O nó que une a presciência divina ao sentido do sofrimento está no facto de que, para Deus, a sua dor e a sua superação não são eventos isolados numa linha de montagem, mas parte de uma totalidade vista de uma só vez.
Part I: Presciência Divina vs. Determinismo (A ilusão do "Já Escolhemos")
O erro comum é pensar na presciência de Deus como uma previsão do futuro. Prever o futuro exige que o tempo passe. Deus, contudo, habita o Nunc Stans (o agora permanente).
- A Analogia do Cume da Montanha: Imagine uma caravana a caminhar por um vale sinuoso. Quem está no meio da caravana só vê quem está imediatamente à frente e atrás (o tempo humano). Deus está no cume da montanha: Ele vê o início, o meio e o fim da caravana ao mesmo tempo.
- Conhecer não é Causar: O facto de Deus ver a sua escolha livre de ontem, de hoje e de amanhã simultaneamente na eternidade não retira a autoria da sua mão . O conhecimento d'Ele é um reflexo da sua liberdade, e não a causa dela. Ele conhece, pois vocé escolhe e não o contrário.
- O Erro do Fatalismo Espiritual: Se Deus causasse a escolha, o erro seria d'Ele (o erro, o mal, o pecado, a culpa...). Ao manter Deus no Ato Puro e fora da linha do tempo, a teologia clássica garante que a autoria do sentido permanece estritamente sua; Deus não tira a sua livre escolha ou autoria dos atos, desejos, sentido, etc.. Você é livre no tempo porque Deus é eterno; se Deus estivesse dentro do tempo, Ele seria apenas um programador gigante, tudo seria estritamente determinado, e nós seríamos deterministas confessos.
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