quarta-feira, 7 de março de 2018

NEO-GNOSTICISMO SOB ANÁLISE - parte 6 - A Falsa Gnose de Samael Aun Weor

Nesse artigo vamos nos aprofundar mais na história e na personalidade de Samael. Não resumi mais esse estudo, deixando a parte de sua história completa, por se parecer muito a história de muitos buscadores da verdade que perambularam por religiões e ordens esotérica e com a minha própria história na infância e juventude, com exceção da sua madrasta malvada e a saída precoce de casa. 
Devemos saber a diferença do que ele fez e do que uma boa parte de nós fazemos diante das dúvidas que ele teve durante a infância. Apelamos geralmente para alguns bons caminhos (excluo propositalmente os prejudiciais até para não servir de mal exemplo ou que alguém possa achar que é um bom caminho): (a) imploramos a Deus uma solução dos nossos conflitos internos, de nossas dúvidas, de nossos medos e indecisões; (b) pesquisamos a fundo (e isso ele fez em parte) buscando as fontes originais (e isso ele só fez poucas vezes), as referências daqueles autores, os prós e contras do que eles dizem, sua história de vida; (c) buscamos a literatura sagrada daquilo que acreditamos pelo menos para checar se aquelas informações conferem, comparamos às tradições originais, sua história; (d) buscamos meios e práticas que nos possibilitem checar aquelas informações de alguma forma por nós mesmos; (e) e buscamos o que a ciência e pessoas mais experientes dizem sobre aqueles assuntos, outras pesquisas anteriores, a abordagem de outros autores, etc.. 
Podemos fazer tudo isso, mas Samael seguiu o caminho pelo qual foi condicionado pelas mesmas instituições que renegou, o caminho da ideologia da nova era (que também negava) e acreditou nas mentiras que todos eles dizem na tentativa neutralizar essas formas de verificação acima: que as escrituras foram muito adulteradas e que não servem mais; que todas as tradições estão corrompidas e que só os deuses (ou os que se tornam deuses), os budas (ou os que se tornam budas) é que podem saber alguma coisa de verdade e guiar a humanidade que está completamente perdida e sem mestres; que os outros autores são enganadores, ou estão enganados ou são falsos mestres ou que não são mestres (por isso a necessidade de um mestre completamente realizado em tudo para dirigir as pessoas). 
E que mestre pode ser melhor do que alguém que sabe tanta coisa, que leu tanto, que passou por tantas ordens? Ele, Victor Manuel Gómez Rodriguez, auto nomeado Samael, é claro. Krumm Heller chegou a participar de 26 ordens, segundo ele mesmo, e ao mesmo tempo, alguns dizem, mas tinha morrido. Heller talvez fosse a pessoa que mais Samael admirava, seu modelo e ideal de gnóstico, esoterista, rosacruz, mestre, etc.. E Heller era chamado mestre e tinha um nome de mestre, Huiracocha. Victor Rodriguez sentiu-se a única pessoa capaz de substituí-lo e acreditou nos seus sonhos, em ambos os sentidos, seus ideais, e seus sonhos noturnos, afinal o que mais poderia sonhar à noite alguém que vive mergulhado nesses estudos e experiências?
Por isso é importante entender a psicologia samaeliana antes de julgá-lo, sua história é muito importante para isso. E antes de julgar suas intenções, o que não pretendo fazê-lo e recomendo o mesmo a você, é preciso entender sua história e que qualquer um de nós, buscadores da verdade, poderíamos ter caído na mesma armadilha ou similares; muitos ainda estão enrolados nelas, mesmo não sendo na armadilha que o próprio Samael preparou. Creio que no máximo poderíamos julgar que ele sofresse de algum problema psíquico, ainda mais depois de anos mergulhado no alcoolismo e espiritismo (pois continuava fazendo "curas" miraculosas sob efeito do álcool e, como ele disse outras vezes, quem curavam eram os mestres, Huiracocha, Paracelso, Galeno, etc., (ou qualquer entidade que se fazia passar por estes)). 
Ele usou de práticas espirituais de várias religiões, seitas e ordens secretas, muitas práticas realmente boas e que produziam bons resultados, mas muitas também inúteis e muitas outras muito prejudiciais. Ele não oferecia nos seus cursos um método apenas, mas um conjunto de práticas tão diversificado que alguém jamais poderia se dedicar a todas elas e chegar a ser realmente prático em alguma. Haviam algumas fundamentais e outras tantas que as pessoas poderiam escolher. Sua intenção não parecia ser propriamente enganar, mas atrair para si seguidores de todos os tipos e gostos, pois realmente, ao que parece, julgava a si mesmo como um melhor guia para a humanidade do que todas as religiões e ordens existentes. 
O que devemos julgar não é a pessoa em questão aqui, mas o erro, porque aqui estamos demonstrando a maioria dos seus erros. Erros que constituem sérios enganos, desvios, corrupções, mal feitos, pecados, tolices, etc. a que estamos sujeitos como humanos, mas que devemos agora, sabendo disso, evitar os aqui demonstrados. 
Tenho que dizer isso aqui também porque o autor do texto abaixo não é da mesma opinião, ele, como muitos que passaram pelo movimento gnóstico acredita que tudo que Samael fez foi propositadamente, com a más intenções de enganar. Eu não digo nem que sim nem que não, suspendo o juízo, e apresento os acontecimentos e os escritos, estes falam por si mesmos. Se estou apresentando o relato de vários autores é para que se veja que não é uma invenção minha, o que eles falam eu presenciei e li. Faço assim para complementar o testemunho  e inclusive para poupar meu trabalho de escrever e descrever tudo isso novamente que já se encontra fartamente bem descrito por várias outras pessoas que vivenciaram o que são as instituições samaélicas.
Podemos também considerar, do ponto de vista clínico ou mesmo religioso, como um dos erros principais, senão o  principal, o que o conduziu ao que praticamente podemos chamar de esquizofrenia (ou no mínimo como ele mesmo dizia, mitomania e egolatria), que é a chamada magia sexual. E podemos afirmar com plena certeza, do ponto de vista religioso ou mesmo esotérico, que seu principal problema é a idolatria, o culto a sua própria pessoa e a adoração que todos deveriam ter nas práticas das câmaras mais avançadas ao que chamava de seu real ser (que finalmente declarou ter encarnado completamente) Samael Aun Weor, além do culto a vários outros deuses pagãos, e espíritos dos chamados mestres (algo entre o culto dos santos no catolicismo e a prática espírita de invocar intercessores), mas isso será mostrado em outras partes desse estudo.
Do ponto de vista psicológico e da religião ainda podemos falar do domínio exercido pela prática  da magia sexual. E do ponto de vista gnóstico o culto muitas vezes se confunde entre o Deus cristão que Samael chama de Jeová e outros nomes bíblicos (menos Javé, considerado por ele o nome de um demônio), o deus da maçonaria (GADU) e o próprio demiurgo (Yaldabaoh Saclas Samael, o que os gnósticos verdadeiros chamam de deus  falso, que mantém o ser humano prisioneiro nesse mundo, equivalente ao Satanás cristão em quase todos os aspectos).
Muitos mesmo afastados de qualquer das seitas, ordens ou grupos do movimento infelizmente mantêm-se enredados ainda nas crenças ocultistas e nos autores dos quais Samael copia sua doutrina acreditando que o problema era apenas Samael e sua ordem e não estas doutrinas que nunca realmente se provam como dizem, mas pelo contrário, se baseiam em racionalizações, crenças truques de mágica e truques psicológicos, quando não são trabalhos demoníacos. No final tudo se comprova justamente o contrário do que dizem. Não digo que todos os autores ordens, religiões, ou escolas de onde Samael copia sejam farsantes, muitos simplesmente estão enganados em suas doutrinas, outros talvez tenham muito de verdadeiro. Entretanto é importante notar que a pessoa vai a procura da verdade, de ver as coisas por si mesmo e de realizar por si mesmo e tem que se conformar com livros, doutrinas, rituais e algumas poucas experiências em comum e sai. Ou então saem decepcionados com a farsa e a escravidão mental a que se submeteram, ou ainda outros acreditando que aquilo é muito superior as suas capacidades e se sentindo inferiorizadas, neste caso ainda crendo nas doutrinas (ficando ou saindo das ordens) com a mente bem mais confusa do que quando entrou. 
Tais resultados prometidos por Samael poderiam ser obtidas por quaisquer outros meios ou instituições outras que tratem disso pois são capacidades de nossa própria mente que aprendemos a usar, e Samael se utilizou bastante disso para dar a falsa impressão de que tudo que ensina seria verdadeiramente comprovável, mesmo que num futuro longíncuo ou depois da morte.

A Falsa Gnose de Samael Aun Weor
Author: Prometeu

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vô-lo tenho predito.” Mestre Jesus, o Cristo ( Mateus 24, 23-27)
BIOGRAFIA
A biografia deste personagem está muito incompleta. Como qualquer pessoa pouco conhecida nos meios esotéricos e culturais, qualquer pessoa de pouca formação e que operou sempre em pequenos grupos, inicialmente, a história da sua infância e meia idade são pouco conhecidas. Samael Aun Weor é o pseudónimo de Vitor Manuel Gomez Rodriguez. Usou também o pseudónimo de Kattan Umaña Tamines. Nasceu no dia 6 de Abril de 1917, em Santa fé de Bolgota, Colômbia. Seguem-se algumas notas biográficas de Oscar Uzcátegui (discípulo querido de Samael):
“O seu pai era um homem de grande estatura, de descendência africana, de mãos largas e compleição robusta. A sua mãe descrevem-na como uma mulher vestida ao estilo do século passado, ou seja, de vestido largo, tocando os tornozelos, blusa de mangas largas, apreciadora de usar a sombrinha sobre a cabeça e de descendência árabe.”Os dias foram correndo, e este menino que era muito esperto para a idade, não gostava de brincar com os seus vizinhos, preferindo antes a meditação em flor de lótus, sentado sobre o telhado da sua velha casa. Na escola, comportava-se de uma maneira muito estranha, pois sempre pensou que os estudos intelectuais ensinados na escola não têm quaisquer relação com a verdadeira essência do homem. Por estas razões não era estranho observá-lo a bocejar nas salas de aula, sendo repreendido constantemente e puxando-lhe as orelhas. Suas notas oscilavam entre puros zeros. Isto foi se intensificando a tal ordem, até que aconteceu o que se esperava que acontecesse: foi expulso do colégio…
…Teve também uma madrasta que o maltratou bastante, mesmo fisicamente, chegando a açoitá-lo de modo a deixar marcas para toda a vida. Tal situação foi-se agravando cada vez mais, que o motivou a sair de casa, jurando não regressar mais. Tinha 9 anos. Antes de o fazer, era um menino de coro de uma igreja sul-americana. Este ofício obrigou-o a aprender a recitar latim e versos cristãos nessa igreja.”
E é tudo quanto adianta Oscar Uzcátegui.
Na primeira edição da revista Monsalvat, Valencia, outros dados são acrescidos: “Educado em bons modos, estuda nos claustros de um colégio de padre jesuítas e, aos 12 anos de idade, desiludido com a religião, sai do colégio. Motivado pela incansável vontade de buscar a Verdade, decide investigar os mistérios do Além e integra-se no inquietante mundo do espiritismo.
Lê, entre outros, Luís Zea Uribe, Camilo Flammarion, Kardek, León Denis, etc.
Acaba por descobrir a triste realidade destas práticas e retira-se.
Tem agora 14 anos.
Decide então pesquisar os problemas do Espírito à Luz da Ciência moderna.
Insatisfeito, adere à Sociedade Teosófica aos 16 anos de idade. Esgota toda a literatura teosófica, mas o resultado é a desilusão e retira-se.
Aos 18 anos, é-lhe concedida a honra de ingressar na escola Rosacruz Antiqua de Krumm-Heller.
Estuda Eliphas Levi, Steiner, Max Heindel mas, uma vez esgotada toda a biblioteca rosacruz, retira-se novamente insatisfeito.
Cansado de tantas teorias, decide entregar-se à meditação. Depois de terríveis esforços, obtém a dita de despertar no Altar da Iniciação e de Dialogar com seu íntimo. Então, toma conhecimento de que foi, numa outra reencarnação, um Hierofante Egípcio. Compreende que chegou a altura de abrir as portas da Gnosis à humanidade, mostrando-lhes a senda do “fio da navalha” e ensinando todos os seus perigos.
Junto com sua esposa, empreende a difícil tarefa de dar o conhecimento “gnóstico”. Ninguém antes dele se atreveu a entregar publicamente a Chave da Iniciação. Desta maneira, nasceu o seu primeiro livro, intitulado “O Matrimónio Perfeito” Começou por escrevê-lo no chão, pois não tinha sequer dinheiro para uma mesa e terminou as últimas páginas numa caixa de madeira.
A Publicação do Livro foi “aprovada pessoalmente pelos Mestre Morya e Koot Hoomi, numa reunião transcendental na Loja Branca, celebrada nos Mundos Superiores da Natureza”…
...Faleceu na cidade do México no dia 24 de Dezembro de 1977 e foi cremado no dia 27 de Dezembro.”
Tudo isto parece muito maravilhoso, mas veremos, mais adiante, o mistério de toda esta farsa.
BIOGRAFIA REENCARNACIONALISTA
Trataremos agora de ver algumas das muitas reencarnações de que nos fala o ousado Samael. Afinal, um pouco de sensasionalismo, só o ajudou na reputação.- Júlio César (teve como missão ajudar na criação da 4ª sub-raça da 5ª raça-raíz).
– No livro “O Mistério do Áureo Florescer”, diz que, depois de Júlio César, viveu ainda mais 2 reencarnações em Roma.
– No mesmo livro, conta uma grande história, em como reencarnou em Espanha, na época do Inquisidor Torquemada, e em como acabou por ser morto por ele, na fogueira, vítima de uma grande injustiça. (Tudo isto, já sabemos, para despertar nos seus discípulos um sentimento de pena do mestre.)
– No mesmo livro ainda, diz que reencarnou imediatamente com o nome de Simeon Bleler , e andou pela Nova Espanha e Inglaterra.
– Teve uma reencarnação também em Espanha com o nome de Juan Conrado, marquês e terceiro grande senhor da província de Granada.
– A seguir a esta reencarnação, teve outra no México com o nome de Daniel Coronado. Tudo isto, pode ser consultado no referido livro, junto com as suas magníficas sagas de que nos fala este Sr.
– Foi Sacerdote numa ordem sagrada no Tibete, composta por 201 membros.
– Reencarnou no antigo egipto como um grande sacerdote, no tempo do faraó KEFREN
– Reencarnou na antiga Lua, quando era habitada, e teve por missão fazer o que Cristo fez no nosso planeta – ser crucificado para salvar a humanidade e preparar a 5ª raça.
Estes e outros absurdos sem vergonha, podem ser estudados nas obras de Samael. Um dos exemplos mais aberrantes da sua conduta é dar-se ao luxo de nomear os mestres que estão de consciência desperta ou não, como se fosse alguma autoridade para isso.
Podem fazer o download do livro, em espanhol, “O meu regresso ao Tibete”, aqui.
(...)
DOUTRINA PSEUDO-GNÓSTICA DE SAMAEL 
A doutrina gnóstica divulgada por Samael, é, nada mais nada menos, do que uma grande salada de conhecimentos depenicada aqui e acolá, apropriada de inúmeras escolas e mestres.
Com tal salada, o ousado Samael, deu a cara ao mundo e intitulou-se o mestre da salvação, o “Avatar da Era de Aquário”, o Cristo vermelho, o Logos do planeta Marte, o Buda Maitreya, etc ,etc., o único eleito para divulgar ao homem as chaves da sabedoria oculta e da libertação do homem.
Nas salas de estudo dos centros gnósticos, os ensinamentos outorgados ao aluno, distribuem-se por três etapas, ou “câmaras”, a saber, 1ª câmara, 2ª câmara e 3ª câmara.
A 1ª câmara, que se divide em câmara A e câmara B, consiste em transmitir as práticas esotéricas do centro, como são as runas, magia sexual, zodiacal, elemental e outras, e também se ensina a psicologia gnóstica de Samael, o estudo dos demónios particulares de cada um, a meditação etc.
A 2ª câmara é uma extensão da 1ª, e a finalidade aqui é intensificar mais ainda o estudo e trabalho sobre si próprio, numa postura de mais responsabilidade. Criam-se também correntes de força ou egrégoras entre os alunos, dando as mãos e dizendo alguma oração ou mantram particular.
Fazem-se meditações grupais para vários fins, como a eliminação dos defeitos psicológicos, a expansão de energia positiva pelo planeta, etc. Para cada aluno é atribuído um par de sandálias e uma veste apropriada.
A 3ª câmara é um estágio mais organizacional, dedicado aos professores ou aspirantes a sê-lo.
O MATRIMÓNIO PERFEITO – O 1º GRANDE TRATADO 
Como estudamos na biografia de Samael, o seu primeiro livro, “O Matrimónio Perfeito”, é o resultado de inúmeras investigações nos mundos ocultos e nasce como o livro que contém as chaves da “verdadeira gnosis”, apresentada ao mundo pela primeira vez.
“Quando saiu à luz a primeira edição de : “O Matrimónio Perfeito”, produziu um grande entusiasmo entre os estudantes de todas as escolas, lojas, religiões, ordens, seitas e sociedades secretas…
O Matrimónio Perfeito constitui a síntese de todas as religiões, escolas, ordens, seitas, lojas, yogas, etc, etc.” Samael Aun Weor, o Matrimónio Perfeito, 1993, RJ. Brasil, I.G.A.
Neste livro, o ousado Samael deixa transparecer, inconscientemente, o futuro da filosofia pseudo-gnóstica por ele criada: uma salada de ensinamentos variados, temperados com os seus conceitos extremistas e absolutistas.
O livro trata dos assuntos mais diversos e deslocados da temática, como a tradição dos esquimós, o Edda germânico, o totetismo, um pouco do Egipto, os antigos maias, um pouco de psicologia sem nexo, e muitas interpretações de carácter sexual por todo o lado.
É citada Blavastsky frequentemente (assim como em outros livros).
É curioso observar que o autor, como Avatar que se intitula, não oferece nenhuma teoria nova.
(...)
No último capítulo, Samael, narra-nos a sua famosa iniciação no templo de Chapultepec. Isto é um vergonhoso plágio, linha por linha, da obra do Dr.Arnoldo Krumm-Heller, “Novela Rosacruz”, editorial Kier, Argentina. Parte do livro é retirado dos ensinamentos do Dr. Krumm-Heller, principalmente, no concernente à magia sexual e igreja gnóstica.
A parte psicológica é, na maioria, apropriada do livro “Tertium Organum” do Dr. P.D.Ouspensky.
Citar todas as fontes bibliográficas seria um trabalho desnecessário, já que o carácter do livro não merece tal esforço, pois a maioria dos assuntos, são tão mundanos, que nem merecem a menor consideração.
PSICOLOGIA E COSMOGONIA DE SAMAEL 
A psicologia e cosmogonia de Samael foram apropriadas, na totalidade, dos ensinamentos de Gurdjief e das obras do seu discípulo, P.D. Ouspensky, fundamentalmente. Leia-se, “Fragmentos de um ensinamento desconhecido” e”Psicologia da evolução possível ao homem” editora Pensamento, São Paulo.
Encontra-se aí, minuciosamente detalhado, o estudo dos cinco centros da máquina humana, os “eus” ou “agregados psicológicos”, os Sete Cosmos, o hidrogénio SI-12 e outros, o mundo das 48 leis e outras, colar de Buda, consciência de si, corpos invisíveis, impressões, estados e associações psicológicas, lei do três, lei do sete, lei do acidente, energia sexual e as oitavas, transmutação sexual, etc etc .
Quanto à parte da Antropologia Espiritual, Samael foi beber directamente à obra de Gurdjieff, “Relatos de Belzebú a seu Neto”.
Aí fala-se detalhadamente sobre a evolução do homem, como o homem tinha uma cauda ou apêndice, kundabuffer (Samael inventou para ‘kundartiguador’), a missão do arcanjo Sakaki, etc. Expressões como “heptaparaparshinock”, “triammazikamno” “Solionesius”, “trogoautoegocrático” etc etc, são expressões inventadas por Gurdjieff e apropriadas pelo ousado Samael.
Nota curiosa, em inúmeros livros, Samael fala do Mestre G. Por aqui se vê o medo de referir o nome completo, não vá o aluno descobrir as verdadeiras fontes do que aprende.
Também alguma psicologia de Krishnamurti, serviu para alimentar a imaginação fértil do ousado Samael. Inclusivamente, Samael escreveu um livro intitulado: “Aos Pés do Mestre”.
Ainda referente à antropologia, Samael faz a salada mais completa. Não só apresenta os esquemas facultados por Gurdjief, como também cita o esquema evolutivo teosófico frequentemente, trabalhos diametralmente distintos, como outras teorias ainda. Vale tudo. O importante é impressionar.
Mas, para não parecer tudo legítimamente copiado, Samael inventou um pouco a sua doutrina.
Ao contrário dos ensinamentos de Gurdjief, em que as leis cósmicas, condensavam-se, por último, no mundo das 96 leis, na Lua, Samael esticou o esquema de Gurdjieff para os “círculos Dantescos”, relatados por Dante Alighieri em sua “A Divina Comédia”.
RUNAS, MAGIA ZODIACAL, ELEMENTOTERAPIA, ETC
Para impressionar mais ainda, práticas de carácter mágico são uma constante nos escritos de Samael.
A grande maioria, são apropriadas dos ensinamentos de Krumm-Heller e de sua escola, Fraternitas Rosacruciana Antiqua. Leia-se, para o efeito, uma síntese dos trabalhos de Krumm-Heller, “Las Enseñanzas de la Antigua Fraternidad Rosa-Cruz”, editorial SIRIO, Málaga, Espanha, assim como também outras obras do mesmo, quase todas editadas pela editorial Kier, Argentina: “As Plantas Mágicas”, “Logos, Mantram, Magia”, “Tratado de Magia Rúnica”, “Tratado de Osmoterapia”, “A Igreja Gnóstica”, “O Tatwómetro” etc etc.
[N.d.e.: é interessante notar que algumas Samael mantém inclusive os mesmos títulos ou bem parecido, o que não deixa de ser uma estratégia.]
Existem, claro, muitas outras práticas, oriundas das tradições mais diversas e das fontes mais duvidosas. Desde xamanismo e práticas índias da América Latina, com consumo de drogas para atingir estados alterados de consciência (Leia-se, o “Tratado de Medicina Oculta” do Sr. Samael) a mantrams da índia, etc, tudo vale.
No seu livro, “Manual de Magia Prática”, o Sr. Samael dá muitas práticas, para muitos fins. Nesse livro, existe três capítulos intitulados A Imaginação, A Inspiração, e A Intuição respectivamente. Em cada capítulo, termina assim o ousado Samael: “Eu, Samael Aun Weor”, sou o Avatar da Imaginação, da Inspiração e da Intuição.
(...)
MAGIA SEXUAL
Também a magia sexual é apropriada, mas de fontes tão diversas que não podemos fazer aqui um resumo. Mais uma vez, o Dr. Krumm-Heller e a F.R.A são as principais fontes. Também o Dr. Jorge Adoum ou Mago Jefa (membro da F.R.A) serviu para enorme referência. Leia-se, por exemplo, “As Chaves do Reino Interno” e “Do Sexo à Divindade”, editora Pensamento, São Paulo.
Depois, toda a classe de tradições tântricas hindus servem de muleta.
[N.d.e.: esse é um ponto importante, é uma das maioes obsessões de Samael, senão a maior; mesmo quando em algumas ordens não é ensinado nas primeiras fases, a lavagem cerebral  sobre isso é suficiente a ponto de ser difícil, mesmo depois de anos, a pessoa pensar que isso seja uma farsa e justamente a provável origem da intensificação de sua loucura. Para citar um exemplo, Samael dizia que esse era um dos principais ensinamentos secretos de Jesus e que tudo que está escrito no apócrifo A Pistis Sophia é sobre isso, inclusive trechos que claramente não tem nada a ver com isso.]
(...)
Este documento é de livre distribuição. Divulgue-o como bem entender.
extraído do link: https://groups.google.com/forum/?hl=pt&fromgroups#!msg/pt.soc.religiao/bYYRXPQsWZo/9SAEoBT9vTgJ


segunda-feira, 5 de março de 2018

HISTÓRIA DAS IGREJAS CRISTÃS DESDE A ORIGEM 2 - AS PERSEGUIÇÕES CONTRA OS ANABATISTAS


CAPÍTULO IV
AS PERSEGUIÇÕES CONTRA OS ANABATISTAS

Como vimos nos capítulos anteriores, as igrejas fiéis, a partir do ano de 253.A.D., foram decididamente conhecidas pelas igrejas erradas pelo apelido de anabatistas. No presente capítulo estudaremos as aflições que esses crentes passaram para permanecerem leais ao ensino de Jesus. Foram duas fases distintas de perseguição. Na primeira fase a perseguição foi sofrida juntamente com as igrejas erradas, pois, para todos os efeitos, os pagãos não saberiam bem distinguir quem era o certo e quem era o errado. Aos pagãos o que interessava era eliminar o cristianismo. Essa fase durou até o ano de 313 A.D. A partir desta data, o Imperador Constantino fez uma proposta de casar o Estado com a Igreja. As igrejas erradas aceitaram o convite. As fiéis não. Começou então a segunda fase de perseguição. Neste período vemos as igrejas fiéis sofrendo perseguições nas mãos de igrejas erradas. Abaixo temos um breve relato destas duas fases de perseguição.

PERSEGUIDAS JUNTO COM AS IGREJAS ERRADAS ATÉ 313 A.D.

Até o ano de 3l3 A.D. os cristãos - fiéis ou errados - sofriam as perseguições vindas com os editos lançados pelos imperadores. As primeiras conhecidas foram as de Nero (54-68). Pedro e Paulo morreram nesse período. A perseguição estourou pela segunda vez em 95 durante o governo despódico de Domiciano. Foi nesse período que o apóstolo João ficou preso em Patmos. Outras se deram em ll2 por Plínio e em 161-180 por Marco Aurélio. Estas perseguições foram locais e esporádicas até o ano de 250, quando se tornaram gerais e violentas, começando com uma dirigida por Décio. Muitos pastores se desviaram nesta perseguição. Em 303 Diocleciano ordenou o fim das reuniões cristãs, a destruição de igrejas, a deposição dos oficiais da igreja, a prisão daqueles que persistissem em seu testemunho de Cristo e a destruição das escrituras pelo fogo. Um ultimo édito obrigou os cristãos a sacrificarem aos deuses pagãos sob a pena de morte caso recusassem.

Esta primeira fase de perseguição criou dois problemas internos que necessitavam de solução. Um dos problemas foi as duas duras controvérsias que tiveram lugar no Norte da África e em Roma, envolvendo a maneira de tratar aqueles que tinham oferecido sacrifícios em altares pagãos, quando da perseguição movida por Décio, e aqueles que entregaram Bíblias na perseguição dirigida por Diocleciano. As igrejas fiéis depuseram do cargo os pastores que caíram durante este período. Foi o caso do bispo de Cartago, Felix. Já as igrejas erradas achavam que estava tudo bem, afinal de contas eram tempos de perseguição. Assim, apoiado pelo bispo de Roma, Felix manteve-se no cargo de pastor. Esta atitude separou ainda mais as igrejas fiéis das erradas. Os donatistas surgiram desta questão.

A perseguição movida por Diocleciano provocou o segundo problema, que foi o do Cânon do Novo Testamento. Se o possuir epistolas podia levá-los a morte, os cristãos precisavam estar seguros de que os livros pelos quais poderiam padecer a morte eram realmente livros canônicos. Esta preocupação ajudou nas decisões finais acerca de qual literatura era sagrada. Foi assim que resolveu-se aceitar os atuais vinte e sete livros do Novo Testamento seguindo a seguinte idéia: Verificar se ele tinha sinais de apostolicidade; Verificar se foi escrito por um apóstolo ou por alguém ligado intimamente aos apóstolos; Verificar a eficácia do livro na edificação da igreja quando lido publicamente; e verificar sua concordância com a regra de fé dos apóstolos.

PERSEGUIDAS PELAS IGREJAS HERÉTICAS A PARTIR DE 313 A.D.

Em 313, com o edito de Milão, Constantino fez cessar a perseguição aos cristãos em todo o império e gradualmente foi cumulando-os de favores. O imperador logo percebeu a clara divisão entre os cristãos. Percebera a importância de ser apoiado pela hierarquia de uma religião poderosa. Mas precisava que essa hierarquia fosse unanime em sua fidelidade ao Estado. Assim, embora pagão, presidiu concílios da Igreja e obrigou-a a unificar-se. Devido a essa atitude foi prontamente contrariado pelos anabatistas. Indignado, e aliando-se aos cristãos errados, baniu e perseguiu os fiéis que não concordaram com sua unificação das igrejas. Começaram as terríveis perseguições das seitas cristãs oficiais - protegidas pelo imperador - contra as não oficiais, os anabatistas, que se mantiveram independentes do governo. Pela primeira vez na história, a partir do ano 313, encontramos a página mais triste da história das igrejas. Encontramos cristãos errados perseguindo os cristãos fiéis. Esta perseguição, além de visar o extermínio dos anabatistas, também foi a mais longa. Durou mais de mil e trezentos anos, vindo a terminar após a Reforma no século XVII.

As heresias que levaram as igrejas erradas a serem excluídas eram de princípio duas: Salvação pelo batismo e a idéia de um bispo monárquico. Agora, com a igreja se tornando a religião oficial do Estado, e estando sob a orientação e o comando do Imperador, temos mais uma heresia, e esta feriu a independência da igrejas para com o Estado. Para a infelicidade dos fiéis, era esta uma heresia que dava muita força aos cristãos errados. Os pastores das igrejas heréticas tornaram-se mais fortes do que já eram. O bispo de Roma logo despontou como soberano sobre os demais. Até algumas igrejas fiéis, vendo neste casamento o cessar da perseguição, debandaram de lado, diminuindo consideravelmente o número das igrejas fiéis às escrituras.

Protegidos e armados com o apoio dos imperadores as igrejas heréticas mostraram sua verdadeira face. A face da intolerância. A face de um caráter depravado que não tinha nada de Cristo. A face do ódio contra quem era fiel a Cristo. Liderados pelo bispo Romano no Ocidente e pelo bispo de Constantinopla no Oriente as igrejas heréticas passaram a perseguir cruelmente as igrejas fiéis. Proibiu-se o direito de culto; proibiu-se a livre interpretação das escrituras; proibiu-se o rebatismo; Quem não pertencesse a igreja oficial - ou Católica - seria perseguido e condenado a morte. Qualquer pessoa que fosse rebatizada pelos anabatistas sofreria a pena de morte. Os pastores anabatistas foram um a um condenados à fogueira, ao afogamento, a tortura e toda sorte de assassinado e extermínio possível.

Assustados com a perseguição e na busca da sobrevivência, as igrejas fiéis fugiam de lugar a lugar. Iniciou-se o período de migração dos anabatistas para os países onde havia a tolerância religiosa. Portanto, a partir do século IV vamos encontrá-los em diversos países e com diversos nomes. No capítulo seguinte será estudada estas fugas mais detalhadamente.

A FUGA DOS ANABATISTAS MOTIVO DA FUGA: A INQUISICÃO

Foi visto no capitulo anterior que o motivo da fuga dos anabatistas deveu-se ao plano de extermínio por parte das igrejas heréticas. O plano, primeiramente elaborado pelo imperador Constantino, foi seguido pelos seus sucessores e levado a cabo pelos bispos das principais igrejas heréticas como a de Roma e Constantinopla. Em qualquer enciclopédia o leitor poderá encontrar como foi feito este plano. Chamava-se INQUISICÃO. Durou mais de 1200 anos e matou mais de 50.000.000 (cinqüenta milhões) de anabatistas em todo o mundo. Vejamos o relato da enciclopédia BARSA sobre a Inquisição:

"Se bem que a Inquisição só se apresentasse em plena pujança no século XIII, suas origens, contudo, remontam o século IV. A partir de então data a perseguição aqueles que não aceitavam o credo católico. Tinham seus bens confiscados e eram condenados a morte. As perseguições foram acentuadas no século IV e V. Do século VI ao IX as perseguições diminuíram. Aumentou porém, a partir da ultima parte do século X, registrando então numerosos casos de execuções de hereges, na fogueira ou por estrangulamento. O papa Inocencio III (1198-1215) foi responsável por uma cruzada contra os albingenses (anabatistas do sul da Franca), após a qual praticou execuções em massa".

Note na frase acima: "suas origens remontam o século IV". Foi justamente neste período - após 313 A.D - que os cristãos heréticos, por terem unido a Igreja com o Estado, conseguiram forças para destruir os cristãos fiéis. Fica claro segundo este relato da BARSA que o motivo ou a intenção dos cristãos heréticos era a de exterminar os anabatistas, e método que usaram foi a famosa INQUISICÃO.

No mesmo relato mencionado somos informados que as perseguições foram acentuadas nos séculos IV e V. Só Deus sabe quantos cristãos fiéis foram rudemente assassinados. Quando diz que "do século VI ao IX as perseguições diminuíram", não foi pelo fato de haver misericórdia por parte dos católicos. Quer dizer que não tinham tantos anabatistas para eles matarem, pois, após trezentos anos de perseguição e genocídio, ficaram poucos para contarem a história. A partir do século X, lá pelos anos 900, quando em alguns países o números de anabatistas aumentava, a perseguição recrudescia, ou seja, era mais sanguinária.

Um dos motivos que no século XVI os anabatistas apareceram em grande número na Alemanha, Boêmia, Países Baixos e Inglaterra, é que nestes lugares a Inquisição era bem menor. No sul da Europa, devido a influencia papal, era quase impossível um anabatista sobreviver.

Sem a liberdade de cultos e com a vida constantemente ameaçada os anabatistas só tiveram uma saída. Fugir para os montes e lugares distantes. Fugir da inquisição promovida pela ira e maldade papal.

O motivo pelo qual os anabatistas eram perseguidos foram:

- insubmissão a hierarquia religiosa;

- Não aceitação do batismo como um sacramento ou algo que tenha a ver com a salvação;

- pregar que a salvação é só pela graça sem a ajuda das obras;

- negar o culto aos santos;

- negar que Maria é mãe de Deus;




CAPÍTULO V

IDENTIFICANDO OS ANABATISTAS ATÉ O SÉCULO XII

Não é fácil traçar um lugar exato para o movimento dos anabatistas, pois os mesmos mudavam-se durante os períodos de graves perseguições. Outro problema é o apelido que eles levavam. Houve tempo em que mais de um apelido foi usado para designar o mesmo grupo de pessoas, é o caso dos montanistas na Ásia, Paulicianos na Armênia e Donatistas na África do Norte, todos viveram na mesma época entre os séculos IV ao VIII. No período que vai desde o ano 160 até 1100, houve pelo menos quatro grandes e influentes grupos de anabatistas. São eles: Os Montanistas - principalmente na Ásia Menor; Os Novacianos - Na Ásia Menor e na Europa; Os Donatistas - por toda a África do Norte; e os Paulicianos - primeiramente no oriente médio, indo para o centro europeu e de lá para os Alpes no sul e regiões campestres no norte da Europa.

Os apelidos que receberam derivavam-se ou de um nome pessoal (exemplo: Donatistas de Donato) ou podia ser derivado de um lugar (exemplo: Albingenses da cidade de Albi no sul da Franca). Porém, o que mais importava nestes quatro grupos, não era o nome que recebiam, mas se realmente eram fiéis às doutrinas da Bíblia.

OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "MONTANISTAS"

Oficialmente os "montanistas" foram os primeiros cristãos a serem chamados de anabatistas pelos cristãos infiéis ou hereges. O apelido montanista vem do nome próprio MONTANO, que foi um pastor frígio que viveu aí por volta de 156 A.D.

Foi um movimento que varreu toda Ásia Menor num momento em que as igrejas estavam sendo destruídas pelas heresias da Salvação pelo batismo e a idéia de um bispo monárquico. Os montanistas insistiam em que os que tivessem decaído da primeira fé deveriam ser batizados de novo.

O historiador contemporâneo Earle E. Cairns diz que o movimento "foi uma tentativa de resolver os problemas de formalismo na igreja e a dependência da igreja da liderança humana quando deveria depender totalmente do Espirito Santo." E também acrescentou que o "montanismo representou o protesto perene suscitado dentro da igreja quando se aumenta a força da instituição e se diminui a dependência do Espirito Santo." (O Cristianismo através dos Séculos, pg 82 e 83).

Como sua mensagem era uma necessidade para as igrejas o movimento espalhou-se rápido pela Ásia Menor, África do Norte, Roma e no Oriente. Algumas igrejas grandes chegaram mesmas a serem chamadas de Montanistas. Foi o caso da igreja de Éfeso. Tertuliano, considerado um dos maiores Pais da Igreja, por ser bom estudante da Bíblia, atendeu aos apelos do grupo e tornou-se montanista. Apesar de serem radicais quanto as regras de fé de uma igreja era povo humilde e manso.

As igrejas erradas logo reagiram contra esse movimento. No concílio de Constantinopla, em 381 (portanto nesta época a igreja e o Estado já estavam casados um com o outro), os pastores das igrejas heréticas ou católicas declararam que os montanistas deviam ser olhados como pagãos, serem julgados e mortos.

As igrejas erradas tinham verdadeiro ódio aos montanistas. O próprio Montano é visto como um arqui-herege da Igreja. Os livros inventam e condenam o movimento chamando-o de pagão e anti-cristão. Na verdade pagãos e anti-cristãos eram os membros das igrejas erradas. Assim que as igrejas erradas se casaram com o Estado veio a perseguição das mesmas contra os montanistas.

OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "NOVACIANOS"

O segundo grupo de anabatistas oficialmente conhecidos são os "novacianos". Assim como os montanistas este apelido é proveniente do nome próprio "Novácio". Novácio foi um pastor da Ásia Menor que viveu cerca de 251 A.D. Pouco sabemos sobre sua pessoa, mas a julgar pelos membros de sua igreja foi um homem fiel a Deus. Os novacianos foi o primeiro grupo a ser chamado de catharis, ou seja, os puros. Isso devido a pureza de vida que levavam. Temos algumas informações a respeito destes anabatistas pelos maiores historiadores da historia da Igreja:

Mosheim, Vol. I, pag 203

"Rebatizavam a todos que vinham do Catolicismo".

Orchard em Alix?s Piedmont C 17, pg.. 176

"As igrejas assim formadas sobre o plano de comunhão restrita e rígida disciplina obtiveram a alcunha de puritanos. Foram a corporação mais antiga de igrejas cristãs das quais temos qualquer notícia, e uma sucessão delas, provaremos, continuou até hoje. Tão cedo como em 254 esses dissidentes (cristãos verdadeiros) são acusados de terem infeccionado a França com as suas doutrinas, o que nos ajudará no estudo dos albingenses...

Estas igrejas existiram por sessenta anos sob um governo pagão, durante cujo tempo os velhos interesses corruptos em Roma, Cartago e outros lugares não possuíam meios senão os da persuasão e da censura para pararem o progresso dos dissidentes. Durante este período as igrejas novacianas foram muito prósperas e foram plantadas por todo o império romano. É impossível calcular o benefício do seu serviço a comunidade. Conquanto rígidos na disciplina, cismáticos no caráter, foram achados extensivos e numa condição florescente quando Constantino subiu ao trono em 306 A.D."

W. N. Nevins, comenta que:

"Na conclusão do quarto século tinham os novacianos três ou quatro igrejas em Constantinopla, assim como em Nice, Nicomédia, Cocíveto e Frigia, todas elas grandes e extensivas corporações, além de serem muito numerosas no Império Ocidental. Havia diversas igrejas em Alexandria no século quinto. Aqui Cirilo, ordenado bispo dos Católicos Romanos, trancou as igrejas dos novacianos. O motivo foi o rebatismo dos católicos. Foi lavrado um édito em 413 pelos imperadores Teodósio e Honório declarando que todas as pessoas rebatizadas e os rebatizadores seriam punidos com a morte. Conformemente, Albano, zeloso ministro com outros foram assim punidos por batizar. Como resultado da perseguição nesse tempo muitos abandonaram as cidades e buscaram retiro no país e nos Vales do Piemonte, onde mais tarde foram chamados de valdenses.".

O Dr. Robinson em Eclesiastical Reserches, 126 traça a sua continuação até a reforma e a aparição do movimento anabatistas do século. XVI. E acrescenta: "Depois quando as leis penais os obrigaram a se esconder em lugares retirados e a adorarem a Deus secretamente, foram designados por vários nomes".

Parece que o movimento dos novacianos, apesar de iniciar um século depois do movimento montanista, cresceu mais que o primeiro, pelo menos no ocidente. Enquanto o Montanismo crescia na Ásia Menor e no Oriente, os novacianos cresciam mais no ocidente. Um terceiro grupo, os donatistas, cresciam mais na África do Norte.

OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "DONATISTAS"

Os donatistas foram o terceiro grupo a serem oficialmente chamados de anabatistas. Foram assim chamados devido serem da mesma opinião que Donato, pastor na cidade de Cartago por volta do ano 311 A.D.

A Origem dos Donatistas

Este movimento apareceu em Cartago durante a perseguição de Diocleciano. O motivo foi simples: Recusaram comunhão comum com os pastores apóstatas como foi o caso de Felix, pastor da maior igreja em Cartago. Felix sacrificou aos ídolos e ao imperador na perseguição de Diocleciano. Muitos fiéis morreram na mesma época por recusar agir da mesma forma. Findada a perseguição Felix ordenou ao ministério Ciciliano, acusado de ser um traidor. Donato solicitou a sua deposição, pois, sustentava que o fato de não ter sido fiel no tempo da perseguição invalidava a possibilidade de Felix ordenar. Esta solicitação é justa e bíblica. Se um pastor é deposto de seu cargo por cair na apostasia que direito ele terá de ordenar alguém? Apoiado pelos pastores das grandes igrejas do ocidente, Felix permaneceu no cargo. Desapontados em ver as escrituras sendo atropeladas os cristãos fiéis do norte da África fizeram o mesmo que os do Oriente, Ásia Menor e do Ocidente, excluíram da comunhão os pastores e igrejas infiéis. Os que assim agiram foram conhecidos como Donatistas.

A Identificação dos Donatistas com os outros grupos de anabatistas
Donatistas e Novacianos eram idênticos em sua doutrina e disciplina. Crispim, historiador francês, diz deles que concordavam:
"Primeiro, pela pureza dos membros da igreja, por afirmarem que ninguém devera ser admitido na igreja senão tais como verdadeiros crentes santos e reais. Depois pela pureza da disciplina da igreja. Terceiramente, pela independência de cada igreja. Quartamente, eles batizavam outra vez aqueles cujo primeiro batismo tinham razão de por em duvida".

Não há dúvida de que a maior identificação que liga os quatro grupos de anabatistas primitivos - montanistas, novacianos, donatistas e paulicianos - foi a recusa em aceitar as heresias pós-apostólicas das igrejas erradas. Isso levou-os a rebatizar os membros vindos dessas igrejas e consequentemente recusar a comunhão com as mesmas. O certo é que todas, por defender as verdades bíblicas, receberam o apelido de anabatistas.

Os Donatistas perseguidos verbalmente por Agostinho;

Um fato interessante da história dos donatistas é a disposição de Agostinho, o tão famoso pai da igreja, em debater esses fiéis, mais precisamente ao bispo donatista Petiliano. Agostinho tentou censurá-los em palavras, mas diante da Bíblia não houve como vencê-los, pois a Bíblia dava-lhes razão. Perdendo o combate em palavras, Agostinho passou a persegui-los com a espada imperial. Condenou os donatistas nas seguintes questões:

- Eram separatistas. Negavam-se a unirem com as igrejas oficiais;

- Insistiam no rebatismo dos que passavam da igreja oficial para a deles;

- Eram irredutíveis em questão de fé;

O bispo donatista Petiliano, contra quem Agostinho debateu, assim respondeu ao bispo católico: - "Pensai vós em servir a Deus matando-nos com as vossas mãos? Enganais a vós mesmos. Deus não tem assassinos por sacerdotes. Cristo nos ensina a suportar a perseguição, não vingá-la". E o bispo donatista Gaudencio diz: - "Deus não nomeou príncipes e soldados para propagarem a fé. Nomeou profetas e pescadores".

Os bispos católicos (alguns na África) começaram uma nova moda a partir de 370 A.D. Foi a de batizar criancinhas recém-nascidas. Uma idéia prontamente defendida por Agostinho, que fez o seguinte comentário: " Quem não quer que as criancinhas recém-nascidas do ventre das suas mães sejam batizadas para tirarem o pecado original... seja anátema". Essa idéia tão anti-bíblica foi totalmente recusada pelos donatistas. Aumentaram assim as divergências entre católicos e donatistas.

O Crescimento dos Donatistas;

O crescimento desse grupo de anabatistas foi espantoso. No concílio feito por Teodósio II em 441 na cidade de Cartago, compareceram 286 bispos da igreja oficial e 279 bispos donatistas. Robinsom declara que: "tornaram-se tão poderosos que a corporação católica invocou o interesse do imperador Constantino contra eles, pelo que os donatistas inqueriram: - que tem o imperador a ver com a igreja? Que tem os cristãos a ver com o rei? Que tem os bispos a ver no tribunal?". O historiador Orchard, relatou que: "tornaram-se quase tão numerosos como os católicos romanos". E o historiador Jones diz na sua Conferência Eclesiástica, Vol. I, pg 474: "Rara era a cidade ou vila na África em que não houvesse uma igreja donatista".

A Perseguição contra os Donatistas;

O crescimento foi tanto que espantou Constantino.. Este imperador, que dizia-se cristão, encheu as igrejas oficiais de favores. Na História da Igreja Católica, página 20, temos o seguinte relato: "O clero foi colocado no mesmo pé de igualdade dos sacerdotes pagãos em matéria de isenção e obrigação civis. Eram permitidos os testamentos em favor da igreja". No mesmo livro na página vinte diz: "Constantino fez doações, saídas do tesouro público à igreja que começava a acumular bens e grandes rendimentos".

Estes favores porém, só eram concedidos às igrejas oficiais, justamente aquelas que venderam a fé por privilégios humanos, aquelas que desde o princípio precisaram ser excluídas por mudarem até o plano de salvação. Na página 24 do livro já mencionado, segue-se o seguinte relato: "Aboliram a lei da crucificação, porém, não estendeu nenhum desses favores aos cristãos dissidentes, os montanistas por exemplo. No seu entusiasmo de preservar a unidade de fé e disciplina, o imperador mostrou-se tão ativamente hostil para com os dissidentes, tais como os donatistas, que qualquer um que novamente estivesse preocupado com a futura liberdade da igreja teria passado um mal bocado". No livro O Papado na Idade Média, pagina 24, esse relato é confirmado: "Constantino não podia tolerar, especialmente a diversidade das crenças e dos cultos que caracterizava a igreja enquanto ainda vaga a confederação. Manifestou essa resolução imediatamente, quando, após os sínodos pouco categórico de Roma, Cartago, e Arles, condenou pessoalmente os donatistas no ano de 316 A.D.

O movimento foi praticamente exterminado com a chegada dos muçulmanos. Em 722 A.D. o islamismo tomou conta do norte da África. As igrejas cristãs na África, tanto donatistas, como as católicas - tanto as de rito ocidentais como as orientais - foram destruídas. O movimento sobreviveu com outros nomes em outros lugares. Os que conseguiram sobreviver foram para o sul da França, em Albi, para os Alpes no sul da Europa, como o Piemonte. Devido aos decretos de punição com a morte de quem não batizasse as criancinhas, ficaram os donatistas praticamente impedidos de entrar nas cidades ocidentais e orientais da Europa.

OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "PAULICIANOS"

Os Paulicianos podem ter sido o mais antigo grupo de anabatistas que se conhece. A falta de dados sobre o seu princípio, e o falso relato das igrejas orientais sobre eles dificultam uma data exata para o inicio desse movimento.

A Origem dos Paulicianos;

As tradições narradas pelos monges da igreja grega, dizem que os paulicianos surgiram na segunda metade do século sétimo, tendo como fundador um tal Constantino. Realmente Constantino, um pastor pauliciano, existiu. Mas era simplesmente uma pastor, que, em 690 A.D., foi morto por lapidação por ordem dos bispos gregos.

Na História de Gibbon, VI, pg 543, Gibbon classifica o paulicianismo como a forma primitiva do cristianismo:

"De Antioquia e Palmira deve ter sido espalhada a Mesopotâmia e a Pérsia; e foi nestas regiões que se formou a base da fé, que se espalhou desde as cordilheiras do Tauro até o monte Arará. Foi estas a forma primitiva do Cristianismo.

Noutro lugar, V, pg 386, diz ele:

"O nome pauliciano, dizem os seus inimigos que se deriva de algum líder desconhecido; mas tenho certeza de que os paulicianos se gloriaram da sua afinidade com o apóstolo aos gentios".

No livro A Chave da Verdade, escrito pelos próprios paulicianos, citado por Gregório Magistos no décimo primeiro século, e descoberto pelo Sr. Fred C. Conybeare, de Oxford, em 1891, na Biblioteca do Santo Sínodo, em Edjmiatzin da Armênia, afirma nas páginas 76-77 que são de origem apostólica:

"Submetamo-nos então humildemente à Santa igreja universal, e sigamos o seu exemplo, que, agindo com uma só orientação e uma só fé, NOS ENSINOU. Pois ainda recebemos no tempo oportuno o santo e precioso mistério do nosso Senhor Jesus Cristo e do pai celestial: a saber, que no tempo de arrependimento e fé. Assim COMO APRENDEMOS DO SENHOR DO UNIVERSO E DA IGREJA APOSTÓLICA, prossigamos; e firmemos em fé verdadeira aqueles que não receberam o santo batismo (na margem: a saber, os latinos, os gregos e armênios que nunca foram batizados); como assim nunca provaram do corpo nem beberam do santo sangue do nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, de acordo com a Palavra do Senhor, devemos traze-los a fé, induzi-los ao arrependimento, e dar-lhes o batismo - rebatiza-los."

Fica claro que eles não se denominavam paulicianos, porém, "a igreja Santa, Universal e Apostólica". As igrejas romanas, gregas e armênias, eram duramente condenadas por eles. Condenavam principalmente o batismo por imposição (praticado pelos imperadores) e o batismo infantil.

Outro relato interessante é o do professor Wellhausen, na biografia que escreveu sobre Maomé, na Enciclopédia Britânica, XVI, pg 571, pois ali os paulicianos são chamados de "sabian", que é uma palavra árabe que significa "batista".

Crescimento e Perseguição dos Paulicianos

Na enciclopédia acima mencionada diz que os sabianos - ou batistas - encheram com seus adeptos, a Siria, a Palestina, e a Babilônia. O maior grupo estava fixado nas regiões montanhosas do Arara e do Tauros. O motivo de escolherem este lugar de tão difícil acesso é a perseguição movida contra eles pelas igrejas gregas. Enquanto Montanistas, Novacianos e Donatistas eram perseguidos mais pelas igrejas romanas, as igrejas gregas perseguiam os paulicianos no oriente.

O crescimento não podia deixar de despertar os inimigos. No ano de 690, o já mencionado pastor Constantino, foi apedrejado por ordem do imperador, e seu sucessor queimado vivo. A imperatriz Teodora instigou uma perseguição na qual, dizem, foram mortos na Armênia cem mil paulicianos.

Por incrível que pareça foram tolerados por muito tempo pelos maometanos. Isso deixou-os a vontade e foram eles os grandes missionários da idade das trevas entre os anabatistas. Espalharam-se pela Trácia em 970, pela Bulgária, Bosnia e Servia após o ano 1100. Em todos estes lugares foram como missionários enviados pelas igrejas paulicianas. O historiador Orchard revela que "um número considerável de paulicianos esteve estabelecido na Lombardia, na Insubria, mas principalmente em Milão, aí pelo meado do século onze e que muitos deles levaram vida errante na Franca, na Alemanha e outros países, onde ganharam a estima e admiração da multidão pela sua santidade. Na Itália foram chamados de Paterinos e Cátaros. Na França foram denominados búlgaros, do reino de sua emigração, também publicanos e boni homines, bons homens; mas foram principalmente conhecidos pelo termo albigenses, da cidade de Albi, no Languedoc superior".

Em 1154 um grupo de paulicianos emigrou para a Inglaterra, tangidos ao exílio pela perseguição. Uma porção deles estabeleceram-se em Oxford. Willyan Newberry conta do terrível castigo aplicado ao pastor Gerhard e o povo. Seis anos mais tarde outra companhia de paulicianos entrou em Oxford. Henrique II ordenou que fossem ferreteados na testa com ferros quentes, chicoteados pelas ruas da cidade, suas roupas cortadas até a cintura e enxotados pelo campo aberto. As vilas não lhes deviam proporcionar abrigo ou alimento e eles sofreram lenta agonia de frio e fome." É interessante lembrar ao leitor, que João Wycliff (1320-1384), considerado a "estrela d'alva" da Reforma, iniciou justamente em Oxford sua luta para reformar a podridão do catolicismo. Sem dúvida ele teve algum contato com algum sobrevivente dos paulicianos.

A partir do século XII o nome pauliciano foi caindo em desuso. Conforme suas emigrações e campos missionários, foram recebendo novos nomes ou se fundindo com os outros grupos de anabatistas da Europa. No sul o nome perdeu-se entre os albingenses e valdenses. No centro e norte da Europa foi aos poucos prevalecendo o nome de "anabatistas".



Se você deseja saber mais sobre a origem das igrejas cristãs escreva para:

Autor: Pastor Gilberto Stefano 
Igreja Batista da Fé, 
Rua Jamil Dib Lufti, nr. 165 
Jardim Santa Clara 
17500-000 Marília, São Paulo 
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br
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quinta-feira, 1 de março de 2018

JESUS E SUA HISTORICIDADE


Em meados do século 19, alguns críticos chegaram à incrível conclusão de que Jesus nunca existiu. Hoje, talvez, nem mesmo os críticos mais ferozes, como os do “Seminário de Jesus”, ousam negar a existência histórica de Jesus Cristo, e isso devido aos muitos documentos a respeito de sua pessoa. Negar, hoje, a passagem de Jesus pela terra seria como assinar um atestado de obtusidade histórica ou se declarar descontextualizado com as novas descobertas.
Apesar da abundância de provas que temos sobre Jesus, muitos estudiosos amadores, levados pelo preconceito e pouca seriedade científica, especulam dizendo que não existem comprovações concretas da existência de Jesus fora dos evangelhos. Quando não, saem com o disparate de que só existem duas menções ao nome de Jesus fora dos livros religiosos (Novo Testamento e os escritos cristãos dos pais da Igreja), as quais se limitariam tão somente a Flávio Josefo e Plínio. Isso mostra o tom preconceituoso e parcial com que tais estudiosos tratam os documentos cristãos históricos. Só porque a maioria dos testemunhos históricos sobre a existência de Jesus é de cunho religioso, esses testemunhos são postos sob suspeita.
É claro que, para quem conhece um pouco de história, isso não passa de falácia. Fora os próprios evangelhos e os escritos dos pais da Igreja, temos, ainda, outros textos dos séculos 1o e 2o que mencionam Jesus Cristo. Podemos dividi-los em dois grupos: os documentos provindos de fontes judaicas e os documentos provindos de fontes pagãs. Ei-los, em ordem:
Fontes Judaicas 
Flávio Josefo
Josefo foi contemporâneo de Cristo e viveu até 98 d.C. É considerado um dos melhores historiadores antigos. Suas obras sobre o povo judeu são uma preciosidade histórica da vida helênica no século 1o. Em seu livro Antiguidades judaicas, faz algumas referências a Jesus. 
E, em uma delas, escreve: “Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações se tornaram seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Mas aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. E afirmam que Jesus lhes apareceu três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez, Ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas” (XVIII,3,2).
O texto citado é uma versão árabe e, talvez, seja a que mais perto se aproxima do original. Muitos o colocam em dúvida dizendo ser uma interpolação de um escritor cristão.
E alegam, ainda, que Josefo, na qualidade de judeu, nunca iria se reportar a Jesus dessa maneira. Mas parece que não há motivos fortes para isso. A verdade é que cada vez mais
eruditos hoje em dia estão inclinados a aceitar essa versão do texto como fidedigna, embora admitam pequenas interpolações em algumas partes, como, por exemplo, a referência sobre a ressurreição e a declaração do messianismo.
Em outros lugares, Josefo registra a execução de João Batista (XVIII,7 ,2) e o martírio de Tiago, irmão de Jesus, que era “chamado Cristo” (XX,9,1): “Assim reuniu um conselho
de juízes, perante o qual trouxe Tiago, irmão de Jesus, que era chamado Cristo, junto com alguns outros, e, tendo-os acusado de infração à lei, entregou-os para ser apedrejados”. 
Mesmo na versão russa, considerada polêmica, é lamentável ver como o preconceito de alguns críticos os impede de aplicar o bom senso na interpretação dessa passagem. Um
cristão jamais usaria o verbo “ser” no passado, e isso é uma prova favorável contra uma suposta interpolação de algum escriba cristão, pois, com certeza, usaria a expressão “que é
chamado o Cristo” e não a expressão “que era chamado o Cristo”, como está no texto.
Talmude
A Encyclopaedia Britannica, ao mencionar os talmudes judaicos como fontes históricas sobre Jesus, finaliza o assunto da seguinte maneira: “A tradição judaica recolhe
também notícias acerca de Jesus. Assim, no Talmude de Jerusalém e no da Babilônia incluem-se dados que, evidentemente, contradizem a visão cristã, mas que confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré”.
A “contradição” mencionada pela referida enciclopédia é a acusação dos judeus de que Jesus realizava magia: “Na véspera da páscoa, eles penduraram Yeshua [...] ia ser
apedrejado por prática de magia e por enganar Israel e fazê-lo se desviar [...] e eles o penduraram na véspera da páscoa” (Talmude Babilônico, Sanhedrim 43a).
Esses relatos da crucificação estão de pleno acordo com os evangelhos (Lc 22.1; Jo 19.31).
Fontes Pagãs  
Plínio
No século 2o, quando o cristianismo atravessou as fronteiras do Império, os cristãos começaram a chamar a atenção dos pagãos. A difusão do cristianismo foi tão profusa que
chegou a ser tema de uma correspondência política entre Plínio, o Jovem, procônsul na Ásia Menor, em 111 d.C., e Trajano. A carta dirigida ao imperador Trajano trata das torturas infligidas aos cristãos por seus pretensos crimes. Entre tais crimes, está o seguinte: “[Os cristãos] têm como hábito se reunir em um dia fixo, antes do nascer do sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles mesmos fazem um juramento, de não cometerem
qualquer crime, nem roubo ou saque, ou adultério, nem quebrarem sua palavra, nem negarem um depósito quando exigido. Após fazerem isso, despedem-se e se encontram
novamente para a refeição...” (Plínio, Epístola 97).
É interessante ressaltar alguns detalhes nessa carta: Plínio relata fatos históricos importantíssimos, tais como: a Igreja em expansão e a adoração ao seu fundador — Cristo
— “como se fosse um deus” (Christo quase deo).
Veja, Plínio não procura negar a existência histórica de Jesus.
Tácito
Cornélio Tácito (55-117), um dos mais famosos historiadores romanos, governador da Ásia em 112 a.D., genro de Júlio Agrícola, que foi governador da Grã-Bretanha, escreveu o 
seguinte sobre Cristo: “O fundador da seita foi Crestus, executado no tempo de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos. Essa superstição perniciosa, controlada por certo tempo, brotou novamente, não apenas em toda a Judéia [...], mas também em toda a cidade de Roma” (Anais, XV,44).
O contexto dessa carta trata sobre o incêndio criminoso de Roma. Nero mandara incendiar Roma e usou os cristãos como bode expiatório. Tácito, apesar de não ser simpatizante do cristianismo, confirma, entretanto, fatos históricos importantíssimos, tais como: um personagem histórico chamado “Crestus” (Cristo), sua Igreja, sua morte e a expansão do cristianismo no século 1o.
Tácito tão-somente confirma o que já sabíamos pelos relatos evangélicos. Luciano de Samosata Escritor satírico do século 2o, conta, em sua obra O peregrino, a história de um
cristão convertido e sua apostasia. O livro é recheado de zombarias. E, entre elas, uma referência ao fundador do cristianismo: “Depois daquele, para dizer a verdade, a quem eles ainda adoram, o homem que foi crucificado na Palestina porque introduziu este novo culto no mundo”. Em outra parte, acrescenta que os cristãos continuam “adorando aquele mesmo sofista crucificado e vivendo segundo suas leis”.
Há uma prova implícita nesse texto sobre o paradoxo “Jesus da história versus o Cristo da fé”. Em suas linhas zombeteiras, encontra-se uma exposição precisa da fé da
Igreja primitiva. O homem que os cristãos adoravam era o mesmo que fora crucificado e não um deus qualquer inventado pela imaginação da Igreja.
Suetônio
Historiador romano e oficial da corte de Adriano, Suetônio (70–160), escritor dos anais da casa imperial (obra intitulada Vida de Cláudio, 25.4), conta que o imperador “expulsou
de Roma os judeus em constante agitação por causa de Chrestus”. E também que “Nero infligiu castigo aos cristãos, um grupo de pessoas dadas a uma superstição nova e
maléfica”. 
Em Atos 18.1,2, Lucas faz referência à mesma expulsão.
Outros testemunhos seculares ao Jesus histórico incluem
Talo Historiador samaritano, Talo (53 d.C.) é um dos primeiros escritores gentios a mencionar Cristo indiretamente. Tentando dar uma explicação natural para as trevas que ocorreram na crucificação de Jesus, afirmou: “O mundo inteiro foi atingido por uma profunda treva; as pedras foram rasgadas por um terremoto, muitos lugares na Judéia e em outros distritos foram afetados”. Quanto a essa escuridão, Talos, no terceiro livro de sua história, diz o seguinte: “Como me parece sem razão, um eclipse do Sol”.
Mara Bar-Serapião - 73 d.C. (?)
Homem sírio que, escrevendo ao seu filho Serapião sobre a busca da sabedoria, menciona Cristo como sábio, embora não o chame pelo nome, apenas como “rei dos judeus”.
Diz Mara Bar-Serapião — 73 d.C. (?): “Que vantagem têm os judeus executando seu sábio rei? [...] O rei sábio não morreu; Ele vive nos ensinos que deu”. 
Justino, o Mártir
Filósofo cristão que, ao escrever ao imperador Antonino Pio, desafia o regente a consultar os arquivos imperiais deixados por Pilatos sobre a morte de Jesus Cristo (Apologia
1.48).
No entanto, gostaríamos deixar claro que essas citações não têm a pretensão de provar a identidade de Cristo, ou seja, se Ele era ou não o Filho de Deus. Apenas mostram que os
anais da história preservaram, por meio de documentos de pessoas não-cristãs, a história de um homem que viveu no século 1o, identificado com o Jesus bíblico. À primeira vista,
talvez, pareça pouca a quantidade de informações que temos sobre Jesus, mas se confrontarmos Jesus Cristo com as inúmeras figuras indefinidas da história antiga, é
surpreendente a quantidade de informações que ainda temos sobre Ele. 
Se porventura fôssemos reconstituir a vida de Jesus a partir desses pequenos relatos, teríamos o suficiente para saber quem foi Jesus. Ora, tais relatos nos dão a informação
básica sobre Jesus: um homem que viveu no século 1o, chamado Cristo, Filho de uma judia, operador de milagres, que reuniu em torno de si vários seguidores que o adoravam
como Deus. Este homem foi crucificado sob o governo de Pôncio Pilatos. É claro que muitas partes dentro dessas passagens, como, por exemplo, em Josefo e Tibério, são até
admissíveis de interpolações. Mas o caráter anticristão de seus autores é uma prova incontestável de sua veracidade. Plínio, Tibério e muito menos Luciano de Samosata não
poderiam jamais ser acusados de falsidade. Logo, negar a confiabilidade de todas essas fontes que falam de Jesus com base em algumas insignificantes interpolações seria
menosprezar toda a história antiga.
Por Que há Poucos Registros Sobre Jesus na História Secular? 
Creio que podemos dar algumas razões que levaram as pessoas da época a não dar muita atenção ao cristianismo, registrando-o nos anais da história. Como aconteceu com os evangelhos, poucos foram os registros históricos que sobreviveram através dos séculos. E olha que são 21! Somado a isso, existe a pouca importância que os romanos davam aos judeus. Seria quase impossível um biógrafo gentio dar atenção a um carpinteiro pobre da Galiléia. O cristianismo nasceu em uma área remota, pouco relevante, do Império. Nas palavras de Méier, Jesus era, sem dúvida, um “judeu marginal”.
Mas o que dizer das fontes judaicas? A repercussão não seria mais vultuosa dentro de Israel, já que Jesus vivia em constante confronto com as autoridades judaicas? Sim, seria!
Todavia, devemos também levar em consideração o fato de que os judeus não quiseram dar importância a um “herege” e impostor, preferindo esquecê-lo no silêncio do anonimato. As
primeiras menções que temos sobre os cristãos começam a partir do século 2o, quando, então, o cristianismo passou a ganhar força até mesmo nas camadas mais altas da
sociedade.
Jesus, Um Mito?
O Jesus apresentado pelos evangelhos é fiel à realidade teológica ao que é dito a seu respeito ou Ele não passa apenas de um mito? Estamos diante de outra objeção levantada pelos críticos. A moderna crítica procura se basear na metodologia das ciências antropológica e sociológica para se chegar ao cerne da pessoa de Jesus. Todos sabemos que, de modo geral, floresceram, em torno dos grandes personagens da história antiga, mitos e
lendas. Quanto mais antigo o personagem, mais suscetível de ser mitificado ele é. Ora, já que muitas lendas e mitos povoam a história de personagens como Buda, Maomé e
Alexandre, o Grande, por que não admitirmos que o mesmo possa ter ocorrido com Jesus?
O personagem que os evangelhos nos apresentam não seria um arquétipo que, com o passar dos anos, foi sendo construído pela mentalidade cristã? O verdadeiro Jesus não teria se perdido em meio às lendas e mitos criados em torno de sua pessoa pela Igreja primitiva? 
Não negaremos o fato de que a literatura religiosa cristã do século 2o foi prodigiosa em inventar um retrato por vezes fantasioso de Jesus. Mas devemos ressaltar que tais obras
eram oriundas de pseudocristãos e, de maneira nenhuma, refletiam a ortodoxia cristã da época.
Geisler e Nix observam que tais livros revelam “desmedida fantasia religiosa.
Evidenciavam uma curiosidade incurável para descobrir mistérios não revelados nos livros canônicos [...] e exibem uma tendência doentia, mórbida, de dar apoio a idiossincrasias doutrinárias mediante fraudes aparentemente piedosas” (Introdução bíblica, p. 112).
Por exemplo, o evangelho de Tomé, no qual se escudam os críticos do “Seminário de Jesus”, é uma visão gnóstica dos supostos milagres da infância de Jesus que, em tais
relatos, aparece como um pirralho com superpoderes, matando crianças e dando vida a bonecos de barro.
Méier, comentando sobre o conteúdo desse evangelho, tece a seguinte crítica: “...
Muito material apócrifo provém dos meios cristãos ‘plebeus’ e não cultos, que não representam nem primitivas tradições confiáveis, nem teologia elevada, mas apenas curiosidade, a fascinação pelo bizarro e pelo milagroso (para não dizer mágico) e um mero desejo de entretenimento ‘religioso’”.
Consideremos, por um instante, outro evangelho, o “evangelho de Pedro” ou “evangelho da cruz”, no qual Jesus sai do túmulo com uma estatura gigantesca, que vai
além do céu, enquanto a cruz sai da sepultura e começa a falar.
Tais relatos fantasiosos sobre Cristo, de per si, são uma prova incontestável de farsa. São lendas e mitos vestidos em um personagem real. Devemos levar em conta, porém, que
mitos inventados em torno de Jesus não são uma prova definitiva de que o próprio Jesus seja um mito.
Outra objeção entrelaçada a essa se encontra alicerçada na falsa pressuposição de que a comunidade cristã copiou os relatos sobre o nascimento virginal de Jesus, seus
milagres e sua ressurreição das antigas religiões pagãs de mistério. É sabido que em muitas culturas primitivas existem relatos de deuses que nasceram de modo miraculoso de virgens; de deuses que operaram milagres e ressuscitaram.
Todavia, a objeção de mitologia no cristianismo não procede, porque “para estas histórias serem legendárias, seria necessário muito tempo para a evolução e desenvolvimento das tradições”, conclui Craig.
Um mito demora tempo para se formar, mas vimos que os evangelhos tiveram, entre sua forma oral e sua forma escrita, um hiato de apenas duas décadas. Vejamos o que diz Will Durant, em seu livro A história da civilização: “Seria um milagre ainda mais incrível que apenas em uma geração uns tantos homens simples e rudes (pescadores muitos deles) inventassem uma personalidade tão poderosa e atraente como a de Jesus, uma moral tão elevada e uma tão inspiradora idéia da fraternidade humana” (Vol. 3 – César e Cristo).
E prossegue Durant, na mesma obra: “Não será a história do fundador do cristianismo um produto da aflição, da imaginação e da esperança humana — um mito comparável às lendas de Krishna, Osíris, Átis, Adônis [Dionísio] e Mitra? No século 1o, negar a existência de Jesus não parece ter ocorrido nem mesmo aos mais severos oponentes do novo credo, judeus ou pagãos”.
Daí a razão da censura de F. F. Bruce: “Alguns escritores podem brincar com a imaginação de um ‘cristo-mito’, mas eles não o fazem no campo da evidência histórica. A
historicidade de Cristo é tão axiomática para um historiador imparcial como a de Júlio César. Não são os historiadores que propagam as teorias de um ‘cristo-mito’” (The New
Testament documents: are they reliable?, Inter-Varsity Press, 1972, p.119).
Os apóstolos, certamente, sabiam a diferença entre lendas e fatos reais. Pedro assevera a confiabilidade histórica a respeito dos relatos evangélicos sobre Jesus: “Porque
não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade” (2Pe 1.16). 
Sim, ser testemunha ocular é um fato que pesa muito na questão. E os apóstolos foram testemunhas oculares que receberam as informações de primeira mão e não
escritores posteriores que costuraram tais relatos com lendas supersticiosas.
João, o apóstolo considerado um dos discípulos mais chegados do Senhor, dá seu testemunho pessoal a respeito da historicidade de Cristo: “O que era desde o princípio, o
que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida [...] sim, o que vimos e ouvimos, isso vos
anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco” (1Jo 1.1-3).
Pedro, ao pregar à multidão de judeus, informa que todos conheciam os eventos da vida de Cristo agora proclamado por eles, ou seja, pelos apóstolos: “Varões israelitas,
escutai estas palavras: a Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem
sabeis; a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos” (At 2.22,23).
Paulo é ainda mais enfático. Ao dialogar com o rei Festo, relata que os fatos em que se baseia o cristianismo não foram inventados em algum lugar oculto: “Porque o rei, diante de quem falo com liberdade, sabe destas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto” (At 26.26).
Lucas nos deixou a par desses eventos, porque, como ele próprio afirma, havia feito uma acurada pesquisa com as testemunhas oculares: “Visto que muitos têm empreendido
fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra,
também a mim, depois de haver investido tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo Teófilo, escrever-te uma narração em ordem” (Lc 1.1-3).
 Todos eles foram testemunhas oculares de fatos históricos. Todo o Novo Testamento estava completo já no século 1o. Caso os apóstolos estivessem inventando um personagem
mitológico, seria fácil para aquelas testemunhas oculares desmentirem essa teodicéia evangélica, principalmente os opositores do cristianismo. Mas já vimos que, apesar dos
documentos históricos desses adversários do cristianismo distorcerem a essência da mensagem cristã, nunca chegaram a rejeitá-la à classe dos mitos e lendas.
“Os discípulos não podiam se dar ao luxo de correr o risco de apresentar fatos inexatos (para não mencionar uma manipulação internacional dos fatos), os quais seriam
imediatamente denunciados por aqueles que teriam imenso prazer em fazê-lo” (Evidência que exige um veredicto I, Josh MacDowell, Ed. Candeia, p. 79).
A bem da verdade, os relatos sobre Jesus e seus feitos diferem grandemente dos mitos pagãos. Um fato notável nesses mitos é sua tendência ao fantástico. Mas será que os
evangelhos canônicos apresentam sinais mitológicos?
Comparemos, por exemplo, o relato do nascimento de Buda com o relato do nascimento de Jesus. A diferença entre os dois é abismal!
Dizem os registros sobre o nascimento de Buda que ele foi concebido no ventre da rainha Maya, durante o sono, por um elefante branco. Quanto a Jesus, lemos o seguinte:
“Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz, e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.6,7).
Por fim, Norman Geisler, citando C. S. Lewis, diz, a respeito dos relatos evangélicos, que “os registros são diretos e simples, escritos de forma histórica, não artística, por judeus
rigorosos e sem atrativos, que não conheciam a riqueza mitológica do mundo pagão à sua volta” (Apologética, Ed. Vida, p. 605).
Um dos exemplos citados pelos críticos desses supostos plágios é justamente o caso do nascimento virginal, o qual iremos analisar no próximo capítulo. 
Apologética do Novo Testamento - Universidade da Bíblia ®
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