terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A Teologia Ortodoxa e a História da Igreja

A Teologia Ortodoxa e a história da Igreja Primitiva são inseparáveis, pois a Igreja Ortodoxa se compreende como a continuação direta da comunidade apostólica estabelecida no Pentecostes. Ela valoriza a Tradição, a liturgia e a interpretação patrística dos primeiros séculos. 

Temas Fundamentais da Teologia Ortodoxa
A teologia ortodoxa é caracterizada por um equilíbrio entre a fé racional (dogmas) e a experiência mística.
  • Teologia Trinitária e Unidade: Crença no Deus Verdadeiro — Pai, Filho e Espírito Santo — trinitarismo monoteísta definido pelos primeiros concílios.
  • Encarnação do Logos (Filho de Deus): A crença central de que Deus se tornou homem para salvar a humanidade.
  • Theosis (Divinização): O objetivo da vida cristã, que é tornar-se mais parecido com Deus através da graça divina, unindo-se a Ele.
  • Teologia Negativa (Apopática): A ênfase de que Deus está além da compreensão humana, sendo conhecido mais pela experiência mística do que pela definição lógica.
  • Pericorese: A interpenetração amorosa das três pessoas da Trindade e, por extensão, a união do divino e humano em Cristo.
  • Iconografia: Os ícones não são apenas arte, mas "janelas para o céu" que facilitam a conexão espiritual e veneração dos santos e de Cristo.
  • Eclesiologia (A Igreja como Corpo): A Igreja é vista como o Corpo de Cristo, a plenitude da verdade e a continuação da missão apostólica. 
Temas da História da Igreja Primitiva
A igreja primitiva (séculos I-VI) focava na evangelização, pureza da doutrina e vida comunitária.
  • Pentecostes: Considerado o início da Igreja, quando o Espírito Santo capacitou os apóstolos.
  • Concílio Apostólico (Atos 15): A decisão crucial de que gentios (não judeus) poderiam se tornar cristãos sem seguir a Lei Mosaica, selando a abertura da Igreja.
  • A Era dos Mártires e Apologistas: O período de perseguição romana gerou a necessidade de defender a fé (apologética) e consolidar o testemunho.
  • Patrística (Pais da Igreja): Teólogos dos primeiros séculos que definiram a fé ortodoxa (ex: Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, João Crisóstomo).
  • Sete Concílios Ecumênicos: A estrutura doutrinária foi definida nestes concílios (entre 325 e 787 d.C.) que combateram heresias e estabeleceram o credo.
  • Os Quatro Pilares: Doutrina dos apóstolos, comunhão, partir do pão (Eucaristia) e orações. 
Evolução Histórica Ortodoxa
  • Constantinopla: Com a transferência da capital por Constantino, a sede da igreja oriental ganha relevância.
  • Grande Cisma (1054): Divisão definitiva entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa (Oriente), motivada por diferenças teológicas (Filioque) e políticas.
  • Tradição da Diáspora: Após a queda de Constantinopla (1453), a teologia ortodoxa expandiu-se, com centros na Rússia e, posteriormente, no exílio ocidental. 
A Igreja Ortodoxa enfatiza que manteve a fé "reta" (ortodoxia) sem mudanças desde os tempos da Igreja primitiva. 


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