sábado, 10 de janeiro de 2026

O QUE DEVE SER FEITO - Capítulo 10 (final)

Hans-Hermann Hoppe

Uma revolução de baixo para cima 

Por fim vamos à explicação detalhada do significado desta estratégia revolucionária de baixo para cima. Para isto, deixe-me voltar aos meus primeiros comentários sobre o uso defensivo da democracia, isto é, o uso dos meios democráticos para fins libertários não-democráticos, pró propriedade privada. Dois insights preliminares já foram estabelecidos aqui. Primeiro, da impossibilidade de uma estratégia de cima para baixo, segue-se que não se deve gastar muita (ou nenhuma) energia, tempo e dinheiro em disputas políticas nacionais, como eleições presidenciais. E, particularmente, também nem em disputas pelo governo central, como por exemplo, menos esforços em disputas pelo senado do que pela câmara dos deputados.

Segundo, do insight sobre o papel dos intelectuais na preservação do atual sistema, da atual máfia de extorsão, segue-se que igualmente não se deve gastar muita (ou nenhuma) energia, tempo ou dinheiro tentando reformar a educação e o meio acadêmico a partir de sua própria estrutura. Patrocinar cadeiras de livre empresa ou propriedade privada no sistema universitário estabelecido, por exemplo, só ajuda a emprestar legitimidade à própria ideia que se quer combater. As verbas e fontes de financiamento das instituições oficiais de educação e pesquisa devem ser sistematicamente retiradas e estancadas. E para que isso seja feito, todo o apoio de trabalho intelectual, como uma parte essencial da tarefa geral que temos pela frente, deveria logicamente ser dado a instituições e centros determinados a fazer precisamente isto. 

As razões para estes dois conselhos são claras: Nem a população como um todo, e particularmente nem todos os educadores e intelectuais, são completamente homogêneos ideologicamente. E mesmo que seja impossível conquistar uma maioria que apoie uma plataforma decididamente antidemocrática em uma escala nacional, parece não haver uma dificuldade insuperável para se conquistar esta maioria em distritos suficientemente pequenos, e para funções locais e regionais dentro da estrutura governamental democrática geral. Na verdade, parece não ser nada fora da realidade esperar que essa maioria exista em milhares de localidades. Ou seja, localidades dispersas por todo o país, mas não dispersas uniformemente. Igualmente, mesmo que a classe intelectual deva ser de modo geral considerada como inimiga natural da justiça e da proteção, existem em diversas localidades intelectuais anti-intelectuais isolados, e como o Instituto Mises prova, é totalmente possível reunir estes sujeitos isolados em torno de um centro intelectual, e dar a eles unidade e força, e uma audiência nacional ou até internacional. 

Mas então o que fazer? Todo o resto desprendese quase que automaticamente do objetivo supremo, que deve ser mantido sempre em mente, em todas as atividades desenvolvidas: a restauração de baixo para cima da propriedade privada e do direito de proteção a propriedade; o direito de autodefesa, de expulsar ou aceitar, e de liberdade contratual. E a resposta pode ser dividida em duas partes. 

Primeiro, o que fazer nestes pequenos distritos, onde um candidato pró-propriedade privada e personalidade antimajoritária possa vencer. E segundo, como lidar com os níveis mais elevados do governo, e, especialmente, com o governo federal centralizado. Primeiramente, como um passo inicial, e me refiro agora a o que deveria ser feito em nível local, o primeiro alicerce central da plataforma deveria ser: deve-se tentar limitar o direito de voto sobre impostos locais, particularmente sobre impostos sobre propriedades e regulamentações, aos donos de imóveis e propriedades. Somente donos de propriedades devem poder votar, e seus votos não devem ter pesos iguais, e sim de acordo com o valor do patrimônio líquido possuído, e o total de impostos pago. Ou seja, parecido com o que Lew Rockwell explicou que tem acontecido em algumas partes da Califórnia. 


Além disso, todos os funcionários públicos – professores, juízes, policiais – e todos os recebedores de ajuda social do estado devem ser excluídos de votações que tratem de impostos locais e regulamentações locais. Estas pessoas estão sendo pagas pelos impostos e não deveriam poder dizer nada a respeito do valor dos impostos. Logicamente que com esta plataforma não se consegue ganhar em todo lugar; você não consegue vencer na capital do país com uma plataforma como esta, mas eu arriscaria dizer que em muitas localidades isto poderia facilmente acontecer. 
As localidades têm que ser pequenas o suficiente e têm que ter um bom número de pessoas decentes. 

Consequentemente, os impostos e taxas locais, bem como a arrecadação fiscal, iriam inevitavelmente diminuir. O valor das propriedades e a maioria dos rendimentos locais iriam aumentar enquanto que o número de funcionários públicos e seus salários iriam cair. 

Neste momento, e este é o passo mais decisivo, o seguinte deve ser feito – e sempre mantenha em mente que estou falando sobre distritos territoriais muito pequenos, como vilas. Nesta crise de financiamento do governo, que surge assim que o direito de votar é tirado da turba, um modo de sair desta crise seria a privatização de todos os ativos Uma revolução de baixo para cima.


Um inventário de todos os prédios públicos, e em um nível local não são tantos assim – escolas, corpo de bombeiros, delegacia de polícia, tribunais, ruas e assim por diante – e então ações ou títulos parciais de propriedade deveriam ser distribuídos aos donos de propriedade privada locais de acordo com o total de impostos – impostos sobre propriedade – que estas pessoas pagaram durante suas vidas. Afinal, é deles, eles pagaram por estas coisas. As ações deveriam ser livremente negociáveis, vendidas e compradas, e com isto este governo local seria essencialmente abolido. Se os níveis mais elevados do governo deixassem de existir, esta vila ou cidade seria agora um território livre ou libertado. O que iria acontecer com a educação e, mais importante, o que iria acontecer com a proteção da propriedade e a justiça? 

Quando se trata de localidades pequenas, podemos ter tanta certeza, ou até mais certeza de que poderíamos ter tido 100 anos atrás sobre o que teria acontecido se o rei abdicasse, de que o que iria acontecer seria praticamente isto: todos os recursos materiais que antes eram destinados a estas funções – escolas, delegacias de polícia, tribunais – ainda existiriam, e do mesmo modo existiriam os recursos humanos. A única diferença é que eles agora pertenceriam a donos privados, ou, no caso de funcionários públicos, estariam temporariamente desempregados. Levando-se em conta a realista hipótese de que continuaria existindo uma demanda local por educação e proteção e justiça, as escolas, delegacias e tribunais ainda seriam usados para os mesmos propósitos. 

E muitos ex-professores, ex-policiais e ex-juízes seriam recontratados ou reassumiriam suas antigas ocupações por conta própria como indivíduos autônomos, a menos que eles fossem empregados pela elite ou por “figurões” locais que seriam proprietários dessas coisas, os quais seriam todos figuras públicas conhecidas. Ou como iniciativas em busca de lucro, ou como, e o que parece ser mais provável, uma mistura de organização beneficente e econômica. “Figurões” locais frequentemente fornecem bens públicos de seus próprios bolsos; e eles obviamente têm o maior dos interesses na preservação da justiça e da paz local. E é bastante simples ver isso funcionar para escolas e policiais, mas e quanto a juízes e a justiça? 

Lembre-se que a raiz de todos os males é a monopolização compulsória da justiça, que é uma pessoa dizer o que é certo. Assim sendo, juízes deveriam ser financiados livremente, e a livre entrada na profissão de juiz deveria ser assegurada. Juízes não seriam eleitos através de votos, mas escolhidos pela demanda efetiva de pessoas em busca de justiça.

Também não se esqueça que nas localidades pequenas que estamos considerando, falamos verdadeiramente sobre uma demanda por apenas um ou bem poucos juízes. Se este ou estes juízes seriam empregados por uma associação privada de justiça ou uma companhia com acionistas, ou se seriam indivíduos autônomos que alugariam estas instalações ou escritórios, o que deveria estar claro é que somente um punhado de pessoas locais, e somente personalidades locais respeitadas e muito conhecidas – isto é, membros da elite natural local – teriam alguma chance de serem escolhidas como juízes da paz local. Somente como membros da elite natural suas decisões possuiriam alguma autoridade e se tornariam executáveis. E se eles viessem à baila com julgamentos que fossem considerados ridículos, eles seriam imediatamente substituídos por autoridades locais que fossem mais respeitáveis. 

Se prosseguirmos neste sentido no nível local, logicamente não se poderia evitar que se entrasse em conflito direto com o nível de poder governamental mais Uma revolução de baixo para cima elevado, especialmente o federal. Como lidar com este problema? Os federais não iriam simplesmente destruir qualquer tentativa destas? Eles certamente iriam querer, mas se eles realmente podem ou não fazê-lo é uma questão completamente diferente, e para perceber isto basta perceber que os membros do aparato governamental sempre representam, mesmo sob condições democráticas, meramente uma minúscula porção da população total. 

E ainda menor é a porção de funcionários públicos do governo central. Isto significa que um governo central não pode executar sua determinação legislativa, ou lei pervertida, sobre toda a população a menos que ele encontre cooperação e apoio predominantes locais ao tentar. Isto fica óbvio se imaginarmos um grande número de cidades ou vilas livres como descrevi anteriormente. É praticamente impossível, considerando o potencial humano e de conhecimento, bem como de um ponto de vista de relações públicas, dominar milhares de localidades vastamente dispersas em um território e impor o poder federal direto sobre elas. Sem imposição local, através da complacência das autoridades locais, as determinações do governo central não são muito mais do que palavras ao vento. 

Todavia, este apoio e cooperação locais são exatamente o que precisa estar faltando. Sem dúvida, enquanto o número de comunidades liberadas ainda for pequeno, o assunto parece ser um tanto quanto perigoso. No entanto, mesmo durante esta fase inicial da luta pela libertação, podemos ficar bem confiantes. Seria aconselhável durante esta fase evitar confrontos diretos com o governo central e não condenar publicamente sua autoridade ou nem mesmo renunciar solenemente ao reino.

Preferencialmente, seria aconselhável praticar
um a política de não cooperação e resistência passiva. Simplesmente para-se de ajudar na execução de toda e qualquer lei federal. Pode-se assumir a seguinte atitude: “Estas são as suas regras, e você que as imponha. Não posso te impedir, mas também não vou te ajudar, pois meu único compromisso é com meu eleitorado local”. Se aplicado com consistência, com nenhuma cooperação, nenhuma ajuda em nenhum nível, o poder do governo central diminuiria drasticamente ou até evaporaria. E levando em consideração a opinião pública geral, seria extremamente improvável que o governo federal ousasse ocupar um território em que os habitantes não fizessem nada além de tentar cuidar da própria vida. 

O caso Waco, um pequeno grupo de lunáticos no Texas, é uma coisa. Mas ocupar, ou exterminar um grupo consideravelmente grande de cidadãos normais, educados e honrados é outra coisa completamente diferente, e bem mais difícil. Uma vez que o número de territórios implicitamente separados atingisse uma massa crítica – e cada ação bem sucedida em uma pequena localidade promoveria e alimentaria a próxima – o movimento seria inevitavelmente mais radicalizado em um movimento de municipalização espalhado por toda a nação, com políticas locais explicitamente de secessão e pública e insolentemente demonstrando desobediência à autoridade federal. 

E então, será em uma situação como esta – quando o governo central for obrigado a abdicar de seu monopólio da violência e da tomada suprema de decisões judiciais, e quando a relação entre as autoridades locais (em ressurgimento) e as autoridades centrais (prestes a perder seus poderes) puderem ser colocadas em um nível puramente contratual – que recuperaremos o poder de defender nossa própria propriedade novamente. 


[Palestra dada na conferência “A falência da política americana”, realizada pelo Instituto Mises em Newport Beach, Califórnia; dias 24 e 25 janeiro de 1997.] 

Título original em inglês What Must Be Bone Título O que deve ser feito Autor Hans-Hermann Hoppe Esta obra foi editada por: Instituto Ludwig Von Mises Brasil Rua Iguatemi, 448, conj. 405 – Itaim Bibi São Paulo – SP Tel: (11) 3704-3782 Impresso no Brasil / Printed in Brazil ISBN: 978-85-8119-069-3 1ª Edição Tradução Fernando Fiori Chiocca Revisão Tatiana Villas Boas Gabbi Capa Neuen Design Imagem da Capa Solovyova Lyudmyla /Shutterstock Sky Designs / Shutterstock HAKKI ARSLAN / Shutterstock Projeto gráfico Estúdio Zebra

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

O QUE DEVE SER FEITO - Capítulo 9

O papel dos intelectuais 

Antes de explicar esta resposta como outro passo em direção ao objetivo, um segundo fato sociológico deve ser reconhecido: a mudança do papel dos intelectuais, da educação e da ideologia. Tão logo uma agência de proteção se torna um monopolista territorial – ou seja, um estado – ela deixa de ser um protetor genuíno e se transforma numa máfia de extorsão. E em consideração à resistência da parte das vítimas deste esquema de extorsão, um estado necessita de legitimidade, de justificação intelectual para o que ele faz.

Quanto mais vai aumentando o esquema de extorsão do estado – isto é, com cada aumento adicional em impostos e regulamentações – maior se torna essa necessidade de legitimação. Para assegurar a predominância do correto pensamento estatista, um monopolista de proteção irá utilizar sua posição privilegiada de operador de um esquema de extorsão para estabelecer rapidamente um monopólio da educação. Mesmo durante o século XIX sob condições monárquicas decididamente antidemocráticas, a educação, ao menos no nível da educação básica e universitária, já era em grande parte organizada monopolisticamente e financiada compulsoriamente. E foi em grande parte dos postos de professores e educadores do governo real, isto é, daquelas pessoas que tinham sido empregadas para serem os guarda costas intelectuais dos reis e príncipes, de onde o poder monárquico e os privilégios de reis e nobres foram ideologicamente questionados e em seus lugares ideias igualitaristas foram promovidas, nas formas da democracia e do socialismo. 

E do ponto de vista dos intelectuais, isso se deu por uma boa razão. Porque democracia e socialismo de fato multiplicam o número de educadores e intelectuais, e esta expansão do sistema de educação pública estatal por sua vez levou a uma inundação ainda maior de lixo e poluição intelectuais. O preço da educação, assim como o preço da proteção e da justiça, aumentou dramaticamente sob a administração monopolística, ao mesmo tempo em que a qualidade da educação, assim como a qualidade da justiça, declinaram sem parar. 

Hoje em dia, somos tão mal protegidos quanto mal educados. No entanto, sem a existência continuada do sistema democrático e da educação e pesquisa financiadas publicamente, a maioria dos atuais professores e intelectuais estaria desempregada ou seus rendimentos cairiam a uma pequena fração do que são hoje. Ao invés de pesquisas sobre a sintaxe dos povos afros, a vida amorosa dos mosquitos, ou a relação entre pobreza e crime por US$100.000 por ano, eles estariam pesquisando a ciência do cultivo de batatas ou a tecnologia da operação de uma bomba de gasolina por US$20.000. O sistema monopolizado de educação é a esta altura um problema tão grande quanto o sistema monopolizado de proteção e justiça. 

Na verdade, a educação, pesquisa e desenvolvimento governamentais são o instrumento central pelo qual o estado protege a si próprio da resistência do povo. Hoje em dia, intelectuais são tão, ou até mais, importantes, do ponto de vista do governo, para a preservação de seu status quo, do que juízes, policiais e soldados. E assim como ninguém pode converter o sistema democrático a partir do topo político para baixo, também não se pode esperar que esta conversão venha 41 de dentro do sistema estabelecido de educação pública e de universidades públicas. 

Este sistema não pode ser reformado. É impossível os liberas-libertários se infiltrarem e tomarem conta do sistema de educação pública, como os democratas e socialistas puderam quando substituíram os monarquistas. 

Do ponto de vista do liberalismo clássico, todo o sistema de educação financiado publicamente, ou através de impostos, deve sumir, inteira e completamente. E com essa convicção, é obviamente impossível para qualquer um construir uma carreira dentro dessas condições. Eu nunca serei sequer capaz de me tornar o presidente da universidade. Minhas opiniões me impedem de construir uma carreira deste tipo.


Porém isso não quer dizer que a educação e os intelectuais não tenham uma parte a desempenhar na consecução de uma revolução libertária. Pelo contrário, como expliquei anteriormente, em última análise tudo depende da questão de se conseguiremos ou não deslegitimar e expor como uma perversidade moral e econômica, a democracia e o monopólio democrático da justiça e proteção. Isto obviamente não é nada além de uma batalha ideológica. Porém seria teimosia assumir que o meio acadêmico público seria de alguma ajuda neste desafio. Na folha de pagamento do estado, os educadores e intelectuais tenderão a ser estatistas. 

Munição intelectual e direcionamento e coordenação ideológica só podem vir de fora do meio acadêmico estabelecido, de centros de resistência intelectual – de uma contracultura intelectual externa e independente, e em oposição fundamental ao monopólio governamental de proteção assim como de educação, como o Instituto Mises.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A Bíblia Etíope Completa em Português

 

As edições em português da Bíblia Etíope têm diferentes números de livros porque não existe um cânone etíope único e universalmente fixo, e o termo "Bíblia Etíope" em si pode se referir a diferentes coleções de textos. 

As razões principais para essa variação são:

  • Variação do Cânone Original: O cânone bíblico da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, embora distinto por incluir livros como Enoque e Jubileus, não é rígido e sua definição exata pode ser flexível. Os números de livros citados na tradição Etíope variam, geralmente entre 81 e 88, dependendo de como certos livros são agrupados ou se textos adicionais menos comuns são incluídos.


  • Decisões Editoriais e Comerciais: As edições em português são frequentemente traduções modernas ou compilações feitas por editores que podem escolher incluir diferentes conjuntos de textos para apelar a públicos específicos (por exemplo, "Bíblia Etíope Completa com 90 livros" ou "Anotado: 125 Livros").


  • Inclusão de Apócrifos/Pseudepígrafos: Muitas dessas edições em português incluem não apenas os livros canônicos para a Igreja Etíope, mas também uma vasta gama de outros textos apócrifos e pseudepígrafos que podem estar associados à tradição etíope, mas não são estritamente parte do seu cânone oficial principal.


  • Tradução do Ge'ez para o Português: A tradução dos textos originais em Ge'ez, uma língua antiga, para o português pode envolver diferentes abordagens e critérios de inclusão por parte dos tradutores e editores. 

A variação no número de livros nas edições em português reflete a natureza complexa e historicamente fluida do próprio cânone etíope, somada às escolhas comerciais e editoriais na produção de Bíblias para o mercado lusófono.




sábado, 3 de janeiro de 2026

O que é: Gurdjieff

 


O que é: Gurdjieff

Os Fundamentos do Pensamento de Gurdjieff

O pensamento de Gurdjieff é complexo e multifacetado, incorporando elementos de várias tradições espirituais, incluindo o sufismo, o cristianismo e o budismo. Um dos conceitos centrais de sua filosofia é a ideia de que a maioria das pessoas vive em um estado de “sono”, ou seja, não estão plenamente conscientes de suas ações, pensamentos e emoções. Para Gurdjieff, o despertar dessa consciência é fundamental para o desenvolvimento espiritual. Ele acreditava que, através de práticas específicas e da auto-observação, os indivíduos poderiam se libertar das limitações impostas por suas condições sociais e psicológicas.

A Metodologia de Gurdjieff

A metodologia de Gurdjieff é caracterizada por uma abordagem prática e experiencial. Ele utilizava uma variedade de técnicas, incluindo danças sagradas, exercícios físicos e meditações, para ajudar os alunos a desenvolverem uma maior consciência de si mesmos. Essas práticas, muitas vezes chamadas de “Movimentos de Gurdjieff”, são projetadas para integrar corpo, mente e emoções, promovendo um estado de presença e atenção plena. Além disso, Gurdjieff enfatizava a importância do trabalho em grupo, acreditando que a interação com outros poderia acelerar o processo de autodescoberta.

O Legado de Gurdjieff

O legado de Gurdjieff é vasto e continua a influenciar muitos campos, incluindo psicologia, filosofia e espiritualidade. Suas ideias foram disseminadas por meio de seus alunos e seguidores, que fundaram várias organizações e grupos dedicados ao seu ensino. O livro “Relatos de Belzebu a Seu Neto”, uma de suas obras mais conhecidas, apresenta suas ideias de maneira acessível e intrigante, misturando ficção e filosofia. A obra é considerada uma introdução essencial ao seu pensamento e é amplamente estudada por aqueles que buscam compreender sua abordagem única à espiritualidade.


Gurdjieff e a Busca pela Verdade

Para Gurdjieff, a busca pela verdade era um aspecto fundamental do desenvolvimento espiritual. Ele acreditava que a verdade não é uma entidade fixa, mas algo que deve ser constantemente buscado e questionado. Essa busca envolve um processo de autoanálise e reflexão, onde os indivíduos são encorajados a confrontar suas crenças e suposições. Gurdjieff frequentemente desafiava seus alunos a pensarem criticamente e a não aceitarem verdades absolutas sem questionamento, promovendo uma mentalidade de curiosidade e investigação.

A Influência de Gurdjieff na Espiritualidade Contemporânea

A influência de Gurdjieff na espiritualidade contemporânea é inegável. Seus ensinamentos inspiraram uma variedade de movimentos e práticas espirituais, incluindo a psicologia transpessoal e a meditação moderna. Muitos praticantes de yoga e meditação reconhecem a importância da consciência corporal e da presença, conceitos que Gurdjieff enfatizou em seu trabalho. Além disso, sua abordagem holística ao desenvolvimento humano ressoa com as tendências atuais que buscam integrar mente, corpo e espírito.

Críticas e Controvérsias

Embora Gurdjieff tenha sido uma figura influente, seu trabalho não está isento de críticas e controvérsias. Alguns críticos argumentam que suas ideias são complexas e difíceis de entender, o que pode levar a interpretações errôneas. Além disso, a natureza enigmática de seus ensinamentos e a ênfase em práticas esotéricas geraram desconfiança entre alguns grupos. No entanto, muitos defensores de Gurdjieff acreditam que suas contribuições são valiosas e que suas ideias continuam a oferecer insights profundos sobre a condição humana.

Gurdjieff e a Prática do Autoconhecimento

A prática do autoconhecimento é um dos pilares do ensinamento de Gurdjieff. Ele incentivava seus alunos a se tornarem observadores de si mesmos, a fim de identificar padrões de comportamento e crenças limitantes. Essa auto-observação é vista como um caminho para a transformação pessoal e espiritual. Gurdjieff acreditava que, ao se tornarem mais conscientes de suas motivações e reações, os indivíduos poderiam começar a fazer escolhas mais autênticas e alinhadas com seu verdadeiro eu.

O Impacto Cultural de Gurdjieff

O impacto cultural de Gurdjieff se estende além do âmbito espiritual. Suas ideias influenciaram artistas, escritores e pensadores ao longo do século XX. A intersecção entre arte e espiritualidade é um tema recorrente em sua obra, e muitos artistas encontraram inspiração em seus conceitos. Além disso, a abordagem de Gurdjieff à vida e à consciência continua a ser explorada em diversas disciplinas, incluindo a filosofia, a psicologia e as ciências sociais, refletindo a relevância contínua de seu legado no mundo contemporâneo.

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sábado, 27 de dezembro de 2025

O QUE DEVE SER FEITO - CAPÍTULO 8

O DESAPARECIMENTO DAS ELITES NATURAIS

Hans-Hermann Hoppe


Hoje em dia, depois de menos de um século de
democracia de massa, não existem essas elites naturais e
hierarquias sociais nas quais se poderia imediatamente
buscar proteção. Organizações e ordens hierárquicas
sociais e de elites naturais, ou seja, pessoas e instituições
com autoridade de comando e respeito, independentes
do estado, são ainda mais intoleráveis e inaceitáveis
para um democrata e mais incompatíveis com o espirito
democrático do igualitarismo do que eram uma ameaça
a qualquer rei e a qualquer príncipe. E por causa disso,
sob as regras democráticas do jogo, toda autoridade
independente, todas as instituições independentes, foram
sistematicamente apagadas ou reduzidas à insignificância
através de medidas econômicas. Hoje em dia, nenhuma
pessoa ou instituição fora do próprio governo possui
autoridade genuína, nacional e nem mesmo regional.
No lugar de pessoas de autoridade independente agora
temos meramente uma abundância de pessoas que são
proeminentes: as estrelas do esporte e do cinema, as
estrelas pop, e, logicamente, os políticos. Mas essas
pessoas, embora sejam capazes de lançar tendências e
estabelecer modas, não possuem nada parecido com a
autoridade social pessoal natural.
E quando falamos particularmente de políticos,
isto é ainda mais verdadeiro: eles podem ser grandes
estrelas hoje em dia, todos os dias eles aparecem na TV
e são o assunto do debate público, mas isto é quase que
totalmente devido ao fato de que eles são uma parte do
atual aparato estatal com seus poderes monopolísticos.

Uma vez que esse monopólio seja desfeito, estas
“estrelas” da política se tornariam nulidades, porque
na vida real praticamente todos eles são zeros à
esquerda, picaretas e débeis mentais. E é só mesmo a
democracia que permite que eles cheguem a posições
elevadas. Dependendo de suas próprias capacidades, de
suas próprias realizações pessoais, eles são, quase sem
nenhuma exceção, completamente insignificantes. Sem
meias palavras, assim que o governo democrático – o
congresso – declarasse que de agora em diante todos
estariam livres para escolher seu próprio juiz e protetor,
de modo que ainda pudessem, mas não fossem mais
obrigados a escolher o governo como protetor, quem em
seu juízo perfeito iria ser capaz de escolhê-los?! Ou seja,
os atuais membros do congresso e do governo federal:
quem os escolheria voluntariamente como seus juízes
e protetores? A resposta já está explícita na pergunta.
Reis e príncipes possuem autoridade real; havia coerção
envolvida, não tenha dúvida, mas eles recebiam uma
porção significativa de apoio voluntário.
Em contraste, políticos democráticos são geralmente
desprezados, mesmo por sua própria base eleitoral.
Mas então também não há nenhuma outra pessoa
para a qual se voltar para buscar proteção. Políticos
locais e regionais apresentam basicamente o mesmo
tipo de problema, e com a abolição de seus poderes
monopolísticos, eles obviamente também não oferecem
uma alternativa atrativa. Também não há nenhuma grande
personalidade do mundo empreendedor esperando por
essa oportunidade, e as companhias de seguro, tendo se
tornado quase que completamente criaturas do estado
democrático igualitário, mostram-se tão pouco confiáveis
quanto qualquer outro para assumir esta particularmente
importante tarefa de proteção e justiça.

Portanto, se alguém fizesse hoje o que o rei poderia ter
feito 100 anos atrás, haveria o perigo imediato de ocorrer
de fato o caos social, ou a “anarquia” no mal sentido. As
pessoas realmente iriam, ao menos temporariamente, ficar
muito vulneráveis e indefesas. Então a questão muda:
não há nenhuma saída? Deixe-me resumir a resposta
antecipadamente: Sim, mas ao invés de por meios de uma
reforma de cima para baixo, a estratégia deve agora ser
de uma revolução de baixo para cima. E ao invés de uma
única batalha, em um único front, uma revolução liberallibertária agora deve envolver muitas batalhas em muitos fronts. Isto é, queremos uma guerra de guerrilha ao invés
de uma guerra convencional.

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