx nem é preciso averiguarmos se existe uma medida fisiológica
uniforme para todo o trabalho humano, seja ela física ou “mental”.
Pois é certo que existe entre os homens graus variáveis de capacidade
e destreza, o que faz com que os produtos do trabalho tenham
qualidades variáveis. Ao decidirmos se é válido fazer cálculos em termos
de trabalho, o que deve ser verificado é se é possível ou não colocar
diferentes tipos de trabalho sob um mesmo denominador comum sem
que os consumidores façam qualquer valoração dos produtos gerados
por cada trabalho. Porém, a prova que Marx tenta apresentar não logra
êxito. A experiência na verdade mostra que os bens são consumidos
em relações de troca sem que se considere se foram produzidos por
trabalho simples ou complexo. E apenas se fosse possível mostrar que
o trabalho é a fonte do valor de troca desses bens é que se poderia dizer
que certas quantidades de trabalho simples são diretamente iguais a
certas quantidades de trabalho complexo. Essa homogeneidade não
apenas não é demonstrada, como na verdade ela é exatamente o que
Marx estava tentando demonstrar através desses mesmos argumentos.

O fato de que, em uma economia de troca, as taxas de substituição
entre trabalho simples e complexo se manifestam em termos de salá-
rio em nada ajuda na tentativa de se comprovar essa homogeneidade
— um fato ao qual Marx não faz qualquer alusão nesse contexto. Esse
processo de comparação é o resultado das transações de mercado; ele
não as antecede, ele advém delas. O cálculo em termos do trabalho,
para funcionar igualmente bem, teria de criar uma proporção arbitrária
que fizesse essa substituição entre o trabalho simples e o complexo.
Mas isso o tornaria inútil como instrumento de organização
econômica dos recursos.

Há muito se supunha que a teoria do valor-trabalho era indispensável
ao socialismo, e que ela fornecia uma necessária base ética para
a exigência da socialização dos meios de produção. Agora já sabemos
o erro que isso representa. Embora a maioria dos defensores do socialismo
tenha empregado essa concepção errônea — inclusive Marx,
que, conquanto tenha adotado fundamentalmente outra visão, não
estava completamente livre daquela —, já está claro que os clamores
políticos pela implantação da produção socializada não requerem
e nem podem obter o suporte da teoria do valor-trabalho. Outras
pessoas que tenham idéias diferentes quanto à natureza e origem do
valor econômico também podem ser socialistas em seus sentimentos;
entretanto, a teoria do valor-trabalho é inerentemente necessária aos
defensores do modo socialista de produção de uma maneira que não é
exatamente a imaginada: em uma economia socialista, a produção só
poderá parecer racionalmente realizável se fizer uso de uma unidade
de valor objetivamente reconhecível, a qual iria permitir o cálculo
econômico em uma economia em que nem o dinheiro e nem as trocas
estariam presentes. E apenas o trabalho pode concebivelmente ser
considerado essa unidade de valor.

Notas:
1
 Friedrich Engels, Herrn Eugen Dührings Umwälzung des Wissenschaft, 7th ed., pp. 335 f. [Traduzido por
Emile Burns como A Revolução Científica de Herr Eugen Dühring - Anti-Düring (Londres: Lawrence &
Wishart, 1943).]
2
 Karl Marx, Capital, traduzido por Eden e Cedar Paul (Londres: Allen & Unwin, 1928), p. 9.
3
 Karl Marx, Capital, traduzido por Eden e Cedar Paul (Londres: Allen & Unwin, 1928), p. 12.
38 Ludwig von Mises
4
 Karl Marx, Capital, traduzido por Eden e Cedar Paul (Londres: Allen & Unwin, 1928), p. 13 et seq.
5 Cf. Eugen von Böhm-Bawerk, Capital and Interest, traduzido por William Smart (Londres e Nova York:
Macmillan, 1890), p. 384.


Do livro O cálculo econômico sob o socialismo de Ludwig von Mises
1ª Edição
Editado por:
Instituto Ludwig von Mises Brasil